Clive Barker’s Hellraiser: Revival | Review
Clive Barker’s Hellraiser: Revival chega hoje, 8 de outubro de 2026, colocando o jogador frente a frente com os Cenobitas e o Labirinto em uma intensa experiência de ação, terror e sobrevivência em primeira pessoa.
Desenvolvido pela Saber Interactive, o jogo não adapta diretamente os filmes. Em vez disso, apresenta uma história inédita e canônica de Hellraiser, criada com a participação e aprovação do próprio Clive Barker.
Este é o primeiro grande game original da franquia Hellraiser e marca o retorno de Doug Bradley como o Cenobita Pinhead. O ator reprisa o papel que o transformou em um dos maiores ícones do terror, quase duas décadas após sua última interpretação do personagem.
Em Clive Barker’s Hellraiser: Revival, você acompanha Aidan, que precisa dominar os poderes de uma misteriosa caixa de quebra-cabeça para resgatar sua namorada, Sunny, do inferno sobrenatural do Labirinto. Ao longo da jornada, será preciso sobreviver ao pacto com o infame Pinhead e enfrentar um culto macabro devotado aos Cenobitas.
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A ascensão do inferno
É isso, meus amigos. Aparentemente, estamos vivendo um dos melhores momentos para os filmes e jogos de horror. O ano de 2026 trouxe filmes como Obsessão, Backrooms: Um Não Lugar, entre outros, e jogos como Resident Evil: Requiem e Silent Hill: Townfall. E não vou mentir, este último foi uma grande surpresa para mim em setembro, eu não esperava outra pancada dessas tão cedo.
Porém, apenas duas semanas depois, Clive Barker’s Hellraiser: Revival chega, trazendo um jogo de ação, terror e sobrevivência à altura, com elementos únicos de horror que somente a mente de Clive Barker poderia nos entregar.
Clive Barker’s Hellraiser: Revival é ambientado no universo de The Hellbound Heart, obra literária que deu origem à franquia Hellraiser, e dos dois primeiros filmes da série. A história do jogo se passa 20 anos após os acontecimentos do primeiro filme.

Após uma noite de prazeres, Yoon Sun-Hee, conhecida como Sunny, decifra a Configuração Genesis e abre o Cubo de Lemarchand, invocando os Cenobitas. Como consequência, ela é dilacerada pelas correntes do Labirinto, enquanto Aidan Lynch, seu namorado, desmaia após receber um golpe de correntes na cabeça.
Ao acordar, Aidan se encontra raptado por um culto de fanáticos que veneram Leviatã, a entidade suprema, o deus do inferno e o verdadeiro governante dos Cenobitas, e desejam trazer os Cenobitas para o mundo dos vivos. Preso a uma cadeira de madeira, ele está com a mão esquerda pregada por um prego e presa por um gancho, o braço direito costurado à barriga e o pênis perfurado. Ainda assim, Aidan Lynch consegue se libertar.
E assim, desesperado e disposto a fazer qualquer coisa para trazer Sunny de volta, ele firma um pacto com o próprio Hell Priest, mais conhecido pelos fãs da obra como Pinhead, e se aventura pelo Labirinto em busca da alma de Sunny.

E só para deixar claro de antemão, meus amigos. Clive Barker’s Hellraiser: Revival é um jogo pesado, que aborda temas delicados como drogas, mutilação, suicídio, violência sexual, nudez e sadomasoquismo. Então, tenha em mente, antes mesmo de comprar o jogo, que, além da ação, dos puzzles, do gerenciamento de recursos e dos elementos de sobrevivência, todas essas questões serão abordadas constantemente ao longo da experiência.
Terror em primeira pessoa
Hellraiser: Revival adota a perspectiva em primeira pessoa, colocando o jogador diretamente na pele de Aidan Lynch. A escolha funciona bem para aumentar a imersão, e a jogabilidade é simples de aprender. Os controles respondem bem e ainda há opções de personalização, incluindo ajuste de sensibilidade e quatro esquemas diferentes de botões.
O jogo também aposta em crafting, e, durante a jornada, é possível fabricar itens como curativos, munições e armadilhas. O arsenal é dividido entre armas de fogo, equipamentos de combate corpo a corpo e até mesmo a Caixa de LeMarchand, o famoso cubo, pode ser usada contra os inimigos, mas só para deixar claro, só sair atirando em tudo de início não costuma ser uma boa ideia.
As armas de combate corpo a corpo são divididas entre armas de contusão, úteis para quebrar armaduras, e armas brancas, capazes de decepar membros dos inimigos. O problema é que ambas possuem durabilidade e acabam quebrando conforme são utilizadas. Já a munição das armas de fogo, logicamente, é limitada, transformando cada confronto em uma pequena decisão de gerenciamento. Você pode partir para cima, mas precisa pensar no que vai gastar para fazer isso.

O gerenciamento de inventário segue a mesma lógica, como em Resident Evil, o espaço disponível é limitado e pode ser ampliado com equipamentos encontrados durante a campanha. O jogador também conta com um baú para armazenar os itens que não precisa carregar naquele momento.
Parece um detalhe, mas muda bastante a forma de jogar. Encontrar recurso deixa de significar simplesmente “pegar e levar”. Você precisa decidir o que vale ocupar espaço, o que pode ser guardado e o que será necessário para o próximo confronto.
As mecânicas de combate na prática
Para início de conversa, é provável que você use bastante o modo furtivo em Clive Barker’s Hellraiser: Revival. Ao menos na dificuldade normal, os inimigos não são muito espertos, então é bem possível chegar sorrateiramente pelas costas e eliminar vários deles sem sequer ser notado.
Quando você for descoberto e não puder recorrer ao furtivo, aí rola o famoso risca-faca. O combate corpo a corpo é um pouco travado no início e, até pegar o jeito de se esquivar, mirar no braço ou no pescoço e atacar, pode levar algum tempo. Depois de algumas tentativas, porém, tudo acaba ficando mais natural.
Já nos confrontos com armas de fogo, você pode optar por deixar a assistência de mira desligada, ativá-la no padrão ou utilizar o nível forte, que direciona a mira diretamente para o inimigo e facilita bastante caso você tenha dificuldade com jogos de tiro. Também é possível ajustar a sensibilidade dos analógicos, tornando o manuseio da pistola, do rifle de assalto e da escopeta bem mais confortável.

O Cubo de LeMarchand, por sua vez, apresenta algumas das mecânicas mais interessantes de Hellraiser: Revival. Com ele, é possível puxar pregos, serras, hélices e outros objetos pesados e cortantes para arremessá-los contra os inimigos. Mais adiante, você também adquire a habilidade de manipular o fogo por meio do artefato.
Ele também é responsável pelas Hellchains, um golpe especial capaz de atingir todos os inimigos que estiverem na tela de uma só vez, invocando as correntes do inferno para atravessá-los. Porém, para utilizar qualquer função do Cubo, é necessário causar dano aos adversários e aumentar a barra de sofrimento, localizada no canto inferior esquerdo da tela.
Para ser sincero, gostei bastante da mecânica envolvendo o Cubo, mas achei que ela poderia ter sido mais explorada. A habilidade relacionada ao fogo acaba sendo subutilizada, já que é necessário ter chamas por perto para ativá-la, restringindo seu uso a locais específicos. Já as Hellchains só são aprendidas mais adiante na jornada.

Por fim, Hellraiser: Revival também permite utilizar elementos do cenário a seu favor. É possível, por exemplo, usar barris de óleo para provocar grandes explosões, derramar gasolina, explodir tanques e até eletrocutar inimigos ao ligar um gerador próximo a poças d’água.
Faltaram motivos para re-explorar o labirinto
Clive Barker’s Hellraiser: Revival é um excelente jogo de ação, horror e sobrevivência, bastante imersivo e que entrega aquilo a que se propõe, levar a franquia dos cinemas para o mundo dos games sem deixar de lado os elementos que a tornaram conhecida.
O game possui um level design excelente, algo que vou abordar melhor mais à frente, além de uma jogabilidade satisfatória e Cenobitas fiéis à obra. Também há uma boa quantidade de documentos que expandem a história, incluindo gravações, arquivos do culto e informações sobre outros personagens, além de dois finais distintos.
Porém, confesso a vocês que senti falta de recursos como um New Game Plus, que permitiria terminar a campanha e retornar ao início, mantendo os equipamentos para explorar áreas novamente e encontrar recursos deixados para trás. Outro conteúdo que poderia tornar Hellraiser: Revival ainda mais interessante seriam filmes, documentários ou até mesmo arquivos com fotos e informações sobre os Cenobitas.

O game possui uma duração média de 8 a 12 horas. Eu terminei minha primeira campanha em cerca de 9 horas e, infelizmente, a ausência de um New Game Plus deixa aquela sensação inevitável ao chegar aos créditos: “E agora? Acabou?”.
É uma pena, porque uma adição relativamente simples poderia aumentar consideravelmente a longevidade de Hellraiser: Revival, oferecendo mais motivos para revisitar seus cenários e explorar aquilo que ficou para trás.
Audiovisual de Clive Barker’s Hellraiser: Revival
Clive Barker’s Hellraiser: Revival é um jogo muito bem ambientado, com cenários variados que vão de uma casa de swing cheia de pessoas, com direito a DJ e cultistas dançando, a um cemitério aberto e cercado por túmulos. Também passamos pelos subsolos da boate, que são áreas mais claustrofóbicas, e até mesmo pelo Labirinto, onde, em diversos momentos, o caminho vai se formando diante dos nossos olhos.
Tudo é muito bonito. A direção de arte é incrível, assim como a iluminação e o nível de detalhes dos cenários. Há esculturas feitas de corpos, quadros e uma série de outros elementos que ajudam a construir a identidade visual de Hellraiser.
Para ser sincero, a única coisa que, ao meu ver, ficou abaixo do restante foi a poça de sangue deixada pelos inimigos mortos no chão, que em diversas ocasiões parece artificial. Os personagens, por outro lado, são muito bem modelados, desde os membros do culto, com suas marcas, até os Exilados. E isso sem falar nos Cenobitas, que ficaram realmente fiéis à obra de Clive Barker.

A trilha sonora também é ótima, o som ambiente dita o ritmo da jornada, enquanto os efeitos sonoros ajudam a tornar nossa passagem por Hellraiser bastante imersiva. Porém, há um ponto que preciso destacar, alguns efeitos e até mesmo determinadas vozes parecem estar posicionados de maneira incorreta, além de alguns problemas de áudio que poderiam atrapalhar a experiência.
Vou explicar melhor. Toda a minha jornada por Clive Barker’s Hellraiser: Revival, foi feita usando um headset Sony Pulse 3D, com o modo de reprodução em fones de ouvido e o alcance dinâmico configurado no modo noturno. Em determinados momentos, alguns inimigos pareciam estar ao meu lado, falando praticamente dentro do meu ouvido, quando, na verdade, estavam a vários metros de distância.
Isso também aconteceu durante meu encontro com Charlotte, uma das primeiras chefes. As garras dela pareciam estar raspando sobre a casa onde eu estava, mas, na realidade, Charlotte estava bem distante, em uma praça. Outro problema de áudio que encontrei algumas vezes aconteceu após matar um inimigo, mesmo depois de derrotado, ele continuava falando. Também houve momentos em que o som simplesmente desapareceu após derrotar determinados adversários.

Apesar disso, nenhum desses problemas atrapalhou minha progressão. Porém, por se tratar de um survival horror, em que os efeitos sonoros têm um papel importante na imersão e na percepção do ambiente, fica a torcida para que a desenvolvedora corrija essas questões por meio de um patch de atualização no lançamento.
Por fim, Clive Barker’s Hellraiser: Revival conta com legendas localizadas para o português do Brasil. E o melhor de tudo é que a nomenclatura utilizada por Clive Barker em sua literatura também foi mantida no jogo, um cuidado que ajuda a preservar a identidade do universo de Hellraiser.
Vale a pena jogar Clive Barker’s Hellraiser: Revival
Sem sombra de dúvidas, vale! O game foi outra grande surpresa de 2026 para mim, entregando uma proposta de horror mais ousada, com temas delicados e sem medo de ultrapassar alguns limites, algo que certamente pode afastar determinados jogadores.
É verdade que a obra não está perfeita. Durante minha jornada como Aidan Lynch, pude notar alguns problemas sonoros e até mesmo a falta de incentivos para continuar explorando os mistérios do Labirinto. Ainda assim, são questões que acabam ficando em segundo plano diante da atmosfera construída pelo jogo, que conseguiu me manter envolvido do início ao fim.
E é justamente quando Hellraiser: Revival coloca o jogador dentro do Labirinto que ele mostra sua melhor faceta. A sensação de não saber exatamente qual caminho seguir, enquanto percorremos corredores claustrofóbicos, tentamos entender o que está acontecendo ao nosso redor e escutamos o inquietante bater dos dentes do Cenobita Chatterer cria uma tensão difícil de reproduzir. É um tipo de horror que não depende apenas de sustos, mas da expectativa pelo que pode surgir no próximo corredor.
Por fim, Clive Barker’s Hellraiser: Revival entende muito bem aquilo que torna o universo criado por Clive Barker tão particular. Entre dor, prazer, violência e uma boa dose de estranheza, o jogo não tenta suavizar seus temas para alcançar um público maior. E talvez seja justamente aí que esteja seu maior mérito, Hellraiser: Revival sabe que nem todo mundo vai gostar do que tem a oferecer, mas também não parece disposto a abrir mão de sua identidade para agradar a todos.
Clive Barker’s Hellraiser: Revival será lançado em 8 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam.
*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Saber Interactive.
Clive Barker's Hellraiser: Revival
BRL 229,90Prós
- Legendas em português do Brasil, mantendo a nomenclatura de Clive Barker.
- História ousada e fiel ao universo de Hellraiser.
- Excelente ambientação e direção de arte.
Contras
- Problemas de posicionamento e reprodução dos efeitos sonoros.
- Mecânicas do Cubo de LeMarchand são pouco exploradas.
- Ausência de New Game Plus e conteúdos extras eduz consideravelmente a longevidade.



