EA SPORTS NHL 27 | Review
Tenho uma relação curiosa com jogos esportivos anuais. Quem acompanha o Pizza Fria sabe que eu sempre cubro os jogos esportivos da Electronic Arts como as franquias Madden NFL, College Football, FC e NHL. Com isso, ao acompanhar essas séries ano após ano as análises acabam encontrando em alguns momentos poucas novidades, o que julgo como frustrante. Em alguns momentos, como ao jogar o EA SPORTS FC 27 neste ano, tive surpresas agradáveis. Para um jogo ter boas mudanças, não basta atualizar elenco, alterar menus e colocar duas ou três novidades na caixa. É inevitável comparar cada detalhe com aquilo que joguei apenas doze meses antes. E foi exatamente dessa forma que comecei EA SPORTS NHL 27.
Hóquei é um esporte que funciona muito bem nos videogames, e digo isso pois jogo desde o Super Nintendo. A velocidade, o contato físico, a constante troca entre ataque e defesa e aquele caos controlado criado por seis jogadores deslizando rapidamente sobre o gelo soam como uma ideia incrível. A EA possui décadas de experiência tentando traduzir isso para os controles, então algumas sensações já chegam praticamente consolidadas, algo que julgo como ótimo. Receber o disco, encontrar uma linha de passe, acertar um adversário contra a borda e marcar um gol continuam produzindo aquela sensação gostosa que só quem curte o esporte entende.
EA SPORTS NHL 27 chega para PlayStation 5 e Xbox Series X|S prometendo principalmente mais identidade para os times. Os 32 clubes da NHL possuem Playbooks construídos a partir de dados reais do NHL EDGE, a movimentação sofreu ajustes e uma nova inteligência artificial tenta fazer os companheiros entenderem melhor aquilo que cada equipe pretende realizar em quadra. Há também o Connected Franchise, permitindo compartilhar a administração de uma liga com outros jogadores. Muitos nomes e novidades, não é mesmo? Mas será que todas elas modificam tanto o jogo ao ponto de justificar um novo título? Essa e várias outras questões serão respondidas nesta análise. Bora pro rinque!
A jogabilidade segue no mesmo estilo, e isso é bom
A melhor parte de NHL 27 continua acontecendo quando simplesmente pegamos o controle e entramos no gelo. A movimentação é rápida, mas transmite peso suficiente para que jogadores não pareçam deslizar sem qualquer resistência. Ela é dinâmica, mas não torna a experiência de forma a comprometer o estilo do jogo. Patinação, passes, chutes e contato físico continuam funcionando muito bem. Os tackles continuam sendo um dos grandes momentos do jogo. Existe uma fluidez excelente ao transportar o puck pela quadra, especialmente quando começo a combinar mudanças rápidas de direção com passes para jogadores entrando em velocidade.
Ao mesmo tempo, a EA alterou algumas pequenas coisas que podem incomodar quem, assim como eu, chega carregando uma certa memória muscular vinda das edições anteriores. O pivot com o gatilho esquerdo, por exemplo, não pode mais ser usado de maneira tão despreocupada. Abusar do movimento reduz velocidade e deixa o atleta vulnerável a poke checks, sendo mais fácil perder o puck para o adversário.

Com isso, demorei algum tempinho para abandonar certos hábitos. Quando comecei a usar o recurso apenas para reposicionamento ou criação de linhas de passe, entendi melhor a intenção da mudança e até fez sentido. O jogo parece tentar incentivar um hóquei menos baseado em pequenos vícios mecânicos e mais preocupado com uma movimentação consciente e variada, justamente para criarmos novas opções durante a partida. Ou seja, agora, não é só ir para uma das laterais, cruzar e fazer o gol. Agora, é necessário demais criar novas possibilidades.
Playbooks reais
Por ter certa experiência com jogos de esportes populares nos Estados Unidos, vejo nesta adição um grande avanço, trazendo Playbooks para cada uma das 32 equipes disponíveis no EA SPORTS NHL 27. Agora, em vez de simplesmente escolher formações genéricas, cada clube possui preferências baseadas na realidade. Algumas equipes são mais agressivas no forecheck, outras preferem carregar o puck pela zona neutra, enquanto existem aquelas que trabalham a posse até encontrar algum espaço.
Jogar com o Edmonton Oilers, por exemplo, que é a equipe que “torço”, se é que posso dizer isso, incentiva uma abordagem diferente da utilizada com o Colorado Avalanche. O posicionamento dos companheiros acompanha essas preferências e, depois de algumas partidas, comecei realmente a perceber que trocar de equipe exigia pequenos ajustes na minha maneira de jogar. Foi algo que gostei bastante. Em jogos esportivos, muitas vezes os clubes acabam sendo separados quase exclusivamente pelo overall dos jogadores. Agora, temos personalidade coletiva (embora McDavid continue sendo absurdamente bom, é claro).

Quando esse sistema funciona, é possível perceber companheiros criando linhas de passe, ocupando espaços e reagindo ao desenvolvimento das jogadas. Fazer um gol depois de trabalhar o puck exatamente conforme o Playbook daquele time é algo bem satisfatório. Desta forma, os Playbooks refinam bastante algo que já existia, trazendo um certo grau de realismo ao gelo.
A inteligência artificial está menos inteligente
A EA chama seu novo sistema de Cohesive AI e, teoricamente, os jogadores controlados pela máquina deveriam compreender melhor estratégia, posicionamento e contexto da partida. Curiosamente, minha experiência ao jogar o EA SPORTS NHL 27 nem sempre passou essa impressão. Existem situações em que a IA funciona bem. Companheiros acompanham contra-ataques, pressionam depois de um puck lançado ao fundo e ocupam linhas conforme o Playbook. Quando controlo a equipe inteira, consigo compensar algumas decisões estranhas ao trocar para o jogador necessário.
Mas o problema no EA SPORTS NHL 27 aparece com muito mais força nos modos em que controlo apenas um atleta. Por incrível que pareça , achei a IA menos inteligente do que na edição anterior em várias dessas situações. Companheiros deixam de aproveitar espaços muito evidentes, demoram a acompanhar algumas jogadas e, ocasionalmente, parecem simplesmente não interpretar aquilo que estou tentando construir. Isso é complicado demais, chegando a ser frustrante.

Em um jogo que vende justamente uma inteligência coletiva mais sofisticada, esse tipo de situação chama ainda mais atenção. A IA não é ruim o tempo inteiro, mas a inconsistência fica difícil de ignorar. Felizmente, as atualizações podem melhorar isso. Oremos…
Pouco mudou desde NHL 26
Esse é, para mim, o principal problema observado no EA SPORTS NHL 27. Quando saio do gelo e começo a observar o pacote completo, encontro conteúdo muito parecido com aquilo que já estava disponível. O World of Chel praticamente não mudou. O Franchise tradicional também continua bastante familiar fora da integração dos novos Playbooks. O HUT recebeu os Playbooks e treinadores reais, mas sua estrutura central permanece bem similar ao ano passado.
Até Be a Pro, um modo que realmente precisava de uma transformação maior, e que jogo com mais frequência, avança pouco. Existe agora uma preocupação maior com liderança e com transformar o jogador em capitão, mas isso também limita um pouco o roleplay. E se eu não quiser ser o grande líder do vestiário? E se quiser interpretar um enforcer, um atleta discreto ou simplesmente alguém que cumpre outra função?

A parte anterior à chegada na NHL continua interessante, com divisões menores e torneios internacionais, mas várias situações e batidas narrativas são muito próximas do que vimos no ano anterior. Aliás, percebi que até certas perguntas e animações se repetem. É frustrante porque não considero esses modos ruins. O problema é jogar novamente as mesmas experiências, mas em uma nova edição.
Be a Pro também não teve grandes novidades
O modo Be a Pro é onde a sensação de repetição mais me incomodou em EA SPORTS NHL 27. A ideia de construir uma carreira individual continua divertida, especialmente por permitir acompanhar um jogador desde os primeiros passos até se estabelecer na NHL. O problema é que quem jogou a edição passada reconhecerá praticamente tudo, e de maneira imediata. O novo foco em liderança tenta adicionar algum propósito, mas acaba empurrando o personagem por um caminho muito específico.
Além disso, é justamente aqui que os problemas da IA ficam mais evidentes. Como controlo apenas meu atleta, dependo completamente dos companheiros para interpretar movimentações, aproveitar passes e cumprir seus papéis. Quando eles funcionam, tudo flui lindamente. Quando não funcionam, é frustrante demais assistir a uma jogada morrer sem ter qualquer forma de assumir outro atleta e corrigir a decisão. E, tal como no futebol, “quem não faz, leva”.

Gráficos não surpreendem, mas áudio segue excelente
A apresentação geral de EA SPORTS NHL 27 é muito competente. Os menus estão bonitos e têm mais personalidade do que boa parte dos jogos esportivos atuais. Ver um atleta do time favorito no fundo enquanto highlights e elementos gráficos aparecem na interface deixa tudo mais vivo. Os 32 ginásios também receberam mais atenção, com músicas de gol, iluminação, telões, mascotes e elementos específicos. Em movimento, o gelo continua muito bonito, e há pequenas melhorias nos modelos dos jogadores. Luzes e reflexos ajudam bastante a construir a atmosfera das arenas. Mesmo assim, esperava algo novo nos gráficos.
Pensei nisso sobretudo após jogar EA SPORTS FC 27, título que senti uma diferença gráfica considerável. O futebol da própria EA apresenta rostos, animações corporais e uma representação geral dos atletas mais convincente. NHL 27 não é feio, mas não alcança o mesmo nível de acabamento visual. Alguns jogadores ainda parecem artificiais, e os modelos da torcida são particularmente irregulares. Em planos mais próximos, eles podem quebrar bastante a ilusão de transmissão televisiva. Os treinadores de cada time então, que coisa horrenda!

Se graficamente fiquei querendo muito mais, o áudio de EA SPORTS FC 27 entrega muito melhor a sensação de uma arena de hóquei. Ouvir a música específica do time depois de marcar um gol continua sendo ótimo. O barulho da torcida cresce nos momentos importantes, colisões possuem impacto e os sons da patinação ajudam a construir uma sensação muito agradável de presença no gelo. John Buccigross e Darren Pang formam a nova dupla de comentários e encaixam bem na proposta de transmissão televisiva. Aliás, a EA nesta temporada está com vários narradores em seus jogos, nos dando uma boa variedade.
A apresentação tem confiança e frequentemente temos a sensação de assistir um jogo televisionado. Só senti falta de diferenças mais profundas entre algumas arenas. Por trás das músicas, cores e detalhes específicos, parte da estrutura de apresentação continua semelhante demais entre os clubes. A torcida, por exemplo, segue meio artificial. Ainda assim, jogar com um bom sistema de som ajuda bastante a experiência. Quando puck, torcida, comentário e música de gol se juntam, NHL 27 lembra por que hóquei funciona tão bem em videogame.

Ajustes pequenos que parecem uma atualização
Depois de várias partidas, ficou claro para mim que NHL 27 não queria reconstruir aquilo que já existe, parecendo mais uma atualização. A prioridade foi ajustar movimentação, dar personalidade tática aos times e melhorar apresentação. Há algum mérito nisso, claro. Nem toda sequência precisa desmontar sua jogabilidade simplesmente para parecer diferente. Se o hóquei já funciona bem, destruir a base seria pouco inteligente.
O problema é que estamos falando de uma série anual vendida como um novo produto. Em algum momento, refinamento deixa de ser suficiente. Connected Franchise é importante. Playbooks são interessantes. Os ajustes na patinação deixam as ações mais deliberadas. Mas, quando olho para o pacote inteiro, ainda vejo NHL 26 em muitos lugares. E justamente essa familiaridade excessiva que me frustra nesta análise.

Vale a pena jogar EA SPORTS NHL 27?
Apesar de ser uma versão do ano passado com atualizações, EA SPORTS NHL 27 continua sendo um jogo de hóquei muito divertido e responsivo. Patinar é gostoso, movimentar o puck funciona bem, os impactos possuem peso e marcar um gol acompanhado da explosão da torcida ainda produz uma satisfação que poucas modalidades esportivas conseguem replicar da mesma maneira. É um jogo muito bem apresentado nesses pontos.
Os Playbooks também são uma ideia interessante e observável em outros jogos de esporte da EA. Assim, dar às 32 equipes características próprias faz com que trocar de time tenha um significado maior do que simplesmente utilizar jogadores com atributos diferentes. Quando a inteligência artificial acompanha corretamente essas filosofias, as partidas apresentam ritmos e estratégias realmente distintos.
O problema é que EA SPORTS NHL 27 pouco mudou no geral. O Be a Pro continua excessivamente parecido, o World of Chel praticamente repete sua estrutura e os modos Franchise e HUT recebem principalmente ajustes associados aos novos Playbooks. Sendo muito honesto, para quem comprou NHL 26, há momentos em que é difícil encontrar motivos realmente fortes para fazer outra compra em preço cheio.
A inteligência artificial deste ano também me decepcionou. Por incrível que pareça, em certas situações achei os companheiros menos inteligentes do que na versão anterior. Isso incomoda mais ainda em modos nos quais controlo somente um jogador, porque fico completamente dependente das decisões dos outros cinco atletas. Ver uma ótima jogada morrer porque um companheiro não ocupou um espaço evidente ou não atacou uma linha disponível é particularmente frustrante.
Ainda assim, existe uma boa experiência aqui, tal como a do ano passado. Quem está afastado da franquia há dois ou três anos encontrará um pacote muito mais fácil de recomendar, porque poderá perceber diversas melhorias acumuladas. Quem compra todos os anos precisa avaliar com mais cuidado quanto os Playbooks e outras pequenas modificações e questionar: será que elas realmente importam?
Concluindo, EA SPORTS NHL 27 permanece um ótimo jogo de hóquei (talvez o único), mas uma sequência conservadora demais. É divertido deslizar pelo gelo e há boas ideias na nova identidade tática das equipes, porém a sensação constante de estar jogando algo muito próximo da edição anterior impede uma nota maior. Para NHL 28, espero que a EA finalmente faça mais do que ajustar as linhas no gelo, dê uma renovada no Be A Pro e em todo o resto do jogo. Os fãs agradecerão.
*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Electronic Arts.
EA SPORTS NHL 27
BRL 349,00Prós
- Jogabilidade continua muito divertida
- Playbooks são uma boa adição para dar mais realismo às 32 equipes
- Ginásios possuem ótima atmosfera, com músicas de cada time e outros detalhes
- As partidas parecem ser transmitidas pela TV
Contras
- Pouco mudou em relação a NHL 26
- Be a Pro continua extremamente parecido com o ano anterior
- IA apresenta decisões frustrantes em diversos momentos
- Título segue sem legendas em português brasileiro



