Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen | Review

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Antes do lançamento de Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen, o jogo original vinha colecionando opiniões mistas entre seus jogadores, com um combate repleto de boas ideias, mas também de problemas, além de todas as questões envolvendo as micro transações presentes na experiência original. Para aqueles que gostariam de conhecer melhor o estado do jogo em seu lançamento, o Matheus, aqui do Pizza Fria, já fez uma análise de sua versão inicial.

Mas o assunto dessa vez é sua expansão. Seguindo a estratégia do primeiro título da saga, a Capcom novamente se propôs a trazer uma grande DLC, oferecendo novas missões e, principalmente, novas mecânicas para os jogadores que decidirem embarcar nessa nova aventura.

Com isso, fica a dúvida: a Capcom conseguiu aprimorar a jogabilidade de Dragon’s Dogma 2 em sua nova expansão, Dark Arisen? Prepare um lanchinho e vem comigo que eu te deixo informado sobre tudo que você deve esperar em mais uma review antecipada aqui no Pizza Fria.

O novo mundo de Norgan e suas terras congeladas

Enquanto o jogo original se passa majoritariamente entre florestas, campos verdes e os grandes desertos avermelhados de Battahl, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen leva o jogador para um ambiente bem diferente nas terras geladas de Norgan. A mudança visual é perceptível logo nos primeiros momentos.

Graficamente, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen consegue se destacar principalmente pela ambientação de Norgan. As terras geladas trazem uma identidade visual diferente daquela encontrada no jogo base. Mesmo assim, não espere uma grande evolução técnica em relação ao jogo base, já que a maior parte da estrutura visual continua seguindo o mesmo padrão apresentado anteriormente.

O level design também apresenta algumas diferenças em relação ao mapa original. Enquanto Vermund e Battahl possuem grandes áreas abertas, múltiplas rotas de exploração e cidades espalhadas pelo mapa, Norgan aposta em uma região mais hostil e com uma presença humana muito menor. A sensação de isolamento combina com a proposta da expansão e faz com que a exploração tenha uma atmosfera diferente daquela encontrada no jogo base.

Outro elemento responsável por renovar a experiência são os novos inimigos. Lobos brancos, dragões e criaturas menores, além de outros tipos de oponentes inéditos aparecem ao longo da jornada, trazendo novos confrontos para quem já está familiarizado com os adversários originais. Algumas dessas batalhas também exigem uma abordagem diferente, principalmente quando o jogo começa a colocar o jogador diante dos inimigos mais poderosos da expansão.

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A região de Norgan traz um visual totalmente único em Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen. (Captura de tela: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Falando em inimigos poderosos, um dos grandes destaques da expansão é sua dificuldade. Apesar de suas missões serem desbloqueadas relativamente cedo na campanha, não pense que seguir em direção ao norte sem se preparar resultará em uma tarefa fácil. Na prática, a própria expansão recomenda que os jogadores estejam por volta do nível 40 e tenham obtido equipamentos mais fortes antes de enfrentar seus desafios mais pesados.

Veteranos que já terminaram o jogo e possuem um personagem bem desenvolvido naturalmente terão uma vantagem maior, especialmente ao utilizar um arquivo de New Game+. Já os novatos precisarão dedicar um bom tempo ao aprimoramento de seu protagonista, de seus Peões e de seus equipamentos antes de conseguirem encarar os desafios mais difíceis de Norgan.

No aspecto sonoro, porém, as novidades são bem mais discretas. A expansão reutiliza grande parte dos efeitos, vozes e elementos sonoros presentes no jogo base, fazendo com que não existam grandes mudanças nesse departamento. A ambientação de Norgan consegue contribuir para a sensação de estar em uma região diferente, mas o trabalho sonoro não chega a ser um dos grandes destaques da expansão.

No fim, Norgan consegue se diferenciar visualmente e estruturalmente das regiões do jogo base, trazendo uma atmosfera mais hostil e isolada para a exploração. A mudança de cenário, os novos inimigos e a dificuldade elevada fazem com que a região tenha uma identidade própria, mesmo que a expansão não apresente uma evolução técnica significativa em relação ao jogo original.

As novas mecânicas de Dark Arisen

Como os jogadores irão para o extremo norte do mapa aqui em Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen, é de se esperar que certas mecânicas tenham sido ligeiramente modificadas, além de outras que foram criadas especialmente para a expansão. Os pontos de viagem rápida, por exemplo, não funcionam da mesma forma aqui.

O Nascen deverá encontrar os Cristalportos específicos de Norgan se quiser criar atalhos ao explorar. Apesar de você não poder usar as dezenas desses itens que possa ter acumulado durante a campanha normal, há vários deles espalhados pelo novo mapa, e algumas horas andando por aí te recompensarão com o suficiente deles.

Também há um novo sistema de obtenção de equipamentos bastante interessante, ao meu ver. Enquanto estiver enfrentando inimigos nas terras geladas, há uma chance de você encontrar alguns espólios específicos. Com esses itens, o Nascen poderá negociar com uma das novas personagens para obter armas e ferramentas únicas, comumente sendo bem fortes, visto que a DLC exige um equipamento melhor. Esse sistema será bastante útil, principalmente para aqueles que irão começar sua jornada em Dragon’s Dogma 2 agora.

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Novo sistema de troca de espólios em Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen permite que os jogadores encontrem e negociem equipamentos pelo mundo de Norgan. (Captura de tela: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Além disso, o sistema de XP é bem mais generoso aqui, ao meu ver. Enquanto no jogo base as ameaças mais comuns costumam recompensar o Nascen e seu Peão com menos de mil pontos, um simples inimigo básico na expansão pode te dar mais de três mil pontos de experiência ao ser derrotado. Considerando que, em uma só batalha, você pode encontrar dezenas deles, é bastante fácil melhorar o nível dos personagens.

Mas não pense que é só ir até lá, derrotar inimigos fracos e aprimorar muito seus personagens. Como em quase todos os jogos RPG, os oponentes de nível muito alto são quase impossíveis de serem derrotados, e aqui não é diferente. Se deparar com um adversário muito forte te levará até seu fim rapidamente, então tome cuidado ao explorar Norgan. De qualquer forma, cabe ao jogador decidir se prefere enfrentar inimigos muito mais fortes para subir de nível mais rápido ou se quer usar os tradicionais métodos de obtenção de XP para chegar à DLC com facilidade.

Outro aspecto que recebeu novos conteúdos foi o sistema de combate. Apesar de eu não ter identificado uma nova Vocação feita para a expansão, muitas habilidades e equipamentos novos estão disponíveis para aqueles que querem testar novos tipos de build em suas novas jornadas. Machados de uma mão, anéis que revivem o jogador e se quebram após o uso, melhorias de habilidades já existentes, entre outras coisas que irão servir como um refresco àqueles que já viram tudo que o jogo base podia oferecer.

Mesmo assim, isso tudo não foi suficiente para mudar minha percepção sobre o combate. As batalhas de Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen são extremamente lentas, a IA continua mais atrapalhando do que ajudando e os novos recursos introduzidos na expansão servem apenas para trazer novos conteúdos ao jogo, não para consertar os problemas que essa fórmula apresenta. Por causa disso, aqueles que já não gostavam do sistema original deveriam olhar vídeos sobre a expansão para decidir se os conteúdos novos valem seu tempo e dinheiro.

Rituais Perdidos, a segunda camada de novidades da expansão

Enquanto a parte principal de Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen se passa em Norgan, a Capcom não deixou de criar conteúdos novos para o mundo principal do jogo. Após chegar em Vernworth e falar com o Capitão Brant, os jogadores poderão perguntar mais sobre esses locais misteriosos que estão surgindo em Vermund e Battahl. Após o diálogo, várias novas dungeons serão marcadas no mapa e cabe ao Nascen explorá-las e descobrir seus segredos.

Esses novos calabouços são construídos em torno de vários desafios, como derrotar todos os inimigos ou encontrar todos os baús da caverna. Após completá-los, uma sala se abrirá com diversas recompensas muito boas. Por isso, caso você seja novato, não hesite em se aventurar por essas tumbas desafiadoras. Alguns dos equipamentos podem te ajudar muito.

Particularmente, eu não achei esses desafios tão criativos assim, mas alguns deles podem se tornar bastante desafiadores, já que recebem requisitos que limitam seus equipamentos. Em uma das masmorras, por exemplo, o Nascen e todos os Peões devem estar carregando pouquíssimo peso. Outro calabouço exige que o jogador complete os desafios sem a ajuda de seus companheiros. Tudo isso conseguiu gerar uma variedade que me manteve preso aos desafios, mesmo que não achasse a ideia-base tão envolvente.

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Após completar os desafios das masmorras, uma porta esquisita se abrirá revelando várias recompensas úteis para o Nascen. (Captura de tela: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Outro ponto positivo é que o nível necessário para acessá-las sem dificuldades é consideravelmente mais baixo que o de Norgan, com o nível 20 como recomendação. Assim, os jogadores podem utilizar os desafios dos Rituais Perdidos para aprimorar seus personagens antes de se aventurar nas terras congeladas do norte.

Após algum tempo, os calabouços são resetados e os jogadores podem retornar às suas localizações para repetir os desafios e ganhar novas recompensas. Infelizmente eu não consegui repetir todas as masmorras para confirmar que há algo de diferente em todas elas, mas pelo que vi, o incentivo está mais em ganhar recompensas e repetir desafios do que encontrar coisas únicas em cada passagem, já que poucas coisas podem mudar.

A nova história em Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen

Além de trazer uma nova região para explorar, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen também apresenta uma nova história para quem quiser descobrir os mistérios de Norgan. Logo no início da aventura, o Nascen descobre que há uma nova figura ligada ao ciclo dos Nascens, que também está sendo procurada pela rainha. Ao mesmo tempo, a presença de um misterioso Dragão Caído coloca a região em uma situação cada vez mais perigosa.

A narrativa funciona principalmente através da exploração de Norgan e da descoberta gradual de seus acontecimentos. Conforme o jogador avança pela região, novas informações sobre o passado do local e sobre as figuras envolvidas na história vão sendo apresentadas. Dessa forma, o jogo conseguiu instigar bastante a minha curiosidade, o que me manteve preso à história enquanto ela avançava.

Porém, assim como no jogo base, a história de sua expansão funcionou mais como um combustível para explorar os campos de Norgan, em vez de ser uma narrativa densa que tenha me surpreendido em muitos momentos. Na verdade, na minha experiência, poucas coisas foram realmente um destaque, e grande parte dos elementos apresentados bebe de ideias já estabelecidas em outros títulos.

Vale a pena jogar Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen?

Depois de algumas horas explorando as terras geladas de Norgan, fica claro que Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é uma expansão bastante generosa em conteúdo. A nova região possui uma identidade própria, novos inimigos, equipamentos, habilidades, desafios e uma história que, mesmo sem ser o maior destaque da experiência, consegue manter a curiosidade do jogador durante boa parte da aventura. Os Rituais Perdidos também ajudam a aumentar a quantidade de atividades disponíveis, principalmente para aqueles que gostam de explorar cada canto do mundo.

O problema é que, apesar de todas essas novidades, a expansão não consegue resolver alguns dos problemas mais importantes que já estavam presentes no jogo base. O combate continua sendo bastante lento, a inteligência artificial dos Peões ainda apresenta problemas e algumas decisões da fórmula original continuam tornando a experiência mais cansativa do que deveriam. Dessa forma, Dark Arisen acaba funcionando muito mais como uma expansão que adiciona novas possibilidades ao jogo do que como uma oportunidade de reconstruir aquilo que já não funcionava tão bem.

Por isso, minha recomendação depende bastante da sua relação com Dragon’s Dogma 2. Se você já gostava do jogo original e queria mais motivos para voltar ao seu mundo, Dark Arisen entrega uma quantidade considerável de conteúdo e consegue oferecer uma nova aventura com identidade própria. Já aqueles que abandonaram o jogo justamente por causa de seus problemas de combate ou de algumas das limitações de sua fórmula dificilmente encontrarão aqui uma experiência completamente diferente.

No fim, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é uma expansão competente e bastante recheada, mas que acaba ficando limitada pelas mesmas bases que sustentam o jogo original. Para quem já gostava dessa fórmula, Norgan tem bastante coisa a oferecer. Para quem esperava que a Capcom aproveitasse a oportunidade para corrigir seus principais problemas, porém, a expansão pode acabar deixando a sensação de que faltou dar um passo além.

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen será lançado em 8 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam por R$ 242,50 (o preço pode variar de acordo com a plataforma). Aqueles que já possuem o jogo base podem comprar a expansão separadamente.

*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Capcom.

Dragon's Dogma 2: Dark Arisen

BRL 242,50
7.1

História

6.5/10

Gráficos e Sons

7.0/10

Gameplay

7.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Norgan tem uma identidade bastante única
  • Grande quantidade de conteúdos novos
  • Novos desafios e equipamentos
  • Interface e legendas localizadas em português brasileiro

Contras

  • Combate continua lento
  • Pouca evolução técnica
  • História pouco surpreendente

Bruno Josué

Bruno Josué, ou God_BrunoBH, como é conhecido em suas redes sociais, é amante de jogos desde pequeno. Gosta de jogos que rendem histórias emocionantes, mundos cativantes e discussões mais longas do que deveriam. Quando não está escrevendo análises até altas horas da noite, está atrás de alguma platina em seu PlayStation 5, ou tentando explicar aos outros como uma simples música de menu ou atividade secundária o deixou emocionado. Até o momento, ninguém conseguiu convencê-lo de que isso não pode ser considerado um belíssimo trabalho.