Overwatch: Uma Doutrina Sinistra acerta nos reworks, mas ainda tropeça nas recompensas
A quinta temporada de Overwatch em 2026 trouxe uma das mudanças mais significativas que o jogo recebeu neste ano. E, curiosamente, o maior destaque não ficou apenas com o novo herói.
A chegada de Doctrine já seria motivo suficiente para movimentar as partidas, mas a Blizzard foi além ao reformular dois personagens veteranos. Sombra abandonou a função de dano para se tornar suporte, enquanto Roadhog recebeu habilidades que alteram sua maneira de atacar e proteger a equipe.
Entre essas mudanças, o mapa Grímsvötn, um novo modo temporário de Halloween e a colaboração com Solo Leveling, Uma Doutrina Sinistra tem conteúdo de sobra para experimentar. Resta saber o quanto essas novidades realmente melhoram a experiência de jogar Overwatch.
Depois de algumas partidas, encontrei boas surpresas, especialmente entre os suportes, e algumas decisões que continuam difíceis de defender.
Sombra e Roadhog: os veteranos voltam ao centro das atenções
Sombra e Roadhog já passaram por diversas mudanças ao longo da história de Overwatch, mas poucas foram tão profundas quanto as desta temporada.
Sombra protagoniza a transformação mais radical. Depois de anos integrando a classe de dano, a hacker mexicana agora faz parte dos suportes. Uma decisão que inicialmente me deixou receoso, principalmente pela dificuldade de imaginar suas habilidades funcionando em uma composição que depende de cura constante.
Felizmente, a surpresa foi positiva.
A antiga habilidade Hackear deixou de existir como recurso ofensivo independente. Em seu lugar, Ajuste permite selecionar um aliado para oferecer uma cura imediata, seguida de recuperação gradual de vida. A personagem também recebeu alterações em sua furtividade, nos tempos de recarga e em seus aprimoramentos.
Nos primeiros minutos de jogo, já percebi como essa nova dinâmica se encaixa de maneira surpreendentemente natural em seu estilo.
Sua capacidade de recuperação ainda fica abaixo de personagens como Ana e Lifeweaver em situações de emergência, aproximando-se de suportes com potencial de cura intermediário, como Wuyang e Mercy. Ainda assim, Sombra compensa essa limitação com ferramentas de controle de espaço e uma mobilidade que poucos suportes conseguem acompanhar.
A principal novidade é Ciberespaço, habilidade que substitui o antigo Vírus e cria uma área capaz de curar aliados enquanto causa dano e enfraquece inimigos.
Seu valor aparece especialmente durante disputas por objetivos ou quando precisamos enfrentar adversários posicionados em locais de vantagem. Uma Widowmaker confortável demais em um ponto elevado, por exemplo, pode ser pressionada pela área de efeito sem que seja necessário alcançá-la diretamente.
Sim, Widowmaker, estou falando de você.
Ciberespaço também funciona como uma resposta emergencial durante contestações agitadas, principalmente quando parte da equipe está sob ataque fora do nosso campo de visão.
A mudança exige uma maneira diferente de pensar o posicionamento da Sombra. Antes, a personagem tinha liberdade para passar boa parte do tempo longe dos aliados, procurando oportunidades de eliminar alvos isolados. Agora, seu impacto depende de uma leitura constante das necessidades da equipe.
Existe uma escolha interessante entre acompanhar personagens agressivos, como Anran e Genji, ou permanecer na retaguarda, oferecendo cura e dificultando as investidas inimigas.
Gostei dessa versatilidade. Sombra continua tendo uma identidade própria, mesmo exercendo uma função completamente diferente. Entretanto, sua combinação de mobilidade, posicionamento e gerenciamento de habilidades também exige atenção redobrada. Alguns ajustes nos aprimoramentos e tempos de recarga ainda podem melhorar a experiência, principalmente para quem está aprendendo essa nova versão da personagem.

Roadhog também merece atenção especial.
A maior novidade do tanque é Compactador de Lixo, habilidade que absorve projéteis inimigos à sua frente e posteriormente devolve um disparo explosivo. O dano causado aumenta conforme a quantidade de dano absorvida.
Essa mecânica resolve parcialmente uma das maiores dificuldades do personagem. Roadhog sempre foi um alvo enorme, vulnerável a ataques constantes e bastante dependente de sua capacidade de sobreviver enquanto procurava oportunidades com o gancho.
Agora ele possui uma opção defensiva que também beneficia os companheiros de equipe.
Absorver uma sequência de projéteis pode impedir um avanço inimigo e, dependendo da situação, criar uma abertura para contra-atacar. O interessante é que essa proteção exige antecipação. Ativar a habilidade no momento certo faz uma diferença considerável.
A Arma de Sucata também passou por alterações importantes. Seu disparo agora acontece em duas rajadas por saraivada, com maior capacidade de munição, dispersão reduzida e um projétil central mais potente.
Embora o dano dos estilhaços individuais tenha diminuído, o dano total por saraivada aumentou. O resultado continua bastante ameaçador a curta distância, mas a distribuição dos disparos recompensa o jogador que consegue manter a mira próxima do centro do alvo.
Em conjunto com o gancho, isso cria uma dinâmica interessante de precisão para um personagem historicamente associado a ataques espalhados e uma habilidade suprema extremamente caótica.
Roadhog continua sendo Roadhog. Só que agora há um pouco mais para fazer além de procurar alguém desprevenido para puxar.

Entre os ajustes menores de balanceamento, duas decisões chamaram minha atenção.
A primeira envolve Genji. Sua Lâmina do Dragão recebeu uma redução no dano por golpe, acompanhada de um aumento na velocidade dos ataques.
Isoladamente, a mudança parece uma compensação simples. Entretanto, quando combinada com a habilidade suprema de Kiriko ou com os drones de Doctrine, que também aumentam a velocidade de ataque, ela abre espaço para sequências de golpes especialmente divertidas.
A segunda mudança envolve a infame combinação entre Jetpack Cat e Cassidy.
A Blizzard impediu que Cassidy utilizasse o Cabo de Resgate da gata durante sua habilidade suprema, Tiro Certeiro. Particularmente, não gostei muito dessa decisão, pelo menos quando considerada isoladamente.
Jetpack Cat continua podendo carregar outros personagens durante habilidades supremas, incluindo Soldado: 76, além de interagir com B.O.B. A combinação com Cassidy era forte, mas retirar apenas essa possibilidade deixa uma certa inconsistência entre interações semelhantes.
Doctrine e Grímsvötn: um suporte vampiresco e uma prisão vulcânica
Doctrine chegou causando um impacto considerável nas partidas. O novo suporte consegue curar aliados, aumentar sua velocidade de ataque, manter boa mobilidade e interferir diretamente na sobrevivência da equipe adversária.
Seu conjunto de habilidades é especialmente interessante por permitir diferentes aplicações conforme a situação.
Os drones oferecem cura e velocidade de ataque, enquanto Infusão amplia as possibilidades de suas habilidades. A mobilidade também ganha novas propriedades quando potencializada, permitindo ao personagem se reposicionar durante confrontos.
A habilidade suprema é seu recurso mais ameaçador. Doctrine concede vida extra aos aliados enquanto reduz o limite de vida dos inimigos, criando uma vantagem que pode ser decisiva durante disputas por objetivos.
Apesar disso, depois de enfrentar o personagem em diferentes partidas, acredito que a habilidade tenha respostas mais acessíveis do que aparenta.
Barreiras de personagens como Mei e Hazard ajudam a limitar sua eficácia, enquanto a PEM de Sombra oferece outra possibilidade de neutralizar sua influência no confronto.
Doctrine tem um conjunto bastante completo, mas exige decisões certeiras sobre quando usar cada habilidade, especialmente porque potencializar um recurso significa abrir mão daquela amplificação para os demais.
Sua caracterização vampiresca também combina perfeitamente com a temática de Halloween. Entre os personagens introduzidos neste ano, Doctrine é um dos que receberam a integração temática mais interessante com a própria temporada.
A impressão é que boa parte de Uma Doutrina Sinistra foi construída para acompanhar sua chegada.
E isso também aparece no novo mapa.
Grímsvötn é uma prisão vulcânica localizada na Islândia, apresentada como o novo cenário de Escolta. Conforme a carga avança, o mapa apresenta corredores, passagens alternativas e áreas progressivamente mais apertadas.
O resultado é uma experiência com maior concentração de combates próximos e menos oportunidades de verticalidade do que encontramos em mapas como King’s Row e Paraíso.

Gostei da maneira como os diferentes trechos incentivam confrontos mais diretos e oferecem rotas para flanquear a equipe adversária.
Entretanto, senti falta de coberturas em determinadas regiões dos dois primeiros pontos.
Algumas áreas são muito abertas, tornando frustrante enfrentar personagens como Freja, Echo e Pharah. Em vez de procurar uma cobertura próxima e continuar contribuindo para o confronto, muitas vezes a melhor escolha acaba sendo abandonar completamente a linha de visão.
Essa ausência de proteção fica especialmente evidente no segundo trecho.
Uma mecânica semelhante às paredes móveis presentes em Busan, por exemplo, poderia tornar alguns desses espaços defensivamente mais interessantes, sem prejudicar a identidade do mapa.
Grímsvötn apresenta boas ideias para confrontos de curta distância, mas ainda há regiões em que a distribuição das coberturas poderia oferecer opções melhores para quem precisa lidar com ameaças aéreas ou ataques de longo alcance.

Halloween também ganhou um novo modo temporário
Uma Doutrina Sinistra também introduziu Loucura Misteriosa: Jogos no Cemitério, um modo temporário que combina elementos de Heróis Misteriosos, Laboratório de Junkenstein e Estádio.
A principal diferença está na progressão durante a partida. Ao morrer, o jogador recebe poderes capazes de modificar suas habilidades, criando combinações diferentes conforme o confronto avança.
As partidas acontecem em equipes de cinco jogadores, com composição de um tanque, dois personagens de dano e dois suportes, em disputas de Controle no formato melhor de três.
A proposta combina com a temática de Halloween e recupera uma das características mais divertidas dos modos experimentais de Overwatch: permitir interações que dificilmente encontrariam espaço no balanceamento competitivo tradicional.
É uma novidade que merece atenção dentro do conjunto de conteúdos da temporada, embora uma avaliação de seu equilíbrio e de sua longevidade dependa de uma análise específica do modo.
Solo Leveling, cosméticos e o retorno dos passes antigos
Nova temporada significa um novo Passe de Batalha e, frequentemente, alguma colaboração com uma franquia conhecida.
Dessa vez, a obra Solo Leveling, de Chugong, chegou ao universo de Overwatch por meio da colaboração Shadow Monarch.
Reinhardt, Anran, Lifeweaver, Genji e Reaper receberam visuais inspirados em personagens da obra. No geral, considero que as escolhas transmitem bem a identidade visual de cada um.
Entretanto, transportar personagens originalmente associados a desenhos estilizados em 2D para modelos tridimensionais sempre apresenta alguns desafios.
Expressões faciais e diferenças de coloração podem provocar certo estranhamento. Senti isso especialmente no visual de Genji, cuja expressão não me convenceu completamente.
Outro detalhe é o acessório em sua mão direita, utilizado durante a recarga das shurikens, que acaba interferindo na composição visual da colaboração.
Mas minha principal ressalva continua sendo a falta de personalização sonora.
Entendo a justificativa de preservar a identificação das habilidades durante as partidas, especialmente no ambiente competitivo. Ainda assim, manter as falas regulares dos personagens e praticamente toda a sonoridade original de suas habilidades supremas reduz a sensação de estar utilizando um visual verdadeiramente especial.
Os efeitos sonoros adicionais existem, mas são discretos demais para compensar essa ausência.
Isso faz com que as skins funcionem melhor como itens de coleção, particularmente para quem já utiliza esses personagens com frequência, do que como uma experiência diferente durante a partida.
O problema fica ainda mais evidente quando comparamos esses visuais a outro cosmético desta temporada.
A nova arma mítica de Lúcio, chamada Caos Sonoro, é um dos itens mais interessantes disponíveis, especialmente para nós, brasileiros.
Ela conta com animações próprias, efeitos visuais, interações, elementos sonoros e música exclusiva. São detalhes que aparecem constantemente durante a partida, acompanhando o jogador enquanto ele cura, dispara ou elimina adversários.
Aqui existe uma diferença perceptível na experiência de utilização.
Caos Sonoro faz a personalização aparecer durante a jogabilidade, enquanto boa parte das colaborações permanece concentrada na aparência do personagem.
É exatamente esse tipo de cuidado que gostaria de encontrar com maior frequência nas skins colaborativas.

Outra novidade da temporada foi a possibilidade de revisitar Passes de Batalha antigos.
O sistema de Passes Retornantes recupera versões modificadas dos passes das temporadas 1 a 15, permitindo obter recompensas que ficaram para trás desde o lançamento de Overwatch 2, em 2022.
A iniciativa é interessante. Afinal, muitos jogadores perderam a oportunidade de adquirir skins, sprays, falas e outros itens de personagens que só passaram a utilizar posteriormente.
Também é possível manter o progresso obtido anteriormente e avançar em um Passe Retornante ao mesmo tempo que no passe atual.
O problema está na relação entre preço e recompensas.
Cada passe continua exigindo um investimento de 1.000 Moedas de Overwatch, mas algumas das recompensas mais valiosas não estão presentes nessas versões.
Moedas de Overwatch, Prismas Míticos e visuais míticos, por exemplo, ficaram de fora. Isso pesa especialmente quando lembramos que as temporadas mais recentes passaram a oferecer moedas na trilha gratuita e até 80 Prismas Míticos para a aquisição de itens especiais.
A possibilidade de recuperar cosméticos antigos é bem-vinda, mas o preço se torna difícil de justificar quando parte do conteúdo original foi removida.
O sistema parece pensado para jogadores interessados em uma recompensa muito específica, como uma skin antiga de seu personagem favorito. Para quem pretende adquirir um passe inteiro esperando uma experiência equivalente à original, a oferta deixa a desejar.
Uma mudança de preço ou algum tipo de compensação pelas recompensas ausentes tornaria a proposta consideravelmente mais atraente.
Felizmente, o Passe de Batalha atual recebeu uma melhoria que merece elogios.
A organização das recompensas em divisões permite escolher quais itens priorizar durante a progressão. Essa flexibilidade, introduzida na temporada anterior, dá maior liberdade para buscar as skins desejadas sem precisar seguir uma ordem completamente rígida.
É uma mudança simples, mas que torna o sistema mais agradável de utilizar.
Uma Doutrina Sinistra vingou?
Doctrine e as novas versões de Sombra e Roadhog entregaram uma quantidade surpreendente de possibilidades para experimentar nesta temporada.
É difícil competir com o impacto da primeira temporada de 2026, que apresentou cinco novos heróis de uma só vez e introduziu o sistema de subfunções. Ainda assim, considero Uma Doutrina Sinistra uma atualização de importância comparável, especialmente por ser um jogador que prefere a função de suporte.
Sombra foi minha maior surpresa. A personagem conseguiu preservar boa parte de sua identidade enquanto assumiu responsabilidades completamente diferentes dentro da equipe.
Roadhog também recebeu ferramentas que ampliam sua utilidade e tornam suas decisões durante os confrontos mais interessantes. Doctrine, por sua vez, oferece um conjunto de habilidades versátil, que recompensa jogadores capazes de interpretar rapidamente as necessidades da partida.
Grímsvötn apresenta algumas boas ideias de construção de mapa, embora certas regiões ainda precisem de melhores opções defensivas.
Na parte cosmética, minha avaliação é menos positiva.
A colaboração com Solo Leveling mantém o padrão visual de outras parcerias de Overwatch, mas continua abaixo do potencial que um crossover desse tipo poderia alcançar. Já a nova arma mítica de Lúcio mostra como animações, sons e pequenas interações podem tornar um item cosmético realmente especial.
O retorno dos Passes de Batalha antigos também é uma iniciativa que merece reconhecimento, mas a ausência de recompensas importantes compromete o custo-benefício.
O que considero mais positivo nesta quinta temporada é perceber como a Blizzard vem conseguindo manter um ritmo interessante de mudanças na jogabilidade.
A decisão de lançar um herói a cada temporada, combinada com atualizações significativas em personagens veteranos, faz com que exista algo relevante para reaprender e experimentar a cada novo ciclo.
Para um jogo que passou por períodos de atualizações pouco expressivas, receber reformulações desse tamanho em personagens conhecidos é especialmente animador.
Uma Doutrina Sinistra conseguiu renovar meu interesse em diferentes composições, habilidades e estratégias. Ainda tenho ressalvas quanto à monetização e a algumas escolhas de balanceamento, mas há conteúdo suficiente aqui para continuar descobrindo novas maneiras de jogar.
Overwatch está disponível gratuitamente, com cross-play e progressão entre plataformas, para PC via Battle.net e Steam, além de Xbox Series X|S e Xbox One, PlayStation 5 e PlayStation 4 e Nintendo Switch e Switch 2.



