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Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2) | Review

Analisar Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2 parte de uma premissa curiosa: trata-se de um dos capítulos mais ambiciosos da franquia chegando a um console híbrido, rodando localmente, sem nuvem e sem concessões estruturais de conteúdo. O resultado não tenta competir com as versões de PlayStation 5, Xbox Series ou PC em termos técnicos, mas surpreende ao entregar uma experiência estável, completa e, acima de tudo, viável dentro das limitações do hardware.

Não estamos falando de uma adaptação reduzida. O mundo aberto, as missões, os sistemas de progressão e a alternância entre Naoe e Yasuke estão todos aqui. A diferença está na forma como essa experiência foi moldada para caber no Switch 2 sem comprometer aquilo que define o jogo. Confira os detalhes agora, em mais uma review do Pizza Fria!

Um jogo completo, sem cortes de conteúdo

Do ponto de vista de design e estrutura, Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 é exatamente o mesmo jogo das outras plataformas. A proposta de dois protagonistas com estilos opostos continua sendo o eixo central da experiência, oferecendo abordagens distintas para infiltração, combate direto e exploração.

O loop de gameplay, baseado em exploração livre, contratos, fortalecimento de equipamentos e evolução de habilidades, permanece intacto. Não há ausência de mecânicas, sistemas ou atividades paralelas. O que muda não é o “o quê”, mas o “como”.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)
A jornada fe Naoe e Yasuke, agora no Switch 2 (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Essa decisão da Ubisoft é importante. Em vez de simplificar o jogo para caber no hardware, o estúdio optou por preservar o escopo completo e ajustar a parte técnica para torná-lo possível. Dito isso, deixo aqui minha review completa do jogo, já que vou focar, a partir de agora, na análise técnica da nova versão.

Desempenho estável acima de tudo

Tecnicamente, o jogo roda a 30 FPS, tanto no modo dock quanto no portátil. Não há modos gráficos alternativos nem opção de desempenho. A proposta é clara: priorizar estabilidade.

E, na maior parte do tempo, isso funciona. O frame rate se mantém sólido, com quedas pontuais em áreas mais densas ou cenas com muitos efeitos simultâneos, mas nada que comprometa seriamente a jogabilidade. O combate permanece responsivo, a exploração fluida e a navegação pelo mundo aberta acontece sem engasgos constantes.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)
A densidade da vegetação acaba com consessões na versão de Switch 2 de Assassin’s Creed Shadows (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Um ponto legal de se pontuar é que a tela do Switch 2 conta com suporte a VRR, e a Ubisoft conseguiu manter essa funcionalidade ativa mesmo rodando a 30 FPS. Na prática, isso reduz bastante a sensação de stutter e irregularidade de frames, tornando a experiência portátil mais suave do que no modo dock, especialmente em TVs que não lidam bem com frame pacing irregular.

Concessões visuais esperadas, mas bem calculadas

Visualmente, Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 deixa claras as concessões feitas. A resolução é dinâmica e significativamente menor do que nas versões de console de mesa, mas o uso de DLSS ajuda a reconstruir a imagem e suavizar o resultado final.

Texturas são mais simples, sombras menos detalhadas e a densidade de vegetação e da paisagem foram reduzidas. Elementos como ray tracing, reflexos avançados e simulações mais complexas de água não estão presentes. O pop-in de objetos e folhagens é mais perceptível, especialmente no portátil, e a distância de visão foi encurtada. Um grande “problema” está na parte noturna, onde a falta de diversos elementos visuais parece pesar mais.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)
O visual noturno é um pouco mais sofrido na versão de Switch 2 de Assassin’s Creed Shadows (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Ainda assim, o jogo preserva sua identidade artística. O Japão feudal continua expressivo, com boa direção de arte, iluminação consistente e cenários que mantêm impacto visual, mesmo com menos refinamento técnico. É uma versão inferior graficamente, mas não descaracterizada.

Tempos de carregamento e estabilidade

Honestamente? Os tempos de carregamento são aceitáveis. Obviamente carregar um save leva mais tempo do que no PlayStation 5, mas está longe de ser problemático. O fast travel funciona de maneira eficiente e não quebra o ritmo da exploração.

Logo após o lançamento, quando tivemos acesso ao jogo, passei por alguns problemas de travamentos ocasionais, algo que foi rapidamente resolvido por atualizações de estabilidade. Na versão atual (1.0.17), o jogo se mostrou estável, sem crashes recorrentes.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)
Alterar entre personagens é bem dinâmico (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Ubisoft Connect e progressão cruzada fazem a diferença

Um dos maiores acertos dessa versão é o suporte completo ao Ubisoft Connect. A progressão cruzada permite continuar o mesmo save entre plataformas, transformando o Switch 2 em um complemento real da experiência.

É possível avançar na campanha no PC ou console de mesa e seguir exatamente do mesmo ponto no portátil. Para um jogo longo como Assassin’s Creed Shadows, essa funcionalidade muda completamente a forma como ele pode ser consumido, especialmente para quem alterna entre sessões longas e momentos mais curtos de jogo e viagens.

Conteúdo adicional e a ausência da DLC gratuita

Nem tudo chega em paridade. A DLC gratuita Claws of Awaji, lançada nas outras plataformas, não está disponível no Switch 2 no momento. O conteúdo base, no entanto, já inclui as principais atualizações, correções e melhorias implementadas até aqui.

A expansão está prevista para chegar posteriormente ao console da Nintendo, mas, até lá, existe essa pequena defasagem em relação às demais versões.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)
Um clássico (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Vale a pena comprar Assassin’s Creed Shadows?

Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2 não é a versão definitiva do jogo, mas é uma das mais interessantes. Ela não impressiona pelo poder bruto, e nem tenta. O mérito está em entregar um RPG de mundo aberto gigantesco, completo e funcional em um console híbrido, com desempenho estável e poucas concessões realmente impactantes.

Para quem já joga em outras plataformas, o Switch 2 funciona como uma extensão natural da experiência, especialmente graças à progressão cruzada. Para quem pretende começar por aqui, é essencial alinhar expectativas quanto aos gráficos e ao frame rate, mas o que se encontra é um Assassin’s Creed sólido, consistente e plenamente jogável.

Mais do que um port técnico competente, essa versão mostra até onde a franquia pode ir fora dos consoles tradicionais, sem perder sua identidade. E isso, por si só, já diz muito.

Assassin’s Creed Shadows chegou ao Nintendo Switch 2 no começo de dezembro de 2024. Antes, o game foi lançado para PlayStation 5Xbox Series X|S, Macs com chip Apple Silicon (via Mac App Store) e PC, por meio da Ubisoft Store, Steam e Epic Games Store. Comprando pela Nuuvem você tem eventuais cupons e ainda pode parcelar em até 12x no cartão. Os links acima auxilia o Pizza Fria a continuar crescendo!

*Review elaborada com código fornecido pela Ubisoft.

Assassin’s Creed Shadows (Nintendo Switch 2)

BRL 299,99
7.9

História

9.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Gameplay

8.0/10

Extras

6.5/10

Prós

  • Jogo completo, sem cortes de conteúdo ou sistemas
  • Progressão cruzada via Ubisoft Connect funciona muito bem
  • Desempenho estável a 30 FPS na maior parte do tempo
  • VRR no modo portátil melhora significativamente a fluidez
  • Possibilidade real de jogar um Assassin’s Creed de grande escala em modo portátil

Contras

  • Resolução baixa e concessões visuais evidentes
  • Iluminação noturna perde impacto em relação às outras versões
  • Ausência da DLC gratuita Claws of Awaji no lançamento

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.