AnálisesNintendoPCPlayStationSlideXbox

Knight Squad 2 | Review

Lembro que joguei Knight Squad despretensiosamente no Xbox One enquanto procurava um jogo multijogador cross-plataform diferente para entreter visitas. Só não sei como foi parar no meu acervo – Games with Gold, talvez? Com muitos modos (loucos) de jogo, armadilhas e personagens que parecem cavaleiros saídos de um gibi, foi um jogo que julguei tão divertido quanto repetitivo. Nesta análise para o Pizza Fria, exploro o que Knight Squad 2, sua sequência tardia, mudou para ser melhor e mais divertido.

Desenvolvido pela nem sempre consistente Chainsawesome Games e publicado pela Merge Games, Knight Squad 2 está nas principais plataformas: Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PlayStation 4 e PlayStation 5. Para PC, o jogo está nas prateleiras digitais da Epic Games Store e Steam.

Mais do mesmo, mas melhor

Bom, a definição mais direta que consigo dar é que Knight Squad 2 é um jogo multijogador de ação. Pera: um jogo multijogador caótico de ação. Segundo seus criadores, estamos falando de um dungeon-brawler (risos de vergonha). Imagine um remix moderno do clássico Bomberman para Super Nintendo: veloz, agitado, um tanto quanto incompreensível.

Os culpados desse caos todo são os oito jogadores combatentes com acesso a itens malucos nas distintas arenas que, por sua vez, ocupam o tamanho justo da tela (talvez seja por isso que me lembre tanto Bomberman). Com visuais simples e muito coloridos, porém práticos, e trilhas sonoras tão agitadas quanto suas partidas, Knight Squad 2 não revoluciona o que seu antecessor fez quase 5 anos antes, mas amplia o leque de opções.

Há uma simplicidade deliciosamente funcional nessa escolha da “única tela como tabuleiro completo” que facilita a compreensão dos objetivos, principalmente para iniciantes, o que faz de Knight Squad 2 um jogo fácil de pegar e jogar para qualquer pessoa. Os comandos são simples: Cada um dos adversários pode ser controlado por humanos ou pela máquina, seja com oito jogadores locais ou pela internet.

Knight Squad 2
Tela compartilhada e comandos simples fazem de Knight Squad 2 um jogo de fácil aprendizado. (Imagem: Divulgação)

A jogatina se distribui por 13 modos de jogo diferentes que definem os vencedores em rounds limitados por tempo ou por pontuação, mas que nem sempre colocam jogadores uns contra os outros: às vezes, a competição vira cooperação. 

Vou listar todas rapidamente de acordo com minha ordem de preferência, pois acho que vale a pena lembrar e reforçar a variedade oferecida por Knight Squad 2:

  • Minion Master: toda vez que um cavaleiro matar outro, uma criatura nasce na base de quem pontuou para formar um exército. Um interruptor permite liberar suas tropas que marcham contra adversários e suas bases.
  • Crystal Rush: pegue uma broca e destrua os cristais do inimigo; o time que destruir todos primeiro vence.
  • Capture the Flag: bom, o clássico modo de capturar a bandeira inimiga e voltar para a sua base não poderia ficar de fora de Knight Squad 2. Calma que tem uma opção melhor mais pra frente.
  • Painter: neste modo, Knight Squad 2 vira um versão mini de Splatoon, já que o objetivo é correr pela superfície e deixar um rastro com a sua cor – ou seja, pintar o cenário. Mas, infelizmente, o vencedor não é escolhido ao final como no jogo da Nintendo: pontos são recebidos ao correr por aí e pintar as cores dos oponentes. Se, por um lado, essa estratégia incentiva o combate e a movimentação acelerada, por outro, causa certa estranheza ao ver que nem sempre vence quem ocupou mais território.
  • Gladiator: a coroa no centro da arena dá pontos a quem permanecer nela, mas a tarefa é bem complicada quando enfrentando sete oponentes.
  • Domination: as bases espalhadas pelo tabuleiro mudam de cor quando um cavaleiro passa por elas e, enquanto mantiverem a cor do time, dão pontos para o time. É um modo bem agitado, mas fica repetitivo bem rápido.
  • Payload: um vagão de mineração está carregado com dinamite e o time que ocupar o círculo ao redor com mais membros empurra o carrinho pelos trilhos. Claro, mate os adversários freneticamente para levar o carrinho o quanto antes para a base inimiga.
  • Capture the Grail: opa! Esta variante de capturar a bandeira é melhor por um motivo muito simples: pode rolar em times ou solo. O objetivo é pegar o cálice e voltar para a sua base e, caso seja cada um por si, você está por conta própria e contra outros sete cavaleiros.
  • Juggernaut: o clássico mata-mata em uma batalha “sangrenta”, pois cada matada dá pontos. No centro do tabuleiro está a Juggernaut, a arma mais poderosa disponível. O que torna este modo muito divertido é que, com apenas uma Juggernaut no cenário, todos querem ir atrás dela.
  • Soccer: um dos modos de Knight Squad e de Knight Squad 2 que mais chama atenção é nosso futebol! Às vezes é difícil fazer a bola rolar, entretanto é tão divertido que é impossível não recomendar como um minigame entre amigos.
  • Soul Hunter: uma base para os competidores e, ao matar um adversário, a alma segue seu cavaleiro, que deve retornar à base para confirmar a morte e contabilizar pontos. Um dos modos mais estratégicos e que mais exigem habilidade.
  • Race: basta correr pelo circuito criado para vencer a corrida… Claro, os outros jogadores vão tentar te matar pelo caminho para terem a vantagem de ficarem velozes. Quando isso acontecer, quem morreu deve esperar alguns segundos para voltar. Ao contrário de Soul Hunter, é pegar e jogar, sem pensar muito.
  • Battle Royale: vence quem restar vivo na arena. Não quero dizer que é o mais simples de todos os modos, mas é tão mais rápido e simples de jogar que merece ser o destaque de Knight Squad 2.
O modo Juggernaut requer habilidade e estratégia. (Imagem: Divulgação)
O modo Juggernaut requer habilidade e estratégia. (Imagem: Divulgação)

Essa variedade de modos de jogo disponíveis é o ponto alto da loucura que é multijogador. Dá para variar entre opções competitivas e cooperativas, cada um com sua própria mecânica e desafios específicos, exigindo diferentes estratégias. Qualquer que seja a escolha, todos têm a garantia de doses rápidas e frenéticas do jogo, mantendo os jogadores em movimento constante e atentos.

Os itens, mais de uma dezena deles, são parte essencial da maluquice, já que trazem armas, melhorias para os cavaleiros e magias. Por exemplo, você pode encontrar uma pistola laser ou uma motosserra para atacar de longe ou de perto, bem como cavalos e escudos para andar montado ou ter defesa, ou um espelho mágico, que cria um clone do seu cavaleiro. Todos têm uma versão básica que, ao encontrá-la novamente, sobem de nível para efeitos ainda mais devastadores.

Knight Squad 2
Nem toda luta é individual: alguns duelos exigem cooperação entre equipes. (Imagem: Divulgação)

A principal mudança: personalize tudo, tudo, tudo

A maior melhoria em Knight Squad 2 é a capacidade de personalizarmos as partidas com modificadores de jogabilidade e seleção completa de quais itens estarão presentes. Dá até para determinar quais power-ups se encontram pelos caminhos e quais já nascem com os cavaleiros.

Desta forma, os 13 modos de jogo que citei acima viram um mar quase infinito de alternativas. Alguns exemplos incluem doideirinhas como Exploding Gladiator, que nada mais é que o modo Gladiator, aquele que devemos dominar o centro da arena, com o modificador que corpos dos caídos explodem em seguida, aumentando o risco em qualquer parte do cenário.

Knight Squad 2
Exploding Gladiator mostra como é obrigatório recorrer aos itens e às melhorias. (Imagem: Divulgação)

Outra variante popular é a Unicorn League: modo futebol com modificadores de piso que patina e unicórnios. O resultado é um esporte sangrento com o objetivo de lançar a bola na meta do adversário enquanto cavalgamos unicórnios em uma pista de gelo. Habilidade necessária para se divertir: ZERO. (Aliás, essa foi uma dica dos desenvolvedores).

Além disso, os mais puristas têm a chance de desligar todo e qualquer item para uma jogatina mais “pro player” (risos).

Knight Squad 2
Personalize cada partida com modificadores para obter resultados inesperados. (Imagem: Divulgação)

Nem tudo são glórias

Vários modos de jogo que se multiplicam com modificadores e itens, uma simplicidade acessível para novos jogadores, opções para jogar online, offline ou em rede local… Ainda assim, existe um certo desgaste rápido em Knight Squad 2 que é algo difícil de explicar.

As partidas são divertidas, é inegável, mas a diversão é volátil e acaba em poucas rodadas. Nas primeiras jornadas, existe uma experimentação para descobrir o que são os itens e seus aprimoramentos, existe uma tentativa e erro para entender como o modo de jogo funciona. Tudo isso porque o Knight Squad 2 não se dá ao trabalho de explicar nada – tudo é um exercício dedutivo.

Outro problema é o desequilíbrio: mesmo que o ritmo caótico e desordenado induza certa noção de “qualquer um pode levar esta partida”, não é bem assim. O tabuleiro minimalista de uma tela incentiva o domínio de jogadores habilidosos e acostumados, algo que paradoxalmente vai contra o propósito de ser simples e acessível a qualquer um, como, por exemplo, visitas que não jogam videogames.

Knight Squad 2
Não pode fica parado: as partidas são curtas e frenéticas. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Knight Squad 2?

Apesar de repetitivo após certo tempo, especialmente se jogado sozinho, é difícil ignorar que Knight Squad 2 cumpre aquilo a que se propõe: ser um jogo intuitivo e multijogador sem complicações mecânicas e controles absurdos. Aliás, os controles respondem instantaneamente ao passo que a única complicação é a falta de instruções gerais.

Os canadenses da Chainsawesome Games certamente ampliaram o horizonte de Knight Squad, mas sem fazer revoluções ou corrigir seu problema central: o rápido esgotamento. E é muito legal ver modificadores de todos os tipos para cenários e itens, porém não é delegando ao jogador a tarefa de fazer tais alterações que o jogo vai triunfar. Outro detalhe é que foi difícil encontrar partidas online para alguns modos.

Sem sequer uma campanha (imagine uma campanha co-op, ao estilo de The Legend of Zelda: Four Swords Adventure) nem fio-condutor entre os modos de jogo que resultem no que chamamos de party game, há pouco incentivo para os jogadores ficarem por muito tempo. Contudo, o preço convidativo equilibra essa equação e faz de Knight Squad 2 uma pedida descompromissada para jogar em pequenas doses e com muitas pessoas que nem sempre têm a oportunidade de jogar videogame. Aliás, com apenas seis pessoas nos créditos, a qualidade do jogo é um feito e tanto.

Knight Squad 2 está disponível para Nintendo SwitchXbox One, com suporte para Xbox Series X|S, e PC, via Steam e Epic Games Store, e PlayStation 4, com suporte para PlayStation 5.

Knight Squad 2
Cavaleiros caricatos e coloridos são os personagens do jogo. (Imagem: Divulgação)

*Review elaborada em um Nintendo Switch, com código fornecido pela Chainsawesome Games.

Knight Squad 2

BRL 28,99
7.4

Gráficos

6.5/10

Sons

6.5/10

Gameplay

9.0/10

Duração

7.5/10

Prós

  • Fácil de aprender
  • Multijogador local e online
  • Partidas frenéticas e divertidas
  • Personalizável e incontáveis variações dos modos de jogo
  • Em português do Brasil

Contras

  • Diversão se esgota em pouco tempo
  • Sem campanha ou modo que incentive a continuidade
  • Sem explicações sobre itens
  • Gráficos e sons medianos

Carlos Maestre

Jornalista que mergulhou na pesquisa de acessibilidade digital graças à eterna necessidade de inverter o eixo Y - hábito cultivado desde GoldenEye 007. Cresceu com a Nintendo e já teve mais entusiasmo pela Microsoft; no fundo, ainda espera reencontrar a Rare de outros tempos. Entre caçadas por conquistas e sessões intermináveis de Stardew Valley, vive sob a ameaça de uma intervenção a qualquer momento por culpa de suas fazendas virtuais.