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Skate Story | Review

Skate Story está sendo lançado hoje, 8 de dezembro. O jogo independente foi desenvolvido por Sam Eng, criador de Zarvot, título de cubos lançado para Steam e Nintendo Switch em 2018, e chega ao público pelas mãos da Devolver Digital, disponível para PC via Steam, PlayStation 5 e Nintendo Switch 2.

Faça ollies, kickflips e grinds através das cinzas e da fumaça do Submundo enquanto encara uma missão aparentemente impossível em uma aventura que mistura skate, fantasia urbana e uma narrativa metafísica incomum. Em Skate Story, você atravessa os nove círculos do Submundo, deslizando por ruas e paisagens surreais repletas de bordas destruídas, fossos profanos e demônios atormentados, abrindo caminho por trajetos perigosos e detonando em áreas de manobras livres.

Renda-se à estética singular do jogo, venda sua alma por shapes, rodas e trucks, conclua provações para subir de nível e aprenda novas manobras. Ficou curioso para saber como essa obra da décima arte se saiu no console híbrido mais poderoso da Big N? Então bora preparar aquele coado bem quentinho para aquecer nossos corações gelados e vem comigo nessa viagem psicodélica aqui no Pizza Fria!

Jornada sem volta pelas nove camadas do Submundo

Em Skate Story, você controla um demônio feito de vidro, um humanoide que habita o Submundo e que recebe um skate do próprio Diabo, com uma única condição, usá-lo para chegar até a lua e devorá-la. Somente assim você conquistará sua liberdade.

Acontece que, assim como no Inferno de Dante, o Submundo de Skate Story possui nove camadas, cada uma com sua própria lua, agora cabe a você realizar manobras como ollies, grinds, hellflips e kickflips para concluir seus objetivos e avançar por esses domínios grotescos e fascinantes.

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Skate Story é um jogo de skate que foge dos padrões, tanto em estilo, quanto estética, levando o jogador a uma aventura estranamente bela, com personagens impensáveis e perturbadores. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Skate Story te transporta para uma jornada estética e surreal, regada a poesia, manobras precisas, uma jogabilidade fluida e uma trilha sonora hipnótica que te carrega em uma viagem sem volta pelos corredores do Submundo. Prepare-se para uma experiência única, em cenários estranhamente belos e repletos de personagens tão impensáveis quanto perturbadores.

Uma poética jornada rumo à lua

Skate Story é um jogo de skate em terceira pessoa, com uma jogabilidade simples, intuitiva e bastante responsiva. Os comandos são fáceis de aprender, sem firulas desnecessárias, e o próprio fluxo da jornada vai ensinando os movimentos aos poucos, no ritmo certo.

No geral, cada estágio apresenta missões específicas que precisam ser concluídas para que você avance até a lua daquela camada. Na primeira área, por exemplo, é necessário encontrar dois figmentos espalhados pelo cenário, um servindo suco bileal para uma das estátuas, e outro percorrendo caminhos vigiados até o objetivo, colocando-os nos pedestais para liberar a rota até a lua.

Em outro momento, você precisa encontrar o cartão do trem dentro de uma sacola de lixo e embarcar na locomotiva rumo à lua vermelha. Já no capítulo mais cômico, pelo menos na minha opinião, sua missão é simplesmente… lavar as roupas do Diabo para conseguir acesso às luas gêmeas.

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Esse projeto de Zé Gotinha aí não quer ninguém cochilando! (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Cada capítulo de Skate Story é único, apresentando novos desafios, cenários e mecânicas. A cada avanço, você aprende novas manobras, o que aprimora continuamente a jogabilidade e torna a jornada do homem de vidro ainda mais interessante e envolvente.

Ande com estilo, personalize o seu skate

Em Skate Story, você pode personalizar seu skate, trocando o shape, trucks, rodas e até colando adesivos para deixar tudo com a sua cara, ou melhor, com a cara do homem de vidro. Todas essas melhorias, claro, exigem pagamento, e a moeda do jogo não poderia ser mais temática, a sua alma.

Isso mesmo, meus caros amigos, a alma do protagonista, o devorador de luas, é a principal moeda de troca de Skate Story, e você a coleta conforme cumpre objetivos, realiza combos nas áreas enluaradas e manda bem nas manobras. Quanto melhor você anda, mais “rico” fica.

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Você pode personalizar seu skate, trocando o shape, trucks, rodas e até colando adesivos para deixar tudo com a sua cara. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Ah, e algo importante que preciso mencionar, é que segundo o desenvolvedor, os adesivos colados no skate irão se desgastar conforme você anda, trazendo ainda mais autenticidade à experiência. No entanto, essa função ainda não estava implementada na versão que pude testar, mas estará disponível no lançamento oficial.

Audiovisual de Skate Story

Antes de falar sobre o audiovisual, deixo claro que Skate Story rodou extremamente bem no Nintendo Switch 2. Em toda a minha jornada pelas camadas do Submundo, não presenciei travamentos, bugs ou gargalos, o jogo rodou lisinho tanto no modo dock quanto no portátil, entregando uma experiência consistente do início ao fim.

Visualmente, Skate Story aposta em um estilo incomum e marcante, adotando uma estética própria que faz uso de desfoque de movimento por objeto e vazamento de cores, caso você opte por ativar esses recursos. O game oferece modos de fidelidade e desempenho, porém, como o Switch 2 roda tudo com excelência, escolhi jogar no modo fidelidade, que entrega cenários ainda mais detalhados e realça o visual aesthético dos personagens e do Submundo.

Quanto ao áudio, meus amigos… esse é um espetáculo à parte. Os efeitos sonoros estão maravilhosos e recomendo fortemente o uso de fones de ouvido. A trilha sonora impecável do grupo americano de indie pop experimental Blood Cultures é a cereja do bolo, elevando a imersão e trazendo uma sensação única de satisfação a cada combo de manobra realizadas ao longo da jornada.

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Skate Story parece adotar um estilo estético para transmitir, por meio de imagens, sentimentos que nem sempre podem ser expressos apenas por palavras. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Por fim, mas não menos importante, Skate Story conta com legendas totalmente localizadas para o português do Brasil, e muito bem adaptadas, diga-se de passagem. As poesias têm excelente coesão, e apenas alguns poucos textos não estavam localizados na versão que testei, algo explicado pelo próprio desenvolvedor.

Vale a pena jogar Skate Story?

Sim, Skate Story definitivamente vale a pena, especialmente para quem aprecia experiências únicas, sensoriais e esteticamente marcantes. A jornada do homem de vidro, indo skatear pelos nove círculos do Submundo em busca de devorar a lua, não é apenas visualmente memorável, mas também emocionalmente envolvente. O jogo combina poesia, ambientação surreal, mecânicas precisas e uma direção artística singular, entregando uma aventura que foge completamente do convencional.

O desempenho no Nintendo Switch 2 é excelente, com carregamentos rápidos, zero travamentos e uma fluidez admirável tanto no modo dock quanto no portátil. Some a isso uma trilha sonora impecável, um verdadeiro espetáculo assinado pelo Blood Cultures, e temos uma experiência audiovisual que se destaca facilmente entre os jogos independentes. A jogabilidade simples, mas responsiva, somada à progressão de manobras e aos cenários diferenciados, mantém a aventura sempre fresca e interessante.

Com personalização de skate, fases criativas, missões variadas e uma atmosfera metafísica rara de se ver, Skate Story é mais do que um simples jogo de skate, é uma viagem estética, emocional e surreal. Para quem busca algo diferente, profundo e artisticamente cativante, a resposta é simples, vale cada minuto dessa descida aos confins do Submundo.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Devolver Digital.

Skate Story

R$ 59,99+
7.1

História

7.5/10

Gameplay

7.0/10

Audiovisual

8.0/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Localização em português do Brasil
  • Visual único e extremamente estiloso
  • Trilha sonora excepcional

Contras

  • O jogo é curto e pode ser terminado em cerca de 6 a 8 horas

Filipe "Bdama" Villela

    Aficionado por jogos desde cedo, de Bomberman, Zelda, Sonic ou Mário, indo dos clássicos das gerações passadas, até os indies e mais variados AAA atuais. Viciado em desafios, colecionador de platinas e consoles antigos, para mim não importa a plataforma ou gráficos de um jogo, sou movido pela emoção da aventura de conhecer e desbravar novos mundos, uma viagem única que apenas cartuchos e cd's podem nos levar. Embarque comigo nesse mundo de possibilidades infinitas e venha descobrir novos mundos e maneiras de se aventurar!