Windswept | Review
Windswept é um jogo que mira alto ao tentar resgatar a era dourada dos jogos de plataforma 2D dos anos 90. Traz inspirações evidentes de Donkey Kong Country e Yoshi’s Island, conforme revelado pelos próprios devs, e aposta em um charmoso, em dois mascotes jogáveis e em um desafio acentuado que promete agradar os saudosistas. Mas entre a proposta e a execução, há um descompasso claro.
Testei o jogo na versão de PlayStation 5, que tecnicamente rodou sem problemas — sem quedas de desempenho ou bugs, mas isso não basta para sustentar uma experiência que, no fim, se mostrou irregular. Windswept tem boas ideias, mas falha em refinar o essencial: os controles, a curva de dificuldade e o ritmo da campanha. Os detalhes dessa experiência eu te conto a partir de agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!
Gameplay: carisma não compensa imprecisão
O ponto central de Windswept é a troca constante entre os dois protagonistas, Marbles (um pato que plana) e Checkers (uma tartaruga com dash). Cada um tem habilidades distintas, e combiná-las é essencial para avançar pelas mais de 40 fases. A proposta é boa. Na prática, o sistema até que responde bem, mas é prejudicado por uma configuração de botões que atrapalha mais do que ajuda. O layout padrão é pouco intuitivo e não há opção de remapeamento. Em várias situações, o desafio vinha mais da confusão mental entre os comandos do que da fase em si.
O level design tenta equilibrar exploração com execução precisa, mas muitas vezes escorrega no ritmo. Existem fases bem construídas, com mecânicas interessantes, mas outras abusam de posicionamentos frustrantes de inimigos ou armadilhas, exigindo repetições cansativas por erros mínimos. Os checkpoints estão ali, mas nem sempre são suficientes para amortecer a frustração.

Há também colecionáveis e desafios extras escondidos nas fases, o que em teoria adiciona profundidade. Porém, em algumas ocasiões, a recompensa não compensa o esforço. O jogo quer que você explore, mas castiga o jogador com trechos longos e pouca margem de erro para chegar até esses itens opcionais.
Gráficos e trilha: charme visual sem impacto duradouro
Visualmente, Windswept segue a cartilha do pixel art retrô: cores vivas, personagens simpáticos e cenários variados que remetem a diferentes biomas — floresta, montanha, cavernas, etc. O trabalho é competente e charmoso, embora um tanto genérico. O jogo é bonito, mas não memorável. Os sprites dos personagens são expressivos, os inimigos têm designs curiosos, mas nada realmente marcante. A sensação é de que tudo funciona, mas não encanta.

A trilha sonora acompanha esse mesmo padrão. As músicas têm aquele toque 8-bit típico de jogos de plataforma, com batidas aceleradas e melodias simples. Não incomodam, mas tampouco se destacam. Em poucas horas, a maioria das faixas já soava repetitiva. Os efeitos sonoros cumprem o básico — pulos, impacto, coleta de itens —, mas sem brilho. É um pacote audiovisual funcional, mas sem personalidade forte.
Extras: conteúdo opcional que nem sempre convence
Um dos pontos positivos de Windswept é a tentativa de ampliar o conteúdo além das fases principais. Existem minigames acessíveis por um hub central, como fliperamas e pequenos colecionáveis em forma de action figures. Também há criaturas que podem ser montadas para acessar novas áreas — uma ideia que remete diretamente aos animais aliados de Donkey Kong Country.

O problema é que quase tudo isso parece um pouco subaproveitado. Os minigames são simples demais e não adicionam real valor à experiência. Os colecionáveis têm pouca função prática, além do fator “checklist”. As criaturas montáveis trazem variedade, mas aparecem de forma tão pontual que mal influenciam na progressão. Em resumo, os extras existem, mas não mudam a percepção geral do jogo: eles não salvam o ritmo irregular e não incentivam muito a revisitação das fases.
Vale a pena comprar Windswept?
Windswept é um jogo com boas intenções, mas que esbarra em decisões de design que comprometem a experiência. Há um charme em controlar dois mascotes fofinhos por cenários desafiadores, mas esse encanto se perde em controles mal ajustados, dificuldade mal calibrada e um visual que não vai além do básico. Para fãs muito dedicados do gênero, pode render algumas horas de desafio e exploração. Mas para a maioria dos jogadores, Windswept dificilmente vai deixar uma impressão duradoura.
Windswept será lançado em 11 de novembro de 2025 para PC, via Steam, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Top Hat Studios.
Windswept
BRL 59,99Prós
- Ideia promissora de cooperação entre dois personagens com habilidades complementares.
- Segredos em cada fase
- Estética pixel art
- Localizado em PT-BR
Contras
- Configuração de botões ruim, sem opção de remapeamento
- Curva de dificuldade mal planejada e trechos frustrantes.
- Repetição desnecessária em busca de colecionáveis, prejudicando o ritmo do jogo


