AION 2 | Review
Quando anunciado, AION 2 demonstrava todos os detalhes para ser um grande MMORPG. O jogo da NC foi lançado quase vinte anos depois de sua primeira versão, retornando em um momento completamente diferente para os jogos do gênero, quando o público já passou por World of Warcraft, Black Desert Online, Lost Ark, Throne and Liberty e tantos outros jogos que transformaram completamente aquilo que esperamos de um mundo online persistente. Ao mesmo tempo, algumas características parecem ter sobrevivido intactas ao tempo: números, equipamentos, barras de progresso, dezenas de moedas e aquela eterna busca por ficar um pouco mais forte do que cinco minutos atrás.
A história de AION 2 acontece cerca de 200 anos depois dos eventos do original e novamente coloca Elyos e Asmodians no centro de Atreia. A Torre de Aion caiu, o conflito entre as duas facções deixou consequências e os Balaur surgem como uma ameaça importante. Meu personagem entra nessa história como um Daeva sem memória, alguém que deveria ter motivos muito pessoais para descobrir quem é e como chegou até ali. Porém, convenhamos: a narrativa é uma parte geralmente pouco relevante em um MMORPG.
No entanto, minhas primeiras horas em AION 2 foram muito mais marcadas por perguntas como “quem é essa pessoa?”, “qual a necessidade de tantas coisas na tela?” ou “é só bater e seguir?”. Nada de muito novo em jogos desse gênero. Todavia, uma coisa me marcou: visualmente, AION 2 é um dos MMORPGs mais bonitos que joguei recentemente. E essa contradição entre um mundo que quero explorar e sistemas que frequentemente tornam a experiência mais cansativa define boa parte da minha relação com o jogo. Nesta análise, falarei sobre esses e muitos outros detalhes. Bora lá!
Uma história complicada
Um dos maiores problemas de quase todos os MMORPGs está justamente na narrativa, e AION 2 não muda isso. Aliás, parece que o jogo nem se esforça para apresentar seu universo a novos jogadores. É tudo muito repleto de conversas vagas, missões que nos fazem andar para lá e para cá, mas nada de uma história bem produzida. Termos, personagens, eventos e lugares começam a aparecer rapidamente, muitas vezes sem contexto suficiente. Para quem conhece profundamente o primeiro AION, talvez algumas referências façam sentido imediatamente. No meu caso, eu já não lembrava de nada.
Para mim, porém, várias conversas pareciam começar em uma narrativa que eu não tinha acompanhado. Isso fica ainda mais estranho porque meu personagem sofre de amnésia. Essa seria a justificativa perfeita para apresentar Atreia ao jogador. Porém, meu Daeva não sabe direito quem é, como perdeu seus poderes ou qual foi sua vida antes do início da aventura. Portanto, faria sentido que NPCs precisassem explicar parte daquele mundo para ele. Mas não rola. Os personagens mencionam locais, organizações e acontecimentos como se tudo já fosse óbvio. Por conta disso, a história passa a ser algo bem sem sal, algo que tira um pouco da motivação de jogar.

Nosso avatar está mais perdido do que tudo…
O problema narrativo continua depois da introdução. A campanha de AION 2 rapidamente entra em uma estrutura muito tradicional de MMORPG. Inclusive, as missões são muito repetitivas: alguém precisa ser resgatado, outro personagem quer determinado material, um terceiro manda matar criaturas. Depois preciso atravessar uma região inteira apenas para conversar com alguém que imediatamente me manda conversar com outra pessoa. Sorte que o jogo tem um comando de andar automaticamente até as missões (Alt + 1), que dá uma agilizada na nossa vida.
Em boa parte do tempo percebi que meu personagem estava simplesmente carregando a história de outras pessoas nas costas. Eram muitos NPCs falando de coisas variadas, facções que eu não conseguia entender direito e toma-lhe mais missão. Muitas delas dizem para conversar com determinado personagem, mas, quando chego lá, descubro que estou mais assistindo a uma conversa entre NPCs do que participando dela. É algo bem frustrante.

O mundo de Atreia está excelente
Se a história teve dificuldade para prender minha atenção, o mundo fez exatamente o contrário. AION 2 é realmente bonito. Joguei principalmente do lado Elyos, e os cenários possuem uma direção de arte extremamente colorida, detalhada e exuberante. Tudo é muito bem feito: vegetação, construções, iluminação e efeitos ajudam a criar ambientes que frequentemente me fizeram desacelerar apenas para observar. Além disso, os personagens também são muito bem modelados, e as animações seguem o padrão visual mais extravagante esperado de um MMORPG coreano.
Os ataques possuem efeitos chamativos, armaduras são elaboradas, criaturas e ambientes têm bastante identidade. Mesmo quando a missão era completamente banal, percorrer o mapa continuava sendo agradável simplesmente pela qualidade visual. É facilmente um dos maiores méritos do jogo. Acho que por isso fiquei muito frustrado com a questão narrativa. O mundo de AION 2 possui um mundo que convida à permanência, mas o resto…

O combate é acessível
O sistema de combate é um bom exemplo dessa relação de amor e frustração que criei com AION 2. Existem oito classes disponíveis: Gladiators e Templars ocupam funções mais resistentes, Assassins trabalham com combate próximo, Rangers atacam à distância, Chanters e Clerics oferecem suporte, Sorcerers focam em magia ofensiva e Spiritmasters combinam ataques à distância com criaturas invocadas. As habilidades se conectam por sequências bastante intuitivas, o que é bem legal. Com isso, uma técnica pode causar determinado efeito e transformar o próximo comando em uma continuação mais poderosa. Isso torna o aprendizado inicial muito fácil.
Assim, eu atacava, observava a resposta e naturalmente aprendia a sequência com calma. Durante as primeiras horas, gostei bastante dessa abordagem. É tudo bem rápido e bonito. Melhor ainda, é fácil de entender o funcionamento. Contudo, o problema aparece justamente quando percebo que facilidade e automação estão começando a caminhar juntas demais. Parece que tudo vai ficando automatizado demais, perdendo a parte “humana” de controlar o personagem. Isso fica ainda mais explícito com a criação de macros que AION 2 disponibiliza. Às vezes eu ficava com a sensação de que eu só assistia meu personagem lutar.

Os chefes mostram a melhor parte do combate
Expeditions e Nightmare são onde o sistema começa a fazer sentido. Essas atividades de grupo colocam cinco jogadores em dungeons com chefes que exigem muito mais atenção. Aqui, temos que dominar todas as mecânicas e ficar de olho o tempo todo ao nosso redor, sobretudo aos poderes especiais dos chefes. Um erro besta pode acabar destruindo o grupo todo. Durante as batalhas, o ritmo aumenta bastante, a tela fica cheia de efeitos, os chefes nos obrigam a estar constantemente em movimento, algo que tira essa parte automática do combate de AION 2. Algumas lutas são excelentes.
Mas, o problema é que o conteúdo entre as lutas nem sempre acompanham o mesmo padrão. Em várias dungeons, grande parte dos inimigos comuns pode simplesmente ser ignorada enquanto o grupo corre diretamente para o chefe, criando uma sensação de que o jogo é sem graça. Tá, os cenários são bem construídos, mas boa parte deles funciona apenas como corredor entre os encontros realmente importantes. É muito potencial desperdiçado.

Às vezes o jogo simplesmente destrói horas de progresso
AION 2 traz um sistema de melhorias que adiciona uma camada especialmente frustrante: falha. Materiais investidos em determinados upgrades podem ser perdidos. Ou seja, isso significa que horas de farming podem desaparecer porque uma tentativa não teve sucesso. É uma mecânica comum em alguns MMORPGs asiáticos, mas continua sendo uma filosofia que me incomoda demais. Existe uma diferença enorme entre precisar trabalhar para conseguir uma melhoria e perder aquilo que já consegui por sorte ruim.
Esse tipo de sistema raramente me motiva a tentar novamente. Na real, me faz querer fechar o jogo. Mas, considerando que AION 2 já possui uma quantidade enorme de sistemas de progressão simultâneos, adicionar punições desse tipo deixa o grind ainda mais pesado. É muita coisa para ser feita, muita informação na tela, que parece que temos que fazer um curso para entender o jogo. Felizmente, temos um tutorial razoável no seu início que vai dando algumas ideias, mas nada muito detalhado.

Daevanion oferece alguma estratégia, mas é mais uma coisa para se aprender
Nem tudo na progressão de AION 2 é simplesmente aumentar números automaticamente. O sistema Daevanion é uma das partes mais interessantes. Ele funciona como uma espécie de grande tabuleiro de habilidades dividido em categorias, incluindo caminhos voltados a PvE e PvP. Com isso, posso escolher diferentes rotas para alcançar bônus específicos. Isso cria decisões reais. Nem sempre o caminho mais curto é necessariamente o melhor. Talvez eu queira priorizar uma habilidade usada constantemente ou investir em passivos que combinam melhor com minha construção.
Cada uma dessas escolhas dão personalidade ao desenvolvimento do personagem em AION 2. Ainda estamos falando, no fundo, de aumentar estatísticas. Mas pelo menos há algum raciocínio envolvido. É bastante diferente de simplesmente encontrar um equipamento com número maior e substituir automaticamente o anterior. Porém, é mais uma coisa que a gente tem que aprender, em um jogo que conta com diversas mecânicas. É complicado…

Gratuito, mas cada vez menos confortável
A monetização fica mais evidente conforme avanço em AION 2. Existe uma assinatura mensal que oferece benefícios como acesso mais conveniente ao armazenamento, funcionalidades de mercado, maior capacidade de determinados recursos e recompensas adicionais. Porém, nenhum desses elementos isoladamente impede que alguém jogue gratuitamente. Mas juntos, criam uma experiência claramente mais confortável para quem paga. Não gosto dessa filosofia. Não porque um MMO gratuito não possa ganhar dinheiro. Cosméticos, passes e diferentes conveniências são formas esperadas de monetização.
O problema aparece quando AION 2 começa a colocar diversas restrições em elementos básicos apenas para vendê-las de volta como conveniência, e os passes conseguem ser ainda mais irritantes. Para entender melhor, existem duas variantes de passe pagos, e a compra vale apenas para aquele personagem. Quer jogar com outro? Vai ter que comprar de novo, meu chapa. Aí não dá para defender, né?

Vale a pena jogar AION 2?
Olha… AION 2 é um daqueles jogos que me deixam dividido quase o tempo inteiro. Há momentos em que acho tudo fascinante. O mundo de Atreia é lindíssimo, os personagens são bem detalhados visualmente, alguns chefes são excelentes e desafiadores. O conteúdo de grupo consegue transformar um sistema de combate inicialmente automático em uma experiência frenética e exigente.
Porém, surgem os problemas. A história é confusa e mal contextualizada, meu protagonista parece totalmente um figurante, o caminho até o nível máximo é repetitivo demais, com missões muito vazias, a automação elimina parte do envolvimento com o combate, melhorias em itens podem destruir horas de progresso e quanto mais profundamente prossigo no jogo, mais a monetização começa a aparecer.
Tudo bem… AION 2 não me obriga a pagar um tostão para jogá-lo, mas frequentemente me faz sentir que pagar tornaria o jogo menos inconveniente. Há uma diferença importante entre essas duas coisas. Para jogadores casuais, a recomendação é mais simples: baixe, crie seu personagem, explore Atreia e veja se o jogo lhe agrada. Se sim, vá fundo. Agora, se você quer jogar um MMORPG minimamente inovador, passe longe de AION 2. Há bastante diversão sem gastar dinheiro, mas não há nada radicalmente inovador.
Concluindo, vejo AION 2 como um MMORPG cheio de qualidade escondida sob uma série de decisões frustrantes. Existe um jogo excelente em alguns momentos e os chefes mostram isso, e os gráficos idem. Mas existe também um MMORPG que parece determinado a transformar várias dessas qualidades em mais uma engrenagem de progressão, monetização ou conveniência paga. Passei horas me perguntando por que algumas coisas precisavam ser tão complicadas.
AION 2 está disponível para PC via Steam.
*Review elaborada em um PC equipado com uma RTX com código fornecido pela NC.
AION 2
GratuitoPrós
- Gráficos do jogo surpreeendem
- Chefes são alguns dos melhores momentos do jogo
- Boa variedade de classes
Contras
- História confusa e pouco acolhedora para novos jogadores
- Uso de macros torna parte do combate automático demais
- Monetização se torna cada vez mais intrusiva ao longo do jogo
- Progressão inicial é bastante repetitiva
- Golpes têm pouco impacto físico




