Demonschool | Review
Demonschool é um jogo que me surpreendeu bastante. O título, fortemente inspirado nos Persona clássicos, especialmente Persona 2, leva os jogadores a uma aventura em que assumimos o papel de uma caçadora de demônios e seus amigos, tendo apenas 10 semanas para impedir que o apocalipse alcance a Terra.
O novo projeto da Necrosoft Games me impressionou desde o seu anúncio, principalmente pelo fator de resgatar o aspecto de RPG tático que realmente exige que os jogadores pensem e planejem a melhor forma de agir. Algo que, infelizmente, acabou se perdendo no gênero ao longo dos anos, à medida que muitos títulos passaram a focar mais em jogabilidade orientada à ação.
Felizmente, já posso adiantar que Demonschool conseguiu me conquistar em praticamente todos os seus acertos e se tornou a minha maior surpresa de 2025. Assim sendo, depois de alguns adiamentos — incluindo o mais recente, causado pelo lançamento surpresa de Silksong — chegou a hora de finalmente adentrar a aventura de Faye e seus amigos em mais uma review antecipada do Pizza Fria!
10 semanas para o fim do mundo
Em Demonschool assumimos o papel de Faye, uma caçadora de demônios que, após ler em um pergaminho sobre o iminente fim do mundo causado pela invasão demoníaca em 10 semanas, decide que precisa impedir o apocalipse. Nisso, em seu caminho para uma ilha que possui uma escola misteriosa, ela se vê no meio de uma tentativa de invasão das criaturas infernais e precisa impedir isso a qualquer custo. Nessa jornada, ela terá como companhia outros jovens que também possuem habilidades sobrenaturais e precisará construir um vínculo com eles para se tornarem mais fortes.
O game realmente me lembrou bastante Persona nesse aspecto das relações, já que ao realizarmos quests exclusivas de cada companheiro aumentamos nossa afinidade com eles e descobrimos mais sobre suas motivações e seu passado. A primeira companheira que conhecemos em Demonschool é Namako, uma garota fotojornalista que, no começo, não se dá muito bem com Faye por ter uma personalidade mais tímida, algo que contrasta totalmente com a vibe impulsiva e energética da protagonista.
Além disso, Demonschool tem um sistema de escolhas em alguma situações em que dois personagens terão uma opinião espeficica sobre a situação e temos que decidir com quem concordamos. Isso abre caminhos para vinculos maiores com certos companheiros e até mesmo adiciona novas camadas na narrativa em relação a como eles nos tratam ao decorrer da aventura.

Demonschool faz um excelente trabalho na narrativa, entregando uma jornada épica e com reviravoltas ao longo da campanha, além de oferecer um grande crescimento dos personagens ao decorrer da história, o que realmente os torna bem memoráveis.
Explorando uma ilha misteriosa
Outro fator muito presente em Demonschool é a exploração. O game funciona no formato de zonas, em que praticamente a qualquer momento podemos ir até um local para explorar em busca de novos diálogos com NPCs e quests opcionais. O jogo é direto ao ponto nesse quesito, pois sempre marca no mapa se existe algo a ser encontrado naquela região naquele horário do dia.
Há bastante variação no que podemos descobrir, indo desde um lojista com itens importantes para os combates até um local de pesca com um minigame para capturar peixes demôniacos. Também existem locais que podemos verificar diariamente em busca de itens, como a fonte dos desejos e um cachorro que encontramos ocasionalmente pelo mapa e que, se receber carinho regularmente, trará itens para Faye de tempos em tempos.

Falando em passagem do tempo, o título é semelhante a Persona, com períodos de manhã, tarde e noite. Entretanto, eu não senti que Demonschool exige que os jogadores se programem tanto quanto em Persona. Admito que, principalmente em Persona 4, eu precisava fazer níveis absurdos de planejamento para cumprir as quests às vezes.
Isso não acontece aqui. Existem apenas algumas atividades opcionais que exigem mais atenção, como a van para alugar um filme, que aparece apenas uma vez na semana e gera uma review do personagem no jornal da semana seguinte, algo bem interessante dentro do jogo. Mas, de forma geral, muitas das missões secundárias não passam o tempo no game, tornando tranquilo completá-las. O fator que realmente avança o tempo são as missões principais, mas elas também estão sempre disponíveis para os jogadores realizarem.
Combates táticos desafiadores e divertidos
Demonschool apresenta um sistema de combate simples de compreender, mas desafiador de dominar. Ao longo da aventura, sempre que encontramos um demônio ou outro inimigo, somos transportados para uma versão paralela do mundo, na qual precisamos impedir que essas criaturas alcancem o plano da realidade. Assim, quando os confrontos se iniciam, devemos derrotar um número pré-determinado de inimigos para conseguir selar o portal do inferno.

Os combates funcionam com base em posicionamento de personagens e uso de pontos de ação de forma tática. O jogo oferece um período de planejamento no qual devemos posicionar os personagens, escolher os trajetos que eles seguirão e definir quais inimigos atacarão. Cada ação consome um action point, e dependendo da ação, mais pontos podem ser necessários, como ao usar habilidades especiais ou atacar mais de um inimigo ao mesmo tempo. Depois que definimos o plano, deixamos os personagens executarem suas ações, e então chega o turno dos inimigos.
O game é desafiador nesses confrontos, e a prioridade é que o jogador realmente pense e se organize antes de agir. Os protagonistas são bastante frágeis, e poucos golpes dos inimigos já são suficientes para derrotá-los. Felizmente, o título é bem permissivo no aspecto tático, permitindo reiniciar um confronto imediatamente caso a estratégia adotada não esteja funcionando.
Outro ponto que aumenta o desafio é o fato de cada personagem ter uma função muito bem definida. Um personagem focado em cura e aprimoramentos, por exemplo, não é eficiente em confrontos diretos. Assim, se os membros responsáveis por dano forem derrotados e apenas o healer restar, o confronto se torna praticamente perdido.

Além disso, é importante notar que derrotar nossos caçadores não é o único objetivo dos demônios. Eles também podem alcançar a extremidade do mapa e abrir um portal para o mundo real, o que também resulta em derrota. Portanto, além de lidar com os inimigos, o jogador precisa manter atenção constante ao posicionamento e ao avanço das criaturas, impedindo que elas progridam demais. Esse elemento torna cada confronto mais tenso, algo que considero extremamente positivo, pois aprecio quando RPGs realmente valorizam o aspecto tático durante o combate.
O valor do estudo
Demonschool apresenta uma grande variedade de skills que podem ser liberadas de diferentes maneiras. A mais óbvia é comprando algumas na loja, embora elas sejam caras e não muito variadas. Entretanto, o método mais interessante é estudar as skills. Durante a aventura, ao completar quests opcionais e principais, Faye aprende determinadas habilidades.
Porém, para utilizá-las, é necessário selecionar dois personagens para estudar aquela skill e, posteriormente, equipá-la em um membro do grupo. É preciso atenção nesse processo, pois algumas habilidades são exclusivas de determinadas funções dentro da equipe. Esse sistema me agradou bastante, pois adiciona uma camada tática ao desbloqueio de skills, exigindo cuidado e planejamento na hora de aprimorar o grupo — e, acredite, isso faz uma diferença enorme.

Também é importante destacar que podemos usar até quatro personagens em cada confronto, e cada um deles possui habilidades únicas que podem ser ativadas em combate quando um medidor específico é preenchido. As skills são bem variadas e reforçam ainda mais o papel de cada herói. Por exemplo, Faye, que tem foco em movimentação rápida para atacar inimigos, possui uma habilidade única que permite realizar uma ação sem gastar action points. Já Namako, que se especializa em atordoar adversários, consegue usar uma skill que afeta vários demônios simultaneamente.
Em Demonschool também é essencial que os jogadores pensem na melhor forma de realizar ataques combinados, mesclando habilidades de diferentes personagens. Por exemplo, usar um healer para fortalecer as skills de Namako aumenta significativamente a chance de sua habilidade especial não apenas atordoar os inimigos, mas derrotá-los imediatamente. Esse é mais um elemento tático que se destaca durante os combates e é extremamente satisfatório quando o jogador coordena várias ações, criando uma espécie de combo que destrói os inimigos em sequência.
Chefes desafiadores e criativos
Outro ponto que me surpreendeu bastante em Demonschool foram as batalhas contra chefes. Além de serem muito desafiadoras, os bosses realizam ataques em área, o que torna essencial que o jogador planeje cuidadosamente a movimentação dos personagens.

Além disso, é fundamental descobrir qual elemento o inimigo é mais vulnerável, seja fogo, água ou terra, e planejar os ataques com base nessas fraquezas. Esse aspecto do combate foi um dos que mais me lembrou Persona em sua forma moderna, mas com um foco ainda maior na criação de táticas durante as lutas, o que torna cada vitória contra um boss mais recompensadora.
Graficos e trilha sonora
Demonschool apresenta visuais bastante impressionantes. O jogo faz excelente uso de pixel art e modelos em 2D para criar uma ambientação extremamente viva e repleta de cores. Além disso, merece destaque a forma como os cenários mudam conforme o horário do dia em que os visitamos, tornando cada ambiente mais atmosférico e imersivo.

O game também oferece uma ótima variedade de inimigos e chefes, além de demonstrar grande atenção às expressões dos personagens durante os diálogos. Demonschool segue o padrão de Persona, exibindo as ilustrações dos personagens enquanto conversam, e, dependendo das falas, eles reagem de maneiras diferentes. O que me surpreendeu é que Demonschool entrega uma gama bem ampla de expressões, algo que inclusive costumo criticar nos Personas mais recentes por serem limitados nesse aspecto.
A trilha sonora é outro elemento que se destaca, com forte presença de composições instrumentais e eletrônicas que criam um excelente senso de imersão no mundo do game e tornam os segmentos de combate intensos e épicos.
Desempenho
Minha experiência foi no PC, utilizando uma RTX 3060. O jogo é leve e rodou sem dificuldades em 1440p, mantendo 240 FPS estáveis o tempo todo. Além disso, não enfrentei problemas com bugs ou travamentos.
Vale a pena comprar Demonschool ?
Demonschool é um excelente jogo que resgata com competência a sensação de jogar um Persona da velha guarda. O título é desafiador, apresenta personagens cativantes e desenvolve uma história repleta de reviravoltas ao longo da jornada, tornando a experiência extremamente marcante. O game acerta ao introduzir um sistema de combate que realmente exige raciocínio tático, levando os jogadores ao limite em batalhas contra chefes que, embora difíceis, são profundamente recompensadoras.
O único ponto realmente negativo de Demonschool é a ausência de legendas em português do Brasil. Para um jogo que coloca tanto foco em narrativa e construção de personagens, essa falta torna difícil recomendá-lo para jogadores que não dominam o inglês, já que uma parte essencial da experiência acaba comprometida.
Demonschool foi desenvolvido pela Necrosoft Games e chega no dia 19 de novembro para PC, via Steam e Epic Games Store, Steam Deck, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Necrosoft Games.
Demonschool
R$ 67,40Prós
- Uma excelente história com reviravoltas e personagens carismáticos
- Excelente sistema de combata tático que realmente desafia os jogadores
- Lutas contra chefes marcantes e que adicionam novas camadas de desafios durante os confrontos
- Progressão de habilidades recompensadora
- Excelente direção de arte
Contras
- Sem legendas em PT-BR


