Escape Academy 2: Back 2 School | Review

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Quem acompanha as minhas reviews aqui no Pizza Fria sabe que, nos últimos tempos, tenho usado bastante minha roupa de resolver puzzles (na minha mente, é algo parecido com a roupa do Charada, do Batman, porque é estilosa). Portanto, há alguns meses, durante minha busca por mais um jogo do gênero, acabei me deparando com Escape Academy. Esse foi um momento curioso, pois tive a impressão de já ter experimentado o título no Game Pass em algum momento da minha vida, mas não havia chegado a terminá-lo e sequer me lembrava de muita coisa sobre ele.

Assim sendo, reservei um fim de semana para me dedicar novamente ao game, e a experiência foi bastante divertida. Infelizmente, apesar de ter gostado, algumas coisas acabaram me decepcionando, principalmente o quanto alguns quebra-cabeças eram limitados em escala e a própria história, que não tinha muito a oferecer. Mas o mais importante estava presente ali: o potencial.

Eis que agora temos o lançamento da sequência, Escape Academy 2: Back 2 School, e preciso admitir que estou impressionado. Afinal, a maior parte dos aspectos nos quais enxerguei potencial no primeiro título foi expandida de maneira impressionante nesta nova aventura, inclusive em pontos que eu nem sequer esperava.

Portanto, para descobrir tudo o que essa nova aventura recheada de puzzles reserva, pegue seu caderno de anotações, uma calculadora (agradeça-me depois) e um café bem forte para ajudar seu cérebro a funcionar no 2x. Agora, venha comigo em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

O retorno a Escape Academy

As surpresas com Escape Academy 2: Back 2 School já começam logo na tela de título, pois agora o jogo oferece a opção de criarmos nosso próprio personagem. Entretanto, não espere nada muito elaborado: a customização parece ter saído diretamente de Dark Souls 1, com um guri e uma guria mais feios que o outro. Ainda assim, gostei da inclusão dessa opção. Ela já adiciona mais personalidade ao jogo logo de cara e contribui bastante para a imersão durante a aventura.

Falando em imersão, uma das coisas que preciso elogiar é o esforço considerável que os desenvolvedores fizeram na construção do mundo de Escape Academy 2: Back 2 School. Além da narrativa central, que apresenta até mesmo um mistério intrigante envolvendo desaparecimentos e as origens da Escape Academy, o game também oferece bastante conteúdo opcional ao longo de seus capítulos. Podemos realizar diversas missões secundárias e conhecer melhor os outros estudantes.

Escape Academy 2: Back 2 School
Puzzle-Man sempre farmando aura pelo campus. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

E isso impressiona, pois estamos falando de um título cujo foco principal são os puzzles e as salas de escape. Entretanto, a equipe deu um passo além e conseguiu tornar os cenários muito mais vivos, com diversos personagens com quem podemos conversar e interagir. Até mesmo alguns estudantes que estão apenas curtindo a vida pelo campus podem ter algo único e original para dizer.

Escape Academy 2: Back 2 School também acerta em sua história principal, agora contando com uma participação mais ativa dos colegas de dormitório do protagonista, o que adiciona novas camadas ao grande mistério que precisamos resolver. Esse é um aspecto bastante interessante, já que cada início de capítulo apresenta alguma interação bacana entre eles, seja a empolgação de estarem em busca de um grande segredo ou até mesmo pequenas intrigas e rivalidades entre amigos.

Escape Academy 2: Back 2 School
Os colegas de dormitório foram uma boa adição em Escape Academy 2: Back 2 School. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Entretanto, um aspecto que não evoluiu tanto em relação ao primeiro jogo foi o desenvolvimento dos professores. Apesar de apresentarem personalidades interessantes em um primeiro momento, eles não recebem muito desenvolvimento ao longo da campanha de Escape Academy 2: Back 2 School, e suas funções normalmente se resumem a apresentar os novos desafios que os jogadores terão pela frente. Foi uma oportunidade perdida, infelizmente, pois alguns deles realmente me causaram uma boa impressão, e eu gostaria de conhecer um pouco mais sobre esses personagens.

Explorando o mundo aberto em busca do próximo puzzle

Outra grande novidade de Escape Academy 2: Back 2 School é a introdução de um sistema de exploração em mundo aberto pelo campus. Entretanto, apesar do clima universitário, nem tudo é bagunça! Afinal, o mapa não fica totalmente disponível logo de cara. Em vez disso, precisamos completar os puzzles principais e secundários para conseguir pontos de credenciais, que nos permitem desbloquear áreas e portas mais avançadas. É um sistema que me agradou bastante, pois impede que o jogador fique completamente perdido sobre como progredir no game.

Assim sendo, diferentes partes da academia vão sendo liberadas progressivamente e acabam se conectando entre si. Escape Academy 2: Back 2 School apresenta uma grande variedade de locais, incluindo laboratórios, museus, salas de aula, bibliotecas e até mesmo algumas áreas secretas que podem ser descobertas durante a exploração. Além disso, temos diversas missões opcionais que podem ser iniciadas ao conversar com os NPCs e que normalmente nos recompensam com dinheiro. Esse recurso será bastante útil, já que várias dessas missões exigem que os jogadores comprem equipamentos para conseguir avançar.

Escape Academy 2: Back 2 School
O mundo aberto é o maior destaque do game e funciona muito bem. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Gostei bastante da variedade de missões secundárias e, principalmente, da maneira como elas introduzem puzzles únicos, que combinam com a personalidade de cada personagem. Por exemplo, uma das missões de que mais gostei envolvia descobrir a sequência correta de passos de dança para que um personagem pudesse realizar uma apresentação incrível.

Outra missão em Escape Academy 2: Back 2 School nos desafia a alimentar um gato, mas, para isso, precisamos cumprir várias etapas e conseguir os ingredientes necessários. Isso acaba nos levando a uma sequência de quebra-cabeças que vão desde descobrir a senha da porta da cafeteria até encontrar a ordem correta para servir os alimentos ao bichano. Vale mencionar também que, para os jogadores que gostam das tradicionais missões de colecionáveis em jogos de mundo aberto, Escape Academy 2: Back 2 School também oferece algumas atividades desse tipo, nas quais precisamos pintar diversos murais espalhados pelo campus.

De forma geral, gostei bastante da maneira como o mundo aberto foi introduzido aqui em Escape Academy 2: Back 2 School, sendo, de longe, o aspecto de que mais gostei no game. Mas, claro, apesar desse novo modelo de exploração, a progressão geral ainda conta com as clássicas Escape Rooms. E será que elas continuam tão boas quanto no primeiro jogo? Bom, essa é uma questão um pouco mais complicada.

As salas de escape principais têm qualidade irregular

Apesar de ser um jogo cheio de surpresas, Escape Academy 2: Back 2 School também reserva algumas que não são muito agradáveis. A principal delas é a queda de qualidade das Escape Rooms principais. Meu maior problema com essas missões é que elas exigem uma quantidade considerável de preparação e, muitas vezes, acabam não entregando algo que realmente faça o jogador sentir que todo aquele esforço valeu a pena.

A progressão dessas missões funciona da seguinte maneira: conversamos com um professor, que nos entrega uma lista de tarefas. Elas podem incluir conversar com determinados NPCs, comprar itens específicos ou encontrar alguma sala secreta. Depois de concluir todas essas etapas, finalmente começa a Escape Room tradicional, na qual precisamos resolver uma série de puzzles dentro de um limite de tempo. Ao final, recebemos uma nota de acordo com nosso desempenho.

Escape Academy 2: Back 2 School
Tirei tanto C- nesse jogo que me senti de volta ao ensino médio. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Basicamente, é a mesma estrutura utilizada no jogo anterior. Entretanto, houve uma queda considerável na variedade dos puzzles apresentados nessas salas em Escape Academy 2: Back 2 School. Acredito que isso tenha acontecido justamente por causa da introdução do mundo aberto. Afinal, fica evidente durante a campanha que boa parte do esforço criativo dos desenvolvedores foi direcionada para esse novo sistema de exploração. Consequentemente, as salas principais acabaram sendo prejudicadas, pois frequentemente apenas reaproveitam quebra-cabeças que já encontramos anteriormente. Para piorar, existe um uso excessivo de desafios nos quais precisamos descobrir combinações de números e letras para abrir fechaduras e cadeados.

Esse foi, sem dúvida, um dos aspectos que mais me incomodaram em Escape Academy 2: Back 2 School. Chega a ser absurdo o quanto esse tipo de quebra-cabeça se repete ao longo da campanha. E o pior é que muitos deles seguem praticamente a mesma fórmula: precisamos observar alguma informação sob uma perspectiva diferente ou resolver uma cifra para descobrir a combinação correta.

Escape Academy 2: Back 2 School
Ah, os cadeados com combinação… Provavelmente meus maiores inimigos em um jogo desde o próprio Nemesis, no Resident Evil 3 original. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Além disso, senti falta de puzzles mais ambiciosos e desafiadores, que realmente fizessem o jogador pensar de maneira lógica sobre como solucionar os problemas apresentados. Na maior parte do tempo, os enigmas em Escape Academy 2: Back 2 School eram tão fáceis que acabavam sendo decepcionantes ou, então, tornavam-se difíceis pelos motivos errados, principalmente pela falta de explicações suficientes para que o jogador conseguisse compreender o desafio proposto.

E, por falar nisso, preciso abordar outro grande problema de Escape Academy 2: Back 2 School: o sistema de dicas.

O sistema de dicas é decepcionante e pouco eficaz

Outro aspecto que também decaiu em qualidade foi o sistema de dicas de jogo. E sim, eu sei que isso é relativo e que existem jogadores aí que se consideram verdadeiros Sherlock Holmes, mas sem a parte legal do sotaque britânico, mas querendo ou não, esse é um recurso disponível caso o jogador precise. Porém, aqui, as dicas apresentadas pelo sistema são, em sua grande maioria, irrelevantes.

Um exemplo foi um dos puzzles que mais me deixaram travado. Nele, precisávamos ouvir diferentes sons e reproduzi-los na ordem correta e o jogador precisava tocá-los na ordem do mais grave para o mais agudo. E a dica desse puzzle era tipo “escute com atenção”… E esse é um problema que se repete em vários dos enigmas presentes no game, o que acaba tornando a jornada bem frustrante em alguns momentos.

A falta de PT-BR é uma grande barreira

Outro aspecto bastante decepcionante de Escape Academy 2: Back 2 School é a ausência de legendas em PT-BR. Isso pode representar um grande problema para os jogadores que não dominam a língua inglesa, principalmente porque diversos puzzles exigem um conhecimento mais avançado do idioma para compreender termos específicos e conseguir solucionar os quebra-cabeças. E admito que, mesmo tendo um bom domínio do inglês, também fiquei um pouco perdido em alguns momentos.

Escape Academy 2: Back 2 School
Jogar Escape Academy 2: Back 2 School sem saber inglês é igual olhar pra essa porta e querer entrar, mas não ter a credencial necessária pra isso. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Por isso, este é um daqueles casos em que realmente não recomendo Escape Academy 2: Back 2 School para quem não tem familiaridade com o idioma. Afinal, sem compreender determinadas palavras, expressões e instruções, a experiência pode se tornar extremamente frustrante, especialmente em um jogo cujo principal objetivo é justamente interpretar informações e solucionar enigmas.

Uma boa experiência cooperativa, mas com alguns problemas

Uma das grandes novidades de Escape Academy 2: Back 2 School é o foco ainda maior na experiência cooperativa. Esse foi um aspecto que me agradou bastante de maneira geral e que funcionou perfeitamente na maior parte do tempo. E não tem jeito: resolver puzzles com um amigo, enquanto os dois competem para descobrir quem entendeu menos do desafio, é simplesmente uma experiência que merece ser valorizada!

Entretanto, encontrei um pequeno problema durante as sessões cooperativas. Em alguns momentos, quando um dos jogadores minimizava a janela do jogo, a conexão com o servidor acabava caindo. Isso aconteceu algumas vezes, sendo que uma delas ocorreu justamente no final de uma das salas da campanha principal. Foi bastante frustrante, pois, por conta da desconexão, tivemos que refazer todo o desafio.

Gráficos e trilha sonora

O estilo visual de Escape Academy 2: Back 2 School me agradou bastante. O game mantém uma apresentação bastante cartunesca, mas demonstra um cuidado especial com os detalhes na construção de seus cenários, principalmente nas áreas de mundo aberto. Cada ambiente apresenta características visuais próprias, o que acrescenta personalidade aos diferentes locais e faz com que sejam mais marcantes durante a exploração. Entretanto, acredito que esse mesmo cuidado poderia ter sido aplicado também ao visual dos personagens principais, porque, como mencionei anteriormente, é um mais feio que o outro!

Escape Academy 2: Back 2 School
O game se destaca bastante visualmente, mas deixa a desejar nos designs dos personagens. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

A trilha sonora também merece destaque. O game mantém boa parte das faixas originais de mistério do primeiro título e ainda apresenta algumas versões remixadas. Sempre gostei bastante das músicas do jogo anterior, então foi muito bom ver esse retorno na sequência. Elas continuam combinando perfeitamente com a proposta da aventura e ajudam a criar a atmosfera de mistério necessária para a resolução dos puzzles.

Desempenho

Minha experiência foi realizada em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. O jogo utiliza a engine Unity e, de maneira geral, é bastante leve. Na resolução de 1440p e com todas as configurações gráficas no máximo, obtive um desempenho entre 250 e 300 FPS na maior parte do tempo, chegando até mesmo a atingir 400 FPS em alguns cenários.

Entretanto, notei alguns comportamentos estranhos relacionados ao desempenho durante a exploração do mundo aberto. Em determinados trechos, o jogo começava a apresentar bastante stuttering e, em algumas ocasiões, chegava a congelar por alguns segundos.

Meu amigo, que participou da campanha comigo no modo cooperativo utilizando uma RX 7600, também enfrentou exatamente os mesmos problemas nos mesmos ambientes. Portanto, fica o aviso: apesar de ser um jogo bastante leve, Escape Academy 2: Back 2 School ainda apresenta algumas instabilidades de desempenho que podem prejudicar a experiência durante a exploração.

Vale a pena comprar Escape Academy 2: Back 2 School?

Apesar dos diversos problemas, gostei bastante de Escape Academy 2: Back 2 School. O mundo aberto e a narrativa foram os aspectos que mais me surpreenderam no game e me mantiveram interessado do começo ao fim, sempre querendo descobrir quais novos segredos e puzzles encontraria durante a exploração. O jogo merece muitos elogios pela maneira exemplar como construiu o campus e pelo alto nível de interatividade presente em seus cenários.

Entretanto, nem tudo são flores, e o maior problema do game, que certamente será uma barreira para muitos jogadores, é a ausência de localização para o nosso idioma. Na maioria dos jogos, até conseguimos nos virar com um pouco de esforço, mas, em Escape Academy 2: Back 2 School, a situação é diferente. Grande parte dos quebra-cabeças, da narrativa e até mesmo da progressão exige que o jogador tenha um bom domínio da língua inglesa e compreenda diversos termos e expressões específicos do idioma. Sem esse conhecimento, mesmo com um dicionário e o Google Tradutor abertos ao lado, a experiência pode se tornar extremamente frustrante.

Além disso, as Escape Rooms principais também foram bastante decepcionantes, e realmente tenho dificuldade para lembrar de alguma que tenha sido marcante. Ainda assim, apesar dos problemas e de alguns pontos que ficaram abaixo das expectativas, quando Escape Academy 2: Back 2 School acerta, ele acerta em cheio! E é justamente por isso que ainda recomendo fortemente o jogo para quem procura uma experiência diferenciada, explorando um mundo aberto repleto de puzzles, segredos e atividades para descobrir.

Escape Academy 2: Back 2 School será lançado em 5 de novembro para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam e Epic Games Store. Desenvolvido pela Coin Crew Games, o jogo também estará disponível no Xbox para PC, terá suporte ao Xbox Play Anywhere e chegará ao Xbox Game Pass no dia do lançamento.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela iam8bit Presents.

Escape Academy 2: Back 2 School

7.9

História

8.5/10

Gameplay

7.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Uma história com um bom mistério
  • Bons personagens introduzidos ao decorrer da campanha
  • Excelentes missões opcionais
  • Excelente mundo aberto com um bom sistema de progressão
  • Os puzzles do open world são bastante criativos e o maior destaque do jogo

Contras

  • A falta de legendas em PT-BR é uma grande barreira para os jogadores que não entendem o idioma Inglês
  • As escape rooms principais são decepcionantes
  • O sistema de dicas poderia ser melhor
  • Alguns problemas de travamentos no mundo aberto e quedas de conexão ocasionais no cooperativo
  • Muitos puzzles envolvendo descobrir código de cadeados

Leandro Paiva

Jornalista, amante de survival horror, café e, provavelmente, o maior fã de Resident Evil do site, a menos que ele chame Revelations 2. Sou um jogador de PC em tempo integral, pois games são uma arte bela demais para não serem apreciados em suas melhores versões. E, com isso, claramente não quero dizer jogar com o MSI Afterburner aberto na tela, mostrando 100+ FPS!