Evil West | Review

Desde que vi o primeiro trailer de Evil West, fiquei curioso para entender o que se passava e, agora, finalmente pude compreender melhor sua premissa. O jogo, disponível para PC, via Steam, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S, nos coloca na pele de Jesse Rentier, um caubói caçador de vampiros de uma organização clandestina responsável por lidar com ameaças sobrenaturais em um mundo que estava conhecendo as maravilhas da eletricidade – que é a força motriz de sua moderna manopla. Diante desta apresentação, a primeira pergunta que me veio a cabeça foi: será que essa mistura de modernidade eletropunk, monstros e caubóis dá certo? Pois bem, nesta review, tentarei destrinchar essa e outras questões. Confira!

Um Velho Oeste diferente

Evil West é um jogo com uma ideia bem distinta. Nele, somos colocados no Velho Oeste dos Estados Unidos lutando contra uma série de monstros sanguinários. Com este cenário, somos apresentados a um mundo diferente que está conhecendo as maravilhas da energia elétrica – algo demarcado em boa parte da narrativa. Membro de uma equipe de agentes secretos que protegem a sociedade estadunidense, o Instituto Rentier, que é comandado por William Rentier, pai do protagonista, tendo ambos uma relação complexa, que é razoavelmente explorada ao longo da história.

Entre vampiros e aberrações sanguessugas, o enredo meio genérico de Evil West se desenrola, apresentando gradativamente novos personagens, armamentos, habilidades e inimigos, trazendo também algumas lutas com chefões. Desta forma, podemos ir captando aos poucos como usar cada apetrecho e, ao mesmo tempo, se envolver na narrativa, que é muito linear.

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A carnificina rola solta, isso é fato! (Imagem: Divulgação)

A ambientação geral do game é bem feita, nos levando a minas, cânions e cidades desertas, tudo no melhor estilo Velho Oeste. Contudo, o design dos mapas é meio comum e apresenta poucas variações de caminho, sendo muito reto e direto, embora apresente alguns baús e itens escondidos como em outros jogos do gênero.

No aspecto narrativo, Evil West não apresenta nada muito novo, contando uma história bem “água com açúcar”, acabando por levar sua ênfase para a ação presente na jogabilidade. As cutscenes são simples e vão apresentando mais detalhes do mundo do jogo, mas de uma maneira que eu também julgo como “genérica”. Desta forma, o que pode salvar Evil West de não ser mais um jogo em meio a tantos só pode ser a sua jogabilidade, certo!? Veremos…

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As coisas se repetem muito no Velho Oeste sanguinolento de Evil West. (Imagem: Divulgação)

Manoplas, armas, eletricidade e muito caos

Se tem uma característica que Evil West tem é ser caótico. Por apresentar novas armas, novas habilidades e diferentes estilos de inimigos ao longo do arco narrativo, somos colocados em batalhas contra hordas de monstros, tendo cada um habilidades específicas como ataques à distância, golpes muito fortes e por aí vai. Desta forma, soma-se novas armas e habilidades a diferentes estilos de inimigos e pronto… É um verdadeiro caos! Precisamos nos habituar a lidar com monstros vindo de diferentes lugares, dando múltiplos golpes. Confesso que em alguns momentos fiquei perdido com tanta informação. E isso ainda piora em boss battles…

Ao nos depararmos com batalhas, Evil West é extremamente previsível. Sempre somos colocados em campos abertos que dão sempre a entender que ali se desenrolará uma peleja maluca, seja com chefões ou diversos sanguessugas. E isso se repete… repete e… repete. Claro, o nível de complexidade vai aumentando, mas no final é sempre a mesma coisa. Em um chefe em especial, acabei me frustrando com a jogabilidade. A câmera parece não ajudar muito e, ao mesmo tempo, ele é bem “enjoadinho”. Se já era difícil lidar com hordas de inimigos, ali você tem de lidar com tentáculos, bichos explosivos e as limitações do retângulo onde a batalha se desenrola. Complicado…

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Os gráficos feitos na Unreal Engine 4 são bonitos, mas simples. (Imagem: Divulgação)

Particularmente, acho aceitável que todo jogo tenha esse tipo de problema. Afinal de contas, a ideia é trazer dificuldade. Porém, quando há muita informação em um espaço muito curto, por exemplo, a experiência de jogo se torna frustrante. Soma-se isso a câmera em terceira pessoa, que encobre parte dos inimigos e a bagunça está feita. A jogabilidade deixa de ser aprazível, como em toda a narrativa, pra se tornar em algo meio decepcionante. Contudo, Vale ressaltar aqui que inicialmente, Evil West até que se apresenta bem e mantém tudo fluindo. Porém, ao longo da história, vai perdendo a graça.

Vale a pena comprar Evil West?

Evil West não acrescenta nada de novo ao mundo dos jogos. Na realidade, soa como algo bem genérico. Isso necessariamente não o tornaria ruim, mas se somarmos o desempenho do jogo, que apresentou crashes e bugs em alguns momentos, sua jogabilidade repetitiva e o arco narrativo sem sal, ele se torna um título entre outros. E é isso. Seus gráficos, feitos na Unreal Engine 4, são bonitos, mas nitidamente simples, algo que fica nítido no level design. Outra coisa besta, mas que me pega muito é que os personagens falam pra caramba, mas não movem um centímetro dos lábios. Todavia, vale ressaltar que o jogo conta com legendas em português, algo que merece ser enfatizado sempre.

Concluindo, Evil West tem muitos defeitos, mas não é um jogo ruim de todo. Tá, ele é genérico, precisa de alguns ajustes e tal, mas tem alguns bons momentos de ação – embora sejam repetitivos. Outro fator que “atrapalha” Evil West é que ele passa muito, mas muito batido diante outros jogos lançados em 2022. Enfim. Respondendo a pergunta do início desta análise, essa mistureba eletropunk de Evil West não colou muito não…

*Review elaborada no PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Focus Entertainment.

Evil West

R$ 169,00 +
7.4

História

6.8/10

Jogabilidade

7.5/10

Gráficos e sons

8.0/10

Extras

7.2/10

Prós

  • Legendado em português brasileiro
  • Gráficos simples, mas bonitos
  • Mecânicas são explicadas ao longo da narrativa

Contras

  • Alguns bugs e crashes ocorreram durante a jogatina
  • Jogo se torna repetitivo depois de um tempo
  • Narrativa morna
  • O título não acrescenta nada de novo ao gênero de ação em terceira pessoa

Álvaro Saluan

Historiador e cientista social de formação, é completamente apaixonado por videogames e escreve sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte.