FROSTHAVEN | Review
FROSTHAVEN é um RPG tático por turnos, desenvolvido pela Snapshot Games e publicado pela Arc Games. Nele, controlamos um grupo de mercenários que precisa encarar a fronteira gelada e perigosa do norte enquanto ajuda a manter de pé o posto avançado que dá nome ao jogo. Um pedacinho do céu, tenho certeza.
Mas, será que a versão final, depois de mais de um ano em acesso antecipado, deu bom? É o que descobriremos agora, em mais uma análise gélida e friorenta do Pizza Fria!
Do tabuleiro para sua máquina
Saudações, mercenários e mercenárias de meu coração! Estamos reunidos novamente neste, que pode até ser conhecido como o site mais caloroso e aconchegante deste inferno gelado que habitamos, para falar de um jogo que já ocupa um bom espaço na estante aqui de casa e, agora, quer ocupar um em meu HD também.
Joguei muito Gloomhaven e, assim que FROSTHAVEN saiu em sua versão de tabuleiro, e ficou acessível em suaves parcelas, eu comprei o meu e joguei ele bastante também. Por isso, fiquei muito curioso e interessado nessa versão digital, primeiro porque sou um homem do futuro, e segundo porque ela é infinitamente mais prática do que passar horas montando pedacinhos de mapa, bonecos, fichas, cartões, cartas e por aí vai. O que é legal, acreditem, mas por vezes demora tanto que a preguiça acaba apagando o fogo de jogar.
E a versão 1.0 de FROSTHAVEN chega trazendo conteúdo novo, junto de tudo que foi lançado durante o acesso antecipado, somado a algumas sugestões de melhorias da comunidade. Promessa é o que não falta, realmente. Mas, será que deu bom? Pois peguem seus casacos e venham comigo, porque vamos descobrir agora.

História
FROSTHAVEN nos coloca na pele de um grupo de mercenários que vai parar em um posto avançado bem distante da capital, lá no extremo norte do mundo, onde o frio é de rachar e a vida não é nada fácil. Definitivamente não é um lugar no qual gostaríamos de passar as férias, podem acreditar.
A treta começa quando nossos heróis percebem que a vilinha está na pior, sofrendo com o clima e com ataques vindos de tudo quanto é lado: gigantes peludos e furiosos descendo das montanhas, criaturas saindo do mar e até máquinas que, vejam só, andam pelo gelo caçando vítimas de sangue quente. Como toda desgraça pouca é bobagem, recursos também são escassos, e tudo que temos precisa ser construído na base do suor, das lágrimas e da fúria impotente.
Então, entre uma missão e outra, o grupo precisa proteger e fazer crescer o posto avançado de FROSTHAVEN, enfrentar as ameaças da região e, se possível, até fazer as pazes com alguns desses novos povos para encarar perigos ainda maiores. E, quem sabe, ganhar um dinheirinho honesto pelo caminho. Afinal, nem relógio trabalha de graça.
A história é bem clichê para o gênero de aventura, mas consegue prender e faz a gente querer seguir até o final. Acredito que ela funciona melhor dentro do universo dos jogos de tabuleiro, mas aqui temos algo bem competente, e a narração dos personagens e do narrador do jogo adiciona um charme a mais para quem veio da mesa, como eu.

Jogabilidade
Em essência, FROSTHAVEN é um RPG tático por turnos, em que montamos um grupo de mercenários e encaramos uma campanha cheia de missões divididas em salas, em um mapa de hexágonos bem parecido com o do tabuleiro. E isso não é por acaso, já que o jogo é bem fiel ao de mesa, trazendo todas as mecânicas de uma maneira bem interessante e bem implementada. Temos os códices, as cartas, os personagens, os eventos de estrada, a parte do posto avançado e tudo mais que vemos no mundo real.
Para começar, o combate gira em torno das cartas de habilidade de cada personagem. A cada rodada, escolhemos duas cartas da mão, e cada uma delas tem uma ação na parte de cima e outra na parte de baixo, e usamos a de cima de uma e a de baixo da outra. As cartas também têm um número de iniciativa, que decide quem age primeiro na rodada, o que deixa cada escolha bem importante, porque às vezes vale mais a pena agir antes do inimigo do que dar o golpe mais forte.
Em se tratando de recursos, a própria mão de cartas é o que mais importa em FROSTHAVEN. Algumas ações mais fortes fazem a carta ser perdida até o fim da missão, e para recuperar as que já usamos precisamos descansar, o que custa uma carta pelo caminho. Se as cartas acabarem, o personagem fica exausto e sai da missão, então dá para dizer que ela também funciona como um relógio. Além disso, temos elementos que podem ser ativados para turbinar outras ações e um baralho de modificadores que deixa cada ataque com um pouco de sorte envolvida.
O sistema de cartas e builds segue sendo muito legal e inovador. Conforme os personagens sobem de nível, ganhamos acesso a cartas novas, melhorias para o baralho de modificadores e itens, o que nos dá uma liberdade bem maneira para montar o boneco do nosso jeito e procurar boas combinações com o resto do grupo. Além disso, cada personagem tem seu próprio nicho e dificuldade, garantindo que sempre tem um com nosso estilo.

Falando em progressão, o posto avançado de FROSTHAVEN também entra na conta. Entre uma missão e outra, construímos e melhoramos prédios, juntamos recursos e liberamos novas mecânicas e funções para o grupo, tudo isso enquanto lidamos com os eventos de estrada e do próprio posto, que podem ajudar ou atrapalhar bastante a nossa vida. Achei bem legal ver essa parte tão bem adaptada, porque ela é uma das que mais dão trabalho no tabuleiro.
O jogo também tem muito conteúdo. Além dos personagens que temos no começo e dos que liberamos ao longo da campanha, cada mercenário tem uma missão pessoal que, quando cumprida, permite que ele se aposente (o que já mostra que estamos falando de um jogo, porque ninguém mais se aposenta na vida real), abrindo espaço para outro personagem entrar no grupo.
Em se tratando de dificuldade, a estratégia de FROSTHAVEN segue chique e o jogo continua bem difícil, ainda que agora possamos escolher um nível mais adequado ao nosso jeito de jogar. Isso faz com que ele seja complexo, mas acessível de maneira geral, servindo tanto para quem veio da mesa quanto para quem está chegando agora. O co-op também é legal, trazendo toda a diversão para quem joga com uma galera, sem impedir que a gente jogue sozinho e controle o grupo inteiro.

Somando tudo, FROSTHAVEN consegue entregar uma adaptação bem completa e redonda, com estratégia, desafio e conteúdo de sobra para quem gosta do estilo. Realmente curti o que vi, e acho que essa é a parte mais forte do título.
Contudo, nem tudo são flores, e o jogo herda alguns problemas do original. Ele é muito denso em conteúdo e não faz muito esforço para ficar mais palatável, preferindo encher o jogador de tutoriais e mensagens de atenção. Além disso, os turnos são lentos, os personagens se movem pouco e passamos um bom tempo sem ação, só andando para ir de uma sala para outra durante as missões. Isso já era um problema no tabuleiro, ao menos para mim, e seria interessante ver o jogo digital trabalhando essa parte de outras formas.
Esse é um dos pontos que pode, no fim das contas, criar ou matar a experiência de FROSTHAVEN para o jogador, visto que é preciso paciência para entender e ele pode não ser tão intuitivo no começo, principalmente por alguns comandos não serem tão bem explicados assim, nem como fazemos algo ou onde precisamos buscar na interface.

Sons e Visuais
Os gráficos de FROSTHAVEN são competentes e conseguem dar vida às cartinhas e miniaturas do jogo base, ainda que sejam simples e não tão variados assim. Funciona bem, e ver os bonecos e cenários se mexendo depois de tanto tempo olhando para peças paradas na mesa tem seu charme.
O maior problema aqui é a interface, que é muito carregada e confusa. Temos informação espalhada por todos os cantos da tela, o que acaba gerando bastante poluição visual e dando um nó na cabeça do jogador, principalmente para quem ainda está aprendendo as regras.
Já a trilha sonora de FROSTHAVEN fica dentro do esperado para jogos do estilo, sem nada que doa os ouvidos, mas também sem nada que realmente fique na memória. Ah, e temos legendas no nosso lindo idioma!

Vale a pena jogar FROSTHAVEN?
FROSTHAVEN, leitores e leitoras do meu coração, é uma adaptação bem fiel e caprichada do jogo de tabuleiro, que traz para o digital toda a estratégia, a dificuldade e o conteúdo que fizeram o original ficar tão famoso, sem precisar passar horas montando a mesa antes de cada partida. E, devo dizer, todos seus pontos menos agradáveis também.
Temos um sistema de cartas e builds muito legal e inovador, combates bem estratégicos, muito conteúdo entre personagens, missões, aposentadorias e o posto avançado para construir, níveis de dificuldade para todos os gostos, um co-op bem divertido e uma narração que dá um charme a mais para a história. De negativo, o jogo é denso e pouco convidativo para quem chega agora, os turnos são lentos, com muito tempo só andando entre as salas, e a interface é carregada e confusa. Já que estamos indo para o digital seria interessante algumas melhorias de qualidade de vida.
Sendo assim, acredito que FROSTHAVEN vale para todos que gostam de estratégia por turnos, mas certamente o maior valor vai ser para quem já jogou e gostou do de mesa e quer ver como tudo fica em movimento, numa versão digital. Se esse é o seu caso, pode ir sem medo.
FROSTHAVEN chega oficialmente nesta quinta-feira, 15 de outubro, para PC, via Steam e Epic Games Store, encerrando seu período de Acesso Antecipado.
*Review elaborada em um PC equipado com uma RTX com código fornecido pela Arc Games.
FROSTHAVEN
BRL 107,99Prós
- Muito conteúdo entre a história principal e as outras missões e objetivos que temos
- Diversos personagens para liberar e usar, cada qual com sua mecânica e complexidade
- Adaptação fiel do conteúdo de mesa
- Cooperativo sempre interessante
- Legendado em português
Contras
- Pouco convidativo para quem não conhece tanto o tabuleiro
- Interface confusa e carregada
- Quantidade de mecânicas explicadas em texto pode assustar o jogador
- As lutas podem ser arrastadas, principalmente quando temos que mudar de salas
- Narrativa simples cai melhor para jogos de tabuleiro do que de computador



