Gears of War: Reloaded | Review
Preciso começar esta análise falando algo importante: não tive a oportunidade de jogar o primeiro Gears of War em 2006. Talvez por isso eu tenha me interessado tanto na ideia de poder analisar Gears of War: Reloaded, remaster do jogo original, desenvolvido pela Microsoft e a The Coalition para Xbox Series X|S, Xbox para PC, Xbox Cloud Gaming, PlayStation 5 e PC, via Steam. Trazendo uma série de novidades como suporte a resolução 4K, 120fps no modo multiplayer e funcionalidades como HDR, Dolby Vision e áudio espacial 7.1.4, a ideia dele é revigorar o que foi vivido por muitos em 2006, trazendo sua narrativa e jogabilidade adequados para a atualidade.
Mas será que, quase duas décadas desde o seu lançamento, esta nova versão de Gears of War: Reloaded consegue mostrar que o primeiro título da franquia ainda impressiona? Ou será que o tempo dela já passou? Esse e vários outros detalhes serão observados nesta análise do Pizza Fria!
Uma franquia que moldou gerações
Posso não ter jogado o título no passado, mas sei muito bem que Gears of War é uma franquia que marcou os anos 2000. A saga de Marcus Fenix não é somente um capítulo da história dos videogames. Para muitos fãs, o título ajudou a definir toda uma geração. Lado a lado com Halo, outro título que também acabei conhecendo de maneira tardia (e me apaixonando), Gears consolidou o Xbox 360 como uma potência na época. O jogo pode até mesmo ser considerado uma referência para vários outros títulos que tentaram repetir essa fórmula. Não à toa, a Microsoft comprou os direitos da franquia e a transformou em peça-chave da sua estratégia de exclusivos. Bem… até agora.
Mas o tempo passou, e a relação da empresa com seus próprios jogos mudou radicalmente, o que frustrou muitos dos jogadores. O PC voltou a ser prioridade, o Game Pass virou peça central e até mesmo a barreira da exclusividade começou a ruir. Aliás, essa é a parte que mais frustrou os proprietários de Xbox (e eu adorei!). Foi nesse movimento que nasceu a Ultimate Edition, em 2015, marcando a estreia de Fenix nos computadores. Embora carregada de problemas técnicos, ela abriu as portas para novos públicos, e eu novamente não estive entre eles. De qualquer maneira, reconheço o impacto da franquia na história dos jogos e admiro bastante seus feitos, sobretudo após finalmente jogá-lo com calma.

A história se repete, mas com um brilho diferente
A narrativa de Gears of War: Reloaded segue exatamente o que o título de 2006 apresentava, recontando a saga de Marcus Fenix e sua luta contra os Locust, criaturas que emergem do subterrâneo para dizimar a humanidade no planeta Sera. Encarnando Marcus, nos unimos ao esquadrão Delta em uma jornada praticamente impossível para deter a ameaça inimiga por meio da Arma da Massa Ligeira, uma tecnologia que pode virar o jogo a favor da humanidade. Com isso, o enredo mistura ação militar, alguns momentos de tensão psicológica e laços de companheirismo, estabelecendo a identidade narrativa que marcou a franquia.
A trama infelizmente não é de grande destaque, algo meio que comum na época, mas agora, ela surge com um novo fôlego graças ao salto visual e sonoro, que ampliam a imersão da experiência caótica de uma guerra que parece impossível de ser vencida. O clima de destruição, a urgência de sobreviver e o peso do conflito são transmitidos com bastante impacto visual, algo que mostra como Gears of War e seus personagens continuam firmes e fortes mesmo após duas décadas. Com isso, temos a oportunidade de rejogar uma campanha que equilibra ação constante e narrativa, lembrando que por trás de cada soldado, há um conflito humano marcado pela esperança e pelo sacrifício. Isso parece meio que Halo, mas…

Uma grande remasterização
Comparando os gráficos com os vídeos do título de 2006, o que Gears of War: Reloaded oferece é algo incrível, feito com respeito ao título original e muito cuidado na parte técnica. Como dito lá no início do texto, este remaster traz o jogo em 4K nativo, com texturas refeitas, suporte a HDR e Dolby Vision, e desempenho que chega a 120 FPS no modo multiplayer e 60 FPS na campanha. Já nos consoles, promete entregar estabilidade em 60 FPS, com fluidez que faz qualquer veterano esquecer da lentidão dos anos 2000.
No PC, a plataforma usada para a análise, toda a qualidade fica evidente, sobretudo com o suporte a diversas tecnologias como o DLSS 3.5, FidelityFX 3.1, suporte ultrawide, reflexos em tempo real e até benchmark interno para ajustes minuciosos. Para mim, esse foi um ponto muito interessante, transformando um clássico de 2006 em um jogo bem condizente com os parâmetros da atualidade, seja em gráficos, jogabilidade ou em dublagem. É claro, há uma coisa ou outra ali da jogabilidade que fica meio datada, mas sem tirar todo o brilho deste remaster de respeito, que está muito lindo e com um excelente desempenho. Com tudo isso, Gears of War: Reloaded se passaria facilmente como um “lançamento” atual.

Técnicas modernas, alma antiga
Gears of War: Reloaded é um remaster muito respeitoso, que não tenta de forma alguma reescrever a história da franquia. Ele a celebra tal como ela merece. O jeito meio diferenciado da movimentação, por exemplo, pode causar estranheza para quem conheceu a série somente em Gears 5 (meu caso, mas de forma muito rápida), que é um pouco mais ágil. Por conta dessas escolhas, ele parece preservar sua essência e jogabilidade únicas. Mexer nesse aspecto certamente seria um grande risco, que arriscaria a identidade do jogo. Pelas minhas comparações, feitas com base em vídeos das duas edições anteriores, deu para ver que o trabalho foi muito bem executado e respeitoso.
Com isso, Gears of War: Reloaded entrega recursos dignos da atualidade. Na prática, o áudio espacial em 7.1.4 nos apresenta uma atmosfera mais imersiva; cada passo e fala do inimigo ecoam na direção correta e, como foi dito anteriormente, no PC é possível alcançar performances altíssimas sem abdicar da qualidade. É o equilíbrio entre tradição e modernidade que sustenta remaster como um dos melhores que já pude experienciar.

Probleminhas no modo multiplayer
O coração de Gears of War: Reloaded, como é de se esperar, bate mais forte no multiplayer. Com isso, cada um dos níveis foram recriados com fidelidade e brilho, servindo de palco para o clássico modo Mata-Mata em equipe. Aqui, o ritmo segue cadenciado. Nada de correr enlouquecidamente atirando como em vários outros jogos conhecidos. Aqui, sobreviver exige de cada jogador saber quando se esconder, quando avançar e quando confiar em cada uma de suas armas. Os duelos corpo a corpo continuam sendo um espetáculo de reflexos e timing. Cada evasiva bem-sucedida e cada recarga ativa cravada no segundo certo ainda trazem aquela descarga de adrenalina única.
Porém, temos alguns problemas aqui, e o primeiro que pude perceber foi o balanceamento da sniper, capaz de transformar partidas em sessões de frustração caso caia nas mãos de um jogador habilidoso. É literalmente tiro e queda. Além disso, pude sentir dificuldades com o matchmaking, que trouxe longos períodos de espera para encontrar partidas. Esses tropeços técnicos levantam um sinal de alerta, mas é bem possível que o cenário mude após o lançamento. Oremos…

Vale a pena jogar (ou rejogar) Gears of War: Reloaded?
Definitivamente, sim. Gears of War: Reloaded foi minha primeira experiência com a franquia, e surpreendeu. O que temos aqui não é apenas um simples remaster, mas uma homenagem a um dos jogos mais influentes da história do Xbox. Para os veteranos, acredito que seja uma excelente oportunidade de reviver batalhas do passado, agora com a qualidade visual e sonora que a memória nostálgica sempre tentou recriar. Já para os novatos como eu, falo com toda a tranquilidade que trata-se de uma porta de entrada privilegiada para um grande shooter, trazido de volta em sua melhor forma.
O título também ganha um peso histórico ao derrubar a tão complexa barreira da exclusividade: pela primeira vez, a jornada de Marcus Fenix chega a um console da Sony, PlayStation 5, além de estar otimizado para PC. Esse movimento ousado amplia a comunidade e reforça a relevância desta franquia que, mesmo após quase duas décadas, continua a ser referência no gênero. O crossplay entre plataformas e todos os detalhes analisados são provas do esforço dos desenvolvedores em transformar Gears of War: Reloaded em uma experiência ainda mais amplificada.
No entanto, vale o alerta: o sucesso a longo prazo de Gears of War: Reloaded dependerá de como a desenvolvedora lida com a parte online. O jogo ainda trouxe alguns problemas de matchmaking que precisam ser resolvidos para garantir que o multiplayer mantenha sua força. Se esses ajustes forem feitos, o jogo tem tudo para se consolidar não somente como uma remasterização incrível, mas como o renascimento definitivo da série. Em resumo, Gears of War: Reloaded é a prova de que alguns clássicos merecem muito um remaster de respeito, seja para matar a nostalgia de veteranos ou encantar novatos como eu.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Microsoft.
Gears of War: Reloaded
BRL 199,00Prós
- Jogo totalmente localizado para o português brasileiro, com uma excelente dublagem
- Visual incrivelmente repaginado, com texturas em 4K, HDR e iluminação aprimorada
- Suporte a tecnologias modernas como DLSS e FidelityFX
- Jogabilidade e narrativa não são descaracterizadas neste grande remaster
Contras
- Alguns problemas de matchmaking seguem no multiplayer
- Certas missões da campanha ainda mantêm uma estrutura meio datada


