Gray Zone Warfare | Preview

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Gray Zone Warfare, game do MADFINGER Games lançado em acesso antecipado para PC via Steam, não passa exatamente a sensação de entrar em uma guerra convencional. O nome já entrega parte da proposta: estamos em uma “zona cinzenta”, um estado intermediário entre paz e conflito aberto, onde diferentes grupos tentam ganhar vantagem através de operações clandestinas, recuperação de recursos, resgates, tráfico e ações militares que nem sempre deixam claro quem realmente está no controle da situação.

O jogo se passa em Lamang, uma ilha fictícia do Sudeste Asiático, que me lembrou muito o Vietnã, marcada por conflitos, presença militar e uma série de mistérios que ainda não são completamente explicados. Nós podemos escolher uma facção, montar os equipamentos e entrar em um mapa enorme para cumprir missões, coletar armas, encontrar recursos e, o mais importante: voltar vivo. Em certos momentos esse tipo de ideia me faz acabar comparando Gray Zone Warfare com Escape from Tarkov, dadas as proporções e realismo, é claro.

Há inventário, comerciantes, equipamentos que podem ser perdidos, extrações e um forte foco em armas realistas. Mas quanto mais joguei e me aprofundei na ideia, mais ficou claro que Gray Zone Warfare tem como objetivo ocupar uma posição um pouco diferente. Esse é um jogo menos sufocante do que os extraction shooters mais extremos, mais aberto a PvE, mais preocupado com exploração em um mundo contínuo e, principalmente, obcecado com pequenos detalhes.

Desta forma, analisarei aqui as minhas primeiras impressões sobre esse extraction shooter diferenciado, e o que podemos esperar dele no futuro. Bora lá?

Lamang é um excelente campo de batalha

A ilha de Lamang, território apresentado pelo jogo, é facilmente um dos elementos que mais chamam atenção. Estamos falando de um enorme cenário tropical, com florestas extremamente densas, pequenas cidades, estradas, bases militares, vilarejos e áreas que escondem ameaças em praticamente qualquer direção. Aqui, a vegetação desempenha um papel muito importante, não sendo somente como decoração ou para preencher o cenário.

Em Gray Zone Warfare é possível e até necessário, se esconder no mato, perder adversários de vista, organizar emboscadas ou simplesmente desaparecer de uma situação que começou a ficar perigosa demais. Isso também torna a navegação naturalmente tensa, sobretudo ao jogar o modo PvP. Em muitos shooters, consigo olhar para uma área aberta e compreender rapidamente de onde pode surgir um inimigo. Aqui, um arbusto pode esconder um ou até mesmo vários inimigos. Quanto mais eu jogava, mais vinha uma sensação similar à que tive ao jogar o primeiro Far Cry, entrando em uma ilha tropical sem saber exatamente o que está me esperando. Particularmente, essa é uma comparação que considero bastante positiva.

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Olha só o tamanho desse mapa! (Imagem: Reprodução)

PvPvE ou PvE, você escolhe

Um ponto que gostei bastante em Gray Zone Warfare é a possibilidade de escolher entre servidores PvPvE ou puramente PvE. Isso muda radicalmente a forma como a experiência funciona, ainda mais quando você é receoso, assim como eu, de cair logo de cara no PvP. No PvPvE, além dos inimigos controlados pela inteligência artificial, existe a ameaça de encontrar jogadores pertencentes às outras facções. Já no PvE, o que mais acabei jogando, consigo focar nas missões e no combate contra NPCs sem aquela paranoia constante de que alguém está me observando de uma colina a 300 metros.

Essa flexibilidade é importante e necessária em um título nessa pegada. Nem todo mundo gosta do tipo de tensão criada por extraction shooters competitivos. Às vezes, quero simplesmente formar um esquadrão, entrar em Lamang e cumprir objetivos. Em outras ocasiões, o risco de encontrar outro grupo é justamente o que torna a missão interessante. A possibilidade de escolher torna Gray Zone Warfare muito mais acessível sem retirar profundidade. Tudo bem que os inimigos não são lá muito inteligentes ou desafiadores, mas é algo. O chato mesmo é ter que andar por longos momentos entre árvores e plantações para chegar a cada objetivo.

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Os inimigos são meio lerdos e isso é desanimador. (Imagem: Reprodução)

As armas são customizáveis

Se existe uma área em que os desenvolvedores de Gray Zone Warfare parecem completamente obcecados por detalhes, é parte das armas. Quando digo detalhes, não significa simplesmente ter várias miras diferentes ou skins. É muito mais do que isso. A customização tenta reproduzir de maneira bastante próxima a forma como armamentos reais são desmontados e modificados, sendo possível colocar coronha, cano, mira, dentre várias partes internas e externas que eu nem sabia que existia em uma arma.

Na atualização Rogue Ops, sete novas armas foram adicionadas junto de aproximadamente 340 componentes, levando o número total de peças para algo próximo de 1.400, o que é um número absurdo para um jogo ainda em desenvolvimento. Possivelmente até demais para quem só quer escolher um fuzil e começar a atirar. Mas Gray Zone Warfare não se limita a isso, e para jogadores como eu, por exemplo, que gostam de montar armas, testar componentes e ajustar outros detalhes, isso é ótimo. A sensação das armas muda radicalmente, trazendo peso a cada escolha.

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O menu do jogo é totalmente detalhado. (Imagem: Reprodução)

Atirar exige muita atenção

O gunplay procura um equilíbrio interessante entre simulação e acessibilidade. Sem firulas, não considero Gray Zone Warfare um milsim completamente rígido. Muito pelo contrário, é mais fácil entrar no ritmo do que em experiências mais extremas. Ainda assim, existem diversos detalhes que obrigam atenção. Por exemplo, manter a mira levantada durante muito tempo causa oscilação, aspectos como munição, equipamentos e modificações possuem impacto real. Além disso, os tiroteios também são menos instantâneos do que em alguns concorrentes.

Em várias situações, tive tempo para reagir, buscar cobertura e tentar reorganizar minha posição, por ter entrado no combate de maneira meio que equivocada, ficando exposto. Isso produz confrontos mais longos, mas sei lá, a sensação que tive ao testar o jogo, é que a IA é pouco desafiadora, não sabendo bem quando avançar ou não. Em muitos casos, os inimigos ficavam gritando e facilitavam a minha vida. Mas é claro que também tive aqueles momentos em que um inimigo aparece do nada, me dando um susto e me obrigando a gastar um pente inteiro nele, mas mais pelo susto do que pela ameaça.

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Cada arma tem um peso e estilo diferente. (Imagem: Reprodução)

A noite transforma completamente a experiência

Foi durante a noite que senti uma das maiores diferenças em Gray Zone Warfare. Lamang fica realmente escura, sendo até mesmo difícil identificar o que está diante do personagem. Sem equipamento adequado, a visibilidade é muito baixa, e isso transforma ações simples em situações mais tensas até mesmo para encontrar os inimigos. Ao fazer as missões, temos que lidar com alguns inimigos, algo que se transforma na escuridão. Nós não conseguimos enxergar direito. Eles? Muito menos! Isso só muda quando o clarão dos tiros surge na tela em questão de milissegundos.

Gostei muito disso. A iluminação não serve apenas para deixar o jogo bonito, mas muda totalmente a maneira de jogar. Sem visão noturna, entrar em certas áreas durante a noite pode ser uma péssima ideia. Ao mesmo tempo, a escuridão também pode ser utilizada a nosso favor. Esse tipo de relação com o ambiente ajuda a diferenciar Gray Zone Warfare de alguns outros jogos que não contam com sistema dinâmico de mudança de tempo.

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O anoitecer é surreal de bonito. (Imagem: Reprodução)

Contrabando pode se tornar um ótimo diferencial

Esse sistema talvez seja uma das ideias com maior potencial em Gray Zone Warfare. Imagine só preparar uma carga valiosa, organizar um grupo, planejar uma rota e descobrir que alguns jogadores adversários receberam uma oportunidade para interceptar o transporte? Subitamente, uma tarefa econômica vira um combate surreal. É exatamente esse tipo de sistema que Gray Zone Warfare precisa para fortalecer sua identidade.

No entanto, neste momento, ainda existe um problema. Mesmo que muitas coisas funcionem bem, o jogo ainda precisa encontrar algo que faça todos olharem para ele e imediatamente entenderem por que jogar Gray Zone Warfare em vez de outro extraction shooter. Ao que tudo indica, a atualização Rogue Ops parece começar a responder essa pergunta. Espero que a IA fique mais precisa e desafiadora. Caso contrário, o jogo poderá miar rapidamente.

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O mapa é muito bem detalhado. (Imagem: Reprodução)

Jogo ainda precisa de algumas melhorias

Isso é importante para ser destacado nesta preview. Gray Zone Warfare não parece um projeto completamente quebrado tentando descobrir como funcionar. Muito pelo contrário, ele demonstra que tem bastante coisa já bem resolvida, a jogabilidade funciona, Lamang é um ótimo cenário, a extração possui um fluxo muito natural graças ao mapa persistente e aos helicópteros em zonas de extração. Claro, é bom ressaltar também que a parte técnica também é boa.

Mas ainda existem buracos. O endgame das facções não parece ainda não estar completamente desenvolvido, alguns sistemas ainda possuem pouca profundidade ou são nulos e a otimização precisa melhorar. A qualidade gráfica do jogo é bem rica, sendo feita na Unreal Engine 5, que é muito bem utilizada para construir uma floresta extremamente densa e todo o mapa, mas, ainda assim, a impressão que fica é que o jogo precisa de polimento e mais otimização. De qualquer forma, é importantíssimo ressaltar que estamos discutindo aqui apenas aspectos desta versão, que não é o produto final.

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As extrações funcionam muito bem, com um sistema diferenciado dos demais extraction shooters. (Imagem: Reprodução)

O que esperar de Gray Zone Warfare?

Depois de passar algum tempo jogando Gray Zone Warfare, a impressão que ficou é bastante positiva, mas também cautelosa. Os desenvolvedores estão construindo um shooter que parece realmente interessado nos detalhes, mas o tiro pode sair pela culatra se isso não for bem direcionado. O jogo quer ser mais arcade ou mais simulador? Afinal, administrar uma quantidade enorme de problemas físicos pode não agradar a uma parte do público, por exemplo.

Entendo que o jogo ainda procura aquele elemento capaz de transformá-lo em algo imediatamente reconhecível, mas abraçar muitas coisas pode ser arriscado. A possibilidade de elementos anômalos no futuro também pode separar ainda mais Lamang de outros cenários militares e realmente trazer uma atmosfera única ao jogo. Hoje, não diria que Gray Zone Warfare redefine o extraction shooter, mas vejo como ele pode construir um nicho próprio. Mas ainda há muito trabalho.

Talvez justamente por estar entrando agora em uma nova fase de desenvolvimento, há espaço suficiente para transformar essa excelente seleção de sistemas em algo ainda maior. Por enquanto, Gray Zone Warfare é uma promessa bastante interessante: uma ilha enorme, dezenas de armas, inimigos que realmente reagem ao que faço e aquela maravilhosa sensação de entrar em uma operação acreditando que sei exatamente como tudo vai acontecer. Ainda acho que falta colocar mais dificuldade nas IAs e aumentar um pouco mais as ameaças PvE. De resto, o jogo tem potencial. Veremos o que nos aguarda no futuro.

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.