Middle-Earth: Shadow Bundle | Review
Middle-Earth: Shadow Bundle chega hoje, 30 de setembro de 2026, ao Nintendo Switch 2, trazendo para o console híbrido da Big N os dois jogos da premiada saga ambientada na Terra-média. A coletânea reúne Shadow of Mordor e Shadow of War, desenvolvidos originalmente pela Monolith Productions, estúdio responsável também por F.E.A.R. e Condemned: Criminal Origins, em parceria com a Aspyr, especialista em adaptações para plataformas modernas, que assina este porte para o console da Nintendo.
Prepare-se para explorar um mundo aberto épico que ganha vida graças ao premiado Sistema Nêmesis, mecânica revolucionária introduzida em Shadow of Mordor em 2014. Crie rivais orcs únicos, que se lembram de cada batalha travada contra você, utilize seus poderes de espectro para dominar os inimigos mais ferozes e transforme-os em campeões leais. Em Middle-Earth, cada confronto, vitória e decisão deixa marcas permanentes na sua jornada pela Terra-média.
Explore Mordor, descubra as origens dos Anéis do Poder e escreva sua própria lenda na guerra contra Sauron. Ficou curioso para saber se Middle-Earth: Shadow Bundle é realmente a edição definitiva desses dois clássicos, vencedores de mais de 50 prêmios, incluindo Jogo do Ano, Melhor Jogo de Ação e Jogo Mais Inovador? Então, bora preparar aquele café coado bem quentinho para aquecer o coração e vem comigo pela Terra Média nessa análise antecipada do Pizza Fria!
As Sombras de Mordor
Durante séculos, os Guardiões de Gondor vigiaram o Portão Negro, acreditando que a grande ameaça de Mordor havia ficado para trás. Desde a derrota de Sauron pela Última Aliança entre homens e elfos, a paz era mantida pelo dever daqueles soldados. Enquanto Gondor enfraquecia silenciosamente, porém, o Senhor do Escuro reconstruía seu poder nas sombras, até finalmente retornar à Terra de Mordor.
É nesse cenário que Middle-Earth: Shadow of Mordor apresenta Talion. Logo nos primeiros minutos, o jogo mistura narrativa e tutorial de maneira orgânica, mostrando a rotina do guardião antes que tudo mude. Durante um ataque brutal ao Portão Negro, Talion testemunha o assassinato da própria esposa e do filho, dando início à tragédia que passa a conduzir sua jornada.
A morte, entretanto, não representa o fim para Talion. Ele desperta preso entre dois mundos depois que sua alma é fundida à de Celebrimbor, o lendário elfo ferreiro responsável pela criação dos Anéis do Poder. Unidos por uma maldição, os dois passam a compartilhar memórias e habilidades, enquanto tentam compreender a natureza dessa ligação e o motivo de terem sido colocados juntos.

Sem compreender completamente a extensão de seus novos poderes, Talion transforma a própria dor em combustível para a vingança e, ao lado de Celebrimbor, atravessa Mordor em busca dos capitães e chefes, até chegar ao Mão Negra do exército de Sauron.
As Sombras da Guerra
Shadow of War é a continuação direta de seu antecessor e acompanha novamente a jornada de Talion e Celebrimbor após os acontecimentos de Shadow of Mordor. A dupla deixa para trás uma busca movida principalmente pela vingança e inicia uma guerra aberta contra Sauron, ampliando a escala do conflito por diferentes regiões de Mordor. E, caso você tenha jogado o primeiro título há bastante tempo, não se preocupe, antes do início da campanha, o jogo apresenta um breve resumo dos principais acontecimentos da história anterior.
Convencidos de que enfrentar apenas os servos do Senhor do Escuro não seria suficiente, Talion e Celebrimbor decidem criar sua própria arma contra Mordor. É nesse momento que surge o Novo Anel do Poder, um artefato capaz de ampliar suas habilidades e dar início a uma ofensiva muito mais ambiciosa contra os exércitos de Sauron.
Diferentemente do primeiro jogo, a jornada agora percorre diversas regiões de Mordor, cada uma dominada por fortalezas, tribos e senhores da guerra com suas próprias estruturas de comando. Essa mudança faz com que a narrativa avance lado a lado com a conquista de territórios, tornando cada novo domínio uma peça importante no esforço para enfraquecer o controle do inimigo.

Ao mesmo tempo, Shadow of War aprofunda a relação entre seus dois protagonistas. Embora compartilhem o mesmo objetivo, Talion e Celebrimbor passam a enxergar caminhos diferentes para derrotar Sauron. O conflito entre essas duas visões transforma uma aliança construída a partir de uma maldição em um dos elementos mais interessantes de toda a jornada.
Um pacote com duas grandes aventuras
Um detalhe interessante de Middle-earth: Shadow Bundle é que os dois jogos são disponibilizados separadamente. Na prática, isso permite baixar apenas um dos títulos por vez, jogar até o fim e deixar a instalação do outro para depois.
A opção é especialmente útil para quem precisa administrar o espaço disponível no Nintendo Switch 2. Como não é necessário manter os dois jogos instalados simultaneamente, você evita ocupar armazenamento com um título que ainda não pretende jogar.
Tanto Shadow of Mordor quanto Shadow of War são jogos de ação e aventura em terceira pessoa, com uma jogabilidade responsiva e intuitiva. Os comandos são fáceis de aprender e as novas mecânicas são apresentadas de forma gradual, deixando a curva de aprendizado bastante acessível.

Shadow of War, por ser a sequência direta, é um jogo mais amplo e dinâmico, pegando tudo o que funcionava no primeiro jogo e ampliando a experiência. Além de adicionar recursos como o pulo duplo e uma interface mais prática, o título introduz um sistema completo de equipamentos, permitindo trocar espadas, adagas, arcos, armaduras e mantos por versões com atributos e níveis diferentes. Também é possível equipar runas, oferecendo mais liberdade para personalizar o estilo de combate.
E se há um bom motivo para ambos os jogos serem lembrados até hoje, é o Sistema Nêmesis. A mecânica transforma cada capitão orc em um personagem único, capaz de lembrar dos confrontos anteriores, subir de patente, criar rivalidades e até voltar em busca de vingança depois de derrotá-lo. Em vez de encontros repetitivos, o jogo cria histórias que surgem naturalmente durante a campanha, fazendo com que cada jogador tenha uma jornada diferente pela Terra-média.
Todos os conteúdos extras já estão inclusos
Um dos maiores atrativos de Middle-earth: Shadow Bundle é que o pacote reúne as edições mais completas dos dois jogos. Isso significa que Shadow of Mordor chega em sua versão Game of the Year e Shadow of War na edição Definitive Edition, ambas com todos os DLCs e conteúdos adicionais liberados desde o início, sem compras extras.
Em Shadow of Mordor, o pacote inclui quatro expansões. Duas delas ampliam a campanha principal com novas histórias, O Senhor da Caça, que coloca Talion diante das criaturas mais perigosas de Mordor ao lado do caçador anão Torvin, e O Senhor Brilhante, uma aventura inédita em que você assume o controle de Celebrimbor durante sua guerra contra Sauron. As outras expansões adicionam desafios, runas, missões de Bando de Guerra e visuais extras.
Já Shadow of War entrega um volume ainda maior de conteúdo. As duas expansões narrativas funcionam como campanhas independentes e apresentam protagonistas inéditos. Em A Lâmina de Galadriel, você controla a elfa Eltariel em uma missão para continuar a caçada aos Nazgûl, explorando fortalezas e enfrentando novos inimigos com habilidades próprias.

A segunda campanha, A Desolação de Mordor, troca completamente a dinâmica do jogo. Aqui, o protagonista é Baranor, capitão de Gondor, que luta ao lado do anão caçador, Torvin, em uma jornada sem os poderes do Anel. Em vez de dominar orcs, o foco passa a ser recrutar mercenários humanos, conquistar postos avançados e sobreviver usando equipamentos e recursos conquistados durante a campanha.
Fechando o pacote, Tribo da Matança e Tribo Marginal expandem o já excelente Sistema Nêmesis. As duas DLCs introduzem novas tribos de orcs, capitães inéditos, missões, seguidores, melhorias para fortalezas e conjuntos completos de equipamentos lendários. Na prática, elas tornam o mundo de Mordor ainda mais variado e garantem dezenas de horas extras para quem gosta de caçar chefes e construir seu próprio exército.
Audiovisual de Middle-earth: Shadow Bundle
Durante toda a campanha, não encontrei problemas de desempenho realmente incômodos. Mesmo nas batalhas mais caóticas, com dezenas de orcs ocupando a tela ao mesmo tempo, ambos os jogos da Middle-earth: Shadow Bundle mantiveram uma jogabilidade estável tanto no modo portátil quanto no dock, sem travamentos que prejudicassem o combate.
Os problemas aparecem em outro ponto. Em Shadow of Mordor, notei alguns bugs gráficos, principalmente durante a jogatina portátil, além de pequenas falhas visuais em cenários e personagens. Já nos dois títulos, a presença de pop-in é perceptível, com elementos da vegetação, cenário e objetos a poucos metros do jogador, independentemente do modo de jogo.
Confesso que isso me surpreendeu. Estamos falando de dois jogos originalmente lançados há quase dez anos para PlayStation 4 e Xbox One, então eu esperava um trabalho de otimização um pouco mais refinado no Nintendo Switch 2. Felizmente, nada disso compromete a experiência, mas são detalhes que merecem atenção e podem ser corrigidos em um futuro patch.

Visualmente, o resultado continua muito bonito. Os dois jogos preservam a identidade artística das versões originais, com uma boa definição de imagem, iluminação competente e cenários bonitos. Curiosamente, foi no modo portátil que mais gostei do resultado, já que a tela menor ajuda a suavizar imperfeições e deixa a apresentação ainda mais agradável.
A trilha sonora segue sendo um dos grandes destaques da coletânea. As composições de Garry Schyman, conhecido por seu trabalho em BioShock, e Nathan Grigg, de F.E.A.R. e Condemned, entregam faixas épicas que acompanham perfeitamente os momentos de exploração e as grandes batalhas contra os exércitos de Mordor. Os efeitos sonoros também são excelentes, reforçando o peso de cada golpe e a atmosfera da Terra-média.
Para completar, ambos os jogos da Middle-earth: Shadow Bundle contam com localização completa em português do Brasil. A dublagem é de ótima qualidade e ajuda bastante na imersão, mesmo sem sincronização labial dedicada.

Vale a pena jogar Middle-earth: Shadow Bundle?
Sem dúvidas alguma, vale. E não apenas pela nostalgia. Middle-earth: Shadow Bundle reúne duas das melhores adaptações já feitas do universo criado por Tolkien, acompanhadas de todas as expansões lançadas para Shadow of Mordor e Shadow of War. Na prática, isso significa mais de 60 horas de campanha, dezenas de missões extras e um dos sistemas mais criativos já vistos em um jogo de ação, o Nêmesis. Soma-se a isso a localização completa em português do Brasil e a possibilidade de levar toda essa experiência para qualquer lugar no Nintendo Switch 2.
Claro que o pacote não chega impecável, os pop-ins são frequentes, há alguns bugs gráficos em Shadow of Mordor e eu esperava uma otimização um pouco mais refinada para um hardware mais recente. Felizmente, são problemas pontuais que não afetaram minha progressão nem diminuíram o prazer de explorar Mordor.
Outro ponto que pesa bastante é o custo-benefício, o bundle estreia no Nintendo Switch 2 por R$ 194,90 em seu período promocional, passando para R$ 389,00 após 6 de outubro. Considerando que são duas edições completas, com todos os DLCs inclusos, é um pacote generoso para quem busca muitas horas de conteúdo em um único jogo.
Se você já viveu a jornada de Talion e Celebrimbor, esta é uma ótima desculpa para voltar à Terra média, agora no console híbrido. E, para quem nunca enfrentou os capitães de Mordor, dificilmente existirá uma porta de entrada melhor do que esta coletânea.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Aspyr Media.
Middle-earth: Shadow Bundle
BRL 194,90Prós
- Localização completa em português do Brasil, incluindo dublagem.
- Duas campanhas completas com todos os DLCs inclusos.
- Ótimo custo-benefício para a quantidade de conteúdo.
- Possibilidade de baixar cada jogo separadamente e economizar espaço.
Contras
- Bugs gráficos perceptíveis em Shadow of Mordor.
- Port poderia ter recebido uma otimização mais refinada no Switch 2.



