Neon Abyss 2 | Review
Desde o lançamento do acesso antecipado de Neon Abyss 2, a Veewo Games vem tentando evoluir a fórmula já estabelecida no primeiro jogo a partir de novas ideias e do feedback de seus jogadores. Adicionando novos tipos de armas, um novo sistema para os Hatchmons e novos deuses para os protagonistas enfrentarem, a desenvolvedora parece ter como principal objetivo não criar uma experiência completamente diferente da anterior, mas sim evoluí-la.
Apesar de não ter jogado o antecessor de Neon Abyss 2, confesso que, quando comecei a pesquisar sobre o segundo jogo, logo me senti interessado. Com isso em mente, logo entrei de cabeça nesse mundo futurista criado pela Veewo Games e devo dizer que minha jogatina foi, no mínimo, curiosa.
Está curioso para descobrir o que eu tenho para dizer sobre Neon Abyss 2? Sente-se, pegue uma pipoca e aproveite a leitura de mais uma análise antecipada aqui no Pizza Fria, com todos os detalhes que você pode querer saber.
Uma narrativa pequena, mas funcional
Uma das grandes ideias de Neon Abyss 2 — e que sustenta todo seu núcleo de gameplay — é pegar deuses que conhecemos de civilizações antigas, como a grega, e associá-los a vícios, problemas, hábitos e costumes da sociedade atual. Dessa forma, não é incomum ver nomes como Apollo, Theia e até mesmo Hades, mas dessa vez vestidos com uma camada de sátira moderna.
A explicação para toda essa confusão é que a humanidade de hoje parou de adorar as divindades antigas e passou a venerar novos objetos de adoração, criando deuses relacionados à tecnologia, ao dinheiro, às apostas e ao consumo exagerado. Por causa disso, nossos protagonistas da Grim Squad, uma força-tarefa criada por Hades, são convocados para descer até o Abismo e derrotar suas ameaças.
Apesar de a história do mundo não ser tão desenvolvida ao longo da campanha, visto que ela não é o foco, não consigo descartar que a ideia apresentada é bastante interessante. Aqueles que já me conhecem devem saber que sátiras são muito bem-vindas para mim, então ver supostos deuses que brincam com toda a cultura problemática que temos é bastante divertido.
Se preparar é sobreviver!
A base da jogabilidade de Neon Abyss 2 é bastante conhecida por jogadores de longa data do gênero roguelike: entrar em partidas rápidas, avançar por salas com inimigos cada vez mais desafiadores enquanto coleta recursos para se fortalecer, até enfrentar o chefe final no fim do caminho. Mas a verdadeira questão é: o que o novo lançamento da Veewo Games faz com isso?
Como já dito anteriormente, você irá controlar os membros da força-tarefa Grim Squad, enfrentando monstros e deuses enquanto desbrava os caminhos do Abismo. Antes de entrar em cada partida, os jogadores poderão explorar o interior do Black Dog, o bar que serve como base dos protagonistas, para gastar seus pontos de talento comprando habilidades, adquirir e equipar itens cosméticos e emojis, beber no bar e conversar com outros integrantes da equipe.
Apesar de ser um espaço relativamente simples, confesso que gostei da ideia e, com certeza, é melhor do que oferecer apenas um menu genérico. Caso você não queira ficar andando pelo bar o tempo todo, não há problema: a maior parte das ações também pode ser realizada diretamente pelo menu de pausa. Isso ajuda a criar um ambiente inicial no qual os jogadores podem explorar e se divertir, ao mesmo tempo em que acelera as coisas quando todos já estiverem familiarizados com o local.

Ainda na preparação, os jogadores também poderão escolher com qual personagem realizarão a partida. Cada um deles tem vantagens e desvantagens próprias, então é importante prestar atenção em seus atributos antes de selecioná-los e pensar em como eles podem contribuir para sua build. Nik, por exemplo, começa a partida com três barras de HP, uma chave e uma granada, além de ganhar moedas extras sempre que sofre dano. Saya, por outro lado, inicia a jornada com duas barras de HP e uma granada, mas pode utilizar sua poderosa espada contra os inimigos.
Em partidas com mais de um jogador, também é importante verificar se os personagens escolhidos se complementam, visto que isso pode fazer a diferença para aqueles que buscam melhores resultados durante as partidas. Vale lembrar que nem todos estarão desbloqueados no início da campanha, o que significa que, caso você queira utilizá-los, será necessário completar algumas missões antes de liberá-los para as partidas.

Partidas, chefes e inimigos. O que Neon Abyss 2 faz com tudo isso?
Após a preparação, os jogadores finalmente estarão prontos para começar suas aventuras. Explorar o Abismo e enfrentar todos os deuses é uma grande jornada, mas é aqui que boa parte dos sistemas de Neon Abyss 2 se mostram de verdade — para o bem e para o mal.
Assim que entrarem em sua primeira partida, o jogo oferecerá três níveis de dificuldade diferentes, enquanto uma quarta opção será desbloqueada ao longo da campanha. Apesar de a dificuldade e o aprendizado serem partes fundamentais de um roguelike, não senti muitos desafios ao jogar na opção padrão. É claro que certas batalhas ficam mais complicadas conforme você se aproxima do fim, mas elas se tornam difíceis por motivos bem específicos que logo irei descrever. No geral, é muito simples encontrar uma build capaz de quebrar completamente o jogo.
Na minha primeira partida, por exemplo, consegui encontrar uma habilidade que me permitia voar infinitamente e uma escopeta capaz de matar qualquer inimigo com um ou dois tiros. Nem mesmo o chefe da área apresentou algum problema. Em outra partida, encontrei uma melhoria para minha arma inicial que fazia meus tiros explodirem ao entrar em contato com qualquer coisa. De início, até precisei tomar cuidado, já que as explosões próximas também machucavam meu agente, mas logo descobri uma habilidade que anulava esse tipo de dano.
O sistema de Hatchmons também auxilia bastante. Os agentes podem carregar diversos ovos desses personagens enquanto avançam pelo Abismo de Neon Abyss 2 e, ao juntar vários deles, eles se unirão para formar um Hatchmon mais poderoso, capaz de realizar ações únicas, como soltar raios, ajudar no combate ou oferecer suporte.
Outro ponto que agrava o sistema de dificuldade de Neon Abyss 2 é que os jogadores podem acumular habilidades e modificadores quase que infinitamente durante toda a partida. Apesar de ser bastante divertido ir combinando dezenas de efeitos e armas diferentes, não consigo deixar de apontar que, no fim do jogo, após tantos aprimoramentos e bônus, nada mais importa. Talvez criar novas desvantagens para alguns atributos pudesse ser um ponto positivo, mas não tenho certeza se a maior parte dos jogadores teria paciência para entender cada um dos itens, que são muitos.

Mas e os chefes? Ajudam a equilibrar um pouco a questão da dificuldade enquanto entregam uma experiência criativa e divertida? Bom, visualmente eles são muito bonitos. Os subchefes fazem alusões diretas a hábitos da nossa sociedade com seus designs variados. Já os inimigos principais, além da sátira, alteram boa parte do cenário, criando um espaço único para suas batalhas.
Porém, apesar disso, mecanicamente eles não se destacam muito. Não me entendam mal, é divertido enfrentar boa parte dos grandes oponentes disponíveis, mas eles não são muito interessantes quando comparados com outros chefes do gênero. Além disso, boa parte deles se resume a uma mesma estratégia: lançar projéteis, invocar inimigos e, raramente, realizar algum ataque corpo a corpo.
Outro ponto que me decepciona é que, apesar de haver dezenas de subchefes, pelo menos na minha jogatina, o jogo colocava repetidamente os mesmos que eu já havia enfrentado. Isso gerava uma sensação de repetição, mesmo quando ainda havia muita coisa para se ver em Neon Abyss 2.

E a repetição não para nos chefes. O sistema de desbloqueio de armas também sofre do mesmo problema. Apesar de haver diversos tipos de armas diferentes, algo que evoluiu desde o primeiro jogo, o fato de boa parte delas estar bloqueada fará com que você tenha um arsenal limitado inicialmente. Porém, mesmo após consegui-las, você ainda terá que torcer para que o jogo as coloque na partida, visto que o sistema de drops parece ser bastante aleatório.
Em minha experiência, não consegui testar nem metade dos equipamentos disponíveis, muito porque boa parte deles simplesmente não surgia durante as incursões no Abismo. Dessa forma, apesar do combate ser muito divertido, tudo isso agrava ainda mais a sensação de cansaço que eu sentia após cada entrada naquele ambiente pouco intimidador.
Por fim, vale lembrar que Neon Abyss 2 também possui a DLC Archenemy Returns, que reúne os 34 chefes do primeiro jogo. Quem adquirir o jogo durante o período de acesso antecipado receberá o conteúdo gratuitamente e poderá mantê-lo mesmo após o lançamento. Após a chegada da versão final, a expansão passará a ser vendida separadamente.
O que Neon Abyss 2 oferece de extras para encorajar os jogadores a voltarem?
Após cada partida realizada em boa parte dos jogos do gênero roguelike, a questão “por que eu voltaria nesse mundo?” sempre aparece. Alguns títulos, como Hades e Returnal, já mostraram que conseguem fazer seus jogadores repetirem as mesmas tarefas por bastante tempo ao oferecer conteúdos novos ao longo da jogatina. Neon Abyss 2 trabalha bastante nesse ponto e, nesta seção, eu te contarei o que acho de tudo isso.
Para começar, o primeiro incentivo óbvio para retornar ao Abismo é a possibilidade de enfrentar um chefe final diferente ao completar as seções necessárias. Com um acervo de dez chefes, você precisará de várias partidas se quiser derrotar todos os grandes oponentes desse universo. Além disso, a variedade de subchefes também pode atrair aqueles que querem continuar jogando, mesmo que exista aquele problema de RNG que apontei anteriormente.
Ao longo da campanha, outros benefícios são desbloqueados, como uma página de habilidades de destino, que muda diretamente algumas regras no início da partida. Esses aprimoramentos podem ser adquiridos usando pontos de destino, obtidos ao ativar certas opções que atrapalham sua jogatina. Essas habilidades do destino foram um dos grandes motivos de eu continuar jogando, visto que elas têm o potencial de interferir profundamente em quase todos os tipos de builds.

A página de tarefas também disponibiliza diversas missões que podem mudar seu estilo de jogo para serem completadas, tornando as partidas um pouco mais únicas, ao invés de apenas se manter no tradicional “entra, mata inimigo e sai”. Essas missões te recompensarão com armas e personagens novos, além de itens que mudam diretamente a forma de jogar.
O novo modo de jogo, “Incursão da Tempestade”, também muda completamente a forma de se jogar, obrigando os jogadores a sempre seguirem em frente ao proibi-los de voltar de sala. Confesso que não achei o modo tão único ao ponto de me fazer querer jogá-lo, mas certamente é uma opção para quem quer algo minimamente diferente.
E ainda há o sistema de cosméticos, que podem ser obtidos através das Zapcoins, e o sistema de dificuldade, que oferece formas mais desafiadoras de jogar. Derrotar Hipérion na dificuldade Difícil ainda desbloqueia uma opção ainda mais intimidadora. No fim, Neon Abyss 2 oferece uma quantidade considerável de conteúdos para aqueles que desejam continuar explorando o Abismo, mesmo que nem todos sejam igualmente interessantes.
Aspectos técnicos, bugs e localização
Algo muito importante ao decidir comprar ou não um jogo, especialmente um que não é um triple A gigantesco, como Neon Abyss 2, é olhar seu desempenho técnico através da opinião de outras pessoas. Felizmente, a Veewo Games fez um ótimo trabalho, e seu novo título chega muito bem polido. Como eu joguei em uma versão de acesso antecipado, alguns bugs inevitavelmente ocorreram, mas a empresa parece determinada a corrigi-los e entregar uma ótima experiência na versão final.
O visual e os sons de Neon Abyss 2 também capturam muito bem a estética cyberpunk combinada com a mitologia que esse universo se propõe a apresentar. As músicas são divertidas, com batidas eletrônicas animadas que me davam vontade de continuar jogando durante boa parte das partidas. A direção de arte é boa, apesar de não se destacar muito entre outros pontos do jogo.
Leitores do Brasil também ficarão felizes em saber que o jogo está localizado em português brasileiro, eliminando uma barreira linguística que algumas experiências da indústria podem apresentar. Apesar de alguns erros de escrita, toda a localização está muito bem feita. No fim, Neon Abyss 2 não apresenta grandes problemas em seus aspectos técnicos, com uma boa apresentação audiovisual e uma localização que ajuda a tornar a experiência mais acessível ao público brasileiro.
Vale a pena jogar Neon Abyss 2?
Neon Abyss 2 é um jogo que me deixou com sentimentos bastante mistos. Por um lado, a Veewo Games conseguiu construir uma experiência divertida, com uma enorme quantidade de armas, habilidades, personagens e modificadores que permitem criar builds completamente diferentes durante as partidas. A possibilidade de desbloquear novos conteúdos, experimentar combinações e enfrentar desafios maiores também funciona muito bem como incentivo para continuar explorando o Abismo.
Por outro lado, é justamente essa quantidade de possibilidades que acaba prejudicando parte da experiência. A facilidade para acumular aprimoramentos faz com que algumas partidas se tornem fáceis demais, enquanto muitos chefes não apresentam variedade mecânica suficiente para acompanhar o poder adquirido pelo jogador. A repetição de subchefes e a dependência do RNG para encontrar determinadas armas também podem tornar algumas incursões cansativas, principalmente para quem já passou muitas horas no jogo.
Ainda assim, Neon Abyss 2 está longe de ser uma experiência ruim. Sua estética cyberpunk combinada à mitologia, a variedade de sistemas e a possibilidade de criar builds absurdamente poderosas conseguem proporcionar momentos genuinamente divertidos. Talvez ele não seja o roguelike mais criativo ou desafiador que você encontrará por aí, mas existe conteúdo suficiente aqui para manter aqueles que gostam do gênero ocupados por bastante tempo.
Para mim, Neon Abyss 2 funciona melhor quando você aceita que sua proposta está muito mais próxima de brincar com diferentes combinações e ficar cada vez mais poderoso do que de enfrentar um desafio realmente exigente. Se essa ideia parece divertida para você, provavelmente encontrará aqui uma experiência bastante agradável. Caso esteja procurando um roguelike que cobre do jogador domínio mecânico e ofereça confrontos constantemente surpreendentes, talvez o Abismo não seja tão intimidador quanto parece.
Neon Abyss 2 será lançado em 8 de setembro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC, via Steam por R$ 59,99 (o preço pode variar de acordo com a plataforma).
*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Veewo Games.


