Okko The Exiled | Review
Okko The Exiled entra no hall dos jogos que deixam sua proposta clara desde os primeiros minutos. Desenvolvido como um action-platformer 2D, o título aposta em fases relativamente lineares, combates simples, exploração por colecionáveis e novas habilidades que ampliam gradualmente as possibilidades de movimentação. É uma fórmula que remete aos títulos da era de Super Nintendo e Mega Drive, ainda que acompanhada por algumas ideias populares nos metroidvanias modernos.
Depois de jogar antecipadamente no PC e também testar a aventura no Steam Deck, ficou claro que Okko The Exiled não está interessado em reinventar esse tipo de experiência. Seu objetivo parece mais simples: entregar um game de plataforma competente e divertido dentro das próprias limitações. Será que isso é suficiente? Vem comigo conhecer a aventura em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
Uma promessa milenar em uma terra de demônios
A história de Okko The Exiled acontece em Kutala, uma terra habitada por demônios e isolada dos céus. Após permanecer escondido por mil anos, nosso protagonista finalmente decide cumprir um antigo juramento e parte em uma jornada empunhando a Presa Poderosa, uma clava com a qual pretende derrotar os diferentes senhores demoníacos da região. Seu grande objetivo é enfrentar Yalda, o Lorde Demônio, e restabelecer a ligação entre seu mundo e os céus.
Durante essa jornada, Okko conta com a ajuda de diferentes personagens encontrados principalmente no Trono Antigo, que funciona como hub central da campanha. É ali que podemos acompanhar diálogos, conhecer um pouco mais sobre os habitantes daquele universo, preparar refeições e utilizar as gemas coletadas durante a exploração. O local também guarda seus próprios segredos, incluindo uma região subterrânea que oferece atividades adicionais conforme encontramos determinados colecionáveis.
Apesar dessa premissa, a narrativa dificilmente será o principal motivo para continuar jogando. Existe uma mitologia interessante por trás de Kutala e seus habitantes, mas a história funciona muito mais como pano de fundo para a aventura do que como algo capaz de prender pela curiosidade sobre seus desdobramentos. Não considero isso necessariamente um problema, já que o foco está claramente na plataforma e no combate, mas também não há muito que se destaque nesse aspecto. Vale mencionar ainda a localização para português brasileiro, que torna toda a experiência mais acessível no nosso idioma. Não entendi, no entanto, algumas frases que deveriam terminar com S terminarem com X.

Pixel art bonita e trilha repetitiva
Visualmente, Okko The Exiled faz um bom trabalho com sua pixel art. Os cenários são bonitos, os personagens possuem animações bem elaboradas e existe uma variedade interessante de inimigos, ainda que alguns retornem em diferentes regiões com pequenas mudanças visuais ou variações de cores.
Essa variedade também aparece no comportamento dos adversários. Alguns deles chegam a fazer parte do próprio level design, como criaturas explosivas que precisam ser conduzida até portas/paredes para abrir caminho. São ideias simples, mas que ajudam a evitar que todo inimigo exista apenas para ser derrotado.

A trilha sonora acompanha a divisão dos mundos, com cada região recebendo suas próprias músicas. O problema é que essas faixas permanecem em loop por boa parte das fases e podem se tornar repetitivas. Como cada etapa pode levar entre 10 e 15 minutos quando explorada com calma, permanecer duas fases seguidas ouvindo essencialmente as mesmas composições faz com que elas cansem mais rápido do que deveriam.
O desempenho também foi muito bom durante meus testes. Tanto no PC quanto no Steam Deck, Okko The Exiled rodou sem problemas, com carregamentos rápidos e sem travamentos ou bugs relevantes. É um jogo leve e que se encaixa particularmente bem no formato portátil.
Deixa entrar as batidas do meu coração
O combate de Okko The Exiled começa bastante simples, mas aos poucos apresenta pequenas camadas. Okko possui seus ataques principais, alguns golpes à meia distância e habilidades desbloqueadas conforme a campanha progride, mas uma das características mais interessantes está no timing dos golpes.
E aqui quase dá para seguir o conselho do Falamansa e deixar entrar as batidas do meu coração, porque acompanhar o ritmo cardíaco de Okko faz parte do sistema. Atacar no momento indicado aumenta a eficiência dos golpes e adiciona uma pequena mecânica de precisão a um combate que, fora isso, permanece bastante direto.
Alguns inimigos também apresentam janelas de contra-ataque. Observar o movimento, identificar o momento correto e responder permite causar mais dano e eliminá-los mais rapidamente. Nada disso torna o combate particularmente complexo, mas é suficiente para impedir que tudo se resuma a apertar o mesmo botão repetidamente.

Os inimigos possuem uma resistência adequada e nunca tive a sensação de enfrentar verdadeiras esponjas de dano, especialmente aproveitando corretamente contra-ataques e o sistema das batidas do coração.
Os chefes seguem uma filosofia semelhante e trabalham principalmente ao redor da leitura de padrões. Em geral, basta observar seus ataques, desviar e aproveitar as aberturas. A lógica acaba sendo a mesma: reconhecer padrões e encontrar o momento certo para atacar.
Essa abordagem funciona dentro da proposta, embora torne alguns confrontos previsíveis depois que os movimentos são compreendidos.
Okko The Exiled também não possui seletor de dificuldade, uma decisão que particularmente sempre me incomoda. Diferentes jogadores possuem níveis completamente distintos de familiaridade com jogos de plataforma, e um chefe simples para uma pessoa pode representar uma barreira para outra. Ter alguma opção para adaptar essa experiência seria uma adição bem-vinda.

Um pouco de metroidvania pelo caminho
A campanha de Okko The Exiled é dividida em seis ramificações, cada uma formada por duas fases antes de um confronto maior, totalizando 18 etapas principais. Completar essas ramificações recompensa Okko com novas habilidades que passam a ser utilizadas imediatamente nas fases seguintes.
É justamente aqui que Okko The Exiled começa a flertar com algumas ideias de metroidvania. Durante a campanha, encontrei diferentes colecionáveis em áreas que ainda não podiam ser alcançadas. Depois de adquirir uma nova habilidade de movimentação, como um impulso adicional no ar, retornar às fases anteriores permite finalmente chegar a esses locais.
Isso cria uma forma leve de backtracking. O game não possui um mapa interconectado, já que sua progressão acontece através de fases independentes, mas aproveita bem aquela sensação de desbloquear uma nova habilidade e lembrar imediatamente de lugares antes inacessíveis.

Os pequenos demônios encontrados durante a exploração também possuem uma função além da simples coleção. No Trono Antigo existe uma torre com um elevador que leva até suas profundezas, onde esses personagens ajudam a liberar desafios adicionais envolvendo plataforma e combate, conforme o número deles que você tenha coletado.
Nem tudo funciona perfeitamente na movimentação, principalmente quando entra em cena um golpe descendente utilizado para atingir inimigos e ganhar impulso no ar. Em situações simples ele funciona bem, mas sequências que exigem vários desses movimentos consecutivos podem gerar alguma frustração, especialmente quando há muitos inimigos na tela. Em algumas tentativas, a sensação foi de que a falha aconteceu menos por um erro meu e mais porque o comando não respondeu exatamente como esperado.
Esse foi provavelmente o ponto que mais me incomodou no gameplay, principalmente porque determinados desafios dependem justamente dessa precisão.
Vale a pena comprar Okko The Exiled?
Okko The Exiled é um jogo simples e talvez essa seja a melhor maneira de responder à pergunta. Ele não reinventa os action-platformers, não apresenta um combate extremamente elaborado e tampouco tenta competir com grandes metroidvanias em complexidade, mas consegue entregar uma aventura competente dentro daquilo que se propõe.
A pixel art é bonita, os inimigos possuem algumas ideias interessantes, a progressão através de novas habilidades funciona bem e o backtracking oferece incentivo para quem gosta de procurar todos os colecionáveis. O combate também ganha pequenas camadas com as batidas do coração e os contra-ataques, ainda que os chefes continuem bastante dependentes de padrões.
Existem problemas, especialmente na resposta do golpe descendente, na repetição da trilha sonora e na ausência de opções para adaptar a dificuldade. A história também dificilmente será lembrada depois dos créditos, mas cumpre sua função sem atrapalhar aquilo que realmente importa aqui: plataforma, combate e exploração.
No fim das contas, Okko The Exiled é uma boa opção principalmente para quem sente falta daquele tipo de jogo de ação lateral mais tradicional, baseado em avançar por fases, encontrar segredos, derrotar chefes e desbloquear novas possibilidades de movimentação. Não existe aqui uma grande novidade para o gênero, mas existe diversão suficiente para justificar a jornada.
Okko The Exiled chega nesta quarta-feira, 30 de setembro, para PC, via Steam e GOG.com. O game também tem o lançamento confirmado para PlayStation 5, embora ainda não tenha ganhado data para estrear na plataforma da Sony.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela eastasiasoft.




