Order of the Sinking Star | Review
Existem jogos de quebra-cabeça que encontram uma boa mecânica e passam algumas horas explorando suas possibilidades. Order of the Sinking Star parte de uma ambição bem maior: colocar vários jogos de puzzle diferentes dentro do mesmo mundo e, aos poucos, fazer suas regras conversarem entre si. Desenvolvido pela Thekla, de The Witness, e publicado pela Arc Games, o título chega em 8 de outubro para PC, PlayStation 5 e Nintendo Switch 2 com mais de mil quebra-cabeças e uma estrutura que não esconde sua escala monumental.
Um número desses chama atenção, mas também desperta desconfiança. Dezenas de horas significam pouco se boa parte delas apenas repete o que já foi aprendido. Felizmente, Order of the Sinking Star parece bem mais interessado em explorar as consequências de suas regras. Entre heróis com habilidades distintas, espelhos, pedras, feixes de luz e um enorme mundo central que também funciona como quebra-cabeça, sempre existe alguma coisa nova para entender. A questão é descobrir até onde quantidade e criatividade conseguem caminhar juntas. Veja a resposta na análise antecipada de Order of the Sinking Star do Pizza Fria para descobrir!
Um mundo que prefere não apontar o caminho
Uma das primeiras coisas que chamam atenção em Order of the Sinking Star é a liberdade oferecida relativamente cedo. Depois de uma introdução que ensina movimentação, interação e algumas ferramentas básicas, o mundo se abre em quatro direções, cada uma levando a uma região construída ao redor de regras próprias.
Essa liberdade muda bastante a relação com a dificuldade. Ficar preso em um quebra-cabeça não obriga o jogador a permanecer ali até encontrar a solução. Dá para abandonar aquela linha de raciocínio, seguir para outra região e retornar depois. Em um título dessa dimensão, essa flexibilidade faz diferença.
O mundo central também vai além de um simples “seletor de fases”. Há caminhos bloqueados, atalhos, segredos e obstáculos ligados às próprias mecânicas. Conforme novas áreas aparecem, fica claro que compreender o mapa faz parte do desafio.

A narrativa segue uma lógica parecida. Personagens e histórias aparecem pelas diferentes regiões, mas Order of the Sinking Star raramente interrompe os puzzles para explicar seu universo. A curiosidade nasce da tentativa de entender o que conecta aqueles lugares e personagens.
A história dá contexto e personalidade à jornada, enquanto as descobertas mecânicas permanecem no centro da experiência.
Quatro ideias que poderiam ser quatro jogos
Order of the Sinking Star consegue construir uma quantidade surpreendente de situações a partir de uma movimentação aparentemente simples em grade.

Ao norte estão os Heróis, uma companhia de mudanças formada por personagens de fantasia. Guerreiro, ladrão, mago, bardo e outros integrantes possuem capacidades diferentes para empurrar, puxar, teleportar ou manipular elementos do cenário. Logo, o problema deixa de se resumir ao destino de um objeto. É preciso descobrir quem deve realizar cada ação e em qual ordem.
No leste, as Ilhas dos Espelhos trabalham com reflexos e troca de posições. Espelhos alteram a localização de personagens e objetos, enquanto a distância em relação ao reflexo interfere na movimentação. A regra parece simples quando surge isoladamente, mas rapidamente exige uma boa capacidade de visualização espacial.
Ao sul, pedras, água, vitórias-régias e manipulação de rios criam problemas voltados ao planejamento de rotas. Já a região oeste usa feixes de luz que concedem propriedades diferentes, permitindo atravessar obstáculos, destruir elementos do cenário e alcançar posições que inicialmente pareciam inacessíveis.

Descritas separadamente, essas regiões podem fazer Order of the Sinking Star parecer uma coletânea de puzzles. Na prática, existe uma lógica comum na maneira como todas apresentam suas regras.
Primeiro, o título introduz uma ideia em condições controladas. Depois, deixa o jogador experimentar seu funcionamento e acrescenta pequenas complicações. Os desafios iniciais de cada mecânica acabam funcionando como tutoriais sem depender de longas explicações.
Recursos como Desfazer reforçam essa proposta. É possível voltar uma ação e testar outro caminho sem transformar cada erro em perda de tempo. O reinício leva ao último checkpoint quando uma tentativa desanda por completo, enquanto a visão superior e a prévia dos níveis ajudam a interpretar espaços mais complicados.

Essas ferramentas fazem diferença em um jogo que exige experimentação. O erro passa a servir como parte da leitura do problema.
Quando as regras começam a conversar
A parte mais interessante de Order of the Sinking Star aparece quando essas quatro famílias de puzzles deixam de existir isoladamente.
Conforme a estrutura se expande, mecânicas que pareciam pertencer a jogos diferentes começam a se encontrar. Uma habilidade aprendida em determinado contexto surge ao lado das regras de outra região, obrigando o jogador a considerar os dois conjuntos de possibilidades ao mesmo tempo.

Criar mil quebra-cabeças impressiona pela quantidade, mas dificilmente manteria o interesse caso a dificuldade crescesse apenas com mais caixas, obstáculos ou movimentos. Order of the Sinking Star prefere ampliar gradualmente o repertório disponível.
Cada nova mecânica funciona quase como uma palavra. Primeiro aprendemos seu significado isolado. Depois, o jogo começa a combiná-las para criar problemas mais complexos.
Isso produz uma curva de dificuldade pouco uniforme, de propósito. Alguns desafios são resolvidos rapidamente e servem para demonstrar uma propriedade nova. Outros pedem observação, tentativa e várias sequências diferentes até que fique claro qual regra estava sendo interpretada de maneira errada.

Uma estrutura tão grande também traz o risco de fadiga. Há momentos em que a ideia central de determinada mecânica já está clara, embora ainda existam diversas variações disponíveis.
A organização não linear reduz bastante esse desgaste. Nem tudo precisa ser resolvido naquele instante, e mudar de região frequentemente funciona como uma troca de raciocínio. Em vários momentos, abandonar um puzzle e retornar depois altera completamente a maneira de enxergar suas peças.
A escala funciona melhor quando encarada como um território cheio de caminhos possíveis, em vez de uma lista que precisa ser esgotada.

Colorido, simples e principalmente legível
Visualmente, Order of the Sinking Star aposta em cenários coloridos, personagens estilizados e uma perspectiva top-down que mantém os elementos importantes fáceis de identificar.
Essa legibilidade importa bastante. Com tantas regras funcionando ao mesmo tempo, o jogador precisa reconhecer rapidamente personagens, obstáculos, objetos manipuláveis e elementos ligados a cada mecânica. O desafio está em encontrar a solução, e a apresentação raramente atrapalha esse processo.
As regiões também possuem identidades visuais claras, o que ajuda a separar suas propostas e evita a sensação de percorrer o mesmo tabuleiro durante dezenas de horas.

A trilha sonora acompanha essa escolha mais discreta. Ela permanece presente durante a exploração sem disputar atenção com os quebra-cabeças. O conjunto audiovisual prioriza a funcionalidade e combina bem com o tipo de concentração exigido pelo game.
Order of the Sinking Star também conta com textos em português do Brasil, algo especialmente útil em uma experiência na qual diálogos, instruções e particularidades das mecânicas fazem parte da compreensão do mundo.
Entre o PC e o Steam Deck
Testei Order of the Sinking Star no PC e no Steam Deck, alternando entre as duas plataformas graças ao suporte à Nuvem Steam. Nos testes, a sincronização funcionou bem. Bastava encerrar a partida em um dispositivo para continuar o mesmo progresso no outro.
É uma comodidade especialmente interessante para um título tão grande e que funciona bem em sessões menores no portátil. Também não encontrei problemas relevantes de desempenho em nenhuma das duas plataformas.
O jogo conta ainda com 32 conquistas na Steam, muitas delas ligadas ao encontro de salas secretas e à exploração. Há bastante conteúdo opcional para quem quiser avançar além da progressão principal sem entrar em detalhes que possam revelar algumas das surpresas da campanha.

Vale a pena comprar Order of the Sinking Star?
Os mais de mil quebra-cabeças são o número mais chamativo de Order of the Sinking Star, mas estão longe de ser sua melhor ideia.
O que coloca o jogo em outro patamar é a maneira como a Thekla apresenta conjuntos de regras bastante diferentes, desenvolve cada um deles e depois começa a combiná-los. As quatro regiões criam variedade suficiente para evitar uma progressão previsível e frequentemente obrigam o jogador a reconsiderar coisas que acreditava já dominar.
A escala cobra seu preço. Algumas variações aparecem depois que uma ideia já foi compreendida, e jogadores inclinados a completar tudo podem sentir o desgaste com mais força. A história também ocupa um papel secundário, enquanto a resolução dos puzzles exige paciência e disposição para abandonar um problema quando a solução simplesmente não aparece.
Essa mesma liberdade ajuda o jogo a conviver com seu tamanho. Os mais de mil desafios formam um catálogo de problemas que pode ser percorrido em ritmos diferentes, com espaço para mudar de caminho e retornar depois.
Quem não gosta de Sokoban, lógica espacial ou jogos que esperam que o jogador descubra parte de suas regras dificilmente encontrará aqui uma experiência capaz de mudar essa relação. Para fãs de quebra-cabeças, porém, Order of the Sinking Star reúne variedade, boas ideias e combinações que mantêm sua enorme quantidade de conteúdo interessante por muito mais tempo do que o número na caixa faria imaginar.
Order of the Sinking Star chega nesta quinta-feira, 8 de outubro, para Nintendo Switch 2, PC, via Steam, e PlayStation 5.
*Review elaborado em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Arc Games.
Order of the Sinking Star
BRL 99,99Prós
- Enorme variedade de quebra-cabeças e mecânicas
- Excelente progressão e introdução de novas regras
- Combinação criativa entre diferentes sistemas de puzzles
- Estrutura não linear incentiva a exploração
- Localizado em PT-BR
Contras
- Escala gigantesca pode causar fadiga
- Narrativa fica em segundo plano
- Algumas mecânicas apresentam muitas variações antes de evoluírem
- Dificuldade pode exigir bastante paciência em determinados puzzles




