RATATAN | Review

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RATATAN é um roguelike de ação rítmica desenvolvido pela Ratata Arts em parceria com a TVT e publicado pela Game Source Entertainment. Nele, tomamos o papel de um maestro que comanda os Ratatans, umas criaturinhas musicais com caras de bichinhos fofinhos, e todo um exército de Cobuns em uma viagem rumo a uma terra distante, onde dizem que vive uma tal de Deusa que eles sonham em conhecer.

Mas, será que o tão aguardado herdeiro espiritual de Patapon deu bom? É o que descobriremos agora, em mais uma análise cheia de ritmo do Pizza Fria!

Mestres do ritmo

Olá olá olá, maestros e maestrinas (e está correto, até vi no dicionário) de meu coração! Estamos reunidos novamente, neste que pode até ser conhecido como o site mais afinado e melódico deste lado dos trópicos, para falar de um jogo que promete fazer a gente voltar a apertar botões no ritmo de um tal de pata, pata, pata, pon. Quem se lembra?

Fazia um bom tempo que a gente não via nada parecido com Patapon na praça, já que a série parou no terceiro jogo lá em 2011 se bem me recordo. Por isso, fiquei muito curioso e interessado quando anunciaram RATATAN, ainda mais sabendo que ele vinha das mãos do criador e do compositor do incrível Patapon, e que a campanha de financiamento coletivo bateu a meta com folga. Contudo, carregar o título de herdeiro espiritual é um peso danado nas costas de qualquer jogo, e a gente sabe que essas coisas nem sempre terminam bem (quase nunca, sendo sincero).

Mais de cem bonecos tretando na tela ao mesmo tempo, cooperativo online para até quatro pessoas, elementos de roguelike e uma trilha pegajosa para marchar junto. Ambição é o que não falta para RATATAN, devo admitir. Mas, será que a música virou hit ? Então peguem seus tambores (ou batuquem na mesa mesmo, ninguém vai saber) e me acompanhem, porque é hora de descobrir.

RATATAN
Re re review! (Imagem: Divulgação)

História

Em RATATAN, acompanhamos os Ratatans, umas criaturinhas fofinhas que vivem felizes da vida em Rataport, uma ilha perdida no meio de um mar enorme e tranquilo. Diga-se de passagem, esse é lugar bem mais agradável do que os que costumamos visitar por aqui, em nossas outras conversas desde tempos imemoriais. Será que custa caro passar as férias lá, eu me pergunto?

Apesar de cada um ter seu jeito e sua aparência, os Ratatans dividem o mesmo sonho, que é atravessar o mar até uma terra distante e conhecer a tal Deusa que, dizem na boca miúda, vive por lá. A treta começa quando eles resolvem tirar esse sonho do papel e partem rumo ao desconhecido, levando junto a esperança de toda a ilha e um exército de Cobuns, os bichinhos que marcham na frente e fazem o trabalho pesado (alguém tem que fazer, afinal).

Como o caminho é longo e cheio de criaturas pouco simpáticas, e como todo bom roguelike, RATATAN faz cada derrota significar começar a viagem de novo. A sorte é que os Ratatans são teimosos que só eles, e não importa quantas vezes caiam, sempre voltam para tentar mais uma vez, na esperança de um dia bater na porta da Deusa. Uma empreitada louvável, de fato.

Achei os bonequinhos bem legais e carismáticos, e os diálogos são fofos, o que deixa a viagem bem mais simpática. Contudo, a trama segue mais ou menos a norma dos roguelikes (salvo casos raros, como Hades), servindo mais como pano de fundo e uma razão para estarmos encarando o desafio que temos na nossa frente. Funciona, mas sem grandes pretensões.

RATATAN
Maestros e maestrinas. (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

Em essência, RATATAN é um jogo de ação lateral com ritmo e roguelike, no qual comandamos nosso maestro e seus Cobuns por meio de sequências rítmicas, fase após fase. Achei a jogabilidade extremamente viciante e divertida, fácil de pegar e complexa de dominar por completo. Fiquei viciado nas batidas da música, por se dizer.

Para começar, temos um comando para atacar, um para os Cobuns nos seguirem, outros para pular e defender, e um para usar o super, cada qual com seu próprio tempo. O jogo não é super complexo, mas leva um tempo até dominarmos esse ritmo e sabermos qual comando usar na hora certa, o que acaba sendo essencial para avançar.

Em se tratando de personagens, cada maestro de RATATAN possui sua própria força, como causar mais dano quando seguimos o ritmo direitinho ou curar o time quando mandamos os Cobuns andar, além de seus próprios tipos de Cobuns, que contam com armas e especiais específicos. Isso nos dá uma liberdade bem maneira para montar o time do nosso jeito e aprender a usar bem a força de cada um.

RATATAN
Atacaaaar! (Imagem: Divulgação)

Falando em liberdade, ela fica ainda maior quando levamos em conta o que podemos melhorar em nossa base com os recursos que ganhamos em cada tentativa. Dá para fazer armas para cada unidade, melhorar nossos bonecos e um monte de outras coisas, o que ajuda bastante a manter a vontade de voltar para mais uma tentativa e dá aquela sensação maneira de avanço e recompensa para o jogador.

Outro ponto legal de RATATAN é a ideia de juntar roguelike com o combate rítmico de Patapon, que achei bem inovadora. O jogo se inspira bastante na série, mas tenta dar seguimento a ela aplicando o conceito em uma fórmula nova, e acredito que acertou nisso. O game também conta com um modo cooperativo online para até quatro pessoas que, embora seja muito caótico, com maestros e Cobuns se embolando por toda a tela, é bem divertido e legal de jogar com o pessoal.

De negativo, sinto que, por mais viciante e divertido que seja, o título cai na mesmice muito rápido. A repetição vem tanto dos comandos, que são relativamente simples e se repetem bastante, quanto, principalmente, das músicas e sons. Como cada ação tem suas próprias notas, ouvimos “ra ta ta” e “ran tan tan” dezenas de vezes em cada fase, e, para mim, isso acabou se tornando maçante depois de algumas horas, a ponto de me fazer dar uma pausa na jogatina.

RATATAN
Peguem ele, galera! (Imagem: Divulgação)

Sons e Visuais

Visualmente, RATATAN é muito colorido e bonito, com um estilo fofinho que dá uma cara bem única ao título e faz ele chamar atenção no meio do mar de jogos que temos por aí. Até os chefes são legais e adoráveis, e eu curti bastante avançar pelas fases para ver o que apareceria de novo na minha frente.

As músicas também são muito boas e grudam na cabeça como chiclete, mas, como comentei na parte de jogabilidade, o risco da monotonia segue grande, já que elas se repetem um bocado ao longo das tentativas. Ah, e temos legenda em português!

RATATAN
Os chefes são bem maneiros. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar RATATAN?

RATATAN, minha gente, é um herdeiro espiritual bem digno de Patapon, com uma jogabilidade viciante e uma mistura de ritmo e roguelike bem inovadora, ainda que sofra um bocado com a repetição. Contudo, isso meio que era esperado dada sua proposta.

Temos uma jogabilidade fácil de pegar e complexa de dominar, maestros com forças próprias e tipos de Cobuns diferentes, um monte de coisas para melhorar na base, um cooperativo caótico e divertido, um visual colorido com chefes bonitinhos, músicas que grudam na cabeça e legenda em português. De negativo, a mesmice chega rápido, tanto pelos comandos quanto pelas músicas e sons que se repetem a cada fase, e a história fica mais como pano de fundo do que qualquer outra coisa.

Sendo assim, se você sente saudade de Patapon, curte jogos de ritmo ou roguelikes, ou tem uma turma para encarar o cooperativo, RATATAN certamente vale a pena conferir. Contudo, de preferência em sessões mais curtas para a repetição não pesar tanto.

RATATAN chega na próxima quinta-feira, 15 de outubro, para PC, via Steam, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PlayStation 5.

*Review elaborado em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Game Source Entertainment.

RATATAN

BRL 180,50
7.8

História

7.0/10

Jogabilidade

8.0/10

Sons e Visuais

9.0/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Trilha sonora legal que gruda na mente como chiclete
  • Jogabilidade simples e viciante
  • Honra e expande bem a proposta de Patapon, sua grande inspiração
  • Visuais bem bonitos e coloridos
  • Legendado em português

Contras

  • Jogabilidade pode se tornar repetitiva com facilidade
  • Músicas tendem a ficar repetitivas com o tempo
  • Poderia ter mais algumas opções de batidas e ações, para tentar variar as coisas no momento a momento do jogo

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.