Remothered: Red Nun’s Legacy | Review

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Alguns meses atrás, tive a oportunidade de fazer o preview de Remothered: Red Nun’s Legacy. Apesar de ter gostado de vários aspectos do game, alguns deles ainda permaneceram como grandes incógnitas em minha mente. Como mencionei no meu texto anterior sobre o jogo, títulos focados apenas em correr e se esconder não estão entre os meus gêneros favoritos. Ainda assim, sempre abri uma exceção para Remothered, já que os jogos da franquia me remetem aos clássicos Clock Tower, dos quais sou um grande fã.

Logo, mesmo gostando da maioria das coisas que a franquia fez até então, eu ainda tinha minhas incertezas em relação ao novo game. Isso se devia, principalmente, à premissa de que a narrativa agora se concentraria em uma das antagonistas mais marcantes da franquia, expandindo uma narrativa que, sendo sincero, já não parecia ter muito mais a oferecer após o primeiro jogo. Além disso, depois de testar o game em setembro, fiquei em dúvida se a fórmula de gameplay ainda teria fôlego para entregar novidades, principalmente após enfrentar alguns problemas relacionados à inteligência artificial dos inimigos.

Dito isso, já adianto que, agora, com a análise da versão completa de Remothered: Red Nun’s Legacy, tenho boas notícias sobre aspectos que eu não tinha certeza se funcionariam, mas que acabaram me surpreendendo positivamente. Entretanto, alguns elementos que eu tinha certeza de que o jogo acertaria também acabaram se revelando grandes decepções. Para entender melhor essa mistura de surpresas positivas e negativas, acompanhe mais uma review antecipada do Pizza Fria.

Dois mistérios interligados

A narrativa de Remothered: Red Nun’s Legacy segue uma fórmula bastante simples. A história começa com a protagonista Susan em busca de sua filha, que desapareceu em circunstâncias misteriosas. Essa busca a leva até um antigo monastério, onde ela acaba descobrindo segredos que se relacionam diretamente com a antagonista Red Nun. A narrativa segue um fluxo no qual, em determinados momentos, temos vislumbres de acontecimentos do passado que se conectam diretamente ao legado da antagonista. Aos poucos, as duas histórias vão se entrelaçando ao longo da campanha.

Entretanto, é justamente na diferença de qualidade entre essas duas histórias que reside o maior problema da narrativa de Remothered: Red Nun’s Legacy. Susan não é uma protagonista particularmente cativante de acompanhar ao longo da trama. Embora eu realmente goste de como ela demonstra suas emoções em momentos-chave da história, o mistério envolvendo o desaparecimento de sua filha acabou sendo uma grande decepção e não conseguiu me manter tão engajado.

Remothered: Red Nun’s Legacy
Apesar da boa introdução, a jornada de Susan é o aspecto mais fraco de Remothered: Red Nun’s Legacy. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Felizmente, o oposto acontece quando a narrativa se volta para a Red Nun. Ela é, de longe, a personagem mais interessante do jogo, o que já era de se esperar, considerando que seu nome está estampado na capa. Ainda assim, o trabalho realizado com a personagem é muito bom. Uma das coisas de que mais gosto na franquia Remothered é como esses jogos nem sempre oferecem todas as respostas, o que contribui para a construção de uma atmosfera misteriosa e permite que os jogadores desenvolvam suas próprias interpretações sobre determinados acontecimentos. Esse aspecto continua bastante presente aqui.

Além disso, gosto da maneira como esses segmentos são apresentados em Remothered: Red Nun’s Legacy, com o uso de imagens sombrias em preto e branco que reforçam a atmosfera obscura da narrativa. As sequências em que exploramos o passado da antagonista também são interessantes, mas admito que gostaria que o jogo tivesse se aprofundado mais nesse aspecto, em vez de dedicar tanto espaço à jornada pessoal de Susan, que é, de longe, o ponto mais fraco de Remothered: Red Nun’s Legacy.

O stealth e a IA dos inimigos são um problema

Um dos meus maiores problemas ao testar o jogo em setembro foi a inteligência artificial dos perseguidores. Afinal, Remothered: Red Nun’s Legacy tem como principal loop de gameplay nos escondermos dos inimigos, avançarmos furtivamente pelos cenários e, eventualmente, recorrermos a algumas armas de defesa para atordoá-los quando uma perseguição começa.

Infelizmente, a IA dos inimigos continua bastante fraca, o que comprometeu completamente a tensão desses segmentos durante minha aventura. Quando estão procurando pela protagonista, os perseguidores muitas vezes ficam parados ou circulam repetidamente pela mesma área, sem avançar para outros locais. Isso acaba gerando situações em que se torna difícil progredir. É claro que, diante desses obstáculos, a primeira solução que vem à mente é utilizar itens de distração para atrair os inimigos para outro lugar e, assim, abrir caminho para avançar. O problema é que essa estratégia nem sempre funciona.

Remothered: Red Nun’s Legacy
A IA dos inimigos é um dos grandes problemas do game. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Em diversas ocasiões em Remothered: Red Nun’s Legacy, utilizei vários itens de distração sem que os inimigos sequer reagissem ao barulho. Nessas situações, a única solução que encontrei foi recarregar um save para reiniciar a ronda do perseguidor ou, alternativamente, iniciar uma perseguição de propósito para tirá-lo do caminho. Outro problema que também me incomodou foi a inconsistência no sistema de detecção dos inimigos.

Ao longo de toda a jornada em Remothered: Red Nun’s Legacy, os perseguidores demonstram um comportamento extremamente inconstante. Em alguns momentos, consegui passar correndo ao lado deles sem que sequer percebessem minha presença. Em outros, mesmo estando do outro lado de uma sala e escondido na escuridão, a protagonista acabava sendo detectada sem motivo aparente. Essa inconsistência foi bastante frustrante durante minha jornada, pois, em vez de sentir tensão diante dos perigos representados pelos perseguidores, eu ficava apreensivo por não saber se a inteligência artificial funcionaria como deveria em cada situação.

A tensão das perseguições é de tirar o fôlego

Em contrapartida aos problemas envolvendo a furtividade em Remothered: Red Nun’s Legacy, as perseguições são um aspecto que o jogo acerta em cheio. Quando a protagonista é avistada por um inimigo, uma perseguição intensa se inicia, e o jogo oferece cenários bastante abertos, permitindo que o jogador tenha um bom controle sobre as rotas que pode utilizar para tentar despistar os perseguidores. É possível tentar despistá-los dando voltas por corredores, passando por salas, utilizando objetos do cenário e até mesmo mudando de andar.

Sou um grande fã desse aspecto das perseguições em Dead by Daylight e admito que esses momentos me lembraram bastante aquela sensação de tensão constante de tentar ser mais esperto do que o perseguidor durante uma fuga.

Remothered: Red Nun’s Legacy
O jogo acerta ao criar um bom equilíbrio entre vulnerabilidade e defesa. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

Também me chamou a atenção o fato de que a inteligência artificial dos inimigos em Remothered: Red Nun’s Legacy funciona melhor nesses trechos, com os perseguidores tentando encurralar a protagonista em cantos e até mesmo cortando caminhos para alcançá-la. Apesar de me considerar muito bom nesse tipo de perseguição, houve momentos em que simplesmente não consegui escapar e acabei sendo pego. Nessas situações, Susan tem acesso a algumas armas de defesa que podem ser utilizadas para atordoar os inimigos por um curto período, permitindo que ela ganhe tempo para fugir ou se esconder.

Remothered: Red Nun’s Legacy consegue equilibrar muito bem o uso desses itens de defesa, evitando que a protagonista fique vulnerável demais, mas sem transmitir aquela falsa sensação de segurança que permitiria simplesmente correr na direção dos perseguidores sem maiores consequências.

E, por falar em perseguidores, outro grande destaque são os principais stalkers do jogo. A que mais se destaca é The Bride, uma perseguidora grávida e vestida de noiva que realmente se tornará um pesadelo para os jogadores ao longo da campanha. Embora ela também apresente os mesmos problemas de inteligência artificial que mencionei anteriormente, suas perseguições são consideravelmente mais intensas, já que ela é muito mais rápida e inteligente do que os inimigos comuns. Isso exige que os jogadores recorram a diferentes táticas para lidar com a ameaça.

Trata-se de um dos grandes pontos fortes do jogo, que mantém o alto nível dos perseguidores principais estabelecido desde o primeiro título da franquia.

A exploração e os puzzles me surpreenderam

Também critiquei os puzzles durante o meu preview de Remothered: Red Nun’s Legacy. Na época, destaquei como a maioria deles era repetitivo demais e não oferecia a sinergia que considero importante nesse tipo de experiência. Felizmente, no jogo final, esse aspecto melhora bastante ao longo da campanha, com Remothered: Red Nun’s Legacy introduzindo desafios que podem ser bastante complexos, principalmente quando precisamos resolvê-los enquanto lidamos com os perseguidores.

A exploração também me agradou bastante. O jogo incentiva o jogador a observar atentamente os cenários em busca de pistas, documentos que expandem a lore e até mesmo itens de defesa que podem ser utilizados contra os inimigos.

Um dos recursos mais interessantes de Remothered: Red Nun’s Legacy é a possibilidade de utilizar espelhos para revelar elementos ocultos nos cenários. Esse mecanismo permite encontrar pistas para resolver puzzles, descobrir cenas escondidas envolvendo a Red Nun e, em determinados momentos, até hipnotizar os inimigos para atordoá-los temporariamente. Embora não tenha considerado esse último recurso particularmente útil durante as perseguições, sua presença acrescenta uma possibilidade interessante à experiência.

Remothered: Red Nun’s Legacy
O uso de espelhos para encontrar pistas ocultas é um dos grandes diferenciais do jogo. (Captura de tela/PC/Leandro Paiva)

De maneira geral, a combinação entre puzzles e exploração funciona muito bem para conduzir a progressão, oferecendo descobertas que me surpreenderam do começo ao fim da campanha.

Gráficos e trilha sonora

Remothered: Red Nun’s Legacy tem uma identidade visual bastante marcante. Gosto muito de jogos que adotam essa estrutura de mansão assombrada, com diversos cômodos secretos e sombrios para explorar, além de puzzles integrados aos próprios ambientes. Os modelos dos personagens também melhoraram bastante, principalmente o da protagonista, que, durante o período de testes, apresentava expressões faciais pouco naturais.

Remothered: Red Nun's Legacy
O game usa muito bem a variação de cenários para distinguir visualmente as narrativas de Susan e da Red Nun. (imagem: Divulgação)

Outro grande destaque são os segmentos envolvendo as visões que temos ao longo do jogo, que conseguem acrescentar uma camada extra à narrativa por meio de imagens macabras em preto e branco. A comparação pode parecer um tanto aleatória, mas o uso dessas imagens e até mesmo a maneira como o som é empregado me remeteram à abertura da terceira temporada de American Horror Story. Não sei se essa referência foi intencional, mas, como sou um grande fã dessa temporada em particular, isso me fez apreciar ainda mais esses momentos de Remothered: Red Nun’s Legacy.

Em relação à trilha sonora e ao design de áudio, o jogo prioriza a construção de uma atmosfera envolvente e consegue fazer isso muito bem. O som dos passos, os ruídos produzidos pelos inimigos e até mesmo os rangidos da mansão são elementos que contribuem para criar um clima de tensão constante enquanto exploramos cada canto dos cenários.

Horror elevado ao máximo no PC

Joguei em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. Jogando com as configurações gráficas no alto, em resolução 1440p e com o DLSS no modo Qualidade, obtive um excelente desempenho, mantendo a taxa de quadros acima dos 80 FPS durante toda a experiência.

O game também conta com Ray Tracing e Ray Reconstruction, recursos que aprimoram consideravelmente a qualidade das sombras e dos reflexos. Entretanto, para utilizar essas tecnologias, precisei ativar o Frame Generation em 2x, o que ainda permitiu manter uma experiência fluida. Sinceramente, porém, não percebi uma diferença visual tão significativa com o Ray Tracing ativado. Por isso, preferi jogar a maior parte da campanha com o recurso desativado e sem utilizar o Frame Generation.

Vale a pena comprar Remothered: Red Nun’s Legacy?

Remothered: Red Nun’s Legacy é um excelente encerramento para a franquia. Embora ainda deixe algumas pontas soltas para que os fãs desenvolvam suas próprias teorias, o jogo consegue concluir muito bem a história iniciada em Remothered: Tormented Fathers e expandir um dos aspectos que ainda mereciam mais atenção na série: a Red Nun. Apesar de não ser o maior fã da jornada pessoal de Susan em busca de sua filha, considero que o jogo explora tão bem o legado dessa antagonista marcante que o saldo final acaba sendo positivo. No fim, fiquei bastante satisfeito com a maneira como a história chega ao seu desfecho.

Já em relação à jogabilidade, a experiência foi bastante mista. A furtividade e a inteligência artificial dos inimigos são os aspectos que mais prejudicaram minha jornada em Remothered: Red Nun’s Legacy. Entretanto, o jogo consegue compensar parte desses problemas com perseguições memoráveis, principalmente aquelas envolvendo os principais perseguidores da campanha. Além disso, a exploração e a boa variedade de puzzles contribuem para uma progressão que realmente me impressionou.

Apesar dos altos e baixos, recomendo Remothered: Red Nun’s Legacy a todos os fãs da franquia, principalmente àqueles que desejavam ver a Red Nun receber o destaque que merece.

Para os jogadores que pretendem conhecer a série pela primeira vez, porém, a recomendação é um pouco mais complicada, já que diversos aspectos da narrativa estão diretamente relacionados aos acontecimentos dos jogos anteriores. Felizmente, os títulos da franquia costumam aparecer em boas promoções, especialmente na Steam, o que torna mais acessível conhecê-los na ordem de lançamento. Vale lembrar também que versões remasterizadas dos dois primeiros jogos já foram anunciadas para 2027, o que promete oferecer uma boa porta de entrada para novos fãs.

Remothered: Red Nun’s Legacy foi desenvolvido pela Stormind Games e será lançado em 27 de outubro de 2026 para PC, via Epic Games Store, GOG.com e Steam, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Stormind Games.

Remothered: Red Nun’s Legacy

7.8

História

7.0/10

Gameplay

7.0/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • A narrativa expande muito bem a história da Red Nun
  • Os momentos de perseguição são muito bons
  • O jogo tem um bom equilíbrio entre vulnerabilidade e defesa contra os inimigos
  • Bons puzzles e a exploração é excelente
  • Legendas em PT-BR

Contras

  • A IA dos inimigos deixa muito a desejar
  • O arco principal de Susan é bem fraco na trama

Leandro Paiva

Jornalista, amante de survival horror, café e, provavelmente, o maior fã de Resident Evil do site, a menos que ele chame Revelations 2. Sou um jogador de PC em tempo integral, pois games são uma arte bela demais para não serem apreciados em suas melhores versões. E, com isso, claramente não quero dizer jogar com o MSI Afterburner aberto na tela, mostrando 100+ FPS!