AnálisesPCPlayStationSlideXbox

Routine | Review

Routine é um jogo de terror psicológico em primeira pessoa, no qual controlamos um personagem com pouquíssimas opções de autodefesa, desenvolvido pela Lunar Software e publicado pela Raw Fury. Nele, somos colocados em uma estação espacial abandonada enquanto lutamos contra robôs malucos e a sensação constante da morte iminente e violenta.

E aí, será que vai dar bom? É o que saberemos agora, em mais uma análise estelar do Pizza Fria.

Gritando no espaço

Vocês já sonharam em ser astronautas, leitores e leitoras desse site que é tão gostoso quanto uma boa pizza brasileira? Explorar o espaço, ver as estrelas de perto, cair em crateras lunares e se perder para sempre no escuro e no vazio do desconhecido. Essas coisas que nos motivam e fascinam desde quando o ser humano pisou na Lua pela primeira vez.

Eu até pensava nisso até ver a quantidade de histórias que falam dos perigos que rondam as zonas extraterrestres. Alienígenas terríveis, espécies hostis caçadoras de pessoas, cobradores de impostos galácticos e toda uma série de riscos que nem consigo imaginar. E até, pasmem, robôs! Ou, ao menos, é o que rola em nosso joguinho de hoje.

routine
BEEP BOOP. (Imagem: Divulgação)

Routine chega com a proposta de nos colocar para passar medo em uma estação espacial, nos anos oitenta, no qual quase tudo quer nos matar e, para melhorar, somos a única forma de vida orgânica no local. Mas, por que esse é o caso? E o que aconteceu? Isso, minha gente, é o que temos que descobrir. E será que vale a pena? É o que saberemos agora

História

A trama de Routine começa com nosso personagem, aparentemente mudo e desconhecido, acordando em uma estação espacial. O que deveria ser um início de trabalho tranquilo, contudo, se mostra positivamente bizarro ao percebermos que o local está vazio (de pessoas vivas ao menos) e lotado de corpos espalhados, lixo, sangue e robôs. Muitos robôs.

Mas, o que diabos aconteceu aqui? Qual nosso objetivo, por que tem tanta gente morta e qual a razão desse monte de robôs descontrolados querendo dar fim na galera? Será que foi alguma sabotagem, ou um evento do tipo Skynet? É isso que precisamos descobrir com muita investigação, leitura de documentos e observação dos cenários e locais pelos quais iremos passar.

routine
Que estação desagradável… (Imagem: Divulgação)

Eu curti a trama de Routine, ainda que não seja nada super fora da casinha. Contudo, fiquei envolvido durante toda a duração, procurei tudo que podia para entender o que se passava e curti essa visão retrofuturista que o título vende, em muito reforçado também pelas pequenas ações feitas para contar a história do universo através dos cenários e tudo mais.

Jogabilidade

De maneira simplificada, Routine é um jogo de terror e suspense em primeira pessoa no qual precisamos explorar um local perigoso, enquanto somos caçados por inimigos implacáveis, encontrando coisas, resolvendo puzzles e cumprindo objetivos. Até podemos nos defender, mas as opções são limitadas e raramente possuem efeitos muito duradouros.

A estação espacial é bem extensa, cheia de seções com um bocado de coisas para descobrirmos e entendermos. O jogo nos dá algumas dicas, mas boa parte das soluções dependerão da atenção do jogador para os detalhes, o ambiente e um pouco de dedução para poder juntar as peças. É algo que achei bem legal e engenhoso e, sinceramente, não vemos muito por aí nos títulos hoje em dia.

Em se tratando dos inimigos, Routine nos coloca para correr de uns robôs boladões, que tremem o chão quando pisam, espalhados pela estação. Podemos atordoá-los com nossa arma mas, geralmente, correr círculos ou se esconder já resolve o problema. De todo modo, na maioria dos casos, o jogo consegue colocar uma boa tensão e pressão no jogador durante esses momentos.

routine
Lá vem eles atrás de mim. (Imagem: Divulgação)

A exploração da estação, falando nisso, é bem legal. Tudo é muito atmosférico, e a atenção aos detalhes dá uma sensação de vida (e morte) ao lugar. Como se, realmente, houvessem pessoas vivas ali que passaram por maus bocados e pagaram um preço alto pela rebelião das máquinas e pelas maquinações (entenderam?) dos que estavam por trás disso.

Um dos meus problemas com Routine, contudo, foram seus controles. Achei muito pesados e fora de mão, principalmente durante a corrida, e me atrapalhou um pouco mais do que deveria. Entendo que títulos assim ganham muito com isso, mas acredito que talvez tenham ido um pouco longe demais aqui. De toda forma, também poderá variar de acordo com o gosto do freguês.

Fora isso, senti que o jogo possui certa necessidade de algumas pequenas melhorias para facilitar a vida do jogador. Por exemplo, tudo que fazemos é através de uma arma que temos que serve para dar choque em coisas, ativar a estação de , e por aí vai. Temos que apertar o botão de inspecionar para trocar essas funções a todo momento, e é algo que se torna um pouco maçante ao longo do tempo.

routine
Tantas funções. (Imagem: Divulgação)

Routine é um jogo bem escuro, e também senti falta de poder usar uma lanterna quando precisava para enxergar melhor o que ia fazer ou, ainda, apreciar mais os belos cenários que temos. Até temos uma que pode ser utilizada mas, até onde vi, ela funciona sozinha em determinados momentos e nem sempre está disponível ao jogador.

Contudo, é importante notar que esses são problemas menores que não chegam a quebrar a jogabilidade do título. Em realidade, eles apenas deixam a experiência um pouco mais travada e problemática do que poderia ser, saindo do desafiador para o incômodo.

Sons e visuais

Routine é um jogo que brilha no departamento visual, com gráficos muito bem feitos e, mais importante, uma ambientação maravilhosa que consegue nos sugar com facilidade. A estação é muito bem construída e, principalmente, feita de uma forma que consegue passar a desolação e solidão que o jogo tanto aproveita. Me lembrei muito de System Shock e Prey, e creio que o jogo capturou bem essa magia.

O mesmo pode ser dito do campo sonoro, com efeitos e músicas bem utilizadas para aumentar ainda mais esse efeito. O boneco respirando, os robôs pisando, a estação estalando e fazendo barulhos estranhos, enfim. Tudo muito bem feito e com alta efetividade. Ah, e temos nossas legendas!

routine
Que medo! (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Routine ?

Routine, leitores e leitoras, foi uma experiência bem legal e conseguiu me agradar bastante. Fui completamente envolvido pela atmosfera do título, passei aperto com os robôs e, mais importante, me diverti durante todo o tempo. O jogo tem seus pequenos deslizes, mas nada que faça a experiência ser menos agradável.

Temos puzzles engenhosos que recompensam o jogador atento, uma atmosfera maravilhosa, um bom nível de desafio, gráficos e sons de ponta e legendas! Tirando algumas mecânicas e controles que poderiam ser mais refinados, e algumas coisas menos trabalhosas, o título consegue suceder em tudo que se propõe.

Sendo assim, a recomendação de Routine pode ser feita com tranquilidade. Eu realmente curti o que vi, e acredito que o título tenha mais do que o necessário para encantar todos os apreciadores do gênero. Se for sua praia pode ir sem medo!

Routine está disponível para PC, via Steam, Xbox One, Xbox Series X|S, Xbox Cloud e Xbox Game Pass (para consoles e PCs).

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Raw Fury.

Routine

R$ 66,59+
9

História

9.0/10

Jogabilidade

8.0/10

Sons e Visuais

10.0/10

Extras

9.0/10

Prós

  • Puzzles engenhosos
  • Atmosfera muito envolvente
  • Gráficos e sons de ponta
  • Recompensa o jogador que presta atenção aos detalhes
  • Legendado em português

Contras

  • Poderia ter algumas melhorias de vida para tornar certos elementos menos trabalhosos e mecânicos
  • O uso da lanterna poderia ser mais livre e fácil

Matheus Jenevain

    Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.