SiN: Reloaded | Review

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SiN: Reloaded é o novo pacote que reúne as versões remasterizadas de SiN e sua expansão, Wages of SiN, em um único produto reformulado para os consoles e PC. Depois de passar um longo período com seu desenvolvimento parado, a Nightdive Studios finalmente conseguiu concluir o projeto, trazendo a experiência original de volta para os jogadores que querem reviver suas memórias e dando a uma nova geração a oportunidade de conhecer as missões malucas de John Blade.

Mas então fica a pergunta: todo esse tempo de espera por SiN: Reloaded valeu a pena ou estamos diante de um produto de 1998 apenas disfarçado de relançamento? Fique por aqui, em mais uma análise antecipada do Pizza Fria, e eu te contarei tudo!

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Uma nova aparência para SiN

Sem sombra de dúvidas, a primeira coisa que se destacaria em uma remasterização é como os gráficos evoluíram. Será que houve uma grande melhoria? Ou é mais do mesmo? SiN: Reloaded escolhe permanecer no centro dessas duas opções, trazendo aprimoramentos consideráveis em todo o visual do jogo, mas ainda mantendo boa parte do original em seu DNA.

Me chamou a atenção logo de cara como o novo sistema de iluminação funciona. Nesse relançamento, boa parte do sistema de luz e sombras foi retrabalhada, além de novos efeitos terem sido adicionados nesse processo. Agora, por exemplo, o jogador pode ver as luzes dos tiros de cada arma refletindo nas paredes. Bastões luminosos também ficaram ainda mais bonitos ao serem utilizados nos locais escuros que alguns capítulos apresentam.

Outra parte que recebeu melhorias consideráveis é a resolução. Apesar de o título original já permitir modificações para experimentar sua campanha em resoluções muito maiores do que as disponíveis em 1998, sua remasterização traz uma experiência completa e funcional em 4K. Várias partes do HUD, além de modelos de cenário e personagens, foram retrabalhadas para acomodar melhor a tecnologia moderna. Além disso, também foi aplicado um novo filtro de antisserrilhado que ajuda ainda mais a melhorar a qualidade de cada cena.

SiN: Reloaded
Texturas e iluminação aprimoradas ajudam a dar um visual mais agradável em SiN: Reloaded. (Imagem: Divulgação)

Ainda assim, há alguns tropeços no meio do caminho, como itens que continuam apresentando texturas em baixa resolução. Alguns elementos da interface parecem grandes demais para o que deveriam ser, enquanto outros são pequenos demais. Mesmo com aprimoramentos, a modelagem dos personagens ainda mantém aquele estilo gráfico dos anos 2000, em que pareciam bonecos extremamente cartunescos e sem expressões. São defeitos pontuais, mas que poderiam ter recebido mais atenção nesse relançamento.

Algo que irá agradar aos fãs mais antigos é que você pode desativar ou ativar as melhorias gráficas ao acessar a página de configurações no menu de pausa. Dessa forma, fica a cargo do jogador decidir se quer aproveitar os novos aprimoramentos ou apenas desfrutar da experiência já consolidada de SiN.

Ainda assim, algo que pode ser divisivo é que SiN: Reloaded não está chegando com grandes revoluções gráficas. Não espere melhorias no nível de The Elder Scrolls: Oblivion Remastered nesse título. Espere ainda menos qualquer coisa parecida com os remakes de Resident Evil da Capcom. Apesar de muitos adotarem esses jogos como padrão de remasterizações hoje em dia, a Nightdive Studios focou em algo mais simples: preservar a experiência original enquanto realiza melhorias pontuais para tornar SiN mais agradável aos padrões atuais.

Diálogos e sons retrabalhados, mas não dublados…

Assim como o visual, o som também foi retrabalhado para se encaixar melhor nos padrões modernos. A trilha sonora original, composta por Zak Belica, já funcionava muito bem, com temas intimidadores que combinavam perfeitamente com o que acontecia na tela. Em SiN: Reloaded, as músicas foram remixadas por Chris Mock, deixando ainda melhor um trabalho que já era bastante competente na versão original.

Já na dublagem, não senti mudanças significativas. Todas as vozes que comparei durante a pesquisa para esta análise foram mantidas, preservando boa parte da identidade do jogo original. Isso também significa, claro, que toda a cafonice e as atuações um tanto exageradas características da época continuam presentes na campanha, algo que hoje acaba funcionando quase como parte do charme de SiN.

As vozes permanecem em inglês, respeitando o trabalho original, mas SiN: Reloaded conta com legendas em português brasileiro. Considerando o porte do projeto, é uma localização que merece ser valorizada e que torna a campanha muito mais acessível para o nosso público, sem abrir mão das interpretações que marcaram o lançamento original.

Gameplay de SiN: Reloaded

Puxe o que você tem na memória sobre Quake, Doom e Far Cry. SiN reúne características que remetem a várias dessas franquias em um só lugar. E isso não é apenas coincidência: o título original foi produzido utilizando a Quake II Engine. Dessa forma, você deve estar se perguntando: “Em quê exatamente SiN se diferencia, especialmente em SiN: Reloaded?”.

Logo ao começar a jogar, uma das primeiras mecânicas que me chamou a atenção foi seu sistema de objetivos. Para aqueles que nunca jogaram, SiN não se resume a uma tarefa por vez, guiando o jogador por cada corredor até concluí-la. Na verdade, o jogo prefere adotar uma proposta mais ambiciosa: criar várias missões opcionais em cada capítulo e deixar o jogador escolher se quer ou não realizá-las. Essa dinâmica não apenas cria desafios secundários que recompensam aqueles que buscarem completar tudo, com novas salas, maior conhecimento do mapa, entre outras coisas, como também fortalece a motivação para novas jogadas no futuro.

Outro ponto inovador em sua jogabilidade é seu sistema de dano. Cada parte do corpo em SiN possui seu próprio nível de dano e pode gerar efeitos negativos caso Blade receba muitos tiros em algum dos membros. Alguns dos efeitos causados por isso são uma mira mais instável, visão prejudicada e até velocidade de movimento reduzida.

Com essa fórmula ambiciosa, SiN me atraiu logo de cara. Suas melhorias também ajudam a tornar a gameplay mais fluida, trazendo controles modernizados e suporte a recursos dos consoles atuais, como vibração e giroscópio, além de alterar várias mecânicas do título original. Uma dica para aqueles que forem jogar é dar uma olhada na tela de aprimoramentos logo ao abrir o jogo. Dessa forma, você poderá habilitar ou desabilitar cada uma das novas opções de SiN: Reloaded, além de remover qualquer sistema indesejado que os desenvolvedores acharam legal deixar ativado por padrão.

SiN: Reloaded
É possível ativar vários tipos de melhorias de jogabilidade no menu de configurações de SiN: Reloaded (Captura de tela: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

O level design de algumas fases e objetivos também foi alterado para mudar a dinâmica da gameplay, rebalancear a exploração e o combate, além de dar uma sensação de novidade aos jogadores antigos. Mas isso não foi suficiente para me conquistar. A base de SiN ainda está ali, e você sentirá isso mesmo sem ter jogado o original, visto que algumas decisões de design ficaram bastante datadas.

Vários locais são confusos de explorar e possuem interações completamente contraintuitivas. Além disso, alguns eventos durante as missões podem não fazer muito sentido. Logo nas primeiras missões do jogo, me deparei com um cientista de uma base altamente tecnológica que guarda o único cartão da sala em que Blade precisa entrar, mas corre justamente para a única saída disponível para o protagonista.

E os problemas não param na exploração. Seu combate também é bastante datado, mesmo com as novas melhorias nos controles. A sensação de impacto nos tiroteios é quase inexistente, enquanto o recuo das armas contribui pouco para transmitir a força dos disparos. Apesar disso, aqueles que gostam de sangue e cenas intensas provavelmente encontrarão algo para aproveitar, principalmente ao disparar uma escopeta à queima-roupa.

No fim das contas, SiN: Reloaded mostra que nem tudo que envelheceu precisa ser descartado. Seus sistemas de objetivos e de dano localizado continuam sendo ideias interessantes, enquanto as melhorias da Nightdive tornam a experiência mais confortável de jogar. O problema é que modernizar os controles não significa modernizar o design, e é justamente aí que SiN mais deixa claro que ainda estamos jogando um FPS de 1998.

A maluca história de SiN: Reloaded

Se tem uma palavra que define a forma como SiN: Reloaded conduz seu enredo, é loucura. Controlando John Blade, o jogo te colocará para investigar certos eventos estranhos acontecendo na futura e distópica Freeport City, onde as forças policiais comuns que conhecemos foram substituídas por empresas privadas de segurança.

Conforme o jogador avança na campanha, a investigação de Blade sobre a substância U4 e sua ligação com a SinTEK se torna cada vez mais profunda, com várias bizarrices acontecendo ao longo da jogatina. Enquanto jogava, um jogo que me veio à mente automaticamente foi o primeiro Far Cry, visto que a forma como os dois enredos começam e gradualmente partem para situações mais absurdas guarda algumas semelhanças. Além disso, a expansão Wages of SiN também coloca o jogador contra o grande mafioso Gianni Manero em mais uma jornada maluca.

De qualquer forma, aqueles que querem desbravar os mistérios de Freeport City devem ter como expectativa apenas um enredo que justifique as maluquices que SiN tem para oferecer. Mesmo para sua época, seu roteiro é previsível e seus personagens são pouco memoráveis, com exceção do próprio Blade, que encarna o grande estereótipo de homem incrível e poderoso das décadas passadas — o que, para mim, parece mais um sarcasmo sempre que esse estereótipo aparece, dado o quão toscas certas situações podem ficar por causa disso.

SiN: Reloaded
Loucuras te aguardam em SiN: Reloaded… (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar SiN: Reloaded?

No fim das contas, SiN: Reloaded é um produto bastante curioso. A Nightdive Studios conseguiu modernizar diversos aspectos do FPS de 1998 sem descaracterizar sua essência, trazendo melhorias visuais, sonoras e de controles que tornam a experiência mais agradável nos dias atuais. Ao mesmo tempo, essa escolha de preservar boa parte do jogo original significa que algumas de suas limitações também permanecem intactas.

Para quem já possui carinho por SiN, esta nova versão oferece uma maneira mais confortável de revisitar a campanha de John Blade, além de reunir a expansão Wages of SiN no mesmo pacote. Já para quem nunca teve contato com o clássico, é importante entrar sabendo que não se trata de uma experiência completamente reformulada. O jogo possui ideias interessantes que ainda funcionam, mas também carrega decisões de design que podem causar estranhamento para quem está acostumado com FPS mais modernos.

No meu caso, SiN: Reloaded acabou sendo uma experiência que me surpreendeu mais pelas ideias que seu jogo original já apresentava do que pelas novidades desta remasterização. A Nightdive fez o suficiente para tornar SiN mais acessível aos dias atuais, mas não a ponto de esconder que estamos diante de um jogo de 1998.

Se você estiver disposto a lidar com algumas limitações em troca de conhecer um pedaço importante da história dos FPS, SiN: Reloaded pode ser uma experiência bastante interessante. Só não espere encontrar aqui uma revolução capaz de transformar completamente um clássico de quase três décadas.

SiN: Reloaded será lançado no dia 24 de setembro de 2026 para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, com upgrade gratuito para a versão de Nintendo Switch 2. Além disso, no PC, o jogo também estará disponível via Steam, GOG e Epic Games Store. O preço atual é de R$ 99,99, podendo variar de acordo com a plataforma.

*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Nightdive Studios e Atari.

SiN: Reloaded

BRL 99,99
6.8

História

6.5/10

Gráficos e Sons

6.5/10

Gameplay

7.5/10

Extras

6.5/10

Prós

  • Melhorias nos gráficos, sons e controles tornam a experiência original mais agradável nos dias atuais
  • Sistema de missões opcionais oferece maior liberdade para explorar os capítulos da campanha
  • Pacote reúne o jogo original SiN e sua expansão Wages of SiN em um só produto
  • Legendas em português brasileiro estão disponíveis

Contras

  • Melhorias apresentadas não parecem suficientes para justificar o preço proposto, apesar de tornarem a experiência mais interessante para veteranos
  • Algumas opções de aprimoramento vêm ativadas por padrão e podem causar confusão durante a jogatina
  • Fórmula de missões e combates datados denunciam a idade do jogo original, mesmo em sua remasterização

Bruno Josué

Bruno Josué, ou God_BrunoBH, como é conhecido em suas redes sociais, é amante de jogos desde pequeno. Gosta de jogos que rendem histórias emocionantes, mundos cativantes e discussões mais longas do que deveriam. Quando não está escrevendo análises até altas horas da noite, está atrás de alguma platina em seu PlayStation 5, ou tentando explicar aos outros como uma simples música de menu ou atividade secundária o deixou emocionado. Até o momento, ninguém conseguiu convencê-lo de que isso não pode ser considerado um belíssimo trabalho.