Star Wars: Galactic Racer | Review

AnálisesPCPlayStationSlideXbox

Pensar em Star Wars: Galactic Racer me desperta uma lembrança muito específica: toda a velocidade mostrada nas corridas de pods de A Ameaça Fantasma, meu filme favorito. Além disso, o jogo também me fez lembrar sobre as aparições de speeder bikes cruzando florestas em alta velocidade. Com isso, Star Wars agora chega em um formato totalmente diferenciado, mostrando o potencial desta incrível franquia. Assim, um jogo dedicado a corridas acaba sendo uma ideia excelente. No entanto, Star Wars: Galactic Racer não se limita a pegar coisas conhecidas, colocá-las em corridas e esperar que toda a nostalgia faça o restante do trabalho.

Para melhorar, Star Wars: Galactic Racer conta com uma narrativa. Ou seja, não é somente correr contra a IA ou outros jogadores. Há também uma campanha bem interessante. A história se passa depois da queda do Império, em uma galáxia que tenta entender o que fazer com a liberdade recém conquistada. Enquanto a Nova República tenta colocar alguma ordem no caos, outros enxergam uma oportunidade para enriquecer. Portanto, corridas ilegais começam a crescer em regiões mais afastadas do controle político. É desse cenário que surge a Liga Galáctica, uma competição não autorizada em que sindicatos patrocinam pilotos, fortunas desaparecem em segundos e vencer significa muito mais do que receber um troféu.

É nesse mundo que conhecemos Shade, um piloto solitário movido por vingança. Do outro lado está Kestar, rival que também enxerga a Liga como instrumento para alcançar seus próprios objetivos. A partir daí, Star Wars: Galactic Racer tenta fazer algo diferente do que eu inicialmente imaginava: construir uma verdadeira campanha dentro do universo da franquia, com rivalidades, alianças, escolhas de eventos e personagens que ajudam a dar contexto para cada nova corrida.

Desta forma, essa era a grande questão que eu tinha ao começar a jogar. Um jogo de corrida de Star Wars precisa de tudo isso? Ou seria melhor simplesmente me colocar dentro dos clássicos podracers e mandar acelerar? Depois de várias horas cruzando planetas, desviando de adversários, batendo várias vezes e descobrindo algumas boas surpresas espalhadas pela galáxia, ficou claro que a resposta não é tão simples quanto parece. Desta forma, falarei tudo o que achei deste jogo nesta análise antecipada. Vamo lá?

Youtube video

Muito mais do que apenas um jogo de corrida

Uma das coisas que mais gostei logo de cara em Star Wars: Galactic Racer é que a campanha tenta dar significado às competições. Com isso, não estamos apenas selecionando pistas em um menu e acumulando vitórias até os créditos finais. Até podemos fazer isso em outros modos, mas no principal, existe uma história acontecendo ao redor da Liga Galáctica, e Shade, nosso ou nossa protagonista, algo que podemos escolher, está diretamente envolvido nela. Ao lado de Shade está Hibi, uma mecânica que é uma figura, e faz todo o tipo de mudança nos veículos.

A rivalidade com Kestar funciona como um excelente fio condutor narrativo, mas tentarei não falar demais aqui. Ambos possuem objetivos próprios, e a ascensão dentro da Liga não representa apenas sucesso esportivo. O circuito envolve sindicatos, dinheiro, interesses particulares e pilotos dispostos a manipular resultados para conseguir vantagem. Isso torna algumas corridas muito mais interessantes porque eu sabia por que estava competindo e quem poderia se beneficiar do resultado.

star wars galactic racer review análise
Shade vai para vários planetas para disputar corridas. Jakku é um deles. (Imagem: Divulgação)

Há também uma boa sensação de progressão no jogo, que tem um formato estilo roguelite, tipo o que pude jogar em Carmageddon: Rogue Shift. Assim, é possível escolher quais eventos enfrentar, algo que cria uma campanha um pouco menos rígida, permitindo priorizar determinados desafios ou recompensas. Não estamos falando de uma estrutura narrativa extremamente ramificada, pois ela não é, mas existe espaço para que a jornada pareça algo mais do que uma sequência de corridas.

Essa abordagem combina muito bem com Star Wars. A franquia sempre funcionou de maneira excelente quando mostrou que sua enorme galáxia continua existindo longe dos Jedi, Sith e guerras que normalmente ocupam o centro da história. Aqui não há profecia, destino ou poder sobrenatural esperando para salvar Shade. A lógica é mais simples: pilotar melhor, sobreviver e descobrir até onde a própria habilidade consegue levá-lo. Ah, e claro… vingar Shade e entender até onde essa história vai. Desta forma, Star Wars: Galactic Racer convence neste aspecto, ainda que ele não seja o principal ponto.

star wars galactic racer review análise
Hibi está sempre ajudando Shade ao longo da narrativa. (Imagem: Divulgação)

Uma galáxia transformada em circuito

Outro grande acerto do jogo está na variedade dos cenários. Star Wars: Galactic Racer aproveita diferentes planetas e ambientes do universo da franquia, misturando locais reconhecíveis com regiões pouco vistas. Isso evita que as pistas pareçam apenas variações cosméticas da mesma estrutura. Cada planeta possui personalidade e obstáculos próprios. Há circuitos mais abertos, trechos estreitos, áreas com várias rotas e mudanças bruscas de terreno.

Em alguns momentos, escolher um caminho aparentemente mais rápido significava assumir um risco muito maior. Em outros, uma rota segura poderia custar posições importantes. Esse sistema que parece algo como jogar com “riscos e recompensas”, combina perfeitamente com a velocidade do jogo e toda a dinâmica das corridas vistas na franquia. É necessário ter habilidades, claro, mas também é essencial conhecer alternativas, saber quando usar um atalho e ir equipando seu veículo.

star wars galactic racer review análise
Corridas insanas acontecem nos mais variados lugares. (Imagem: Divulgação)

Gostei especialmente de como as pistas conseguem contar pequenas histórias visuais e até mesmo relembrar os filmes. Alguns lugares mostram atividade industrial, outros parecem construídos exclusivamente para entretenimento, enquanto determinados cenários carregam aquele aspecto decadente da Orla Exterior. É possível perceber que a Liga surgiu aproveitando tudo que encontrava pelo caminho, tendo o sucesso esperado.

Para fãs mais apaixonados, existem boas surpresas espalhadas pela campanha. Veículos, locais, referências e aparições ligadas ao universo conhecido surgem sem transformar o jogo em uma coleção de fan service, mas não darei esse spoiler. Falando como o fã apaixonado que sou, esse é o tipo de coisa que me fez gostar ainda mais do jogo, que conta com personagens carismáticos e várias outras coisas que podem melhorar bastante o jogo. Felizmente, isso foi feito e sem forçar a barra.

star wars galactic racer review análise
Os veículos são customizáveis e criar builds é algo possível. (Imagem: Divulgação)

Os veículos realmente mudam a forma de correr

Um dos melhores aspectos de Star Wars: Galactic Racer está nas diferentes categorias de repulsorcraft. Apesar de todos compartilharem a mesma ideia básica de veículos que praticamente flutuam sobre o terreno, eles possuem comportamentos e formas de direção bastante distintas. Aparecem algumas surpresinhas posteriormente, mas me furtarei a falar o básico.

Os skim speeders oferecem uma proposta mais equilibrada para as pistas. Originalmente associados a contrabando dentro do universo do jogo, acabaram sendo adaptados para corridas por Darius Pax, o figurão fundador da Liga. Eles não aceleram tão rapidamente, mas compensam com boa resistência e excelente capacidade de contornar curvas, sobretudo com a derrapagem, acionada pelo X ou quadrado. A manobra Knife Edge é especialmente útil em trechos apertados, e combinar ramjets, um turbo diferenciado do jogo, com afterburners. Ao usá-los no momento certo, isso pode transformar completamente uma disputa.

Youtube video

Já as speeder bikes seguem pelo caminho oposto. Leves, extremamente rápidas e ágeis, sacrificam praticamente qualquer sensação de segurança em troca de velocidade. O Kinetic Burst fornece uma explosão temporária de aceleração, mas controlar a moto depois disso é outra história. Em mãos pouco experientes, uma curva mais aberta pode terminar em uma colisão espetacular. Quando tudo encaixa, porém, poucas coisas são tão divertidas quanto atravessar uma pista inteira praticamente no limite do controle.

Youtube video

Por fim, há ainda os landspeeders, mais robustos e estáveis. Eles são excelentes para começar porque suportam melhor contatos e possuem boa dirigibilidade. Não alcançam naturalmente a mesma velocidade dos veículos mais leves, mas compensam com estabilidade, resistência e drifts mais fáceis de controlar. Um ramjet usado na hora certa ainda consegue eliminar alguns segundos preciosos.

Youtube video

Essa diversidade é importante porque muda radicalmente a forma de encarar cada circuito. Não existe apenas “o veículo mais rápido”. Há veículos adequados a estilos diferentes, e encontrar aquele que combina comigo foi parte importante da diversão. Tudo isso pode ser aprimorado com equipamentos e alguns upgrades, que deixam o veículo cada vez mais potente, além de ser adaptável ao estilo de cada jogador. Eu, por exemplo, priorizava boas curvas e derrapadas, mas sem esquecer do ramjet. Isso me dava controle e certa velocidade, algo essencial para vencer corridas. Ou melhor, terminá-las vivo.

As corridas são sujas como em A Ameaça Fantasma

A Liga Galáctica não é exatamente uma competição preocupada com segurança. Isso significa que os pilotos podem usar métodos bem menos elegantes para conquistar posições. Assim, as eliminações fazem parte das corridas em Star Wars: Galactic Racer e adicionam uma camada de agressividade interessante e essencial para reproduzir o que vimos nos filmes. Dependendo do veículo e da build escolhida, dá para priorizar velocidade, estabilidade ou uma abordagem mais ofensiva. Nós, jogadores, temos limite de batidas, algo que nos faz voltar para o começo de cada campeonato. É dose…

Porém, gostei dessa ideia. Ela combina com o contexto da Orla Exterior. Não faria sentido uma liga clandestina criada em meio ao caos pós-Império funcionar como uma competição limpa e polida. Existe dinheiro sujo envolvido, sindicatos possuem interesses e ninguém parece especialmente preocupado com algumas explosões no caminho. Com essa sujeirada toda, as corridas são decididas para além das habilidades e conhecimento de pista, o que muda todo o cenário.

star wars galactic racer review análise
Em cada ambiente podemos encarar problemas como calor excessivo, congelamento e até mesmo materiais ácidos. (Imagem: Divulgação)

O problema é que, em certos momentos, a ação fica um pouco caótica demais. Dependendo da quantidade de veículos próximos e dos efeitos acontecendo na tela, nem sempre fica claro exatamente o que causou uma colisão ou perda de controle. Isso não estraga as corridas, mas acontece. Pior ainda é quando tiramos um rival da pista, a câmera muda para a batida e, quando volta para a câmera da corrida, embola tudo. Isso me fez bater algumas vezes. Aliás, as batidas também poderiam ser mais bem trabalhadas. Ficaram muito simplórias, quase toscas.

O universo Star Wars carrega muito do espetáculo

Visualmente, Star Wars: Galactic Racer sabe exatamente qual universo está representando. Veículos possuem desenhos e skins marcantes, planetas são variados e efeitos de velocidade ajudam a passar a sensação de perigo constante. O principal acerto está na identidade utilizada. Mesmo em locais inéditos, existe aquele aspecto industrial, gasto e improvisado muito típico da franquia. Nada parece limpo ou ajeitado demais. Motores possuem peças expostas, estruturas parecem montadas às pressas, muitas partes dos veículos estão enferrujadas e muitas pistas passam por locais onde provavelmente nunca deveria existir uma corrida.

O áudio também merece bastante crédito. Os motores rugem de formas diferentes, colisões possuem impacto e os sons dos repulsores ajudam a diferenciar os tipos de veículos. Em velocidades maiores, o conjunto sonoro realmente aumenta a tensão. A trilha segue o espírito cinematográfico da franquia sem tentar transformar cada corrida em uma repetição dos temas mais conhecidos. Há energia suficiente para sustentar as provas, principalmente nos momentos finais. Esse conjunto audiovisual é essencial porque um jogo como esse depende de espetáculo. Felizmente, graças a esses e outros aspectos, acelerar pela galáxia quase sempre parece tão perigoso quanto deveria.

star wars galactic racer review análise
As disputas são totalmente sujas. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Star Wars: Galactic Racer?

Star Wars: Galactic Racer vale a pena principalmente para quem gosta tanto de jogos de corrida futuristas e com um pouco de jogadas sujas, quanto do universo criado por George Lucas. A grande surpresa é perceber que o jogo não depende exclusivamente dessa combinação. Há uma estrutura de corrida competente para além da franquia, com veículos realmente diferentes, pistas que incentivam risco, builds personalizáveis e uma boa sensação de velocidade.

A campanha também foi uma surpresa agradável. Shade possui uma motivação própria, existe uma rivalidade que conduz a progressão e a Liga Galáctica parece algo que poderia realmente existir nos filmes ou séries, tipo a corrida que Anakin criança corre contra Sebulba. Em vez de mais uma história sobre Jedis, Siths e a Força, temos pessoas tentando fazer dinheiro, conquistar fama e sobreviver em uma competição ilegal. Isso traz um lado bem diferente de Star Wars. No entanto, o nível de dificuldade da campanha oscila bastante. Felizmente, não precisamos vencer algumas corridas para avançar.

Os diversos planetas e cenários reforçam essa sensação de viajar por essa galáxia muito, muito distante. Alguns são familiares, outros trazem novidades, e os fãs mais atentos encontrarão boas surpresas espalhadas pelo caminho. A maneira como referências aparecem sem dominar completamente a experiência foi algo que me agradou bastante e até me deixou meio nostálgico.

A variedade de veículos e customização são outra parte bem bacana do jogo. Podracers representam velocidade extrema, skim speeders oferecem equilíbrio e curvas agressivas, speeder bikes apostam em agilidade quase suicida e landspeeders entregam estabilidade e resistência. Trocar entre eles muda como as pistas precisam ser interpretadas, o que mantém as corridas interessantes.

Porém, também existem problemas. Certos eventos começam a se repetir, as batidas são meio estranhas, alguns personagens poderiam ser mais desenvolvidos e nem todos os veículos possuem a mesma facilidade inicial. Ainda assim, são questões menores diante de uma experiência que acerta bastante naquilo que se propõe. Com isso, Star Wars: Galactic Racer agrada, sobretudo aos fãs que esperavam finalmente o retorno das corridas no universo criado por George Lucas.

Star Wars: Galactic Racer será lançado em 6 de outubro para PlayStation 5, PC via Steam e Epic Games Store e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela PLAION.

Star Wars: Galactic Racer

BRL 299,90
8.1

História

8.0/10

Jogabilidade

8.4/10

Gráficos e sons

8.8/10

Extras

7.2/10

Prós

  • Ambientação no universo Star Wars é incrível
  • Campanha com narrativa própria e rivalidade interessante
  • Personalização e builds adicionam profundidade
  • Variedade de modos, incluindo multiplayer, arcade e desafios
  • Boas surpresas para fãs da franquia

Contras

  • Alguns personagens secundários são pouco desenvolvidos
  • As batidas não apresentam bons gráficos
  • O nível de dificuldade oscila bastante ao longo da campanha

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.