Tempest Rising: The Veti’s Wrath | Review

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Quando Tempest Rising foi finalmente lançado, fiquei simplesmente encantado, e minha análise da época não me deixa mentir. Agora, com a expansão The Veti’s Wrath, que chega mais de um ano após a estreia do jogo base, fiquei muito curioso para descobrir se a nova facção, os Veti, justificariam toda a espera. Embora não tivessem dado as caras, eles eram tratados como uma presença importante dentro do universo do jogo, mas bem distantes da experiência principal. Agora, com uma campanha própria de 11 missões e uma estrutura completa de unidades, edifícios e poderes, finalmente temos a oportunidade de jogar com uma facção que vinha sendo preparada há bastante tempo.

A expansão também chega com uma responsabilidade importante: completar a estrutura de três facções que sempre pareceu ser um dos objetivos do jogo. GDF e Tempest Dynasty já representavam duas abordagens distintas para aquele RTS inspirado em clássicos dos anos 1990 e 2000, sobretudo Command & Conquer Red Alert 2. Os Veti precisavam ser mais do que aliens enfiados no meio desse conflito e, obviamente, da narrativa.

Felizmente, já posso adiantar aqui que a proposta vai muito além da aparência. A grande força de The Veti’s Wrath está justamente no fato de que jogar com os Veti exige mudar totalmente a maneira como penso sobre construção de base, recursos, combate e até o valor de um inimigo derrotado. Existem mecânicas novas e outros detalhes que tornam esta facção em uma grande opção em Tempest Rising. Confira todas as minhas percepções desta expansão em mais uma análise do Pizza Fria!

Uma civilização antiga em meio a um mundo diferente

Narrativamente, os Veti, esse estranho povo que parece uma mistura de povos pré-colombianos e egípcios, são apresentados como os Primeiros Inquilinos da Terra, uma civilização que existia muito antes do registro histórico humano. Eles dominaram o Tempest, que é o produto extraído durante todo o jogo, e construíram enormes cidades biomecânicas, até que os primeiros humanos roubaram sua tecnologia e acabaram utilizando-a contra eles.

A queda dessa civilização obrigou os sobreviventes a desaparecerem nas profundezas do planeta. Séculos depois, as guerras humanas nesta Guerra Fria diferenciada, despertam novamente esse povo, que retorna disposto a recuperar aquilo que considera seu por direito, querendo lutar. Aliás, como lutam! É uma origem simples, apresentada em algumas cutscenes, mas muito eficiente para justificar a presença da facção. Os Veti não estão invadindo a Terra. Para eles, os humanos é que ocuparam algo que nunca os pertenceu. Profundo, né?

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Uma nova campanha é sempre algo bom. (Imagem: Reprodução)

A campanha dos Veti conta com 11 missões e explora justamente esse retorno. Depois das Tempest Wars, os Veti estão espalhados, parte de sua tecnologia está em mãos inimigas e existe ainda uma ameaça de corrupção interna que fica perturbando durante a campanha. O objetivo passa por reunir novamente seus grupos, recuperar todo o conhecimento perdido e reconstruir a força da civilização. Mas a GDF e a Tempest Dynasty não facilitam. Gostei bastante dessa perspectiva. Ela fecha lacunas deixadas pelas outras campanhas e transforma parte dos mistérios do jogo base em elementos centrais da narrativa.

Uma facção completamente diferente

Meu maior elogio à expansão é que os Veti realmente parecem uma terceira facção. Isso pode soar óbvio, mas muitos jogos de estratégia adicionam exércitos novos alterando apenas estatísticas, aparência e algumas unidades especiais. Aqui, a diferença está na estrutura completa de funcionamento, trazendo mecânicas únicas que modificam bastante a jogabilidade. Com isso, os Veti não dependem de um Construction Yard tradicional como as facções humanas. Em vez disso, usam plataformas móveis e suporte aéreo para criar novas áreas de construção, sendo muito mais móveis do que os outros.

O Dominance Arc pode se transformar em uma Dominance Anchor, criando um raio limitado de construção e funcionando também como estrutura defensiva. Já o Caretaker permite estabelecer novas áreas e construir Ascension Anchors, que fortalecem edifícios próximos, algo bem útil para estruturas defensivas ou para geração de energia. Na prática, isso me deu uma liberdade muito maior para espalhar infraestrutura pelo mapa. No entanto, precisei me adaptar ao estilo de jogo para não cometer erros.

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Os Veti dão uma nova cara para Tempest Rising. (Imagem: Reprodução)

Enquanto com a GDF e a Tempest Dynasty eu frequentemente penso em expandir uma base principal de forma relativamente organizada, com os Veti eu comecei a trabalhar com posições avançadas e pequenas áreas de controle conectadas de forma muito mais agressiva, sobretudo para extrair Tempest. Toda essa liberdade muda bastante o ritmo das partidas.

Economia ágil e diferenciada

Outra particularidade dos Veti está na forma como os edifícios acumulam funções. A estrutura responsável por energia também serve como armazenamento de Tempest, enquanto as refinarias são colocadas diretamente sobre os campos do recurso, misturando duas coisas essenciais para o jogo. Além disso, o sistema faz com que aquele campo não seja completamente esgotado, permitindo uma coleta constante. Isso reduz uma das preocupações tradicionais de RTS e direciona a atenção para outros sistemas, o que dá uma certa vantagem para quem jogar com os Veti.

As estruturas restantes possuem funções mais conhecidas. A Ziggurat produz infantaria, a War Assembly cuida de outras unidades e o Celestial Gate libera as forças aéreas. Até aí, tudo é bem similar à estrutura das outras facções. No entanto, os nomes dos edifícios e das unidades, bem como o visual, são completamente alienígenas, algo interessante para dar uma contextualizada neste povo milenar. Se cada edifício também tivesse uma lógica diferente, a curva de aprendizado poderia ser muito mais difícil. Felizmente, p equilíbrio entre familiaridade e novidade é muito bem resolvido aqui.

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As novas mecânicas mudam radicalmente o jogo. (Imagem: Reprodução)

Novas mecânicas também estão nas batalhas

Em Tempest Rising: The Veti’s Wrath, a verdadeira revolução começa no combate. Os Veti funcionam em torno de dois conceitos principais: Subjugation e Sacrifice, ambos explicados por um tutorial bem prático. Vou explicar melhor como funciona… Quando uma unidade de infantaria inimiga morre, seu corpo é convertido em uma criatura chamada Enlightened. Esses seres lembram uma espécie de soldado reanimado, quase um zumbi, que podem lutar ao lado dos Veti.

Só isso já seria interessante, mas a função mais importante dos Enlightened é outra: eles podem ser sacrificados para aumentar a eficiência de tropas, veículos e construções. Isso cria um ciclo de recursos completamente diferente do resto das facções. Com isso, eliminar uma infantaria inimiga não representa apenas retirar uma unidade do campo de batalha, mas pode ser um soldado a mais ou um buff, dependendo da circunstância.

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Podemos aprimorar a facção ao longo da campanha. (Imagem: Reprodução)

É um reforço temporário? É combustível para melhorar uma estrutura? Vale guardar alguns Enlightened perto das tropas para uma batalha mais difícil? São muitas escolhas. O próprio combate alimenta a progressão dos Veti. Essa mecânica é maravilhosa e bem pensada, porque transforma agressividade em algo para além de aniquilar o inimigo. Quanto mais eficiente sou na guerra, maior pode ser minha capacidade de fortalecer o restante do exército. E aí, o bicho pega.

Uma facção extremamente forte

Tempest Rising: The Veti’s Wrath conseguiu reinventar o jogo com apenas uma nova facção, isso é fato. Depois de entender os sistemas então, achei os Veti extremamente fortes. Unidades terrestres pesadas e aéreas conseguem causar um estrago enorme, principalmente quando possuem Enlightened próximos para alimentar suas habilidades. Mesmo grupos relativamente pequenos conseguem enfrentar forças numericamente superiores quando utilizados corretamente.

Mas preciso mencionar uma coisa: isso não significa que seja uma facção fácil. Na verdade, considero os Veti mais complexos mecanicamente do que GDF e Tempest Dynasty. Estou administrando posicionamento, Anchors, produção, Enlightened, sacrifícios e vínculos com estruturas quase ao mesmo tempo. É muita coisa para se fazer ao mesmo tempo e atalhos podem ajudar.

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A qualidade de Tempest Rising continua excelente. (Imagem: Reprodução)

Jogadores acostumados a expandir uma base, criar dezenas de tanques e mandar tudo para frente provavelmente precisarão mudar bastante de mentalidade, algo que pode possibilitar novas táticas de ataque, defesa e aquisição de recursos. Aliás, é justamente essa complexidade que torna a facção tão satisfatória. Quando uma batalha dá certo, sinto que foi resultado de planejamento e não apenas de números superiores.

Tecnicamente, tudo continua maravilhoso

Como estamos falando de uma expansão, não existe uma enorme revolução técnica em relação ao jogo base. Isso não é um problema. Tempest Rising já possui uma apresentação muito competente e boa otimização, como já falei em minha análise no lançamento do jogo base, e The Veti’s Wrath aproveita essa fundação sem introduzir problemas relevantes. Durante minha experiência, não encontrei falhas técnicas e isso só reforça minha opinião extremamente positiva sobre o jogo.

Os Veti também são visualmente muito bem integrados ao jogo. Mesmo sendo completamente diferentes, não parecem uma facção colocada só para ter mais conteúdo, soando como algo muito forçado, ainda que sejam aliens de um passado muito distante. Todo o jogo continua impressionando, principalmente quando várias unidades começam a utilizar habilidades simultaneamente. É uma expansão que melhora Tempest Rising muito mais por design do que por tecnologia. Os desenvolvedores acertaram muito nesta adição, prevista desde o lançamento do jogo base.

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Narrativa, gráficos, desempenho… tudo segue lindo em Tempest Rising. (Imagem: Reprodução)

Vale a pena jogar Tempest Rising: The Veti’s Wrath?

Para mim, Tempest Rising: The Veti’s Wrath é exatamente o tipo de expansão que um RTS deveria receber. Ela não simplesmente adiciona mais onze missões usando as mesmas regras. Ela introduz uma facção que altera profundamente as mecânicas, que me fizeram pensar novas formas de expansão territorial, economia e combate.

Os Veti transformam inimigos derrotados em recursos, podem sacrificam tropas para fortalecer exércitos e estruturas, constroem bases de maneira muito mais flexível e móvel e utilizam Tempest como parte natural de sua própria identidade. Depois que entendi os sistemas dos Veti, foi difícil voltar imediatamente para as facções humanas sem sentir que estava abrindo mão de possibilidades.

Aliás, a campanha também fecha muito bem a estrutura narrativa existente e finalmente coloca os Veti no centro de uma história que vinha sendo preparada desde o jogo base. Além, disso, serve como um ótimo tutorial para aprender as novidades desta incrível facção.

O preço de R$ 62,91 por uma campanha pode ser uma questão, já que os Veti estão disponíveis gratuitamente fora da campanha. Essa é a única ressalva que tenho com o pacote. Ainda assim, olhando para a qualidade das 11 missões, o design da facção e a quantidade de ideias novas introduzidas, considero a expansão uma compra interessante para quem realmente gostou de Tempest Rising e quer dar um desfecho para a narrativa.

Concluindo, The Veti’s Wrath não apenas completa a experiência de Tempest Rising: ela muda a maneira como podemos jogá-lo. Os Veti são uma das facções de RTS mais interessantes que experimentei nos últimos anos e provam que uma expansão genuinamente boa não precisa simplesmente oferecer mais conteúdo. Ela precisa fazer o conteúdo existente parecer novo novamente.

Tempest Rising: The Veti’s Wrath

BRL 62,91
9.4

História

9.0/10

Jogabilidade

9.6/10

Gráficos e sons

9.6/10

Extras

9.4/10

Prós

  • Campanha de 11 missões apresenta muito bem a facção
  • Jogo segue sem problemas técnicos
  • Novas unidades, edifícios e mecânicas dão nova cara ao jogo
  • Os Veti possuem uma identidade bem diferente

Contras

  • Preço para adquirir somente a campanha pode espantar alguns jogadores
  • Quem joga os outros modos tem pouco motivo para comprar a expansão, já que os Veti estão disponíveis de graça

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.