The Berlin Apartment | Review
The Berlin Apartment é um jogo de exploração e aventura focado em narrativa, no qual os jogadores vivenciam histórias ao longo do tempo de pessoas que viveram em um apartamento em Berlim. O jogo promete oferecer uma variedade de narrativas, apresentando a perspectiva de diferentes culturas e personalidades naquele local, com uma história que fará o jogador refletir sobre o legado que o passado deixou para as pessoas no presente. Portanto, com uma proposta bastante intrigante, será que o game realmente entrega uma aventura tão interessante quanto a sua premissa? Confira agora em mais uma review antecipada do Pizza Fria.
O legado deixado em um apartamento em Berlin
A história de The Berlin Apartment começa quando um pai e sua filha ficam encarregados de reformar um apartamento relativamente grande em Berlim. Não demora muito para a garota começar a ficar entediada durante a reforma e, enquanto ajuda o pai, ela encontra objetos que pertenciam a antigos moradores daquele apartamento. Logo, seu pai decide contar histórias sobre alguns dos antigos residentes do local. Cada narrativa se passa em um período diferente: 1989, 1933, 1945 e 1947.
The Berlin Apartment acerta bastante ao representar cada história de maneira única, seja visualmente ou em sua temática. Uma das narrativas, por exemplo, aborda um idoso que teve seu cinema destruído durante um conturbado período em Berlim, e vemos toda a trajetória dele ao relembrar esse empreendimento, desde a abertura do cinema até a eventual destruição do local por meio de um incêndio. Particularmente, essa foi a história de que mais gostei em The Berlin Apartment, justamente por realmente demonstrar, de maneira mais aprofundada, o sentimento do personagem e sua conexão com aquele espaço. E este é um aspecto que algumas das outras histórias acabam deixando a desejar.

Isso ocorre porque The Berlin Apartment apresenta diversos elementos políticos que eram fortes nas épocas em que suas narrativas são ambientadas — seja o nazismo ou até mesmo o socialismo. Entretanto, o jogo acaba não se aprofundando em muitos desses pontos e por vezes se perde em qual mensagem deseja transmitir.
Em uma das histórias, por exemplo, acompanhamos a família de um nazista que está comemorando o Natal no fim da guerra e, sinceramente, senti uma mensagem um tanto estranha sendo transmitida nesse segmento. O mesmo ocorreu em uma narrativa que envolvia o governo socialista. Essa estranheza surge justamente porque The Berlin Apartment apresenta situações que claramente exigiam uma elaboração narrativa capaz de gerar algum tipo de reflexão sobre os acontecimentos mostrados, mas isso não necessariamente ocorre, deixando no ar o que deveria ter sido trabalhado com maior profundidade.

E é realmente uma pena que o jogo cometa esses deslizes justamente nas histórias que possuem mais espaço para um desenvolvimento mais amplo, especialmente porque, nas outras narrativas, ele consegue atingir reflexões interessantes envolvendo temas como solidão e até mesmo nostalgia.
Diferentes épocas que alteram a jogabilidade de maneiras criativas
O maior acerto de The Berlin Apartment com certeza é a maneira criativa como o jogo representa as diferentes épocas por meio do gameplay. No presente, por exemplo, com o pai e sua filha reformando o apartamento, temos uma perspectiva em primeira pessoa e trechos nos quais precisamos pegar um martelo para quebrar partes do local em busca de pistas, além de outros momentos em que devemos encontrar objetos escondidos para ajudar o pai na reforma. Além disso, quando viajamos para os períodos mais distantes no tempo, o game realmente brilha ao introduzir mecânicas bastante divertidas.

Por exemplo, em uma das histórias, o residente do apartamento entra em contato com outra pessoa do outro lado do Muro de Berlim e precisa jogar um aviãozinho de papel para se comunicarem por meio de cartas. Aqui, The Berlin Apartment introduz um minigame no qual é necessário controlar o avião de papel até que ele alcance a janela do outro lado.
Apesar das primeiras cartas serem interessantes de controlar, o jogo gradualmente adiciona obstáculos, como vento forte e chuva, para criar novas camadas de dificuldade. No entanto, isso acaba evidenciando rachaduras na jogabilidade, tornando o game pouco responsivo nesses trechos em que controlamos o avião — algo que pode ser bastante frustrante.
Entretanto, mesmo que eu considere muito criativa a forma como o jogo aborda os diferentes períodos, senti falta de uma maior variedade em alguns deles. Um exemplo é um dos períodos que consiste basicamente em uma personagem procurando itens e pendurando-os pela casa. Somando-se ao fato de que essa é justamente uma das histórias mais curtas e que, na minha opinião, precisava de maior elaboração narrativa, o resultado acaba transmitindo uma sensação de história incompleta em praticamente todos os aspectos.
Gráficos e trilha sonora
The Berlin Apartment apresenta um visual bastante minimalista; entretanto, isso acaba combinando bem com a atmosfera que o jogo constrói ao longo de suas histórias. Além disso, o título compensa essa simplicidade com a variedade de locais apresentados, especialmente pelas diferentes versões do mesmo apartamento ao longo do tempo, transmitindo com eficácia a sensação de cada época em que as narrativas se passam.

O jogo também conta com alguns trechos visualmente mais fantásticos, e esses segmentos funcionam muito bem, levando o jogador a locais inesperados dentro da narrativa em questão, o que acaba sendo uma boa surpresa.
Já em relação à trilha sonora, ela é bastante ausente na maior parte do tempo e, nos momentos em que aparece, não se destaca nem se torna memorável. Isso é uma pena, pois esse aspecto poderia ter valorizado algumas das histórias apresentadas.
Desempenho
Minha experiência foi no PC, equipado com uma RTX 3060. O game é bem leve e rodou tranquilamente em 1440p a 240 FPS. Entretanto, um dos últimos cenários do jogo estava extremamente mal otimizado, com o framerate caindo para 35 FPS sem motivo aparente e permanecendo nesse patamar durante praticamente todo o último segmento. Isso me decepcionou bastante na reta final de The Berlin Apartment, pois acabou deixando uma impressão final bem negativa.
Vale a pena jogar The Berlin Apartment?
The Berlin Apartment é mais uma boa ideia do que uma boa execução. Existe uma boa história aqui, mas sinto que todas as outras ficam na categoria de “boa premissa que não foi explorada como deveria”. Em algumas das narrativas isso ainda é aceitável, mas é realmente decepcionante que justamente as tramas que abordam temas como nazismo, socialismo e outros aspectos políticos — que poderiam ser muito melhor desenvolvidos — acabem permanecendo apenas na superfície, o que pode abrir margem para interpretações duvidosas dessas histórias.
Em relação à jogabilidade, a situação não é muito diferente. Apesar de acertar mais nesse aspecto e realmente introduzir alguns trechos criativos, algumas das narrativas acabam deixando a desejar por serem excessivamente simples e o que torna isso ainda mais frustrante é que são justamente essas histórias que precisariam de abordagens mais elaboradas. Assim, de maneira geral, The Berlin Apartment é um bom experimento, com uma ótima premissa, mas que infelizmente passa longe de alcançar todo o seu potencial e termina sendo uma grande decepção.
The Berlin Apartment foi desenvolvido pela btf e será lançado no dia 17 de novembro para PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela btf.
The Berlin Apartment
R$ 299,00Prós
- Uma das histórias é realmente muito boa e faz o jogador refletir sobre temas como nostalgia e solidão
- Boas ideias para variar a jogabilidade ao decorrer dos diferentes períodos do apartamento
- Legendas em PT-BR
Contras
- A maioria das histórias não tem muito para contar
- Em alguns trechos a jogabilidade não funciona muito bem o que pode ser frustrante
- Graves problemas de desempenho no PC na reta final do jogo


