Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition | Review

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A série Total War sempre teve grandes jogos. No entanto, Total War: SHOGUN 2 é um dos títulos mais comentados pelos fãs. Lançado originalmente em 2011, época em que a franquia ainda consolidava muitas das características que hoje parecem fundamentais para o funcionamento do jogo. No entanto, na Complete Edition, lançada para PC via Steam, Epic Games Store, Microsoft Store e GOG.com, percebemos que a Creative Assembly não tenta simplesmente colocar o clássico em uma embalagem nova e torcer para que a nostalgia faça o restante do trabalho. Aqui, a ideia é fazer o jogo evoluir, reunindo o conteúdo lançado ao longo dos anos e modernizando vários aspectos visuais e funcionais sem destruir o que fazia o original funcionar.

Confesso que, de relance, lembro de ter jogado bem pouco na altura. Talvez por ainda achar a estrutura do jogo complexa demais, algo bem comum para a franquia. Fora as mudanças citadas, o cenário continua, obviamente, sendo o Japão feudal, dividido entre clãs que competem por influência, território e poder. No jogo, temos a função de assumir o controle de uma dessas forças e conduzi-la até o xogunato, equilibrando economia, diplomacia, desenvolvimento tecnológico e, claro, muita guerra.

A coisa parece familiar para quem já jogou qualquer outro Total War. Contudo, na prática, Shogun 2 possui uma particularidade interessante: seu mapa não começa como uma grande folha em branco esperando expansão. O Japão já está dividido entre diferentes casas e seus daimios. Assim, quase todo território pertence a alguém. Com isso, a cada tomada de província, uma guerra surge. Felizmente, o jogo faz questão de lembrar que iniciar uma guerra costuma ser muito mais fácil do que terminá-la. Mas afinal, será que 15 anos após o lançamento, Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition ainda funciona? Vamos descobrir nesta análise!

Um Japão muito dividido

Uma das primeiras coisas que percebi foi como SHOGUN 2 – Complete Edition começa de maneira mais metódica do que muitos outros jogos de estratégia. Em vários títulos 4X, os primeiros turnos possuem uma corrida por territórios neutros. O jogador expande fronteiras rapidamente, funda novas cidades e tenta ocupar recursos antes dos adversários. Mas aqui a coisa é diferente: o espaço já está dividido.

Isso significa que meus primeiros minutos foram muito mais voltados à preparação e, no caso da campanha, com a defesa do que eu já tinha. Precisei entender o que minha província produzia, qual era minha situação financeira, como alimentar a população e quais alianças faziam sentido antes de simplesmente levantar um exército e marchar contra alguém. Obviamente, minha primeira reação foi ignorar boa parte disso. Afinal, entender todas essas mecânicas e detalhes geralmente são complexos e não contam com a emoção inicial que queremos em qualquer jogo da franquia Total War.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
O Japão conta com muitos clãs, algo que nos dá inúmeras possibilidades. (Imagem: Reprodução)

Ou seja, eu queria soldados, queria uma maneira de começar a defender meu território e, aos poucos (ou não), ir expandindo. Logo, eu quis uma guerra. Lá na frente, fiquei ambicioso: queria conquistar o Japão. Porém, bati de cara na porta. A população das minhas províncias contavam com outras prioridades. Investi demais no lado militar, ignorei desenvolvimento civil e rapidamente comecei a sofrer com falta de alimentos e instabilidade. O problema é que, em SHOGUN 2, corrigir um erro estrutural pode levar vários turnos. Quando percebi o que tinha feito, já era tarde. A campanha acabou quando cantei de galo para outros lados. É, tive de recomeçar…

Poder das decisões reverbera durante toda a partida

Esse tipo de experiência define muito bem o que SHOGUN 2 faz melhor. Aqui, precisamos ter um minucioso planejamento de médio e longo prazo. Nada a curto prazo parece dar muito certo, talvez pela necessidade de criação de unidades e melhorias. Tudo pode causar problemas. Como já é de se esperar de um jogo 4X, posso construir um exército enorme, mas preciso pagar por ele. A conta realmente chega. Posso melhorar castelos, mas isso aumenta a demanda por recursos. Posso iniciar uma grandiosa guerra, mas preciso pensar no que acontecerá caso outro clã veja minhas fronteiras desprotegidas.

Com isso, em Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition uma escolha aparentemente pequena pode aparecer dezenas de turnos depois para cobrar seu preço. Curiosamente, minhas derrotas raramente pareceram injustas. Fui inocente demais em algumas escolhas e, com isso, na maioria das vezes, eu sabia exatamente onde havia errado. É como falei anteriormente, expandi rápido demais e não dei conta de defender os territórios, achei que os rivais seriam mais “benevolentes”, ou até mesmo abandonei a parte de gerenciamento. Tudo isso reverbera.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
As decisões em batalha ou no gerenciamento podem mudar o jogo todo. (Imagem: Reprodução)

Sendo muito sincero, até na dificuldade mais baixa, o jogo não aceita completamente decisões ruins. Tá, ele dá mais espaço para gente aprender, mas não transforma o Japão em um parque de diversões onde qualquer estratégia funciona. No fácil ou não, Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition sempre cobra as contas.

Gerenciamento e guerra não são partes separadas

Na campanha de Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition, os diferentes sistemas de gerenciamento e guerra se alimentam. Cada região possui espaço limitado para construções, então não consigo simplesmente erguer todos os prédios disponíveis em todos os lugares, tendo que calcular detalhadamente o que fazer. A meu ver, isso é essencial para um jogo 4X, mas é a parte mais chata. De toda forma, isso me obriga a especializar províncias e nem sempre acerto. Algumas delas podem funcionar melhor como centros militares. Outras talvez como polos econômicos. Regiões específicas do mapa podem receber estruturas ligadas ao comércio ou agricultura.

O espaço limitado adiciona uma camada interessante porque cada construção representa outra que não poderá existir naquele momento. É pura estratégia, não tem jeito de fugir disso. O sistema de tecnologia também reforça isso. As árvores de desenvolvimento possuem caminhos ligados a economia, administração e guerra, e muitas melhorias levam vários turnos para serem concluídas. Com isso, eu precisava pensar não apenas no benefício imediato, mas no tipo de clã que pretendia construir.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
A guerra até pode ser considerada “tranquila” perto do amplo gerenciamento. Quanto maior seu território, maior a dificuldade de gerenciamento. (Imagem: Reprodução)

Melhorar unidades, ter êxitos nas receitas, ter novas opções de unidades, tudo isso requer muito tempo e investimento para ser feito. Embora SHOGUN 2 seja complexo e, em alguns momentos, meio lento, a sensação de progressão funciona muito bem. Isso se justifica pois os bônus são perceptíveis na jogabilidade. Quando uma melhoria econômica entra em vigor, o tesouro responde. Quando unidades recebem novas vantagens, isso fica nítido nos campos de batalha. Por isso, pensar é a parte mais importante de toda franquia Total War.

Diplomacia é essencial com o número de clãs do jogo

A diplomacia sempre foi essencial nos jogos Total War. Não consegui jogar SHOGUN 2 tratando todos ao redor como inimigos futuros. Além da coisa apertar caso minha região seja atacada por diferentes lados, preciso de acordos comerciais, que podem ser fundamentais para a economia do meu clã. Além disso, essas alianças seguram determinadas fronteiras que eu mesmo não teria força o suficiente para manter de pé. Casamentos políticos e relações entre clãs podem comprar tempo enquanto penso em outra guerra.

Naturalmente, isso não significa que todos permanecerão leais. Aqui, o jogo imita a vida: a política de SHOGUN 2 é construída em cima de interesses. Ou seja, um aliado confiável hoje pode decidir que minhas terras parecem interessantes amanhã. Assim, quando um clã começa a crescer demais e se aproxima do objetivo de dominar o Japão, o xogunato percebe a ameaça e age. A partir daí, outros clãs podem se voltar contra aquele poder emergente. Essa mecânica, sobretudo no final do jogo, serve para nos criar novos desafios, tornando a dominação em algo mais complexo.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
Os vizinhos podem ser aliados importantes. (Imagem: Reprodução)

Outra excelente adição da Complete Edition de SHOGUN 2 está na quantidade de facções disponíveis. Mais de 50 pequenos clãs podem ser utilizados, ampliando drasticamente as possibilidades de campanha, algo que faz muita diferença. É divertido escolher uma força tradicionalmente poderosa e tentar dominar o Japão rapidamente, ainda mais se você não tem paciência para partidas longas. Mas existe algo especialmente satisfatório em assumir um pequeno clã e transforma-lo em um novo centro político do país.

Todavia, cada posição inicial muda bastante o jogo. Fronteiras diferentes significam outros rivais, as rotas comerciais mudam totalmente, bem como os recursos disponíveis em todo o mapa. Com esse aspecto, SHOGUN 2 não torna possível que a campanha seja jogada sempre da mesma maneira, algo que aumenta significativamente a rejogabilidade e os desafios a cada partida. Há facilmente centenas de horas de conteúdo aqui para quem realmente mergulhar nos sistemas. Porém, é preciso ter paciência. Muuuuita paciência… As partidas seguem sendo bem longas e jogar muitas vezes pode se tornar quase que um “segundo trabalho”.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
Algumas batalhas baseadas em eventos reais contam com apresentações interessantes. (Imagem: Reprodução)

As batalhas seguem impressionantes

Naturalmente, Total War não seria Total War sem as batalhas enormes em tempo real. Em SHOGUN 2, a coisa não seria diferente. Quando dois exércitos se encontram, o jogo deixa o mapa de campanha e coloca as unidades diretamente no campo. É aí que a coisa fica realmente mais dinâmica: preciso controlar arqueiros, infantaria, cavalaria e outras forças enquanto observo terreno, moral, formação e posicionamento inimigo. TUDO AO MESMO TEMPO. É uma tarefa complexa e, caso cometa erros, isso pode custar caro.

Visualmente, grandes batalhas continuam impressionando. Ver centenas de soldados avançando enquanto flechas atravessam o céu e unidades de cavalaria tentam quebrar uma linha inimiga ainda é um espetáculo. O terreno também importa bastante do jogo. Ou seja, uma posição elevada pode favorecer arqueiros, as florestas ajudam em determinadas abordagens, formações defensivas podem transformar um ponto aparentemente simples em um pesadelo para o atacante. Desta forma, quando consigo executar um plano corretamente, poucas coisas no gênero são tão satisfatórias. Mas há um problema.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
Quanto muitas tropas se juntam, a coisa vira um verdadeiro caos. (Imagem: Reprodução)

Quando os exércitos crescem, a quantidade de informações em SHOGUN 2 começa a ficar bem pesada. Preciso observar coisas posicionamento, munição, moral, habilidades, terreno, unidades inimigas, cavalaria tentando flanquear e tropas que resolveram perseguir alguém por conta própria. É uma verdadeira loucura! A Complete Edition até melhora os controles e inclui recursos modernos, como overlays e uma visão mais ampla do campo, mas, ainda assim, comandar grandes exércitos exige prática.

Aprimoramentos essenciais

A modernização visual é bastante competente em Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition. Aqui, não temos um jogo que parece ter sido criado do zero em 2026, mas essa edição trabalha muito bem em cima da fundação existente. Visualmente, foram aprimorados aspectos como iluminação, sombras, texturas e vegetação. Além disso, os mapas de batalha ganharam mais atmosfera e o mapa de campanha também está muito bonito.

A Complete Edition também inclui diversas correções e ajustes de qualidade de vida. Agora, a fadiga afeta atributos de combate da infantaria além da moral, algumas unidades específicas receberam ajustes providenciais, valores de movimento, recrutamento naval, visibilidade e outros sistemas foram revisados para melhorar a jogabilidade, problemas antigos envolvendo bônus que não funcionavam corretamente também foram corrigidos e por aí vai. Não são mudanças capazes de vender o jogo individualmente, mas que deixam a experiência bem mais agradável.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition review análise
Graficamente, o jogo teve boas melhorias. (Imagem: Reprodução)

Vale a pena jogar Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition?

Então… Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition continua sendo uma experiência de estratégia extremamente profunda, com maior mérito em sua detalhada campanha. Gerenciar economia, desenvolver cidades, construir alianças, preparar exércitos e decidir quando atacar forma um ciclo muito satisfatório, porém extremamente difícil e lento, algo que pode cansar vários jogadores. O jogo me puniu várias vezes, é verdade, mas quase sempre consegui identificar o erro, algo que mostra que o sistema de jogo é bem feito.

As melhorias desta edição também merecem ser vistas como algo essencial. Mais clãs jogáveis ampliam a rejogabilidade, o visual está muito melhor, interface, acessibilidade e qualidade de vida também receberam atenção. Maaaas… tem também o lado ruim. As batalhas em tempo real continuam exigindo bastante e podem se tornar cansativas em confrontos muito grandes, alguns controles são imprecisos e frustrantes, certas habilidades dependem demais dos generais e apesar das melhorias visuais, ainda é possível perceber que ainda existe um jogo de 2011 aqui. Mas NADA disso destrói a experiência.

Considero Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition uma excelente forma de conhecer ou revisitar um dos capítulos mais importantes da série, tido até como o melhor por alguns fãs em fóruns como o Reddit. É um jogo enorme, inteligente e cheio de sistemas que se conectam de maneira impressionante. Para quem gosta principalmente de estratégia de campanha, há muito aqui para amar. Agora, para quem espera lutar apenas, até temos modos que reproduzem batalhas históricas, mas ainda assim exige muito do jogador. Com isso, a experiência em Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition pode ser muito diferente para cada pessoa.

*Review elaborada em um PC equipado com uma RTX com código fornecido pela SEGA.

Total War: SHOGUN 2 – Complete Edition

BRL 164,90
8

História

8.6/10

Jogabilidade

8.0/10

Gráficos e sons

8.4/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Campanha profunda e extremamente rejogável, com mais de 50 facções
  • Direção de arte continua belíssima
  • Diversas melhorias de qualidade de vida
  • Modernização visual mantém a essência do original
  • Jogo legendado para português brasileiro

Contras

  • Controle de muitas unidades exige bastante prática
  • Novos jogadores podem levar bastante tempo para dominar todos os sistemas
  • Ainda é possível perceber limitações herdadas da versão original

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.