Well Dweller | Review
Well Dweller é um metroidvania, o gênero mais querido por todos, desenvolvido por Kyle Thompson e publicado por Kyle Thompson, Top Hat Studios, Inc. e Doyoyo Games,. Nele, controlamos um adorável e corajoso corvinho que precisa enfrentar diversos perigos e tretas para poder salvar sua família corvinal da morte certa.
Que treta, nao é mesmo? Mas, será que vale a pena encarar essa jornada? É o que descobriremos agora, em mais uma análise caprichada do Pizza Fria!
No fundo do poço
Olá novamente, seres maravilhosos e assustadoramente fabulosas que habitam estes lados da internet. Nos reunimos hoje, neste que pode ser conhecido como o site mais rock and roll das webs, para falar sobre um joguinho que promete entregar uma experiência curiosa em um dos gêneros mais incríveis já pensados pela humanidade. Na minha opinião, ao menos.
E qual é esse gênero? Oras, vozes da minha cabeça, que pergunta besta! Mas é claro que são os metroidvanias! E o jogo, neste caso, é um tal de Well Dweller, que promete entregar uma aventura melancólica, com pegadas de contos de fadas e uma experiência tão agradável quanto bonita. Aspirações louváveis, não é mesmo?
Mas, será que o jogo deu bom mesmo? Eu fico hypado horrores com facilidade, ainda que sempre o faça com o pequeno medo de me decepcionar no final. Costuma ocorrer vez ou outra (tal é a sina da vida, infelizmente), mas tive a forte impressão de que este não era o caso. Mas, será que pensei certo? É o que vou contar para vocês agorinha.

História
A história de Well Dweller se passa em um reino que já foi mágico um dia, mas que agora se encontra em uma situação terrível de fome, violência e tristeza. E a razão disso tudo? Uma rainha malvada que, além de ser horrível de conviver, tem um interesse absurdo em matar e coletar asas de aves. Espécie da qual, infelizmente, faz parte nosso valente herói Glimmer.
Um dia após voltar de uma aventura em busca de comida (que nos mostra o início do jogo e suas mecânicas), Glimmer vê sua família inteira ser capturada por um caçador e levada para o castelo. Sendo a única esperança restante, nosso herói se arma de um palitinho de fósforos, coragem e um sonho, e sai disparado atrás do sequestrador de seus entes tão queridos.
A narrativa de Well Dweller é relativamente simples e direta, mas a verdadeira riqueza vem de seus personagens (a maioria fofos e estranhos) e da maneira que o mundo é construído. Eu fiquei muito envolvido, e por vezes realmente me senti como se estivesse vendo um conto de fadas se desenrolando na telinha do meu Switch.
Além disso, alguns colecionáveis contam pequenas narrativas que casam muito com a proposta do título, e fazem com que procurá-los seja algo realmente recompensador. Eu fiquei alucinado procurando em cada cantinho do mapa, e fui muito bem recompensado com uma série de contos que, ainda que sejam curtos, valem cada centímetro explorado para os conseguir.

Jogabilidade
Em essência, Well Dweller é um metroidvania em 2D no qual exploramos um mapa extenso, com muitas partes bloqueadas inicialmente, enquanto derrotamos inimigos, encontramos segredos e deixamos nosso personagem mais forte com habilidades adicionais (que aumentam as possibilidades de movimentação) e nos fortalecemos com equipáveis.
Comecemos apenas com as incríveis de correr para frente, pular e dar palitadas com nosso fósforo (fosforadas?), as eventualmente vamos começando a fazer algumas coisas mais maneiras como usar ele para nos lançar mais para o alto, subir em paredes (com limite de fôlego), planar e outras coisas do tipo. São boas habilidades distribuídas pelo mapa e que nos dão um bom motivo para revisitar zonas já liberadas em busca de coisas novas.
Em se tratando de combate, Well Dweller é focado basicamente no uso do fósforo para estalar o coco de geral e bombas de fogo que podemos jogar para frente ou acertar com nossa arma, fazendo com que consigam ir mais longe. Temos algumas opções que vão se abrindo, além de uma esquiva marota, mas a fórmula é mais ou menos essa.
Eu diria que essa è a parte mais frágil do conjunto que, embora não seja ruim nem nada (em muito favorecido pelos controles precisos do título) carece de um tempero a mais para fazer com que seja algo realmente desafiador. Já os chefes, contudo, são bem legais de enfrentar e sempre trazem alguma mecânica diferente para nos fazer provar que sacamos as mecânicas do jogo.

Em se tratando de exploração, Well Dweller já se sai muito melhor. Ainda que pareça simples no começo, as diferentes habilidades que encontramos ao longo da jornada nos permitem encarar alguns desafios bem maneiros, com diversas etapas diferentes e que exigem pensamento rápido por parte do jogador. Ainda que não sejam muito difíceis, eles são bem legais de encarar.
Outros, ligados aos diversos colecionáveis, realmente nos desafiam de uma maneira mais intensa, porém justa. O título conta com controles bem precisos e responsivos, o que garante que a maioria das mortes vai ocorrer por alguma bizonhice nossa e não por conta de alguma falha ou outra coisa frustrante do tipo.
O único negativo, que vejo nesse aspecto, contudo, é a maneira de recuperar vida. Ela é um mini-minigame que nos faz precisar apertar o botão na hora exata para curar (tipo como é carregar armas em Gears of War) e ganhar um buff de dano. Na teoria é maneiro, mas admito que fiquei meio bolado de ter que ficar vendo isso enquanto um monstro cospia um enxame de marimbondos na minha cara.

Em se tratando de exploração, Well Dweller é bem aberto e nos deixar tomar uma série de caminhos diferentes. Ainda que seja possível ver para onde temos que ir (pagando com recursos ganhos ao derrotar inimigos), é perfeitamente possível ir explorando organicamente até encontrarmos a entrada que precisamos tomar.
E explorar realmente paga o tempo gasto porque, além das historinhas que achamos, podemos encontrar uma série de trinkets (equipáveis que nos dão uma série de vantagens), itens que aumentam o limite de deles, selos para melhoria desses equipamentos, espíritos que nos dão mais dinheiro pra gastar, e por aí vai.
Isso tudo faz com que zanzar por aí seja, de longe, um dos maiores fortes da experiência Well Dweller, além de ser parte integral do que precisamos para ter um vania de qualidade. Eu realmente me agradei, e acredito que temos algo muito bom aqui.

Sons e visuais
O departamento visual, sem dúvidas, foi o que mais me agradou em Well Dweller. O jogo é muito colorido, lindo de ver e com uma animação fenomenal. Além disso, temos uma boa variedade na aparência dos inimigos e chefes bem criativos, com personagens fofinhos para balancear.
Além disso, os cenários são construídos de uma forma que, além de encher os olhos, também conta a história do jogo. Os locais desolados, esqueletos por toda parte (que os personagens inocentes acham que são tocas ou casas), ruínas, enfim. O mundo vive, e isso nos é passado claramente. Não é algo trivial, ainda mais em jogos feitos por salas como os deste gênero.
A trilha sonora de Well Dweller faz o mesmo papel, gerando uma melancolia quase constante com algumas trilhas que nos deixam mais esperançosos em alguns momentos (como nas tendas onde salvamos o jogo) e animados, como nos combates com chefes. Tudo é muito feito, e agrada demais. Ah, e temos nossas legendas!

Vale a pena jogar Well Dweller ?
Well Dweller, minha gente, realmente foi uma doce surpresa nesse mar de mesmice que é a vida do ser humano moderno no ano corrente. Fiquei contente com tudo que vi, e acredito que o visual realmente consegue ajudar o título a se destacar na multidão, em um gênero que está ficando cada dia mais abarrotado de opções.
O jogo conta com uma jogabilidade acertada e precisa, com desafio na medida certa, colecionáveis bem legais de encontrar, personagens bem maneiros e um visual simplesmente espetacular. Acredito que o combate poderia ser um pouco mais variado, e curar menos trabalhoso, mas isso acabam sendo pequenas coisas no grande esquema das coisas.
Sendo assim, digo feliz que Well Dweller me entregou o que eu esperava, e até mais. Considero ele como um dos melhores metroidvanias que joguei esse ano, e acredito que seja uma boa pedida tanto para quem curte muito quanto para quem ainda quer conhecer. Podem ir sem medo, que não vão se decepcionar.
Well Dweller chega nesta terça-feira, 22 de setembro, para Nintendo Switch, PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Top Hat Studios.
Well Dweller
BRL 59,99Prós
- Personagens fofos e cativantes
- Visual belo e melancólico, muito bem construído e animado
- Boas seções de plataforma, com controles precisos
- Colecionáveis que valem a pena encontrar, como as páginas de livros
- Legendado em português brasileiro
Contras
- Combate poderia ser mais bem desenvolvido e elaborado
- Curar pode ser frustrante quando estamos em momentos mais caóticos




