The Walking Dead: Streets of Survival | Review

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Sou um dos poucos guerreiros que ainda se mantêm firmes no universo de The Walking Dead fora dos gibis. Qualquer migalha de conteúdo que surge nessa empreitada multimídia da AMC, eu pelo menos tento conferir em algum nível.

E, dessa vez, me deparei com The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ‘em up que mistura sprites de personagens em 2D com cenários em 3D. Ambientado em um momento bem específico da linha do tempo de The Walking Dead, o jogo consegue prender a atenção de um fã do início ao fim? E quem só está interessado em uma boa briga de rua, encontra aqui algo que vale a pena? Vamos conferir em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!

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No fim da Guerra Total

Estamos ambientados nos momentos finais da saga de Negan, mais precisamente a partir do episódio 8 da oitava temporada. Rick, Daryl e Michonne se preparam para acabar com os Salvadores de uma vez por todas.

O título passa por esses eventos de maneira bastante superficial. Com exceção de Jadis e Simon, nenhum outro personagem tem participação direta além de algumas menções. Como acontece com boa parte dos beat ‘em ups, The Walking Dead: Streets of Survival vai direto ao ponto. As poucas falas, apresentadas apenas em texto, servem para recriar, uma a uma, algumas das conversas vistas nesses episódios.

Assim como nessa etapa da série de televisão, existe aqui uma sensação de prolongamento dos acontecimentos sem grandes justificativas ou recompensas narrativas realmente interessantes. Em vários momentos, fiquei imaginando como seria mais interessante se o game mantivesse essa estrutura episódica nas missões, mas revisitasse outros segmentos de ação da série. A fazenda de Hershel, a prisão, Terminus e o icônico confronto contra os zumbis em Alexandria durante “No Way Out” seriam ótimos exemplos.

The Walking Dead: Streets of Survival
As missões podem ser jogadas na ordem que o jogador desejar. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

The Walking Dead: Streets of Survival encontra seu maior obstáculo justamente nesse aspecto: atrair e manter jogadores interessados em um período da série que não está entre os mais queridos por fãs e espectadores casuais. Ainda assim, mesmo limitado a esse pequeno e importante trecho da história, o jogo se sai bem quando o assunto é jogabilidade.

São sete fases ao todo, todas muito bem preenchidas. Isso, inclusive, foi uma grata surpresa. Há uma boa quantidade de chefes, que interagem de maneiras interessantes com os cenários, criando obstáculos, pisos eletrificados e outros momentos próprios durante os confrontos.

Os níveis também recebem bastante atenção em seu conteúdo. Há portas que exigem senhas, caminhos secretos e colecionáveis que fazem referência a personagens e acontecimentos anteriores desse universo. Ainda assim, gostaria de destacar que esses itens, assim como a própria premissa do game, poderiam explorar melhor momentos marcantes da série. Alguns são retirados diretamente do seriado, enquanto outros acabam sendo objetos genéricos de um apocalipse zumbi.

The Walking Dead: Streets of Survival
Puzzles, backtracking e objetivos opcionais são frequentes. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

Jogabilidade que se esforça para manter consistência

Controlamos as três estrelas da AMC: Daryl, Rick e Michonne. Cada um possui ataques padrão, esquiva e uma arma exclusiva, além de maior eficiência em determinado estilo de combate.

Michonne possui o maior alcance e velocidade nos ataques corpo a corpo, mas é incapaz de pegar armas desse tipo espalhadas pelo cenário. Rick é praticamente o oposto: seus golpes físicos cobrem uma área bem menor, compensada pelo dano elevado com armas de fogo, especialmente com seu clássico revólver. Daryl fica no meio-termo entre os dois, usando sua besta, que oferece bom alcance, mas conta com poucas munições e uma cadência limitada.

Após completar The Walking Dead: Streets of Survival, todas as missões ficam disponíveis para serem jogadas com qualquer personagem, e Negan também é desbloqueado. Achei desnecessária, porém, a decisão de oferecer o modo Sobrevivência separado da campanha como DLC. Ele funciona como uma arena mesclada a um Boss Rush e realmente testa a habilidade do jogador. A ausência desse modo no jogo base já no lançamento deixa o conteúdo pós-gamerelativamente raso.

The Walking Dead: Streets of Survival
Algumas liberdades poéticas dão as caras. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

As características de cada personagem, somadas à escassez de recursos, formam um bom desafio. Em diversos momentos, é realmente necessário pensar bem antes de gastar munição e prestar atenção às interações com o cenário em busca de novas armas e kits de cura. Os inimigos humanos seguem arquétipos bastante tradicionais do gênero.

Há o veloz com pouca vida, o lento e resistente, aquele que causa mais dano e por aí vai. Basta bater o olho para entender como cada um funciona. Gostei especialmente do recurso visual usado para indicar quando os inimigos estão prestes a disparar suas armas: eles brilham em dourado alguns instantes antes do tiro, dando ao jogador tempo para se preparar.

Os zumbis não possuem a mesma variedade dos humanos e, na prática, diferenciam-se principalmente pela quantidade de vida. O elemento mais interessante aparece na possibilidade de usar os mortos-vivos contra outros inimigos. Em diversos momentos, podemos libertá-los ou atraí-los de um cômodo para outro para distrair grupos de humanos, seja abrindo uma porta, seja manipulando sua movimentação pelo cenário. Essa estratégia se mostra útil em várias situações. O mesmo não pode ser dito do comando de se agachar e das tentativas de manter uma abordagem furtiva.

The Walking Dead: Streets of Survival
As boss fights são o maior e melhor desafio de The Walking Dead: Streets of Survival. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

O campo de visão dos inimigos não é nem um pouco claro. Mesmo sendo possível atravessar alguns trechos sem eliminar adversários, a furtividade é uma mecânica pouco confiável. Algumas vezes, fui alvejado por inimigos que nem sequer estavam na tela.

O problema também aparece durante os confrontos. Inimigos posicionados em outras salas conseguem enxergar e atingir o jogador, enquanto minhas armas nem sempre travavam a mira neles. Isso cria situações em que o adversário consegue atacar antes mesmo de eu ter condições adequadas para responder.

Um último incômodo na jogabilidade está na velocidade de reação dos inimigos enquanto corremos. Simplesmente passar a uma distância razoável de zumbis ou humanos faz com que eles reajam imediatamente com um golpe capaz de derrubar o personagem. Isso praticamente inutiliza o ataque durante a corrida.

Vários segmentos de fuga, ironicamente, funcionam melhor quando avançamos caminhando e usando esquivas, já que o próprio jogo acaba punindo a tentativa de correr.

The Walking Dead: Streets of Survival
O modo Horda é ainda mais frenético e desafiador. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

Visuais e trilha sonora

A música e a sonoridade, no geral, foram uma grata surpresa. Inspirada nos temas mais voltados à ação compostos por Bear McCreary para a série, a trilha traz músicas cheias de energia e bastante cativantes. Vale mencionar que o jogo, como um todo, não possui aquela atmosfera crua e sombria tão característica de The Walking Dead. Ainda assim, a direção sonora foi bem ajustada para uma experiência mais objetiva e carregada de ação.

Os temas de cada fase acabam se tornando um pouco repetitivos ao longo das missões, mas recuperam uma energia agradável durante as batalhas contra chefes. O jogo também conta com legendas em português, o que facilita bastante o acompanhamento das poucas conversas e informações apresentadas ao longo da campanha.

Visualmente, The Walking Dead: Streets of Survival aposta em uma abordagem minimalista e cumpre bem seu papel. As animações em pixel art são bem trabalhadas nos protagonistas, inimigos e, principalmente, nos chefes, que aproveitam melhor a paleta de cores e os diferentes adereços em seus visuais.

Como ponto negativo, achei os retratos dos personagens um pouco destoantes tanto dos cenários quanto dos NPCs. Como aparecem poucas vezes, porém, isso não chega a causar uma distração constante.

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O Santuário é a principal localidade que visitamos. (Imagem: Captura de Tela/Higor Neto/Pizza Fria)

Vale a pena jogar The Walking Dead: Streets of Survival?

The Walking Dead: Streets of Survival mantém um nível de qualidade competente durante toda a experiência. Não possui nenhum grande acerto, mas também não comete erros graves, apesar de algumas frustrações envolvendo as hitboxes dos inimigos e do próprio jogador.

O título apresenta fases bem preenchidas, com pequenos puzzles e um backtracking funcional. O combate com armas brancas e de fogo é fluido, dinâmico e recompensador. Os chefes oferecem um bom desafio e conseguem ser variados, mesmo com mecânicas relativamente simples.

O período escolhido para ambientar a história pode afastar alguns jogadores e acaba limitando um pouco o próprio conceito do jogo. O universo de The Walking Dead poderia ter sido melhor explorado tanto nos cenários quanto nos colecionáveis, o que tornaria a experiência mais interessante para os fãs.

Como não visitamos locais realmente icônicos da franquia, a sensação de oportunidade perdida aparece com frequência. Ainda assim, isso não compromete a qualidade do produto. Streets of Survival é uma experiência sólida, que entrega bem suas três a quatro horas de duração, principalmente considerando seu preço acessível.

A recomendação acaba ficando concentrada em um público bastante específico: fãs de longa data de The Walking Dead que gostam de ter em sua biblioteca e coleção pessoal diferentes produtos relacionados à obra de Robert Kirkman.

The Walking Dead: Streets of Survival será lançado em 18 de setembro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela TRAILMARK Games.

The Walking Dead: Streets of Survival

BRL 119,00
6.9

Gameplay

7.5/10

Gráficos e Sons

7.5/10

Fator Replay

6.5/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Bom aproveitamento do Level Design com puzzles e coletáveis
  • Boa variedade de inimigos e chefes
  • Legendado em PT-BR

Contras

  • Sem coop local ou online
  • Hitbox frustantes
  • Mecânica de furtividade mal implementada