Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- | Review

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Mesmo tendo uma longa relação com a franquia Dragon Quest, confesso que Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- conseguiu me pegar de surpresa. Já joguei diversos títulos da série, incluindo alguns dos mais antigos, mas nunca havia ouvido falar desta aventura estrelada pelo comerciante de Dragon Quest IV. Há uma boa explicação para isso: lançado originalmente em 1993 para o Super Nintendo, o jogo permaneceu restrito ao Japão por mais de três décadas.

Isso, por si só, torna Classic HD um lançamento interessante. Mais do que recuperar um jogo antigo, a Square Enix finalmente disponibiliza oficialmente no Ocidente uma peça importante da história dos roguelikes japoneses e o primeiro título da série (ou franquia?) Mystery Dungeon. A questão é que, ao mesmo tempo em que sua estrutura continua funcionando, esta versão também deixa bastante claro que estamos diante de um produto concebido há mais de 30 anos. Então vem comigo para mais uma review do Pizza Fria e descubra se a primeira aventura de Torneko pelas Mystery Dungeons ainda vale a pena em 2026.

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Um comerciante em busca de tesouros

Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- se passa depois dos acontecimentos de Dragon Quest IV e acompanha Torneko, que sonha em se tornar o maior comerciante de armas do mundo. Ao ouvir rumores sobre uma misteriosa masmorra repleta de tesouros, ele decide partir em busca de riquezas que possam ajudá-lo a desenvolver sua loja.

E é basicamente isso. A narrativa funciona muito mais como justificativa para colocar Torneko dentro das dungeons do que como um elemento central da experiência. O verdadeiro progresso acontece entre as expedições: os itens e riquezas recuperados ajudam a expandir a loja, enquanto novas incursões abrem caminho para desafios cada vez maiores.

Curiosamente, essa estrutura me fez lembrar bastante de Moonlighter. A comparação vem do ciclo entre explorar dungeons e usar aquilo que conseguimos trazer de volta para desenvolver a loja. Os itens recuperados por Torneko podem ser vendidos por sua esposa, e o dinheiro obtido ajuda a expandir o estabelecimento, liberando novas possibilidades conforme avançamos. A diferença é que aqui não existe propriamente uma gestão comercial: não escolhemos preços, não organizamos vendas e nem atendemos clientes. Essa parte acontece de forma automática, funcionando muito mais como uma recompensa pelas expedições. Ainda assim, é curioso perceber que Torneko já trabalhava com essa relação entre dungeon e crescimento da loja em 1993, cerca de 25 anos antes de Moonlighter.

Dragon Quest Heroes Torneko s Mystery Dungeon -Classic HD- 1
Imagem: Divulgação

Um roguelike bem diferente dos atuais

Quando pensamos em roguelikes hoje, é fácil lembrar imediatamente de jogos como Hades e de experiências muito mais rápidas e baseadas em ação. Torneko segue outro caminho. Apesar de controlarmos o personagem livremente pelo cenário, toda a estrutura funciona em turnos: cada passo dado por Torneko representa também uma oportunidade para os monstros se movimentarem.

E sobreviver não depende apenas de administrar o HP. Torneko também possui um medidor de saciedade, que diminui conforme avançamos pela dungeon e precisa ser recuperado com alimentos encontrados durante a exploração. Como o objetivo é justamente descer cada vez mais fundo, reunir itens e voltar com riquezas para a loja, é preciso equilibrar o que carregamos, os recursos que gastamos e até por quanto tempo ainda conseguimos permanecer naquele lugar antes que a fome se torne mais um problema.

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Imagem: Divulgação

Isso muda completamente a maneira de encarar as dungeons. Até mesmo fugir de um inimigo exige planejamento, porque não existe simplesmente correr para longe dele. Cada casa avançada, cada mudança de direção e cada ataque fazem o mundo responder. Se dois monstros estão se aproximando por lados diferentes, por exemplo, encontrar o melhor caminho pode ser mais importante do que partir diretamente para o combate.

As dungeons são geradas novamente a cada entrada, com posicionamento diferente de salas, corredores, inimigos e itens. Torneko também retorna ao nível 1 a cada nova expedição, e uma derrota pode significar perder aquilo que estava carregando. Em compensação, conseguir retornar com itens permite desenvolver a loja e cria uma pequena sensação de progresso permanente entre as tentativas.

Dragon Quest Heroes Torneko s Mystery Dungeon -Classic HD- 3
Imagem: Divulgação

É justamente aí que o jogo começa a funcionar melhor. No início, ele pode parecer excessivamente simples e até um pouco hostil, mas aprender como os monstros se comportam, quais itens carregar e quando simplesmente evitar um confronto faz parte da experiência. Classic HD ainda oferece ajustes de dificuldade que permitem alterar alguns elementos da dungeon, amenizando parte dessa dureza para quem quiser uma experiência menos próxima do equilíbrio original.

É evidente que estamos falando de uma estrutura concebida em 1993, e isso aparece tanto no ritmo quanto na forma como Torneko se movimenta pelas dungeons. Ainda assim, pessoalmente, não me incomodei com a sensação mais rígida dos comandos. O próprio sistema de turnos faz com que esse ritmo mais cadenciado tenha sentido, já que a graça está justamente em parar, observar a situação e pensar no próximo movimento, em vez de exigir a velocidade de um roguelike moderno.

Mais Classic do que HD

O nome Classic HD talvez gere uma expectativa maior do que aquilo que efetivamente encontramos. Houve um trabalho visual principalmente dentro das dungeons, que agora apresentam cenários um pouco mais modernos ao redor dos personagens, mas ainda é muito fácil perceber as origens do jogo.

Isso não significa que seja desagradável visualmente. Pelo contrário, há o charme característico de Dragon Quest, seus monstros conhecidos e uma apresentação bastante limpa. No PC, joguei em 4K sem qualquer problema, enquanto no Steam Deck o desempenho também foi excelente. Não é exatamente um jogo capaz de desafiar qualquer hardware atual, mas pelo menos a conversão se comportou perfeitamente nos equipamentos que utilizei.

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Imagem: Divulgação

Sonoramente, a situação é semelhante. As músicas e efeitos cumprem bem seu papel e carregam aquela identidade imediatamente reconhecível da franquia, mas estamos diante de um produto bastante simples nesse aspecto. Não há aqui uma grande reconstrução audiovisual que faça o clássico parecer uma produção moderna.

O que considero mais decepcionante é a localização. Classic HD finalmente permitiu que o jogo saísse oficialmente do Japão, mas fez isso oferecendo somente japonês e inglês. Não ter textos em português é uma oportunidade perdida, especialmente em um jogo no qual entender rapidamente descrições de itens e mensagens é importante.

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Imagem: Divulgação

Vale a pena comprar Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD-?

Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é um jogo divertido e, principalmente, curioso. Mesmo não sendo um grande fã de roguelikes, consegui entender rapidamente o que tornou sua fórmula tão interessante e por que Mystery Dungeon continuou existindo durante tantas décadas. Há bastante satisfação em sobreviver a uma expedição complicada e voltar para casa carregando os resultados daquela aventura.

Ao mesmo tempo, Classic HD nunca deixa de parecer um jogo de 1993 recebendo uma nova apresentação. Não vejo isso necessariamente como um problema, mas é algo que precisa ser considerado antes da compra. Sua simplicidade faz parte do charme, assim como sua dificuldade e sua estrutura repetitiva fazem parte do pacote.

O maior obstáculo, para mim, é o preço. Custando a partir de R$ 119,90, considero difícil recomendar o jogo para quem simplesmente está procurando um novo roguelike para jogar. Há experiências modernas muito mais completas disponíveis nessa faixa, enquanto Torneko funciona melhor como uma oportunidade de conhecer uma parte importante da história do gênero e da própria franquia Dragon Quest.

Em uma promoção, a conversa muda bastante. Para fãs de Dragon Quest, entusiastas de roguelikes ou jogadores interessados nas origens de Mystery Dungeon, há uma aventura bastante simpática escondida aqui. Para todos os demais, considero mais sensato esperar que Torneko coloque seus produtos em liquidação.

Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- foi lançado no ocidente no dia 9 de setembro de 2026 para PlayStation 5, PC, via Steam, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Square Enix.

Dragon Quest Heroes: Torneko's Mystery Dungeon -Classic HD-

BRL 119,90
6.5

Gameplay

7.5/10

Gráficos e Sons

6.0/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Sistema de turnos torna cada movimento mais estratégico
  • Gestão de HP, saciedade e recursos dá profundidade às expedições
  • Loop de explorar dungeons e desenvolver a loja continua divertido
  • Boa oportunidade de conhecer um capítulo até então restrito ao Japão

Contras

  • Estrutura claramente datada em vários aspectos
  • Trabalho de remasterização é bastante conservador
  • Sem localização em português
  • Preço é alto para o conteúdo oferecido

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.