TOEM 2 | Review

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“Queria dizer aqui que é curto, mas na verdade queria mais TOEM.” Essa frase, deixada como contra na análise do primeiro jogo, virou profecia cumprida: agora tive mais TOEM, e já quero mais de novo.

TOEM 2 chega nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, para Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5 e PC, via Steam. Desenvolvido e publicado pela sueca Something We Made, o jogo custa R$ 73,99 nas plataformas Nintendo. Até o fechamento desta análise, ainda não consegui confirmar os valores para PlayStation 5 e PC. Joguei a versão final no Switch 2, e desta vez o jogo já chega traduzido ao português do Brasil desde o lançamento – o original só recebeu esse idioma tempos depois, numa atualização.

Se você quer saber logo se vale a pena: vale. O resto desta análise pro Pizza Fria explica os porquês.

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Uma manhã quase idêntica, com uma antena a mais

A sequência começa de um jeito familiar. Você acorda na casa da avó, a Nana, e ela te chama para assistir ao noticiário, hoje com um pato de língua presa cobrindo o evento da bétula contorcida. No meio da reportagem, o sinal da TV falha, e ela pede para você subir no telhado e consertar a antena. É nesse momento que você aprende os comandos básicos: a ovelhinha agora sobe escadas e pula, dois movimentos que não existiam no primeiro jogo e que abrem espaço para os desafios verticais que aparecem mais à frente.

A avó pede socorro com a antena, e a aventura começa exatamente como da primeira vez. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
A avó pede socorro com a antena, e a aventura começa exatamente como da primeira vez. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Com a antena consertada, a Nana avisa lá de baixo que a transmissão especial não foi perdida. A celebração gira em torno da última folha da bétula contorcida: quando ela cai, a árvore vira o toem, um espetáculo raro da natureza. A avó entrega então o equipamento da aventura, uma câmera vintage com zoom dinâmico, e manda você pegar o ônibus até a cidade vizinha, Plantânia, já que a passagem gratuita da sua vila, Homelanda, não vai além dali.

Antes mesmo de chegar ao quiosque de passagens, já tinha me distraído fotografando criaturas e procurando a vista especial da região, a foto de cartão-postal que cada área esconde. A trama funciona como pretexto para sair explorando, não como algo denso. É a proposta do jogo desde sempre: uma aventura sem estresse.

Antes mesmo do quiosque de passagens, já dá para se perder fotografando criaturas escondidas perto de casa. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
Antes mesmo do quiosque de passagens, já dá para se perder fotografando criaturas escondidas perto de casa. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Um mundo maior, mas mais linear

Essa mesma vontade de explorar sem pressa organiza o mapa inteiro. TOEM 2 divide o mundo em regiões no formato de maquete, cheias de portas e ramificações que escondem desafios diferentes. Depois do breve tutorial em Homelanda, você percorre três áreas maiores – Plantânia, Valenda e Deltasburgo – até o desfecho.

O sistema de progressão gira em torno de um cartão de embarque, preenchido com carimbos conforme você completa as tarefas dos moradores, fotografa todas as criaturas de uma região e registra a vista especial. Com o cartão cheio, o ônibus libera a próxima parada.

Uma mudança de design afeta diretamente como você percorre o mapa de TOEM 2: cada região se resolve numa única visita, sem a necessidade de voltar mais tarde para fechar pontas soltas. No primeiro jogo, era comum avançar sem completar 100% de uma área, ganhar uma habilidade adiante e só então retornar para terminar o que ficou pendente. Essa camada de idas e vindas desapareceu, e o ritmo ficou mais direto. Sinto falta da da sensação de descoberta em camadas que o primeiro TOEM oferecia, ainda que isso não comprometa a diversão.

Encontre vários chapéus e trajes durante a jornada. Usar terno pode ser essencial para fechar negócios, ou talvez você precise se vestir de princesa para convencer um espelho mágico. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
Encontre vários chapéus e trajes durante a jornada. Usar terno pode ser essencial para fechar negócios, ou talvez você precise se vestir de princesa para convencer um espelho mágico. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Jogabilidade: apontar, compor, revelar

O mapa reorganizado também muda a forma como você usa a câmera contra o cenário. A base de TOEM 2 repete o que fez o primeiro jogo funcionar tão bem: você puxa a câmera, busca a composição certa na tela e, na maioria das vezes, precisa aproximar com o zoom para acertar o quadro. Em vários momentos, também é possível forçar o foco e revelar detalhes escondidos aos olhos, como uma criatura camuflada atrás de uma moita ou um objeto parcialmente encoberto pela paisagem. É esse gesto – mirar, ajustar, revelar – que resolve a maior parte dos puzzles do jogo.

Levar o café sem derramar exige controlar a nova habilidade de pular em meio a alturas nada amigáveis. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
Levar o café sem derramar exige controlar a nova habilidade de pular em meio a alturas nada amigáveis. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

A sequência mantém essa espinha dorsal e soma duas novidades: a verticalidade dos cenários e a habilidade de pular. Antes, a ovelhinha se limitava a caminhar; agora, escaladas e saltos abrem ângulos de câmera que não existiam no original e ampliam o alcance da exploração, permitindo alcançar vistas e criaturas posicionadas em pontos mais altos do mapa.

A câmera continua fixa na altura dos olhos da protagonista, sem opção de abaixar ou inclinar. É uma limitação curiosa para um jogo de fotografia, mas combina com a simplicidade proposital do design.

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Ferramentas contextuais em vez de upgrades fixos

Dentro dessas limitações, é nas ferramentas que a câmera ganha variedade. Cada região introduz um recurso novo, mas ativá-lo depende de encontrar o contexto certo no cenário, não de simplesmente avançar na história. O exemplo mais claro é o martelo: aponte a câmera para um vaso de cerâmica e martele até quebrá-lo, num gesto que lembra os itens usados por Link em The Legend of Zelda.

Essa ferramenta resolve situações específicas, como um personagem com a cabeça presa num vaso de plantas, uma parede rachada prestes a desmoronar ou uma ponte que precisa ser reconstruída. É um sistema que recompensa observação: a solução geralmente está diante de você, faltando apenas o instrumento certo para agir sobre ela.

Essa lógica substitui o modelo do primeiro jogo, em que a câmera acumulava funções permanentes ao longo de toda a campanha, como o tripé e a buzina. Aqui, cada ferramenta pertence à região onde aparece, o que torna a progressão mais segmentada e também mais imediata: você aprende e aplica o recurso quase no mesmo instante. O tripé, aliás, desapareceu de vez: a câmera agora flutua como um drone. O rádio assumiu o papel de dar acesso às fitas cassete com a trilha sonora.

Os desafios ambientais também ganharam peso nesta sequência. Em Plantânia, um encanador entrega uma chave de fenda para ajustar o fluxo d’água, e em determinado ponto você encara uma parede inteira de canos emaranhados, decifrando o caminho certo com a câmera nas mãos.

A parede de canos emaranhados exige atenção e paciência para decifrar o fluxo correto da água. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
A parede de canos emaranhados exige atenção e paciência para decifrar o fluxo correto da água. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Boa parte das tarefas funciona como um bingo fotográfico: sem competição, já que não é um concurso, mas com uma cartela de objetivos preenchida à medida que você gasta o filme da câmera. Numa das missões, alguém quer prova visual da evolução de uma criatura cantora, e cabe a você registrar o girino, a larva e o estágio final.

Em outra, um robô de stand-up comedy trava numa piada, e uma foto de bicicleta ajuda a lembrar o final. Nem tudo se resolve com cliques: um café numa cobertura pede que você leve um copo sem derramar, subindo por alturas consideráveis até entregar a bebida a alguém que mal acordou. Ali, o salto e a verticalidade fazem o trabalho pesado.

Usei o modo selfie com mais frequência desta vez, brincando com as poses e expressões da ovelhinha. A dificuldade geral está mais baixa, ainda na medida certa para não frustrar, mas uma pitada extra de desafio teria caído bem. 

Algumas criaturas ficam muito escondidas no cenário de TOEM 2. (Imagem: Captura de tela no Nintendo Switch 2, Carlos Maestre)
Algumas criaturas ficam muito escondidas no cenário de TOEM 2. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Um elenco que carrega o humor do jogo

Toda essa engenharia de puzzles perderia força sem um elenco à altura. Os personagens sustentam o tom de TOEM 2 e dão a ele o ar de um livro de atividades bem-feito. Cavaleiros medievais, bardos, criaturas fantásticas, um mago ressentido, trabalhadores urbanos, capetinhas investidores, um robô comediante, um fazendeiro e uma jardineira compõem um elenco diverso, com diálogos leves e um humor que às vezes soa enigmático sem nunca ficar obscuro. Há momentos mais emotivos espalhados pelo caminho, principalmente perto do final, quando a sensação de recompensa vira algo próximo da alegria genuína.

Visual mais nítido, som que continua funcionando

A personalidade do título também aparece na forma como ele se apresenta visualmente: a paleta monocromática permanece, mas em resolução bem mais alta: acabaram as texturas borradas, especialmente visíveis nos personagens. Os cenários seguem blocados como dioramas, cheios de charme, e afastar ou aproximar a câmera com os gatilhos ajuda tanto a apreciar a direção de arte quanto a encontrar soluções escondidas.

A trilha sonora repete os mesmos compositores do original e mantém o nível: discreta, acolhedora, sempre alinhada ao clima relaxado da jornada.

A resolução mais alta deixa os personagens visivelmente mais nítidos do que no primeiro jogo.
(Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)
A resolução mais alta deixa os personagens visivelmente mais nítidos do que no primeiro jogo.
(Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Duração e pequenos tropeços

Agora, quanto tempo dura essa experiência e onde ela tropeça? Fechei o jogo 100% em 6 horas e 20 minutos, com direito a me perder atrás de duas criaturas específicas. Quem não busca completar tudo termina a aventura uma hora ou duas mais cedo. A sensação de “queria mais” foi saciada, mas continuo querendo mais TOEM: já estou na torcida por uma atualização gratuita com uma região extra, como aconteceu com o primeiro jogo. Terminei a sequência e logo recomecei o original do zero.

Um detalhe curioso: para localizar uma das criaturas, uma traça, troquei o idioma do jogo para o inglês, já que os nomes delas aparecem antes de você encontrá-las. Em inglês, o nome era bookworm, a famosa “traça de livro”, e fui direto a uma livraria, onde a encontrei. Era a última de que precisava para preencher o álbum e fui ajudado pela dica em inglês…

Esbarrei também num pequeno erro de tradução: “Cavaleiros pedidos” deveria ser “Cavaleiros perdidos”. São falhas pequenas, que não pesam no conjunto. No quesito técnico, TOEM 2 roda redondamente bem no Switch 2, sem quedas de desempenho em nenhum momento.

Uma foto de despedida no ponto de ônibus de todos os lugares para marcar a fase concluída. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)
Uma foto de despedida no ponto de ônibus de todos os lugares para marcar a fase concluída. (Captura de tela: Nintendo Switch 2/Pizza Fria/Carlos Maestre)

Vale a pena comprar TOEM 2?

TOEM 2 entrega exatamente o que promete: mais TOEM, com o mesmo carinho na escrita, o mesmo charme visual e algumas ideias novas que funcionam. A estrutura mais linear tira um pouco da riqueza exploratória que marcou o primeiro jogo, e a dificuldade mais baixa deixa uma lacuna para quem queria puzzles mais espinhosos. Nada disso compromete o conjunto: continua sendo um passeio fotográfico gostoso de fazer do início ao fim. Quanto a nota, achei por bem repetir os critérios avaliados em TOEM.

Fico pensando numa câmera que suba, desça, gire e incline, o próximo clique perfeito para a franquia. Recomendo muito a todos que jogaram TOEM e a todos que gostam de jogos leves, sem pressão e que pareçam uma espécie de “livro de atividades”. Por enquanto, o momento decisivo de TOEM 2 já está capturado, e ficou bonito. Muito bonito!

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Something We Made.

TOEM 2

BRL 73,99
8.8

Diversão

9.0/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Gameplay

9.0/10

Conteúdo

8.0/10

Prós

  • Visuais em resolução bem mais alta, especialmente nos personagens
  • Tradução em português do Brasil já no lançamento
  • Trilha sonora aconchegante, com os compositores do original
  • Ferramentas contextuais trazem variedade aos desafios do mapa
  • Elenco carismático, com humor bem calibrado

Contras

  • Estrutura mais linear reduz a riqueza exploratória do primeiro jogo
  • Dificuldade geral mais baixa do que a esperada

Carlos Maestre

Jornalista que mergulhou na pesquisa de acessibilidade digital graças à eterna necessidade de inverter o eixo Y - hábito cultivado desde GoldenEye 007. Cresceu com a Nintendo e já teve mais entusiasmo pela Microsoft; no fundo, ainda espera reencontrar a Rare de outros tempos. Entre caçadas por conquistas e sessões intermináveis de Stardew Valley, vive sob a ameaça de uma intervenção a qualquer momento por culpa de suas fazendas virtuais.