Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition | Review
Oito anos atrás, eu conheci um dos melhores JRPGs de sua geração. Desde então, Dragon Quest recebeu novos jogos e remakes, e aquele mesmo RPG ganhou uma edição definitiva, foi relançado em outras plataformas e, agora, encontra mais uma casa no Nintendo Switch 2.
É nesse contexto que Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition chega ao novo console da Nintendo. Não estamos diante de um remake, de uma remasterização profunda ou sequer de uma edição com conteúdo inédito. O jogo é essencialmente o mesmo que já estava disponível no primeiro Switch, agora com melhorias técnicas possibilitadas pelo novo hardware.
Como já havia concluído a aventura original e o conteúdo desta edição é o mesmo da versão S, lançada posteriormente, concentrei meu retorno em entender o que muda no Switch 2. A pergunta, portanto, não é exatamente se Dragon Quest XI ainda é bom. Isso eu já sabia. A verdadeira questão é outra: oito anos depois, vale a pena embarcar, ou reembarcar, nesta aventura? Vem comigo para mais uma review antecipada do Pizza Fria!
Uma jornada clássica, mas nem um pouco simples
Dragon Quest XI coloca o jogador no papel do Luminary, um jovem que descobre ser a reencarnação de um lendário herói destinado a proteger Erdrea. Naturalmente, comunicar isso ao rei local não sai como esperado. Em pouco tempo, nosso protagonista passa de possível salvador a ameaça ao reino e precisa fugir enquanto tenta descobrir o significado de sua existência.
Como manda uma das tradições da série, nosso herói é essencialmente silencioso. Ele possui vocalizações, mas não participa das conversas com diálogos falados convencionais. O mundo pode estar acabando, alguém pode revelar o maior segredo de sua vida e a reação dele continuará sendo, na maior parte das vezes, alguma expressão facial ou movimentos com as mãos. Faz parte do charme de Dragon Quest, embora às vezes continue involuntariamente engraçado.

Durante a viagem, o Luminary encontra personagens como Erik, Veronica, Serena e Sylvando, formando uma party que está facilmente entre os maiores méritos da aventura. O jogo sabe dedicar tempo a essas pessoas durante uma campanha gigantesca.
E gigantesca talvez ainda seja pouco. Dragon Quest XI é daqueles RPGs em que chegar aos créditos não significa necessariamente ter visto tudo que realmente importa. Sem spoilers, a narrativa brinca muito bem com as expectativas sobre onde sua história termina e ainda guarda muitas revelações quando tudo parece caminhar para uma conclusão. Isso me marcou em 2018 e continua funcionando em 2026.

Dragon Quest sendo Dragon Quest
Dragon Quest XI nunca teve vergonha de ser tradicional. Na verdade, boa parte de seu mérito está justamente nisso.
O combate é baseado em turnos, há cidades para explorar, equipamentos para comprar e fabricar, personagens que evoluem de nível e desbloqueiam habilidades, missões secundárias, monstros espalhados pelos mapas, chefes e, claro, diferentes slimes sorrindo enquanto você os massacra por alguns pontos de experiência.
Cada integrante da equipe possui atributos, armas e habilidades próprias, abrindo espaço para diferentes composições. Há ainda o sistema Pep, que fortalece temporariamente os personagens e libera golpes especiais em conjunto.

O jogo não reinventa batalhas por turnos, mas mantém a profundidade esperada de um JRPG. E, ao contrário da impressão que eu mesmo tinha antes de retornar ao jogo, Dragon Quest XI não é particularmente difícil em suas configurações normais. Quem procura algo mais punitivo pode recorrer às Draconian Quests, com condições como inimigos mais fortes e restrições à obtenção de experiência.
Também é possível utilizar um menu tático para deixar integrantes da equipe sob controle da inteligência artificial. Para controle manual, basta usar Follow Orders. Em batalhas simples ou durante momentos de grinding, automatizar algumas decisões poupa tempo.
O “S” ainda faz diferença
Quando Dragon Quest XI S apareceu no Nintendo Switch em 2019, trouxe mudanças que iam muito além da performance. Depois, essa mesma Definitive Edition chegou ao PlayStation 4, Xbox One e PC.
Uma das minhas adições favoritas é a possibilidade de acelerar as batalhas em duas ou quatro vezes. Pode parecer um detalhe pequeno, mas, em um RPG tão longo, faz uma diferença enorme. Está enfrentando pela vigésima vez um grupo de inimigos comuns? Acelere tudo, defina as táticas e siga a vida.

A Definitive Edition também permite experimentar toda a aventura em um modo 2D inspirado nos RPGs de 16 bits. E eu continuo achando isso simplesmente sensacional. Não é apenas um filtro pixelado, mas outra apresentação para a mesma jornada.
A edição S ainda adicionou histórias dedicadas à equipe, Tickington, trilha orquestrada, vozes em japonês, novos monstros montáveis e modo fotografia. A trilha combina muito melhor com a escala da aventura e as vozes cumprem bem seu papel. Infelizmente, mesmo tantos anos depois, português brasileiro continua fora da lista de idiomas. Para um RPG desse tamanho e tão dependente de texto, é uma ausência que merece ser mencionada.
Tudo isso ajudou a justificar o “Definitive Edition” quando a versão S apareceu. O problema é que nada disso é novo no Switch 2.

Bonito, fluido e… só?
No Nintendo Switch 2, a principal novidade está no desempenho. O jogo oferece dois modos de otimização: Graphics, a 1440p e 30 FPS, e Performance, a 1080p e 60 FPS. É possível alternar entre eles pelo menu de sistema durante a aventura, sem reiniciar o jogo. Depois de testar bastante os dois, tanto com o console conectado à TV quanto no modo portátil, minha escolha foi simples: Performance.
No modo Graphics há pequenos ganhos no acabamento de objetos, na textura da grama, em construções e elementos mais distantes. Durante o gameplay, porém, essas diferenças são discretas. Personagens e monstros continuam muito bonitos em Performance e, para mim, abrir mão de alguns detalhes é uma troca mais do que justa pelos 60 FPS.

No portátil isso fica ainda mais evidente. A tela do Switch 2 apresenta Dragon Quest XI S muito bem e combina perfeitamente com uma aventura desse tamanho.
Outro ganho bastante perceptível está nos carregamentos. Eles são extremamente rápidos e, em diversas transições, parecem praticamente instantâneos. Em uma aventura tão longa, isso melhora bastante o ritmo.
Há também uma diferença curiosa no tamanho das instalações. Mantendo as duas versões no meu próprio Switch 2, a edição original ocupa pouco menos de 14 GB, enquanto a versão nativa instalada no console chega a 23,1 GB. São aproximadamente 9 GB adicionais, embora esse aumento não se traduza em uma diferença visual proporcional.
Tecnicamente, portanto, esta é a melhor versão de Dragon Quest XI S no console da Nintendo. A questão é saber o quanto isso realmente importa.

Mas 30 ou 60 FPS fazem tanta diferença?
Eu joguei Dragon Quest XI originalmente a 30 FPS no PlayStation 4 e, oito anos depois, continuo achando que essa taxa funciona perfeitamente para o tipo de jogo que ele é. Estamos falando de um RPG baseado em turnos, no qual precisão de comandos e reflexos rápidos não são elementos centrais.
Isso não significa que os 60 FPS sejam irrelevantes. O jogo fica evidentemente mais fluido durante a exploração e ao movimentar a câmera, e basta alternar entre os modos para perceber isso. Só que Dragon Quest XI S continua bonito e perfeitamente agradável a 30 FPS.

Colocando também a versão original de Switch para rodar no próprio Switch 2, a semelhança visual é grande. Os carregamentos são mais demorados do que na edição nativa, mas ainda estamos falando essencialmente da mesma aventura.
No modo 2D, essa discussão perde ainda mais importância. Honestamente, não senti qualquer diferença relevante entre as duas versões. Para quem pretende jogar principalmente dessa maneira, um dos maiores ganhos técnicos da edição de Switch 2 praticamente deixa de ser argumento.
No fim, 60 FPS são melhores e eu prefiro jogar assim. Mas eles não transformam Dragon Quest XI em outro jogo nem corrigem uma experiência que funcionasse mal anteriormente.

E lá vamos nós começar tudo de novo
É justamente aqui que esta versão realmente me incomoda. Não existe um pacote de atualização da edição de Nintendo Switch para a versão de Switch 2. Mesmo quem já comprou Dragon Quest XI S anteriormente precisa adquirir este novo lançamento separadamente.
Isso já seria questionável considerando que não existe conteúdo novo, mas fica pior: os saves também não são compatíveis. Se você passou 60, 80 ou 100 horas explorando Erdrea no primeiro Switch e quer aproveitar os ganhos técnicos da nova versão, é preciso começar novamente.

E existe um curioso déjà vu nisso tudo. Quando Dragon Quest XI S chegou ao PlayStation 4, também foi comercializado como um produto separado do original. Naquela ocasião, ao menos havia um argumento muito mais convincente: a versão S trazia conteúdo adicional e diversas melhorias de qualidade de vida.
Agora, estamos diante de jogadores sendo convidados novamente a comprar outra cópia e recomeçar uma aventura gigantesca, desta vez essencialmente por 60 FPS, carregamentos melhores e pequenas melhorias gráficas. É difícil defender essa decisão.
Vale a pena comprar Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition?
O mais curioso é perceber que minha opinião sobre o jogo mudou muito menos do que eu imaginava depois de oito anos. Ele continua sendo um JRPG fantástico.
O estilo artístico de Akira Toriyama permanece imediatamente reconhecível, os personagens continuam carregando grande parte da aventura, o combate por turnos envelheceu muito bem e a maneira como Dragon Quest XI abraça características tradicionais do gênero sem parecer ultrapassado continua sendo um de seus maiores acertos.
Para quem nunca visitou Erdrea, a versão de Switch 2 oferece a melhor experiência técnica disponível em um console da Nintendo. Isso não significa, porém, que a edição do primeiro Switch tenha deixado de fazer sentido. Se você encontrá-la por um preço consideravelmente menor, ela continua sendo uma excelente opção: o jogo permanece bonito a 30 FPS e, em um RPG baseado em turnos, a diferença para 60 FPS está longe de ser indispensável.
Há ainda um detalhe que torna este relançamento mais difícil de defender. Os 60 FPS não são exatamente uma novidade para Dragon Quest XI S nos consoles. A Definitive Edition já rodava dessa forma no PlayStation 4 Pro e Xbox One X desde 2020 e também pode ser jogada a 60 FPS no PlayStation 5 e Xbox Series X por retrocompatibilidade.
Isso cria uma comparação bastante desconfortável. Quem comprou Dragon Quest XI S no PS4 pode usar aquela mesma versão no PS5 e aproveitar os 60 FPS. O mesmo acontece com quem possui o jogo no Xbox e migrou para um Series X. Não foi necessário comprar outra cópia apenas para ter acesso a essa melhoria técnica.
No Switch 2, entretanto, quem já possui exatamente a mesma Definitive Edition lançada para o primeiro Switch precisa comprar o jogo novamente para chegar aos 60 FPS. E, como se isso não bastasse, também não pode continuar utilizando o save anterior.
É aí que existe uma diferença enorme entre recomendar Dragon Quest XI S e recomendar que alguém compre Dragon Quest XI S novamente.
Os 60 FPS são ótimos, os carregamentos são muito melhores e a imagem recebe pequenos ganhos, mas nada disso muda a essência de uma aventura que já funcionava muito bem. Quando outras plataformas já oferecem essa mesma fluidez há anos sem exigir uma nova compra na mudança de geração, cobrar novamente dos proprietários de Switch, e ainda deixar o progresso para trás, torna a proposta desta versão muito menos atraente.
Oito anos atrás, considerei Dragon Quest XI uma experiência perfeita dentro da régua que utilizava naquele momento. Hoje, minha forma de analisar jogos mudou, a indústria mudou e meu repertório também é muito maior. Mas uma coisa permanece praticamente intacta: Dragon Quest XI continua sendo um RPG excepcional. Só gostaria que este relançamento para Nintendo Switch 2 tivesse recebido o mesmo cuidado que o jogo merece.
Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition chega nesta quinta-feira, 24 de setembro, ao Nintendo Switch 2, por R$ 199,50, disponível na Nintendo eShop. O jogo também está disponível para PlayStation 4, Xbox One, PC, via Steam, e Nintendo Switch. As versões de PlayStation 4 e Xbox One também podem ser jogadas nos consoles mais recentes por retrocompatibilidade, incluindo PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Square Enix.
Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition
BRL 199,50Prós
- História longa, envolvente e cheia de boas reviravoltas
- Excelente elenco de personagens
- Combate por turnos tradicional, mas muito bem executado
- Conteúdo da Definitive Edition segue muito robusto, com modo 2D, batalhas aceleradas e extras de história
- Versão de Switch 2 roda muito bem, com 60 FPS e carregamentos quase instantâneos
Contras
- Ausência de português brasileiro
- Não há upgrade para quem já possui a versão de Nintendo Switch
- Saves do Switch não são compatíveis com a versão de Switch 2



