KINGDOM HEARTS Collection [I~III] | Review

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KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é uma coletânea de jogos da série Kingdom Hearts, famosos por suas histórias malucas e jogabilidade divertida e frenética, desenvolvidos e publicados pela Square Enix. Neles, acompanhamos a aventura de Sora, Pateta e Donald enquanto lutam contra os terríveis e maléficos heartless, que querem devorar o coração de todas a pessoas. Que horror!

Mas, e aí. Será que vale a pena acompanhar, novamente, essa longa, longa jornada? É o que saberemos agora, em mais uma análise fabulosa do Pizza Fria.

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Todos os corações

Saudações, mestres e mestras da keyblade que tanto conheço (só de vista) e tanto aprecio. Estamos reunidos novamente, neste que pode até ser conhecido como o site mais mágico e sonhador deste lado das galáxias, para falar de uma série curiosa que conseguiu juntar o povo da Square Enix com o da Disney. Que doideira, não é mesmo?

Eu cá tenho uma longa história com a série, jogando todos os títulos originais no PS2 e, até, alguns dos portáteis. Por isso, fiquei interessado quando vi o anúncio de KINGDOM HEARTS Collection [I~III] para o Switch 2. Já tínhamos os jogos para a versão anterior do console e, pensava eu, isso poderia significar novidades! Não havia momento melhor, então para revisitar essas aventuras. Certo?

Bom, é isso que vamos ver hoje. Como esses jogos já foram lançados e relançados diversas vezes, me focarei mais em comentar sobre a pegada geral do conteúdo, as coisas específicas dessa versão e o valor geral do pacote, tendo em vista o que já existia para o Switch 1. Preparados?

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Hora de reunir a galera novamente. (Imagem: Divulgação)

História

KINGDOM HEARTS Collection [I~III] nos coloca na pele de Sora, um garoto apreciador de cintos e sapatos gigantes que acaba escolhido pela Keyblade (uma espada engraçada em formato de chave), e que de uma hora para outra se vê longe de casa e separado dos amigos. Que fase, minha gente. Que fase.

A treta começa quando os Heartless, umas criaturas feitas de escuridão que adoram engolir corações e mundos inteiros, aparecem causando o caos. No meio dessa bagunça, Sora se junta ao Pato Donald e ao Pateta, que estão atrás do Rei Mickey, e o trio sai zanzando de mundo em mundo, passando por lugares de várias animações da Disney enquanto interagem com os personagens das duas franquias e tentam dar um jeito nesse problema todo.

Só que, como toda desgraça pouca é bobagem, a coisa não para por aí. Conforme os jogos avançam, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] vai deixando a caça aos bichinhos das sombras de lado e entrando em temas bem mais cabulosos, com memórias perdidas e embaralhadas, organizações sombrias com planos nada amigáveis, personagens buscando redenção e por aí vai.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Trio parada dura. (Imagem: Divulgação)

Admito que a narrativa de KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é bem grande e um tanto quanto confusa, daquelas que fazem a gente parar de vez em quando para lembrar quem é quem e o que exatamente está acontecendo. Contudo, ela diverte, e é cheia de referências e agrados para os fãs das animações da Disney e dos jogos da Square Enix, o que torna bem legal ver personagens de universos tão diferentes dividindo a tela.

Inclusive, existem materiais de apoio feitos por fãs que nos ajudam a compreender parte dos rolos e doideiras da franquia, principalmente quando as ramificações dos diversos acontecimentos dos jogos e dramas começam a se interconectar. É uma parada doida, mas que acaba nos capturando com uma certa facilidade. Ao menos sempre assim foi comigo.

Ainda assim, a pegada mais leve e infantil pode desagradar alguns jogadores acostumados com RPGs mais adultos, como Final Fantasy XVI da própria Square Enix e seu Clive amargurado ou os dilemas do menino Cloud (que segue triste e deprimido também em Kingdom Hearts). Mas, ao menos pra mim, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] tem o suficiente para nos fazer rir um pouco e desligar a cabeça enquanto jogamos, além do charme dos personagens, tanto os originais quanto os que já conhecemos de longa data.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Como chegamos nisso ? (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

Em essência, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] reúne uma série de RPGs de ação, nos quais exploramos os mundos e enfrentamos os inimigos em tempo real, sem turnos, no controle do protagonista Sora e enquanto Donald e Pateta (controlados pela máquina) dão uma mão nas lutas e em algumas partes de exploração.

O combate mistura ataques corpo a corpo com um menu de comandos, no qual selecionamos magias (baseadas nas que vemos em jogos da Square Enix), itens e habilidades especiais de nosso herói: Isso dá um ritmo bem legal ao jogo, além de inserir certa estratégia ao nos fazer decidir entre a hora de bater, defender ou curar o grupo. Também temos invocações, que trazem personagens da Disney para dar uma força nas lutas, e um sistema de level up e habilidades que vamos montando ao longo da jornada.

Em se tratando de exploração, cada mundo é baseado em uma animação da Disney (ou em algo original da série), com sua própria história, personagens e chefões, e a viagem entre eles é feita na Gummi Ship, uma navinha que ganha suas próprias fases de tiro e que podemos personalizar. Esses mundos são bem maneiros, e apresentam tanto gente de uma franquia como da outra. Cloud, por exemplo, aparece no Coliseu de Hades quando vamos ao mundo de Hércules, e por aí vai.

Navinha essa, inclusive, que vai sendo mais e mais explorada em cada título de KINGDOM HEARTS Collection [I~III]. No 3, por exemplo, temos todo um sistema de customização, levels, tesouros e muito mais focado unicamente na jogabilidade da Gummi, servindo como um bom respiro do momento a momento do título.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Deixa isso pra lá, Sora. (Imagem: Divulgação)

Outro ponto legal de KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é que cada jogo traz algumas mecânicas próprias em cima dessa base que comentamos. Re:Chain of Memories, vejam só, troca o combate tradicional por um sistema de cartas, Birth by Sleep usa um deck de comandos personalizável e nos dá três protagonistas diferentes, KINGDOM HEARTS II e III apostam em transformações que mudam o estilo de luta de Sora, e por aí vai.

E falando nos jogos, o que temos no pacote não é pequeno, não. KINGDOM HEARTS Collection [I~III] reúne 7 jogos, sendo eles KINGDOM HEARTS HD 1.5+2.5 ReMIX, KINGDOM HEARTS HD 2.8 Final Chapter Prologue e KINGDOM HEARTS III com a DLC Re Mind. Um bocado de conteúdo, não é mesmo?

Falando nisso, vale avisar que nem tudo na coleção é jogável. Alguns capítulos da história, como 358/2 Days, Re:coded e KINGDOM HEARTS χ Back Cover, aparecem aqui em forma de filme, com as cenas reunidas para que a gente acompanhe a trama sem precisar jogar. Isso ajuda bastante a manter a história em ordem, ainda que deixe um gostinho de quero mais em quem queria botar a mão nesses títulos.

Por fim, com tantos jogos juntos, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] acaba sendo também uma boa forma de ver como a série foi mudando ao longo dos anos, saindo de um combate mais travado e simples no primeiro jogo para algo bem mais rápido, vistoso e cheio de opções nos mais recentes. Para os curiosos e novatos, acaba sendo o ponto de entrada definitivo.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Gente estranha. (Imagem: Divulgação)

Em se tratando do Switch 2, a grande novidade de KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é que, finalmente, os jogos rodam de forma nativa no console. No primeiro Switch a série só existia em versões em nuvem, que dependiam de uma conexão boa e estável para funcionar e, mesmo assim, sofriam com quedas de framerate e engasgos frequentes (como no KH 3, por exemplo). Agora tudo roda direto no aparelho, o que significa poder jogar sem internet, no portátil, em qualquer cantinho da casa ou fora dela.

Para quem já tinha encarado a série na nuvem, temos duas coisinhas interessantes. A primeira é que dá para transferir o save das versões em nuvem para a versão nativa, tirando todo aquele drama de ter que recomeçar do zero. Segundo, quem tem todos os títulos no Switch 1 (ou o pacote KINGDOM HEARTS INTEGRUM MASTERPIECE for Cloud) ganha 50% de desconto na versão de Switch 2, o que já é alguma coisa.

Em se tratando de desempenho, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] usa resolução dinâmica no Switch 2, tanto na dock quanto no portátil, onde a imagem pode cair até 720p nos momentos mais pesados do KINGDOM HEARTS III, ainda que continue bem bonita na telinha do console.

O framerate, por outro lado, não tem trava e fica oscilando entre 30 e 60 fps, o que deixa o combate meio irregular em alguns trechos e é um tanto quanto estranho para um jogo da geração passada rodando num hardware mais parrudo. Não chega a estragar a experiência, mas uma opção para travar em 30 fps ou um ajuste melhor na performance seria muito bem-vinda. Coisa que, lembrem, temos nos outros consoles

Com isso, sinto que KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é mais um relançamento para o novo console, e aqueles que não o possuíam antes, do que algo que realmente tenha ganhos expressivos como mais entradas jogáveis, curiosidades ou dublagens, por exemplo.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Vai dar ruim. (Imagem: Divulgação)

Sons e visuais

Visualmente, KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é bem charmoso, com excelentes representações das franquias da Disney e da Square Enix em todos os jogos, seja nos mundos inspirados nas animações ou nos personagens que vêm direto de Final Fantasy. Contudo, a qualidade gráfica varia bastante de um título para outro, o que é de se esperar em uma coleção que junta jogos de consoles antigos, de portáteis e de uma geração mais recente, então dá para sentir bem a diferença ao pular de um para outro.

Além disso, não temos nenhuma mudança significativa nesse aspecto em relação às versões que já existiam, nem mesmo nos jogos mais antigos, como o primeiro KINGDOM HEARTS, que já vem sendo relançado em HD faz algumas gerações. Quem esperava um tapa no visual por aqui pode ficar meio desapontado.

Já a trilha sonora de KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é impecável, com músicas novas que agradam bastante e outras já conhecidas que pegam a nostalgia de jeito. Menção honrosa para a abertura original do KINGDOM HEARTS II, Sanctuary, da Hikaru Utada, e para o instrumental de Amigo, estou aqui, de Toy Story, no KINGDOM HEARTS III, que são daqueles momentos que fazem a gente sorrir sem perceber. Mas, para não ficar só em elogios, nada da nossa legenda.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]
Farmando a aura do medo. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar KINGDOM HEARTS Collection [I~III] ?

Se eu fosse falar apenas do valor emocional e diversão de KINGDOM HEARTS Collection [I~III], gente bonita, eu ia ter quase que apenas flores para distribuir. Eu cresci com os jogos e vendo os rolos de Sora, Donald, Pateta, Kairi, Riku, Roxas e companhia, e realmente me divirto horrores sempre que pego algum título para jogar (menos aquele maluco de celular, que nunca achei)

Os jogos tem uma jogabilidade bem variada, tanto entre si quanto nos próprios títulos. Temos uma penca de personagens legais, mundos criativos, uma narrativa que nos pega e muito, muito conteúdo. A história pode ser meio doida e enrolada, as câmeras nem sempre nos ajudam e ele pode ser um poco bobo demais as vezes, de fato. Mas, no fim das contas, a aventura vale cada percalço pelo caminho.

Mas, vale dizer que KINGDOM HEARTS Collection [I~III] em especial não traz muito de novo para a mesa, principalmente por ser um relançamento de algo que já tínhamos no Switch 1 e, ainda, por um preço salgado. Temos ele nativo e com uma Keyblade nova, mas isso é muito pouco no grande esquema das coisas e não favorece muito quem já tenha eles em outras plataformas.

Sendo assim, a recomendação da coletânea vai depender do histórico do freguês. Se vocês já tiverem esses jogos em outras plataformas, a compra acaba tendo pouco valor agregado no comparativo. Mas, se for sua primeira experiência com esse universo fica muito, muito fácil recomendar e sugerir que mergulhem sem pensar duas vezes.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III] estreia nesta quinta-feira, 8 de outubro, para Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Square Enix.

KINGDOM HEARTS Collection [I~III]

BRL 427,50
8.8

História

8.0/10

Gameplay

8.0/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Extras

10.0/10

Prós

  • Muito conteúdo entre os jogos, filmes e extras
  • Jogabilidade muito divertida, com destaque para Kingdom Hearts
  • Poder ver o Donald jogando uma bola de fogo no Sephiroth faz a vida valer a pena
  • Trilha sonora excepcional, tanto em arranjos de trilhas conhecidas quanto em exclusivas da franquia
  • Não depende mais da nuvem para rodar, como no Switch 1

Contras

  • Poucos adicionais se compararmos o que já foi disponibilizado em outras plataformas
  • A história fica muito doida e complicada de acompanhar conforme os jogos avançam
  • Todos eles tem alguns problemas com a câmera, principalmente em combates com muitos inimigos
  • Sem legenda para a gente, mesmo com mais um relançamento

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.