Silver Pines | Review

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Ahhh, aquele clima de mistério… Nos últimos tempos, tenho tido a oportunidade de jogar vários games que introduzem o jogador em uma investigação na qual as várias reviravoltas na narrativa me impressionaram. Foi o caso, mais recentemente, de The Sinking City 2, e eu realmente estou gostando dessa minha jornada explorando esse estilo de gameplay, ainda mais quando envolve survival horror, que também é um gênero de que gosto bastante.

Logo, estamos em outubro, mês do Halloween, e, entre os vários títulos que estou jogando para aproveitar a vibe, surgiu a oportunidade de colocar as mãos em Silver Pines. O game, desenvolvido pela Wych Elm, promete levar os jogadores em uma jornada de survival horror e mistério, tendo uma temática bastante inspirada nos trabalhos de David Lynch, como Twin Peaks. Além disso, um dos grandes diferenciais prometidos pelo game é que, diferente de outros jogos do gênero, teríamos aqui um formato metroidvania em 2D. Admito que, logo de cara, isso já me deixou empolgado, por ser um twist bastante original dentro do gênero survival horror.

Logo, Silver Pines preenchia todas as lacunas de potencial para me deixar bastante empolgado. Entretanto, será que ele consegue acertar em todos os aspectos ou existem algumas rachaduras nessa obra? Confira agora mais uma review antecipada do Pizza Fria!

Os vários caminhos de Silver Pines

O aspecto que mais me chamou a atenção em Silver Pines era a introdução de elementos de metroidvania nessa jornada de survival horror. E, felizmente, esse acabou sendo o maior acerto do jogo. No game, assumimos o papel do investigador particular Red Walker, explorando a cidade de Silver Pines em busca de um músico chamado Eddie Valvet. Claro, esse é apenas o pontapé inicial de uma narrativa que irá levar os jogadores por várias camadas de twists e descobertas.

E, na minha opinião, é justamente na forma como os jogadores exploram esses caminhos até chegar às descobertas que o jogo mostra a sua força. Logo no início da aventura, temos vários caminhos que podemos seguir, encontramos portas fechadas para as quais precisamos procurar as chaves e, pouco a pouco, vemos o mapa do game se preenchendo com vários locais e objetivos. A junção desse sentimento de descoberta, típico de um metroidvania, com a tensão e o leva e traz de itens característico do survival horror foi o que tornou a minha experiência em Silver Pines realmente marcante.

Silver Pines
A exploração no formato metroidvania é o aspecto que mais se destaca em Silver Pines. (Imagem: Divulgação)

O game também conta com alguns elementos bem inteligentes na exploração, como um sistema que permite usar uma câmera em certos ambientes e puzzles para marcá-los no mapa, o que acaba sendo bastante útil para nos localizarmos enquanto exploramos.

Entretanto, algumas escolhas de level design no game me incomodaram um pouco em determinados trechos. O game conta com alguns cenários em que é possível nos esgueirarmos por beiradas ou buracos, e nem sempre fica muito evidente que podemos entrar nesses ambientes. Isso acabou gerando certa frustração em alguns momentos, nos quais precisei ficar rodando por uma área em busca do caminho a seguir.

As verdades por trás da cortina vermelha

Agora, indo para um lado que me decepcionou um pouco em Silver Pines, temos a narrativa de forma geral. Eu realmente aprecio o estilo sobre substância na campanha do game, mas, em alguns trechos, me peguei pensando em como a história poderia ser muito melhor se, principalmente, o protagonista tivesse um desenvolvimento mais aprofundado. Acho que, depois de tantos jogos do gênero que já joguei, essa ideia do personagem principal que chega a uma cidade e começa a ser assombrado por visões do passado já ficou bastante batida e realmente precisa de twists mais interessantes para conseguir me cativar, algo que não acontece aqui.

Entretanto, eu realmente gostei da forma como Silver Pines utiliza o surrealismo e os elementos de sonho ao longo da campanha. É algo bastante herdado de Twin Peaks, e vários fãs vão reconhecer imediatamente certas referências, como o forte uso de cortinas vermelhas nos cenários de sonho, algo que também é bastante utilizado na série de David Lynch.

Silver Pines
O game usa o cenário para adicionar mais camadas ao mistério e a atmosfera. (Captura de tela: PC/Leandro Paiva)

Esses trechos do game conseguem fugir bastante do que se espera quando falamos em mundos alternativos com monstros de survival horror. Isso porque esses segmentos de sonho, em vez de serem necessariamente assustadores, tentam transmitir tensão por meio do estranho, seja através de diálogos ou de imagens que incentivam o imaginário do jogador.

Puzzles ok em sua maior parte, mas eu realmente queria que tivesse mais variação

Acho que já virou rotina, em todas as minhas reviews, eu escrever bastante sobre a minha opinião a respeito dos puzzles, e aqui não vai ser diferente. Eles sempre serão um dos aspectos que mais valorizo em um survival horror e considero crucial que esse fator seja acertado minimamente para proporcionar uma boa jornada. E Silver Pines tem seus altos e baixos nesse aspecto.

Alguns dos puzzles realmente me fizeram pensar sobre a forma como eu deveria resolvê-los, utilizando todos os elementos do cenário, observação, combinação de itens e outros recursos. Eu aprecio que o jogo não tente ser muito óbvio com a solução desses enigmas, fortalecendo o sentimento de exploração e observação e confiando na habilidade do jogador.

Silver Pines
Documentos também oferecem informações valiosas na hora de resolver alguns puzzles. (Captura de tela: PC/Leandro Paiva)

Entretanto, esses puzzles que realmente me cativaram foram raros ao longo de toda a campanha, infelizmente. Talvez em uma tentativa de fortalecer o elemento metroidvania do game, temos puzzles que, em sua grande maioria, envolvem encontrar chaves ou itens específicos para conseguirmos abrir uma porta ou cadeado. E, olhando pelo aspecto metroidvania, é algo que faz sentido e funciona, mas que acaba prejudicando a experiência que uma maior variedade e até mesmo um nível maior de desafio nos enigmas poderia proporcionar.

Mas, falando em puzzles, apesar de não ser necessariamente um quebra-cabeça, eu aprecio alguns minigames que foram adicionados a determinadas ações do jogo. Por exemplo, quando precisamos recarregar uma arma, temos que selecionar a munição no inventário e realizar alguns checks que lembram bastante os geradores de Dead by Daylight ou o sistema de recarga rápida de Gears of War. Se acertarmos o momento certo, o protagonista realiza a ação mais rapidamente. Outro que curti também foi o de reparar armas brancas, que segue uma proposta semelhante e também envolve um pequeno minigame.

Uma excelente experiência survival horror

Silver Pines entendeu a tarefa quando o assunto é entregar uma verdadeira experiência de survival horror. Além da excelente exploração que já citei anteriormente, o game apresenta um combate que realmente torna o protagonista vulnerável aos monstros que encontramos pelo caminho, e o gerenciamento de recursos é algo essencial. O jogo acerta bastante nesse aspecto, fornecendo um inventário com espaço extremamente limitado inicialmente, exigindo que o jogador faça várias jornadas para coletar diversos dos itens espalhados pelo cenário.

Silver Pines
O gerenciamento de recursos é essencial para sobreviver ao horror em Silver Pines. (Captura de tela: PC/Leandro Paiva)

Além disso, o jogo conta com aquela jogada clássica do gênero de apresentar uma arma poderosa que o jogador ainda não pode pegar naquele momento, mas que ficará no imaginário enquanto ele progride. Quando finalmente chega o momento de coletar aquela arma, surge um sentimento de satisfação, e isso é algo que o game conseguiu transmitir muito bem.

Vale também mencionar que o jogo conta com uma safe room, com sua própria versão de um baú de Resident Evil e até mesmo uma música-tema bastante marcante. Além disso, o jogo oferece um sistema de máquinas de venda, nas quais podemos utilizar moedas encontradas pelo cenário para desbloquear itens como ervas de cura, munição e até mesmo espaços adicionais no inventário.

Silver Pines
O item que o jogador precisa as vezes está a algumas moedas de distância. (Captura de tela: PC/Leandro Paiva)

Silver Pines também conta com um sistema de salvamento limitado, no qual o jogador precisa gastar moedas para salvar em telefones espalhados pelo cenário, algo que já é bastante conhecido no gênero. Entretanto, na dificuldade padrão, aqui chamada de Terror de Sobrevivência, achei que o jogo foi generoso demais com a quantidade de moedas disponíveis, o que acabou diminuindo bastante a tensão que esse sistema poderia proporcionar.

Um combate bem cadenciado, mas nem sempre é a melhor alternativa

Agora, falando sobre as criaturas e o sistema de combate, Silver Pines me surpreendeu bastante. Por termos um jogo com perspectiva 2D, o título consegue construir, de formas bastante criativas, a maneira como as criaturas são introduzidas nos cenários. Muitas vezes, o jogador apenas consegue ouvir os sons delas, sem saber se estão vindo pela frente ou até mesmo de cima. Isso me lembrou bastante o terror causado pelos jogos clássicos de survival horror que utilizavam câmeras fixas, algo que infelizmente acabou se perdendo em muitos jogos modernos. Foi muito bom ver esse elemento de terror retornando em Silver Pines, mesmo que de uma maneira diferente.

O título também conta com uma boa variedade de monstros e diferentes maneiras de lidarmos com eles. Podemos realizar ataques corpo a corpo com armas brancas, que eventualmente quebram, e também temos acesso a algumas armas de fogo bastante conhecidas do gênero, como uma pistola e, eventualmente, uma shotgun.

Silver Pines
A cadência do combate em Silver Pines é excelente, mas na medida certa para manter aquela tensão da vulnerabilidade de um survival horror. (Imagem: Divulgação)

A cadência do combate foi algo que realmente me agradou, principalmente porque nem sempre teremos recursos suficientes para matar todos os monstros que encontramos pelo caminho. Isso exige que o jogador tome micro decisões a todo momento e gerencie seus recursos com inteligência. Além disso, o game faz um bom trabalho ao demonstrar que o protagonista não é um lutador extremamente habilidoso. Mesmo quando decidimos enfrentar uma criatura, a vitória nem sempre é garantida, já que podemos errar tiros, calcular uma esquiva de forma equivocada e, considerando que temos um personagem bastante vulnerável, qualquer erro pode ser fatal.

Red Walker, além de fazer uso das armas, consegue desviar dos ataques e até mesmo pisotear monstros caídos, bem no estilo Dead Space, o que acaba sendo bastante útil, principalmente contra criaturas rastejantes. Fica evidente que os desenvolvedores tiveram bastante atenção na hora de construir o sentimento de survival horror de Silver Pines, e eles conseguiram entender muito bem o que torna esse gênero tão especial.

Gráficos e Trilha Sonora

Silver Pines é bastante impressionante visualmente. Com sua arte em 2D, o jogo consegue evocar muito bem o sentimento de solidão de estar em uma cidade desconhecida que, apesar de parecer normal à primeira vista, esconde diversos segredos. Cada cenário, cada diálogo com os NPCs e cada passo que damos pode revelar algo capaz de mudar completamente a nossa perspectiva sobre os caminhos que estamos explorando.

O título consegue transmitir muito bem a sensação de que cada ambiente foi projetado com o objetivo de apresentar um novo mistério a ser desvendado. Isso aparece tanto nos elementos mais sutis espalhados pelos cenários quanto em momentos mais sombrios, que realmente passam a sensação de que estamos entrando em situações nas quais talvez não exista mais volta.

Silver Pines
Em Silver Pines, nem sempre o verdadeiro horror vem dos monstros. (Imagem: Divulgação)

A trilha sonora também é um aspecto que me agradou bastante, principalmente por conseguir construir uma atmosfera de mistério e tensão quando necessário, mas também contrastar isso com trechos mais contemplativos. Nesses momentos, temos músicas carregadas de mistério e com letras que se correlacionam diretamente com o protagonista, principalmente durante os segmentos de sonho.

Desempenho

Minha experiência foi realizada em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. O jogo apresentou um bom desempenho durante toda a minha jornada. Na resolução 1440p, com os gráficos no máximo, tive um desempenho acima dos 100 FPS praticamente a todo momento, sem lags ou travamentos.

Vale a pena comprar Silver Pines?

Silver Pines é um excelente survival horror. Apesar de a bola cair em alguns aspectos do desenvolvimento da narrativa, o game sabe trabalhar muito bem o seu maior elemento diferencial: adicionar uma exploração no estilo metroidvania a uma combinação de ideias que, por si só, já era muito boa. Apesar de alguns aspectos terem sido prejudicados por essa decisão, como o excesso de puzzles envolvendo o leva e traz de itens, no fim das contas, a força da exploração dos cenários, combinada com a excelente atmosfera construída ao longo de toda a campanha, torna Silver Pines extremamente impactante.

O game consegue construir um sentimento de horror e mistério que realmente ficou comigo mesmo depois de terminar a campanha. E, para mim, esse é um dos maiores méritos que um jogo do gênero pode alcançar.

Silver Pines foi desenvolvido pela Wych Elm e chega no dia 8 de outubro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam.

*Review elaborado em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Team17.

Silver Pines

BRL 61,19
8.8

História

8.0/10

Gameplay

9.0/10

Gráficos e Sons

10.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Excelente atmosfera e elementos visuais do surrealismo
  • A exploração no formato metroidvania é o melhor aspecto de Silver Pines
  • O jogo entende o que faz um bom survival horror e consegue entregar tensão do começo ao fim
  • Bom sistema de combate que prioriza o pensamento rápido e o gerenciamento de recursos
  • Legendas em PT-BR

Contras

  • O desenvolvimento dos personagens poderia ter twists mais originais
  • Excesso de puzzles repetitivos

Leandro Paiva

Jornalista, amante de survival horror, café e, provavelmente, o maior fã de Resident Evil do site, a menos que ele chame Revelations 2. Sou um jogador de PC em tempo integral, pois games são uma arte bela demais para não serem apreciados em suas melhores versões. E, com isso, claramente não quero dizer jogar com o MSI Afterburner aberto na tela, mostrando 100+ FPS!