The Sinking City 2 | Review
Survival horror é o meu gênero de games favorito. Logo, sempre é um momento muito bom quando um novo jogo desse estilo é lançado e posso embarcar em uma aventura com muito horror, munição escassa, puzzles desafiadores e aquele leva e traz de itens bem intenso, que te coloca à flor da pele, entregando uma jornada angustiante e cheia de mistérios a serem resolvidos.
The Sinking City 2 é um jogo que, desde o seu anúncio, promete entregar tudo isso e muito mais, adicionando um aspecto de horror cósmico à mistura. Desde os primeiros trailers, fiquei interessado no título, o que me levou até mesmo a jogar o primeiro jogo. Apesar de ter boas qualidades, ele acaba deixando a desejar, principalmente em seu loop de jogabilidade, que se torna repetitivo demais.
Entretanto, como costuma acontecer com sequências, o novo título desenvolvido pela Frogwares promete melhorar todos os aspectos do jogo anterior e entregar uma experiência de survival horror definitiva, com boas pitadas de mistério e investigação.
Logo, diante de uma promessa tão ambiciosa, será que The Sinking City 2 realmente consegue entregar uma experiência marcante? Confira agora mais uma review antecipada do Pizza Fria!
Até que o horror cósmico nos separe
Algo que me surpreendeu positivamente na narrativa de The Sinking City 2 é que, em seu cerne, ela gira em torno do amor entre dois personagens, cuja relação foi construída com base na curiosidade sobre o desconhecido e nas consequências aterrorizantes de ir fundo demais nessa busca.
O game apresenta duas linhas do tempo principais. Na primeira, iremos jogar com o protagonista Calvin Rafferty em sua busca por uma cura para sua amada, Faye, que se encontra em coma por circunstâncias misteriosas.

Já a segunda é apresentada por meio de flashbacks ao longo da campanha. Através das cinemáticas, iremos conhecer mais sobre Calvin e Faye, além do forte laço que os dois criaram durante suas buscas pelos mistérios ocultos da humanidade.
The Sinking City 2 conseguiu me cativar bastante com esse formato de narrativa, principalmente porque é muito interessante acompanhar uma versão mais desesperada de Calvin, disposta a fazer qualquer coisa para salvar Faye, e contrastá-la com o homem carismático e descontraído que ele era no passado, enquanto conquistava sua amada e os dois construíam uma forte relação.
O jogo explora muito bem a temática do preço das escolhas dos personagens e mostra que nem sempre o desconhecido deve ser explorado, pois o custo disso pode ser alto demais. E, na narrativa do game, isso realmente se prova verdade. Além das consequências diretas para o protagonista, também temos a cidade de Arkham, que foi completamente inundada e infestada por diversos monstros.
Outro aspecto que me agradou bastante na história de The Sinking City 2 é a maneira como o jogo consegue transmitir, por meio dos documentos que encontramos pelos cenários, das transmissões de rádio e até mesmo de alguns puzzles, que muitas vezes os verdadeiros monstros nem sempre são as criaturas com as quais lidamos, mas sim a própria ambição humana.

Ao explorar a cidade de Arkham, iremos nos deparar com muitas pessoas que, em vez de abandonar a cidade no momento em que ela foi infestada, decidiram buscar uma forma de se aperfeiçoar e se conectar com o não humano. Isso, inclusive, me lembrou bastante Bloodborne, principalmente as linhas narrativas que envolviam a Healing Church, que, em resumo, era uma organização que, sob a fachada de ajudar as pessoas utilizando o sangue inumano, na verdade conduzia grandes experimentos para tentar se conectar com forças sobrenaturais.
Essa é uma temática muito forte presente em The Sinking City 2, e ela é explorada de maneira incrível, trazendo boas reviravoltas para a trama e um bom desenvolvimento para alguns dos personagens secundários.
Sobrevivendo ao horror nas ruas inundadas de Arkham
The Sinking City 2 é um excelente survival horror. Todos os aspectos que citei na introdução desta análise e que, para mim, fazem um bom jogo do gênero estão presentes aqui, acompanhados de ainda mais elementos que tornam a jornada uma experiência ainda melhor.
A progressão do game funciona no formato clássico de um survival horror. Encontramos uma pista que indica que podemos obter informações em determinado local, como um hotel, por exemplo. Então, entramos em nosso barco e navegamos até lá, até que, em determinado trecho, nos deparamos com um obstáculo. Para avançar, é preciso explorar a região em busca de uma chave, um fusível ou até mesmo múltiplos itens, como em um dos trechos do game em que precisamos encontrar gasolina e uma peça giratória.

A partir desse ponto, cabe ao jogador explorar os vários ambientes do game em busca de seus objetivos principais, tendo que lidar com diversas criaturas pelo caminho. Entretanto, aqui entra outro aspecto que o jogo acerta bastante: o sentimento de desespero constante. The Sinking City 2 possui uma quantidade de munição extremamente escassa e, além disso, Calvin não é um soldado à la Leon Kennedy, de Resident Evil, que consegue dar suplex em todos os inimigos.
Se eu tivesse que fazer uma comparação, diria que temos algo próximo ao James de Silent Hill 2 Remake: um personagem bem frágil, que não sabe manusear muito bem uma arma, o que acaba tornando os combates bastante desafiadores, mesmo contra os inimigos mais básicos.
Apesar de não contar com um foco no combate corpo a corpo, Calvin tem acesso a uma boa variedade de armas durante a campanha, como shotguns e pistolas. E eu realmente fiquei impressionado com a maneira como cada uma delas possui um feeling único para cada situação, o que exige um pensamento bastante tático sobre qual arma utilizar no momento certo. Afinal, se erros forem cometidos, o jogador ficará sem munição, tornando a jornada ainda mais desafiadora.

Essa situação aconteceu algumas vezes durante a minha jornada, com uma delas sendo particularmente marcante. Em determinado momento, eu precisava encontrar uma chave em uma estação de bombeiros, enquanto havia vários inimigos ao meu redor, zero munição e uma escuridão imensa que nem a “lanterna de R$ 1,99” do protagonista conseguia iluminar. Foi provavelmente um dos momentos de maior tensão em The Sinking City 2 e foi simplesmente espetacular.
Por falar em tensão, o jogo apresenta uma grande variedade de inimigos, incluindo humanos possuídos por parasitas e criaturas monstruosas que saíram dos cantos mais sombrios das histórias de horror cósmico. Realmente é impressionante a maneira como cada um desses inimigos se encaixa na jogabilidade e nos cenários em que os encontramos. O jogo nunca deixa muito evidente quais perigos Calvin irá enfrentar, o que acaba levando a surpresas bastante intensas.
Como, por exemplo, finalmente encontrarmos a chave que eu estava procurando para avançar, me virar e ter um monstro com um tentáculo gigante me agarrando. Coisas normais da vida em Arkham, né?

Logo, durante a minha experiência, eu sempre tive que ter bastante cautela com os confrontos em que entrava. Mesmo assim, nem sempre tinha balas suficientes para derrotar os inimigos, sendo necessário correr e desviar de seus ataques, que são extremamente agressivos no game.
Outro aspecto que me deixou bastante feliz de ver em The Sinking City 2 foi o uso das safe rooms, nas quais podemos salvar o jogo, gerenciar nosso inventário, colocando alguns itens em uma maleta, e até mesmo craftar alguns recursos por meio da combinação de itens.

Esses trechos realmente traziam uma sensação de alívio em meio à tensão que eu enfrentava sempre que ia explorar os ambientes de Arkham. Foi feito um trabalho muito bom nesse aspecto, com a sala segura contando até mesmo com uma música tema bastante marcante.
Uma pitada de investigação e dedução
A Frogwares também é a desenvolvedora dos jogos mais recentes de Sherlock Holmes, incluindo um dos mais recentes, Sherlock Holmes: The Awakened, que inclusive compartilha a temática do horror cósmico. Alguns meses atrás, joguei esse game do Sherlock e fiquei impressionado com a forma como o título utiliza sistemas de pistas e dedução. Por isso, achei muito legal que The Sinking City 2 tenha trazido alguns desses elementos de volta, claro, em uma intensidade menor, já que o foco não é a dedução, como em um jogo protagonizado pelo detetive do 221B.

Ainda assim, gostei bastante da maneira como o jogo utiliza esses aspectos. Ao decorrer do game, iremos encontrar documentos e itens que se tornam pistas. Então, utilizando nosso quadro de investigações, podemos conectar essas pistas e solucionar diversos enigmas ou até mesmo desbloquear informações relevantes sobre a cidade e seus personagens.
Eu realmente gostei de como vários dos puzzles opcionais do game estão associados a essa mecânica. Para os amantes de jogos de dedução e investigação, resolver esses enigmas será extremamente divertido e desafiador. Isso me agradou bastante, principalmente porque puzzles muito fáceis são algo de que eu sempre reclamo quando aparecem em um survival horror.
A regra é clara: se não for para ficar quebrando a cabeça para resolver puzzle, eu nem jogo!

Além disso, outro grande acerto nesse aspecto é que The Sinking City 2 torna seus puzzles diretamente relacionados às temáticas do game. Por exemplo, um dos enigmas envolve o protagonista encontrando os itens de um monumento e, então, realizando um ritual com os símbolos corretos dos deuses cósmicos para energizar um artefato e, assim, liberar uma porta secreta.
Logo, um simples enigma envolve várias etapas, nas quais o jogador precisa interpretar as pistas, descobrir a sequência correta e, então, desvendar esse segredo. Como recompensa, o jogador poderá descobrir aspectos muito interessantes sobre a lore da cidade de Arkham e, em alguns casos, até encontrar cenas secretas envolvendo o passado de Calvin e Faye.
Boas áreas opcionais mas o barco decepciona
De forma geral, me agradou bastante a quantidade de áreas opcionais presentes em The Sinking City 2. Nelas, encontramos puzzles, armas e recursos que são essenciais para utilizarmos o sistema de crafting.
Ao decorrer da nossa exploração, encontramos recursos como sucata e pólvora, que podem ser combinados para produzirmos vários tipos de munição, além de ervas medicinais que podem ser utilizadas na criação de remédios, algo que será crucial durante a jornada. Mas não adianta se empolgar muito, pois esses recursos também são bastante limitados. E isso funciona muito bem aqui, já que incentiva os jogadores a explorarem todos os cantos do game em busca desses itens tão preciosos.
Infelizmente, nem tudo é acerto nesse quesito, pois a parte de exploração de barco no game é bastante limitada. Ela serve apenas para irmos do ponto A ao ponto B, com o trajeto sendo bem linear e oferecendo poucas áreas nas quais realmente temos algum senso de liberdade.

Eu até entendo o motivo pelo qual isso foi feito. O primeiro jogo tinha um cenário mais aberto, mas ele possuía pouca vida, o que acabava transmitindo mais uma sensação de mundo vazio do que realmente contribuindo para a imersão.
Entretanto, teria sido muito mais interessante se a Frogwares tivesse aperfeiçoado esse aspecto da exploração em vez de simplesmente reduzir sua importância no jogo. É uma decisão que acaba sendo um tanto decepcionante, principalmente porque existia bastante potencial para transformar a navegação em uma parte mais interessante da experiência.
Gráficos e trilha sonora
The Sinking City 2 foi desenvolvido utilizando a Unreal Engine 5. Entretanto, o jogo consegue fugir daqueles visuais realistas sem graça que vivo criticando em outros títulos que utilizam esse motor gráfico. Por estarmos falando de um jogo de horror, o game faz bom uso dos recursos de Ray Tracing para criar ambientes realmente sombrios, que ajudam bastante na imersão nesse mundo.
Além disso, a direção de arte do game é excelente, contando com ambientes que puxam para um aspecto noir e até mesmo algo gótico em alguns trechos, com suas grandes estruturas, monstruosidades de carne se tornando parte do cenário e, claro, os parasitas que rastejam pelos corpos que encontramos praticamente em todos os lugares.
O jogo consegue transmitir muito bem essa sensação de uma cidade decadente que foi dominada pelo horror e pela loucura, o que torna os flashbacks ainda mais interessantes. Neles, somos apresentados a uma cidade antes de todos esses acontecimentos, criando um contraste que o game acerta bastante.

Entretanto, existe um aspecto em que o jogo deixa bastante a desejar: a modelagem dos personagens, principalmente no que diz respeito às expressões faciais. Logo na primeira cinemática, já fica evidente que isso poderia ser muito melhor e, admito, em alguns trechos mais emocionais, esse aspecto acaba prejudicando a cena.
Por outro lado, um aspecto que The Sinking City 2 acertou bastante foi a dublagem dos personagens principais. Andrew Wheildon-Dennis, que dá voz a Calvin, e Gemma Whelan, que interpreta Faye, mandaram muito bem em seus papéis, conseguindo realmente transmitir emoção aos personagens e tornar a relação entre os dois extremamente convincente e interessante de acompanhar.

Infelizmente, nem tudo é perfeito nesse aspecto sonoro, pois o som das armas e os efeitos sonoros de forma geral são bastante simples e pecam em transmitir peso e impacto. Por exemplo, atirar em inimigos com diferentes armas não produz um efeito sonoro que realmente transmita a força desses disparos, sendo um fator que decepciona durante os trechos de combate.
Entretanto, a trilha sonora do game, nos momentos em que se faz presente, é muito boa, contando com faixas de música clássica e uma vibe de investigação noir que combina perfeitamente com a atmosfera do jogo.
Desempenho
Minha experiência foi realizada em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. The Sinking City 2 apresenta um excelente menu de configurações gráficas e permite que os jogadores ajustem diversas opções da maneira que preferirem.
Durante a minha jogatina, consegui jogar cerca da metade do game em 1440p, com as configurações no Ultra e DLSS no modo Qualidade, mantendo uma média entre 70 e 80 FPS. Ao ativar o Frame Generation em 2X, consegui uma média de aproximadamente 150 FPS, o que tornou a experiência bastante fluida. Além disso, o game conta com a opção de Frame Generation de até 4X, elevando o framerate para a casa dos 200 FPS. Entretanto, por se tratar de um jogo mais slow-paced, não senti necessidade de utilizar um FG tão intensivo e permaneci no 2X.


Entretanto, essas configurações funcionaram bem apenas até a metade do game. Em determinado trecho, The Sinking City 2 simplesmente começou a travar e fechar de forma recorrente, sem um motivo aparente. Em alguns casos, o jogo chegou a travar completamente o meu PC, fazendo com que eu precisasse realizar um hard reset.
Isso aconteceu mais de cinco vezes e, admito, em determinado momento cheguei a pensar se teria que interromper a minha experiência até que o problema fosse resolvido.
Entretanto, depois de mexer nas configurações do jogo e colocar tudo no Médio, consegui voltar a jogar normalmente, tendo apenas alguns stutters ocasionais. É realmente uma pena que esses problemas tenham acontecido, porque eu estava gostando bastante da minha jornada no game, e ter que lidar com esses travamentos acabou gerando uma frustração completamente desnecessária.
Vale a pena comprar The Sinking City 2?
The Sinking City 2 é um excelente survival horror. O game consegue entregar uma jornada intensa, com personagens cativantes cujas histórias gostei de acompanhar ao longo de toda a campanha. Apesar de os problemas nas expressões faciais quebrarem a imersão em alguns momentos, temos aqui uma narrativa muito bem construída, com personagens que conseguem transmitir todo o sentimento de horror presente em uma Arkham dominada por monstros e pela loucura.
Além disso, o jogo acerta em cheio na jogabilidade, entregando uma aventura intensa em que nem sempre a melhor opção é entrar em combate, mas sim fugir e simplesmente ignorar o perigo. Essa tensão constante é um dos aspectos mais fortes de The Sinking City 2, elevando ao máximo o sentimento de sobrevivência diante do horror. Acompanhado de bons puzzles e de um sistema divertido de leva e traz de itens, o jogo consegue finalmente alcançar o ápice que a série precisava, tornando-se uma grande evolução em comparação com o primeiro título.
Além disso, ao trazer alguns dos elementos presentes nos jogos de Sherlock Holmes da desenvolvedora, temos aqui uma excelente implementação dos sistemas de pistas e investigação, adicionando uma camada a mais de interatividade a um mistério que, por si só, já era bastante interessante de ser desvendado.
Infelizmente, nem tudo são flores, pois o jogo apresenta um desempenho bastante inconstante na versão de PC, e isso pode se tornar um grande problema, principalmente para jogadores com configurações mais modestas. Apesar de contar com uma boa variedade de configurações gráficas, alguns dos problemas apresentados pelo jogo precisarão de patches da desenvolvedora, e torço para que isso seja resolvido o mais rápido possível.
Por fim, eu realmente gostei muito de The Sinking City 2 e considero, até o momento, um dos melhores jogos de 2026. Recomendo fortemente o título para todos os jogadores que amam survival horror e que sentiam falta de um pouco de horror cósmico nesse gênero.
The Sinking City 2 foi desenvolvido pela Frogwares e chega no dia 18 de agosto para PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Flogwares.
The Sinking City 2
BRL 284,90Prós
- Uma boa narrativa com personagens interessantes de acompanhar
- Peak survival horror com bastante intensidade ao decorrer de toda a jornada
- Excelente direção de arte que consegue deixar o jogador imerso em uma cidade inundada e cheia de horrores
- Excelentes puzzles que são desafiadores e se conectam com a narrativa
- Legendas em PT-BR
Contras
- A exploração com o barco é limitada
- As expressões faciais dos personagens poderiam ser melhores
- Os efeitos sonoros de forma geral não tem impacto, principalmente o das armas
- Problemas de desempenho no PC



