The Mound: Omen of Cthulhu | Review

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The Mound: Omen of Cthulhu é um jogo de exploração e horror cooperativo no qual até quatro jogadores assumem o papel de exploradores que precisam investigar diversas ilhas em busca de tesouros. A premissa inicial pode não parecer das mais originais. No entanto, o título promete apresentar um diferencial nessa aventura cooperativa, em que o maior inimigo dos jogadores será a própria mente e a própria sanidade.

O jogo se inspira nos mitos lovecraftianos, cujas histórias criadas por H. P. Lovecraft eram, em sua maioria, guiadas pela loucura e pela constante desconfiança em relação ao que existe ao nosso redor.

Com isso, The Mound: Omen of Cthulhu promete transportar essa proposta para a jornada dos jogadores, tornando a aventura muito mais do que uma simples campanha de combate contra monstros. A ideia é bastante ambiciosa, mas será que o jogo consegue entregar uma experiência realmente única e marcante? Confira a resposta em mais uma review do Pizza Fria!

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Um prólogo que não faz muito sentido

Em muitos jogos com grande foco no modo cooperativo, a primeira coisa que os jogadores são incentivados a fazer ao iniciar a experiência é jogar um prólogo. Normalmente, trata-se de uma seção para um único jogador, criada para apresentar as principais mecânicas do game e introduzir a premissa que conduzirá a aventura quando ela realmente começar. The Mound: Omen of Cthulhu não foge dessa fórmula. No entanto, o título falha justamente nos dois principais objetivos que um prólogo deveria cumprir.

Nessa introdução, o jogador acompanha uma breve cinemática envolvendo alguns exploradores, mas tudo acontece de forma bastante confusa e sem muito contexto. Em seguida, basta caminhar em linha reta, encontrar uma faca para cortar alguns galhos e, por fim, se deparar com uma criatura misteriosa.

E… é só isso. Sinceramente, não consegui entender qual era o propósito dessa sequência em The Mound: Omen of Cthulhu. Além de praticamente não apresentar nenhuma das mecânicas centrais do jogo, o prólogo é extremamente problemático do ponto de vista técnico. Foi justamente nessa parte que enfrentei alguns dos principais crashes da experiência, além de travamentos constantes e quedas severas de desempenho.

Normalmente, deixo para comentar sobre a performance apenas no final da review. No caso de The Mound: Omen of Cthulhu, porém, considero importante abordar esse aspecto desde o início, pois ele reforça a impressão de que o prólogo foi incluído às pressas, sem um propósito claro e sem o devido polimento.

The Mound: Omen of Cthulhu
The Mound: Omen of Cthulhu tem um prólogo que falha em introduzir a premissa e as mecânicas centrais do jogo. (Imagem: Divulgação)

Essa situação seria até compreensível caso o jogo estivesse em acesso antecipado e ainda tivesse margem para evoluir. No entanto, esse não é o caso. The Mound: Omen of Cthulhu foi lançado como um produto completo e, por isso, deve ser avaliado como tal. Infelizmente, essa sensação de falta de acabamento não se limita ao prólogo. Em diversos momentos, o título transmite a impressão de ser um game de acesso antecipado, e muitos dos problemas encontrados seriam muito mais fáceis de aceitar caso ele tivesse sido lançado nesse formato.

Se preparando e zarpando para a jornada

Antes de iniciar uma expedição em The Mound: Omen of Cthulhu, os jogadores passam por uma breve etapa de preparação a bordo de um navio. Nela, é possível escolher entre alguns personagens disponíveis, que, na prática, diferem apenas pela aparência.

Inclusive, um dos aspectos mais estranhos de The Mound: Omen of Cthulhu está justamente na forma como esses personagens são exibidos para os demais jogadores. À primeira vista, isso até poderia parecer uma escolha intencional, considerando que a proposta do título envolve paranoia e distorções da realidade. No entanto, dificilmente esse é o caso. Em diversas ocasiões, por exemplo, outros jogadores enxergavam meu personagem usando luvas, enquanto, na minha visão em primeira pessoa, elas simplesmente não existiam. O mesmo acontecia com outros elementos visuais dos personagens. Não chega a ser um problema grave, mas é uma inconsistência que vale ser mencionada.

Durante essa preparação, o anfitrião da partida também é responsável por selecionar a missão. Os objetivos, em sua maioria, envolvem encontrar uma determinada quantia de dinheiro espalhada pelo mapa. Algumas expedições exigem derrotar uma criatura específica, enquanto as missões mais avançadas apresentam múltiplos objetivos a serem cumpridos. Apesar dessa pequena variedade, a estrutura das partidas muda muito pouco. Quase sempre, a experiência consiste em explorar o cenário em busca de tesouros até que, com o passar do tempo, a floresta se torne mais hostil e passe a apresentar desafios cada vez maiores.

Depois que a missão é escolhida, os jogadores recebem acesso a um conjunto limitado de armas, que pode incluir lanças, pistolas, machados, espadas e até rifles. O problema é que nem sempre há equipamentos suficientes para todos os integrantes da equipe. Como consequência, pelo menos um jogador costuma iniciar a partida apenas com uma faca, tornando-se extremamente vulnerável diante das ameaças iniciais.

The Mound: Omen of Cthulhu
Antes da jornada começar, os jogadores precisam se preparar em um navio. Apesar de podermos explorar vários dos ambientes dele, não existe muita interação. (Imagem: Divulgação)

A ideia, em teoria, funciona como uma forma de aumentar a tensão e incentivar a cooperação entre o grupo. Na prática, porém, ela perde o sentido rapidamente, já que é muito fácil encontrar armas melhores durante os primeiros minutos da exploração. Assim, essa limitação inicial acaba parecendo mais um inconveniente do que uma mecânica capaz de influenciar a estratégia da equipe.

Com todos equipados, chega o momento de zarpar rumo à ilha. E é justamente a partir desse ponto que The Mound: Omen of Cthulhu começa a revelar seus maiores problemas.

Uma aventura repetitiva e sem muito o que entregar

Quando finalmente chegamos à ilha em The Mound: Omen of Cthulhu, o objetivo é explorar o cenário em busca do maior número possível de tesouros e levá-los até uma carroça. O jogo conta com uma mecânica interessante que permite chamar esse veículo praticamente de qualquer ponto do mapa. Além de se deslocar até os jogadores, a carroça também deixa um rastro de sal pelo caminho, facilitando a orientação e indicando a rota de volta.

A ideia é bastante criativa, mas, como acontece com diversas mecânicas de The Mound: Omen of Cthulhu, sua execução deixa a desejar. O principal problema é que a carroça costuma ficar presa em diferentes partes do cenário, podendo até impedir o progresso da partida. Durante minha experiência isso aconteceu apenas duas vezes, mas ambas foram situações extremamente frustrantes.

Também é importante destacar que cada expedição possui um limite de quatro horas até que a floresta “desperte”. A cada hora que passa, a exploração se torna mais perigosa, com novas ameaças surgindo pelo caminho. Nas primeiras partidas, admito que The Mound: Omen of Cthulhu faz um excelente trabalho ao construir uma atmosfera de tensão.

Grande parte desse mérito vem da forma como o jogo brinca com a percepção dos jogadores. Em diversos momentos, é impossível confiar totalmente naquilo que está diante dos seus olhos, e cada integrante da equipe enxerga eventos diferentes. Enquanto um jogador pode ver árvores se movendo, outro pode encontrar criaturas escondidas ou acreditar que existe um tesouro onde, na verdade, há apenas um buraco. Conforme a sanidade se deteriora, as alucinações se tornam ainda mais intensas, fazendo com que companheiros pareçam monstros ou até desapareçam completamente.

The Mound: Omen of Cthulhu
The Mound: Omen of Cthulhu constroi bons momentos de tensão inicialmente, entretanto, logo o game se torna repetitivo demais. (Imagem: Divulgação)

Esse é, sem dúvida, o aspecto em que The Mound: Omen of Cthulhu mais acerta. A ideia de utilizar a própria percepção dos jogadores como elemento de terror funciona muito bem e cria momentos genuinamente tensos nas primeiras horas de jogo. O problema é que esse impacto dura pouco. Depois de algumas expedições, as alucinações passam a ser extremamente previsíveis, já que existe pouca variedade de eventos.

Cenários e inimigos também poderiam ter mais variedade

Embora existam diversos mapas, quase todos seguem exatamente a mesma estrutura. Em geral, exploramos florestas repletas de pequenos acampamentos, com poucas diferenças entre si. Ocasionalmente o ponto de partida muda, às vezes começamos em uma praia, outras vezes já no interior da mata, mas, depois dos primeiros minutos, todos os cenários passam a transmitir praticamente a mesma sensação. Em diversos momentos, eu realmente me perguntava se estávamos explorando mapas diferentes ou apenas variações do mesmo ambiente.

Essa repetição também se reflete nos itens e nos inimigos. The Mound: Omen of Cthulhu oferece uma quantidade bastante limitada de tesouros para encontrar e um elenco reduzido de criaturas para enfrentar. Entre elas estão zumbis, monstros com tentáculos capazes de agarrar os jogadores e outras criaturas de aparência grotesca, cujo design é tão perturbador que chega a ser difícil descrevê-lo. Nesse aspecto, porém, o jogo merece reconhecimento, pois o visual desses monstros captura muito bem a estética lovecraftiana e reforça a sensação de estar diante de horrores incompreensíveis.

The Mound: Omen of Cthulhu
Apesar de ser visualmente bonito, depois de um tempo parece que toda missão sempre repete os mesmos locais. (Imagem: Divulgação)

Um combate pouco funcional

Outro ponto bastante decepcionante em The Mound: Omen of Cthulhu é a movimentação dos personagens e, principalmente, o sistema de combate.

A primeira decisão de design que causa estranhamento é a ausência de um botão de pulo. Isso me surpreendeu negativamente porque grande parte da exploração exige alcançar terrenos mais elevados. Em diversas situações, bastaria um simples salto para prosseguir, mas, em vez disso, o jogo obriga o jogador a contornar toda a área em busca de uma rota específica. Em um título no qual o tempo é um dos recursos mais importantes, essa limitação não faz sentido e acaba tornando a exploração desnecessariamente frustrante.

Outra decisão difícil de compreender é a ausência de um inventário propriamente dito. Os jogadores contam apenas com alguns espaços limitados para carregar itens, sem qualquer possibilidade de organizá-los ou gerenciá-los. Isso se torna um grande inconveniente durante a exploração, principalmente quando é preciso equilibrar a coleta de tesouros, armas e itens de sobrevivência. Felizmente, a desenvolvedora já confirmou que está trabalhando em melhorias para esse sistema, então esse é um dos problemas que deve ser corrigido em atualizações futuras.

Infelizmente, o combate também deixa bastante a desejar. Todas as ações dos personagens apresentam um atraso perceptível, seja ao atacar com armas brancas, seja ao disparar armas de fogo. O maior problema é que esse comportamento é inconsistente. Em alguns momentos, os ataques acontecem imediatamente após o comando do jogador; em outros, o personagem demora vários segundos para reagir, sem qualquer motivo aparente. Como não existe um padrão para esse atraso, os confrontos acabam parecendo uma luta contra as próprias mecânicas do jogo, e não contra as criaturas.

Esse problema seria mais fácil de aceitar caso a proposta fosse incentivar a evasão e o gerenciamento de recursos, como acontece em diversos survival horrors. No entanto, The Mound: Omen of Cthulhu segue justamente na direção oposta. Em vários momentos, especialmente na reta final das missões, o jogo incentiva confrontos diretos ao lançar grandes quantidades de inimigos no caminho dos jogadores enquanto eles tentam retornar ao barco.

The Mound: Omen of Cthulhu
O combate é um dos aspectos mais problemáticos de The Mound: Omen of Cthulhu. (Imagem: Divulgação)

Existe, porém, uma mecânica que tinha potencial para transformar completamente essas sequências. Quando um jogador morre, seu corpo pode ser assumido por uma criatura controlada pela inteligência artificial, que tenta se passar pelo companheiro morto para enganar o restante da equipe. A ideia é excelente e combina perfeitamente com a proposta de paranoia e desconfiança que permeia toda a experiência.

Na prática, entretanto, a execução decepciona. A inteligência artificial dessas criaturas é tão limitada que praticamente elimina qualquer possibilidade de dúvida. Seus movimentos e comportamentos denunciam imediatamente que aquele personagem não é controlado por um jogador, fazendo com que toda a tensão desapareça. É uma mecânica cheia de potencial, mas que acaba desperdiçada por uma implementação falha.

Gráficos e trilha sonora

Visualmente, The Mound: Omen of Cthulhu é um jogo bastante inconsistente. Por um lado, os cenários impressionam. As florestas, praias, o navio e até as diferentes condições climáticas, que variam entre chuva intensa e neblina densa ao longo das partidas, são muito bem construídos. O resultado é uma ambientação que consegue transmitir com eficiência a sensação de estar explorando locais desconhecidos e hostis.

Grande parte desse mérito também está no trabalho de áudio. Os sons da natureza, da fauna e dos próprios ambientes são reproduzidos de forma bastante imersiva, contribuindo para que cada expedição pareça realmente uma incursão em uma floresta isolada e repleta de perigos. Nesse aspecto, o jogo consegue criar uma atmosfera digna das obras que inspiram sua proposta.

Infelizmente, o mesmo cuidado não foi dedicado aos personagens e às criaturas. A modelagem dos rostos, por exemplo, deixa bastante a desejar, com alguns personagens apresentando expressões e feições tão artificiais que chegam a lembrar esculturas de massinha.

Além disso, The Mound: Omen of Cthulhu sofre com um atraso perceptível no carregamento de texturas. Em diversos momentos, personagens e objetos levam alguns segundos para serem totalmente renderizados, o que se torna especialmente incômodo durante a exploração e reforça a sensação de falta de polimento que acompanha o jogo do início ao fim.

Desempenho

Minha experiência foi em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. Como The Mound: Omen of Cthulhu foi desenvolvido na Unreal Engine 5, alguns dos problemas já conhecidos da engine também estão presentes aqui. Durante toda a minha jogatina, enfrentei stutters constantes, diversos travamentos que fizeram o jogo fechar inesperadamente e até mesmo uma falha tão grave que me obrigou a reiniciar o computador.

Nos momentos em que o jogo funcionava de forma minimamente estável, consegui jogar em 1440p, com os gráficos configurados no alto e DLSS no modo Equilibrado, obtendo uma taxa de quadros que variava entre 40 e 70 FPS. Ainda assim, as quedas de desempenho eram frequentes e prejudicavam significativamente a experiência.

Mesmo levando em consideração o histórico recente da Unreal Engine 5 em relação à otimização, o desempenho de The Mound: Omen of Cthulhu está muito abaixo do esperado. Os problemas de performance afetam diretamente a jogabilidade e comprometem a experiência do início ao fim, tornando esse um dos aspectos mais urgentes que a desenvolvedora precisa corrigir em futuras atualizações.

Vale a pena jogar The Mound: Omen of Cthulhu?

The Mound: Omen of Cthulhu apresenta diversas boas ideias, mas falha na execução de quase todas elas. As primeiras horas de exploração conseguem entregar momentos de tensão e uma atmosfera envolvente, porém a experiência rapidamente se torna repetitiva.

O level design mal planejado, a movimentação limitada e um sistema de combate inconsistente comprometem a jogabilidade, enquanto a pouca variedade de cenários, objetivos e inimigos faz com que a aventura se torne monótona muito antes do esperado. Quando os jogadores já conhecem todos os truques que a floresta utiliza para brincar com sua percepção, boa parte do impacto da experiência simplesmente desaparece.

Como se isso não bastasse, a performance é inaceitável. Travamentos, stutters, crashes e quedas constantes na taxa de quadros prejudicam a experiência do início ao fim e reforçam a sensação de falta de polimento. Mesmo nos momentos em que o jogo funciona de maneira relativamente estável, seu desempenho continua muito abaixo do que se espera de um lançamento.

No fim das contas, The Mound: Omen of Cthulhu transmite muito mais a sensação de ser um projeto em acesso antecipado do que um produto finalizado. Com uma boa dose de atualizações, ele pode até se tornar uma experiência cooperativa interessante no futuro. No estado atual, porém, é difícil recomendá-lo.

The Mound: Omen of Cthulhu foi desenvolvido pela ACE Team e lançado no dia 15 de julho para PC via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, com suporte completo a crossplay. 

*Review elaborada em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Nacon.

The Mound: Omen of Cthulhu

BRL 169,90
6.8

Gameplay

6.0/10

Gráficos

7.0/10

Sons

8.0/10

Inovação

6.0/10

Prós

  • A premissa é boa e original
  • Bom uso dos mitos de Lovecraft nas mecânicas do game
  • Os cenários são visualmente bonitos
  • Excelente trabalho sonoro na ambientação

Contras

  • Um péssimo prólogo
  • Faltou conteúdo, pois as missões e cenários se repetem demais
  • Problemas na movimentação e combate pouco funcional
  • Problemas graves de desempenho no PC

Leandro Paiva

Um estudante de jornalismo e o primeiro estagiário do site. Degustador nato de coxinha e pizza fria com ketchup. Amante de RPG, principalmente aqueles em que é possível pescar em vez de fazer a missão principal. Piadista em tempo integral e um grande degustador de café. Defensor de Birds of Prey e da DC em geral nas horas vagas.