CONTROL Resonant | Review
Antes de CONTROL Resonant, a Remedy já estava mundialmente conhecida por vários de seus jogos criativos, que misturam mundos bastante próximos da nossa realidade, ao mesmo tempo que criam eventos sobrenaturais que desafiam as leis da física que conhecemos no mundo real, mas que permanecem verossímeis na narrativa que a desenvolvedora está tentando contar.
Essa identidade começou a tomar forma em Max Payne, que, embora não contasse com atividades sobrenaturais, já demonstrava a excelência em fazer campanhas cinematográficas da Remedy. Depois vieram Alan Wake, Quantum Break e CONTROL. Todas são franquias de grande sucesso que eu aprecio muito.
Por isso, receber a oportunidade de jogar CONTROL Resonant antes do lançamento não foi para mim apenas mais uma chance de entregar uma boa análise, mas também construir uma review falando sobre aquilo que eu já amava anteriormente e que queria ver suas novas peças sendo reveladas.
Principalmente porque, nesse novo jogo, a Remedy saiu parcialmente de sua zona de conforto. Ao invés de criar uma aventura linear e focada na narrativa, a empresa decidiu explorar o escopo de um mundo aberto em Manhattan, ao mesmo tempo que evolui a história de CONTROL e seus personagens principais. Assim, nessa review eu te contarei tudo que você precisa saber sobre CONTROL Resonant. Por isso, sente-se, fique confortável e embarque comigo em mais uma review antecipada aqui no Pizza Fria!
Como CONTROL Resonant se sai tecnicamente?
Começar uma análise criticando o jogo em questão não é exatamente o que eu gosto de fazer. Porém, sinto que devo tirar o elefante da sala logo no início. Acredite, o elefante de CONTROL Resonant é grande. Primeiramente, toda a minha review foi feita com base na versão de PlayStation 5 padrão, portanto outras plataformas podem apresentar diferenças de performance.
Com isso fora do caminho, vamos começar pelo visual. Acredito que muitos de vocês que acompanharam a Remedy nos últimos anos se impressionaram com os gráficos de Alan Wake 2. Por muito tempo, esse era um dos únicos jogos que apresentavam o potencial da atual geração de consoles. Por causa disso, a minha expectativa para CONTROL Resonant era relativamente alta, mesmo considerando que ele tem um mundo aberto. Infelizmente, a desenvolvedora não conseguiu manter o nível de seus jogos anteriores nesse título.
Dito isso, os gráficos de CONTROL Resonant são inconsistentes. A modelagem dos personagens várias vezes se parece com massinhas de modelar. Em alguns momentos em que há luzes batendo em seus rostos, a iluminação parece saltada demais e os pelos faciais demonstram serrilhados bastante visíveis. Além disso, as expressões faciais são péssimas. Para efeito de comparação, a modelagem dos NPCs e protagonistas se assemelha ao que vimos em vários jogos da Ubisoft na geração passada, que eram criticados justamente por serem muito artificiais.

Outro ponto negativo aqui é a quantidade de artefatos, serrilhado e desfoque no resto do mundo. Eu não vou conseguir confirmar se isso é um efeito causado especificamente pelo FSR. Mas, considerando a quantidade de problemas relacionados a esses aspectos em outros títulos, minha hipótese gira em torno de uma combinação entre a implementação do FSR, a iluminação e os reflexos.
Em superfícies metálicas, a comparação com uma TV de tubo antiga sem sinal foi inevitável enquanto eu jogava. Em alguns locais com vidros transparentes, nem se preocupe em tentar ver o que há do outro lado, já que se você não estiver com a câmera colada no vidro, o granulado irá estragar completamente a sua visão. Algo que eu recomendo para todos que forem jogá-lo é desativar a opção de granulado de filme nas opções gráficas, o que irá deixar o visual um pouco mais estável, apesar de não resolver o problema. De qualquer forma, esteja sabendo que, além do granulado existir, em vários momentos ele ficará “se movimentando” pela tela.

É claro que, em alguns locais, o jogo se sai melhor. Quando não há nenhum tipo de superfície com reflexos, ou em situações em que a iluminação não precisa ser muito trabalhada, CONTROL Resonant apresenta uma aparência que incomoda menos. Além disso, a quantidade de partículas de fumaça e efeitos visuais voando pela tela durante as lutas foi bastante impressionante. Mas, ainda assim, não espere um visual avançado.
E quanto à performance? CONTROL Resonant sustenta um bom desempenho?
Com uma apresentação gráfica mais simples, seria razoável esperar que o desempenho permanecesse estável em CONTROL Resonant. Mas, novamente, a experiência que eu tive foi abaixo do nível técnico que a Remedy já demonstrou que pode entregar.
Para começo de conversa, Resonant traz dois modos gráficos: desempenho e qualidade. No modo desempenho, o jogo tem como alvo os 60 quadros por segundo e roda em 1440p. Já no modo qualidade, a resolução é aumentada para 2160p, mas a taxa de quadros é travada em 30fps. Nos dois casos há uso de FSR. No PlayStation 5 padrão, não há um modo balanceado.
Uma coisa que vocês devem estar se perguntando é: “o modo qualidade resolve os problemas gráficos de CONTROL Resonant?”. Apesar de aumentar a resolução, os problemas técnicos continuam aparentes, mas agora acompanhados de uma taxa de quadros menor. De qualquer forma, jogar o jogo nessa opção não se mostrou uma experiência muito atraente devido à velocidade com que os confrontos acontecem e à necessidade de reflexos rápidos em algumas situações.
Por causa disso, optar pelos 60 quadros foi o melhor para mim, mas ele ainda traz questões que precisam ser resolvidas. Em vários momentos, a taxa de quadros cai bruscamente. E quando eu digo “cair”, estou falando de, em alguns cenários, a imagem travar por alguns segundos. Isso foi ainda mais evidente no fim da campanha, em situações nas quais o número de inimigos em tela aumenta e há mais efeitos visuais acontecendo simultaneamente. Dessa forma, aqueles que quiserem jogar no PlayStation 5 deverão enfrentar vários incômodos enquanto combatem as ameaças de Manhattan.
Sons e dublagem
Se os aspectos técnicos não foram exatamente o ponto forte de CONTROL Resonant, o mesmo não pode ser dito de seu trabalho sonoro. Os efeitos sonoros são competentes e ajudam a dar peso aos combates, com cada barulho intensificando os golpes e as ações que o jogador e os inimigos fazem pelo ambiente. Aqueles que jogam no PlayStation 5 também terão acesso ao recurso de Áudio 3D.
Um destaque especial fica para as músicas do Mixtape da Zoe, canções que Dylan receberá em alguns diálogos com ela, ajudando a tornar as interações entre os dois personagens ainda mais marcantes. Alguns dos nomes populares por trás dessas músicas são Frida Amundsen, Sakima, Heviteemu, Costee e Vilma Jää.
A dublagem em português brasileiro também está presente e cumpre bem seu papel durante os diálogos. Embora não tenha encontrado nenhuma atuação que tenha se destacado particularmente para mim, a localização torna a narrativa mais acessível para o público brasileiro e funciona sem comprometer a experiência.
A Remedy continua acertando na direção de arte
Algo que recebe grande destaque nos jogos da desenvolvedora é sua capacidade de criar mundos criativos, com direções de arte excepcionais. Vimos isso acontecer lá em Max Payne, onde a produtora conseguiu capturar o clima de Nova York e encaixar na história melancólica de Max. Também vimos em Alan Wake, com sua atmosfera sombria. E agora vemos novamente sua capacidade em CONTROL Resonant.
E devo dizer que isso não foi algo que eu, particularmente, achei incrível nos primeiros cenários. A verdade é que o jogo começa bastante simples, com cenários bem próximos da nossa realidade e apenas algumas maluquices aqui ou ali. Porém, conforme o game avança, as loucuras da Remedy começam a tomar forma. E é a partir desses momentos que eu vi o que a empresa consegue fazer quando usa uma de suas maiores qualidades.
Apesar de seus tropeços técnicos quando falamos sobre os gráficos, a direção de arte das áreas finais é tão bela que, em alguns momentos, eu até esqueci do resto dos problemas. Algumas das imagens que eu capturei enquanto jogava poderiam ir diretamente para meu papel de parede do PC.

Mas CONTROL Resonant não para por aí. Acredite, você não está preparado para o que a Remedy entregou perto do fim do jogo. Se você, como eu, já ficava chocado com o que o primeiro CONTROL e Alan Wake apresentavam, Resonant entrega o mesmo nível de absurdo, mas agora no escopo de um mundo aberto. E isso, na minha opinião, foi incrível de se ver.
A nova gameplay de CONTROL Resonant
Enquanto o primeiro jogo da saga trazia uma jogabilidade com manipulação de objetos do ambiente e da arma de serviço, sua continuação tenta não apenas expandir tudo isso, como também segue por um lado bastante diferente: embarcar nos terrenos hack n’ slash, com combate corpo a corpo, exploração aberta e alguns elementos souls like.
Aqui, controlamos Dylan, irmão da protagonista do primeiro jogo. Ao invés de utilizar uma arma de serviço, os jogadores deverão escolher inicialmente o formato da Aberrante, sua nova companheira de combate. Os formatos variam entre golpes rápidos, fortes ou em área. Além disso, ao realizar algumas ações específicas dentro da campanha principal, novos tipos de ataque serão desbloqueados.
É importante escolher bem o que é melhor para seu tipo de jogatina, visto que trocar esses elementos lhe custará um item de redefinição, que pode ser comprado ou obtido através de algumas missões. Mas não se preocupe se quiser jogar com outras formas da Aberrante em outras jogadas, visto que você receberá uma oportunidade de desbloquear mais formatos no New Game+.
Após derrotar os Ressonantes, você também terá a oportunidade de escolher um entre três poderes especiais. A variedade entre essas habilidades é bastante interessante. Uma delas, por exemplo, permite que o jogador invoque um pequeno aliado durante os combates. Enquanto isso, outra permite atirar fogo pelas mãos. Tudo isso pode ser usado durante as batalhas para facilitar seu caminho até a vitória, desde que você tenha pontos de poder suficiente.

Porém, uma crítica que eu devo fazer é que, embora a variedade de ataques seja relativamente alta, você quase nunca precisará de tudo isso na prática. Eu, por exemplo, resolvi praticamente todas as lutas utilizando apenas o ataque forte da Aberrante. Ou seja, boa parte da minha jogatina se resumiu em desviar de um ataque ou outro e segurar o triângulo até o inimigo morrer. Depois disso, é só fazer a mesma coisa com o próximo oponente que surgir.
É claro que em um momento ou outro era interessante utilizar algum tipo de poder diferente. Lançar fogo era particularmente eficiente contra os inimigos de mofo. Mas, tirando algumas situações durante a campanha, o ataque forte continuou sendo suficiente para mim.
“Então o jogo é fácil?”. De certa forma, é fácil encontrar um ataque que seja quebrado o suficiente para te desmotivar a utilizar os outros. Por outro lado, a quantidade de inimigos em tela e o dano que eles causam, especialmente no fim do jogo, são brutais. Quer passar por essa porta para explorar o que tem dentro desse prédio? Lide com quase 20 inimigos na entrada. Foi explorar o prédio logo ao lado desse? Ótimo, tem mais uma quantidade absurda deles te esperando.
Explorar o cenário labiríntico de CONTROL Resonant já exige certo raciocínio para não se perder. A fadiga do combate foi tanta que, em certos momentos, eu simplesmente habilitava o modo de morte com um golpe nas opções de acessibilidade para poder apreciar o mundo sem ter que ficar 10 minutos parado lutando contra diversos inimigos a cada cinco metros que andava.
E não pense que é só derrotar os inimigos mais fracos para diminuir a quantidade deles no combate. CONTROL Resonant traz um sistema um tanto estranho. As batalhas apenas acabam quando os inimigos fortes são derrotados. Ou seja, caso você tente eliminar os oponentes menos poderosos primeiro, o jogo continuará colocando novos adversários em campo enquanto os mais fortes permanecerem vivos. Não preciso nem dizer que isso torna os confrontos ainda mais cansativos, já que lidar com adversários com ataques potentes enquanto diversos outros inimigos continuam surgindo ao seu redor é complicado.

O mundo aberto de CONTROL Resonant
Para aqueles que não lembram do primeiro jogo, lá controlávamos Jesse, que procurava seu irmão dentro da Antiga Casa. Por causa disso, toda a exploração e eventos dele se concentravam em locais fechados, com pouco espaço para acontecimentos de maior escala. Em CONTROL Resonant, Dylan consegue sair de seu confinamento no DFC. Mas seus inimigos, como o Ruído, conseguiram escapar também e agora estão contaminando boa parte de Nova York.
Nessa jornada, os jogadores irão, através de Dylan, conhecer muito mais sobre suas origens, sobre os vilões do jogo e até mesmo sobre Jesse. Contar essa história através de um mundo aberto permitiu que a Remedy conseguisse demonstrar algumas de suas ideias para o enredo com muito mais impacto.
Observar como as áreas foram afetadas pela padronagem e pelo Ruído, explorar seus ambientes e conhecer seus personagens foi bastante divertido. Ouvir durante o começo do jogo que há um parque enorme contaminado com o mofo e depois chegar no local e ver aquele grande campo mofado foi uma sensação muito boa. Infelizmente, eu não posso falar sobre as partes mais impactantes de seu enredo aqui para não estragar sua experiência, mas se há um conselho que eu possa dar é: preste atenção nos diálogos, leia os documentos e explore o mundo. Acredite, isso valerá a pena conforme a loucura da história e, consequentemente, do mundo aumentar.

Os personagens principais, Dylan e Zoe, também interagem em diversos momentos através de um rádio, dando a oportunidade ao jogador de compartilhar seus feitos com a “chefe” do protagonista, que cada vez mais demonstra seu carisma através dessas conversas. Apesar de não ser a melhor personagem dos videogames, Zoe é um ótimo par para Dylan e eu achei seus diálogos bastante divertidos.
Além disso, aqueles que explorarem de forma mais completa poderão obter pedaços importantes da história, como informações adicionais sobre Jesse, Ressonantes extras para enfrentar e até um chefe completamente opcional, mas que fecha o arco de um dos personagens centrais do jogo. Algumas missões secundárias também fazem isso valer a pena, não só pelo conteúdo, mas pela surpresa que elas trazem com suas ideias únicas. Há desde táxis misteriosos que te levam para outro local até um karaokê assassino entre os eventos malucos que CONTROL Resonant traz em seu mundo.
Eu também adorei um rompimento completo na narrativa e na forma como o mundo é mostrado para o jogador na metade da campanha, sendo um dos aspectos que eu mais estou ansioso para ver a reação do público quando o jogo sair, apesar de achar que será divisivo.
Vale a pena jogar CONTROL Resonant?
Alguns leitores devem ter notado que eu comecei essa análise criticando bastante a experiência que tive com Resonant. Passando pelos gráficos medíocres, seus problemas de performance e sua gameplay um tanto esquisita, no começo da minha jogatina eu não conseguia encontrar muitas coisas para elogiar no jogo. Em um primeiro momento, até pensei que essa poderia ser uma review negativa.
Porém, ao avançar na campanha, comecei a perceber novamente o que fazia a Remedy ser uma boa desenvolvedora. E redescobri o porquê de eu amá-la. Observar sua direção de arte belíssima enquanto explorava seu mundo aberto foi uma experiência marcante para mim. E, de certa forma, é isso que eu busquei ao escrever essa análise: entender se, por trás de todos os problemas, ainda existia aquilo que me fez gostar tanto dos jogos da desenvolvedora.
Por causa disso, para aqueles que forem jogar, eu digo para não parar no meio do caminho por causa de um problema técnico ou outro. É claro que não digo para ignorá-los. Alguns desses problemas são graves e precisam ser solucionados. Porém, foi tentando buscar aquilo que o jogo tinha de melhor que consegui encontrar diversão não apenas nessa franquia, mas também naquilo que a desenvolvedora pode fazer no futuro.
Por isso, meus caros leitores, a mensagem final que deixo é que CONTROL Resonant é um bom jogo. Caso o preço seja justo para você, não hesite em dar uma chance a ele. Afinal, por trás de seus problemas, existe uma experiência divertida e, sem dúvidas, extremamente maluca. Exatamente o tipo de loucura que me fez amar a Remedy em primeiro lugar.
CONTROL Resonant será lançado em 24 de setembro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam e Epic Games Store por R$ 230,90 (o preço pode variar de acordo com a plataforma). A versão para Mac será lançada posteriormente.
*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Remedy Entertainment.
CONTROL Resonant
BRL 230,90Prós
- Mundo aberto permite que as ideias da Remedy sejam apresentadas através de um escopo ainda maior
- Direção de arte é maravilhosa
- Há uma certa variedade na hora de escolher sua forma de combate
- Localização completa em português brasileiro
Contras
- Os gráficos do jogo ficaram aquém do que eu esperava
- Apesar da variedade de opções no combate, nem sempre elas são necessárias na prática
- Há vários problemas de performance e bugs presentes no jogo




