Moonlighter 2: The Endless Vault | Review
Moonlighter 2: The Endless Vault é um misto de roguelike (bem like) com gestão de lojinha desenvolvido pela Digital Sun e publicado pela 11 bit studios. Nele, acompanhamos as desventuras e aventuras de um lojista que precisa ir muito, muito longe para buscar as coisinhas que vende em sua loja, por preços bem amigáveis. Que cara legal!
E aí, será que vale a pena acompanhar essa jornada? É o que saberemos agora, em mais uma análise pouco comercial, e muito emocional, do Pizza Fria!
Salvando os negócios
Olá, olá, olá, gente maravilhosa que sempre está por aqui dando o ar graça e o prazer da boa companhia. Estamos reunidos hoje, daquele jeitinho maneiro que conhecemos e amamos, para falar sobre um certo joguinho que está prestes a sair do acesso antecipado e, felizmente, já se encontra pronto para nosso aproveitamento e, porque somos desses, julgamento. Mas tudo com carinho e respeito, obviamente.
Moonlighter 2: The Endless Vault, o famosinho, sai de seus meses de preparo e evolução pronto para entregar uma experiência interessante que propõe reunir algumas mecânicas bem leves de rogue com ação isométrica e, com maior enfoque, gestão e controle de comércios. Algo já explorado, com certo sucesso, no primeiro título da saga e que, agora, chega ainda mais expandido e com algumas novas ideas.
Joguei um pouco do early access e fiquei positivamente curioso, notando que o jogo tinha potencial e que suas mecânicas, ainda que caíssem na rotina após um tempo, tinham um bom potencial e a capacidade de nos fornecer algumas boas horas de diversão e, até, desafios. Mas, será que eu acertei na aposta? É o que saberemos agora.

História
A narrativa de Moonlighter 2: The Endless Vault , conta as presepadas de Will, protagonista do primeiro jogo e comerciante espetacular. Ou ele era, até ser expulso de sua cidade pelo vilão, perder sua loja e cair em dívidas. Para tentar dar um jeito nisso, nosso camarada reúne seus amigos, antigos e novos, e parte para explorar várias dimensões em busca de artefatos e uma graninha da boa.
Além disso, Will encontra algo conhecido como Cofre, um cubo mágico falante que o dá prêmios mágicos conforme alcançamos certos totais de vendas. Será que conseguiremos recuperar nossa glória? O que é o Cofre? Essas, e outras perguntas, motivam nossa busca e dão uma direção para nossa aventura.
Moonlighter 2: The Endless Vault tem uma trama bem simples e direta, com personagens sendo apresentados conforme avançamos nas dimensões e desbloqueamos mais funcionalidades para nossa loja e cidade. Eles são adequados, e até tem personalidades únicas, mas não são especialmente interessantes ou intrigantes.
Por fim, a trama se enfoca bastante nos habitantes da cidade e nos amigos de Will, de maneira bem leve e despretensiosa. Isso é uma das qualidades dessa face do jogo, mas ainda sinto que falta um sal, um tompero, que nos deixassem mais intrigados e motivados a conhecer todos eles.

Jogabilidade
Moonlighter 2: The Endless Vault, em termos gerais, pode ser definido como um roguelike de ação isométrico, no qual usamos uma seleção de armas de curto e longo alcance enquanto exploramos salas em diversas dimensões, lutamos contra diversos monstros e reunimos relíquias para vendermos em nossa loja em troca de doce, doce dinheiro.
Além disso, precisamos fazer a gestão do espaço em nossa mochila. Afinal, a capacidade de carga de Will é limitada, então é necessário aplicar as habilidades que ganhamos com a maleta de Resident Evil para garantir que tudo esteja bem ordenado para maximizar a quantidade de tranqueiras que podemos carregar. O grid é simples, baseado em linhas e colunas, mas é possível e necessário se organizar.
O combate de Moonlighter 2: The Endless Vault é bem direto, sendo composto por um botão de ataque forte, fraco, rolar, uma mochilada que joga inimigos atordoados para longe e um para usarmos nossas armas de fogo (ou gosma). Os inimigos são bem simples e diretos, com chefes mais elaborados nos esperando no fim de cada dimensão.
Temos quatro armas a nossa disposição: uma espada curta para dano em área, longa para dano pesado, lança para alcance e luvas para maior DPS. Elas são bem diferentes entre si, e cada tipo possui diferentes exemplares que podemos craftar com itens que encontramos. Eles fornecem certa variedade, mudando alguns atributos e maneiras de funcionamento do arquétipo original.

Por exemplo, a espada longa de Moonlighter 2: The Endless Vault funciona com o esquema de afiar. Batemos com o golpe forte para aumentar a barra, golpe fraco para dar mais dano e gastá-la. Contudo, uma espada longa em específico inverte esse princípio, e por aí vai. É algo simples, mas que ajuda a dar um pouco de cor a uma seleção limitada de equipamentos.
Outro ciclo de jogo envolve as relíquias que encontramos, cada qual com diversos níveis de raridade e pontos de qualidade. O legal, aqui, é que existem algumas com efeitos especiais que podem aumentar ou diminuir esses atributos, e eles mudam de acordo com o mundo que estamos. Alguns queimam relíquias para aumentar a raridade, outros as deixam com carga positiva que pode ser adicionada ou tirada, e por aí vai. É algo simples, mas bem divertido de aprender e usar.
Essas relíquias, então, são vendidas na lojinha do protagonista de Moonlighter 2: The Endless Vault. Colocamos elas em suas prateleiras, marcamos o valor que queremos (que pode ser muito alto ou baixo, variando a satisfação do cliente) e organizamos nossas decorações (que oferecem buffs) para deixar tudo no jeitinho para abrir e receber a galera.
Essa parte é essencial, porque nos dá fundos para melhorar o personagem e conseguir liberar mais coisas do Cofre ganancioso. É um sistema bem simples e direto, que funciona e não é muito complexo de dominar. Contudo, ele acaba por se tornar repetitivo com o tempo, visto que não há muita variação e, depois de certo tempo, já podemos saber o preço de tudo. Daí pra frente fica no ciclo de colocar para vender, receber, copiar e colar.

Moonlighter 2: The Endless Vault tem alguns problemas, contudo. O primeiro que observei foi como o jogo cai com certa rapidez na mesmice, em boa parte pela quantidade reduzida de biomas e o fato de que as salas que encaramos, no fim das contas, se resumem apenas a enfrentar e derrotar todos os inimigos. Normal em um rogue, mas muito menos variado do que vemos em outros do gênero.
As mecânicas também são mais simples, se resumindo basicamente a enfrentar as salas geradas randomicamente e usando o que pegamos para criar armas e melhorar nossas poções e vida. É funcional, claro, mas acho que sempre é bom tentar variar o esquema para evitar cair nessa armadilha.
O pior, contudo, é o desempenho de Moonlighter 2: The Endless Vault. O jogo demora muito para abrir telas, abrir baús, entrar na loja, e tudo que necessite de carregamento. Isso é bem chato, e por vezes passei mais tempo esperando algo abrir do que fazendo o que fui até lá. Levando em conta que temos que abrir baús todo o tempo, por exemplo, isso acaba se tornando um problema.
Por fim, encontrei uma boa quantidade de bugs, alguns inclusive me impedindo de continuar a narrativa. Um deles, por exemplo, fazia o jogo fechar sempre que eu tentava enfrentar um chefe. Por isso nunca consegui liberar as armas que precisam dos materiais dele e nem continuar as missões relacionadas a sua dimensão.

Sons e visuais
Moonlighter 2: The Endless Vault tem visuais bem bonitinhos e coloridos, com personagens fofos e uma identidade visual bem sua e de destaque. Contudo, sinto que ele poderia ter uma maior variedade de inimigos e cenários, que se repetem com certa frequência. O que se torna ainda mais evidente dado o pequeno número de biomas.
O mesmo se passa com a trilha sonora, que é bem relaxante e combina com o estilo do título, mas acaba por não se destacar tanto assim. Ela brilha mais, portanto, nos momentos mais tranquilos nos quais estamos na lojinha ou fazendo coisas do tipo. Ah, e temos nossa legenda!

Vale a pena jogar Moonlighter 2: The Endless Vault?
Moonlighter 2: The Endless Vault, meu povo, é um jogo com diversas ambições e que, e diferentes medidas, consegue entregar o que se propõe. Além disso, ele consegue atingir um balanço interessante entre duas camadas que até poderiam ser fracas sozinhas, mas que acabam sucedendo na soma das partes.
Do lado positivo, curti bastante o ciclo de jogo de buscar coisas, arrumar a mochila e depois vender. Também me agradei do combate do jogo e todo o esquema de relíquias. Contudo, acho que ele cai na repetição muito rápido, que não explora tanto seus elementos rogue e, principalmente, me frustrei com os tempos de loading (tanto dock quanto portátil) e os bugs.
Contudo, entre mortos e feridos Moonlighter 2: The Endless Vault se salva sem muito sofrimento. O jogo possui boas ideias e algumas mecânicas que o diferem no gênero, podendo até servir como porta de entrada para alguns, mas seus pontos negativos acabam por o impedir de atingir todo seu potencial. De todo modo, é uma boa experiência.
Moonlighter 2: The Endless Vault será lançado em sua versão completa no dia 2 de setembro para PC, via Steam, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2. O jogo também estará disponível por meio do Game Pass.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2 com código fornecido pela 11 bit studios.
Moonlighter 2: The Endless Vault
Prós
- Sistema de relíquias é bem legal de aprender e utilizar
- Ciclo de aventura e venda na loja consegue nos distrair por umas boas horas
- Variantes de cada arma ajuda a evitar a mesmice dentro dos 4 arquétipos
- Visuais fofos
- Legendado em português
Contras
- Personagens pouco interessantes e desenvolvidos
- Cai na repetição com muita facilidade
- Carregamento longo tanto para entrar e sair de telas quando para abrir menus e baús
- Desenvolve pouco seu lado rogue, não indo muito além da implementação básica
- Podia ter mais variação nas salas e desafios




