Way of the Hunter 2 | Review

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Sempre tive uma relação curiosa com jogos de caça, e quando Way of the Hunter 2, jogo lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam, fiquei logo animado. Afinal, gosto muito de jogos sobre natureza, ecossistemas e toda a questão sobre comportamento animal, especialmente quando o jogo parece realmente funcionar como um ambiente vivo e não apenas como um mapa cheio de recursos esperando para serem coletados.

Por outro lado, sempre fui meio crítico a ideia de caçar animais apenas por esporte, ainda que tudo esteja acontecendo dentro de um jogo. No entanto, ao consultar biólogos, vi que, em algumas ocasiões, a caça pode ser benéfica para os ecossistemas, sobretudo contra espécies invasoras e controle populacional. No Brasil mesmo, temos um problema com os conhecidos javaporcos, que podem ser caçados, mas com regulamentação, é claro. É justamente nesse espaço entre simulação, conservação e caça esportiva que Way of the Hunter 2 tenta construir sua identidade.

A proposta continua seguindo aquilo que o primeiro jogo já fazia: tratar a caça como um processo mais cuidadoso do que simplesmente encontrar o maior animal possível e apertar o gatilho. Diversos aspectos são considerados antes de se abater um animal: genética, idade, saúde do rebanho, comportamento, posicionamento, vento, cheiro, distância e qualidade do disparo. Em muitos momentos, a melhor decisão é justamente não atirar. Há animais jovens com excelente potencial genético que devem ser preservados, espécimes mais velhos que já estão no fim do ciclo natural e indivíduos com baixa aptidão genética cuja remoção pode beneficiar todo o rebanho.

Mas Way of the Hunter 2 traz mais. Há regiões novas, modelos de animais melhores, mais equipamentos, um sistema ecológico mais elaborado, um cachorro de caça e uma preocupação maior em fazer cada reserva parecer realmente um ecossistema vivo. Ao mesmo tempo, os mapas continuam enormes e as jornadas continuam, obviamente, tranquilas e lentas, exigindo muita paciência ao jogar.

Ao começar a jogar, a pergunta que me surgiu não era apenas se eu conseguiria acertar um disparo perfeito. Era se o jogo conseguiria tornar cada espera, cada caminhada e cada decisão parte de algo interessante e recompensadora. Afinal, realismo por si só não basta. Ele precisa gerar escolhas. Sendo assim, falarei todas as minhas impressões sobre Way of the Hunter 2 nesta análise. Confira!

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A experiência da caça em seus mínimos detalhes

O grande mérito de Way of the Hunter 2 está em fazer a caça parecer parte de um sistema maior, sendo um simulador. Com isso, o jogador não entra em uma reserva apenas para reduzir o número de animais e acumular troféus. É necessário observar diversos detalhes dos animais como idade, condição, genética e estrutura dos rebanhos.

Ao usar os binóculos, é possível analisar todas essas informações. Um animal jovem com genética excelente não é sempre uma boa presa. Pelo contrário: deixá-lo crescer pode permitir que ele se reproduza e melhore a qualidade geral do rebanho ao longo do tempo. Ou seja, Way of the Hunter 2 é uma experiência de longo prazo. Da mesma forma, remover animais mais velhos ou com baixa qualidade genética pode beneficiar a população.

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O jogo conta com um excelente tutorial no início. (Imagem: Reprodução)

Gostei muito desse sistema porque ele cria uma sensação de responsabilidade diferente de outros jogos. Aos poucos, certos rebanhos deixam de ser apenas grupos de animais aleatórios e começam a parecer algo que vamos acompanhando ao longo das missões. Encontrar novamente um grupo perto do lodge e perceber que alguns indivíduos cresceram gera uma sensação de continuidade que nunca senti em outros jogos do gênero.

Com isso, a caça em Way of the Hunter 2 passa a ser uma mistura de observação, gerenciamento e paciência, muita paciência. Em vários momentos, eu tinha um animal perfeitamente alinhado na mira e simplesmente decidia não atirar. Isso diz muito sobre a proposta. O jogo recompensa tanto a capacidade de acertar quanto a disciplina de esperar.

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Analisar os grupos de animais vira quase que uma rotina. (Imagem: Reprodução)

A caça começa bem antes de atirar

A caça em si continua sendo extremamente cuidadosa, sendo uma experiência de quase simulação. Vento, cheiro, ruído, distância, relevo e comportamento animal interferem diretamente na aproximação. Os animais percebem sons e odores com muita facilidade. Chegar pelo lado errado do vento ou fazer barulho demais pode acabar com uma tentativa de aproximação que levou um bom tempo para acontecer, sobretudo por termos que andar de forma extremamente lenta. Isso torna cada encontro tenso.

Quando finalmente chega o grande momento de atirar, o posicionamento importa tanto quanto a precisão. O sistema de revisão do disparo ajuda bastante a entender todos os mínimos detalhes da trajetória, velocidade, ângulo e ponto de impacto. Para quem está aprendendo, é uma ferramenta excelente. Essa análise após o tiro é como se fosse um Sniper Elite com rigor científico e sem qualquer espetáculo. É puro aprendizado. Um disparo mal colocado pode ferir o animal sem derrubá-lo imediatamente, e isso pode anular a caça. Isso torna a caça mais significativa. Isso pode ser frustrante para alguns, mas faz parte da caçada.

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O rastreamento dos animais é facilitado a depender das assistências de configuração. (Imagem: Reprodução)

Regiões diferentes com ecossistemas bem produzidos

Way of the Hunter 2 traz três regiões principais. A primeira, New Laurentia, oferece uma grande área norte-americana, com florestas, planícies e uma investigação ligada ao comportamento incomum de alces. O Kilimaya Reserve leva a experiência para a África, com animais como hipopótamos, búfalos, leões e crocodilos-do-Nilo. Já a sede da Hearth & Hunt funciona como uma região menor nas Montanhas Rochosas, servindo como ponto central para progressão e gerenciamento.

Essa variedade ajuda bastante a dar uma variedade ao jogo. Cada região tem uma atmosfera própria e tipos diferentes de animais, o que naturalmente muda a forma de caçar. Não é a mesma coisa perseguir um cervo em uma floresta densa e observar um grande herbívoro em campo aberto. Além disso, visualmente, as três regiões são muito bonitas. Há uma sensação constante de escala, principalmente em áreas abertas, onde o horizonte parece realmente distante. A vegetação, a iluminação e os animais ajudam a construir um mundo que parece vivo.

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O mapa da primeira área é enorme! (Imagem: Reprodução)

O problema é que essa escala também pode jogar contra o ritmo. Os mapas são enormes, e nem sempre o jogo encontra algo interessante para preencher todos os trajetos. Em algumas sessões, eu estava observando animais, lendo rastros e tomando decisões. Em outras, simplesmente estava andando, andando e andando. Felizmente, temos acesso a veículos, mas eles fazem barulho demais e espantam facilmente os animais, atrapalhando mais do que ajudando no final das contas.

Finalmente temos um cão de caça

Uma novidade em Way of the Hunter 2 é o cão de caça. No entanto, ele não fez tanta diferença na minha experiência, zanzando mais pela tela do que farejando pegadas ou outras coisas. Em um jogo onde rastrear um animal ferido essa pode ser uma das partes mais demoradas, mas, felizmente, com o sistema de marcação, conseguimos alguma facilidade. Porém, em modos mais complexos, o cão de caça ajuda, sendo capaz de detectar sinais e seguir trilhas de sangue.

Nesta parte, o cachorrão ajuda. Depois de um disparo, sobretudo quando o animal a ser abatido corre por uma longa distância, o cachorro pode assumir um papel essencial na recuperação da presa. Isso torna a busca menos frustrante. Se eu decidi atirar, devo acompanhar o resultado e encontrar o animal, sobretudo com a mira após o tiro dado. Também gostei do fato de o cachorro evoluir com uso e treinamento. Ele deixa de ser apenas uma ferramenta, sendo parte da rotina de caça. Mesmo não funcionando como eu imaginava, o cão de caça é uma boa adição em Way of the Hunter 2.

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Nosso amigo de caça ajuda em algumas partes, mas peca em outras. (Imagem: Reprodução)

Menos história, mais caça

Uma mudança importante em relação ao primeiro jogo é a redução do foco narrativo. A história familiar que existia no jogo anterior praticamente desaparece, dando lugar a personagens que funcionam mais como guias ou fornecedores de missões, e apenas isso. Entendo a decisão. A caça agora ocupa completamente o centro da experiência, e isso deve agradar muita gente.

Porém, ao mesmo tempo, senti falta de um pouco daquela personalidade. Os novos personagens cumprem suas funções, mas raramente deixaram uma grande impressão. A Hearth & Hunt serve como boa justificativa narrativa para conservação, manejo e caça responsável, mas a trama está longe de ser um dos grandes motivos para continuar jogando. Isso não prejudica um simulador de caça, mas torna a experiência mais direta e dependente exclusivamente de seus sistemas.

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Olha esse camarada, que coisa mais tosca. (Imagem: Reprodução)

Acessível para fãs e novatos

Way of the Hunter 2 faz um esforço maior para receber jogadores novos. Cada um dos tutoriais explicam melhor os conceitos importantes, especialmente gerenciamento de rebanhos e análise de animais. Isso é essencial em um gênero que muitas vezes presume que o jogador já sabe tudo sobre calibres, comportamento animal e escolha de presa. Já o sistema de revisão de disparos também funciona como ferramenta educativa. Em vez de apenas dizer que o tiro foi ruim, ele mostra por quê.

Há ajustes de dificuldade e algumas opções de acessibilidade, incluindo configurações de contraste para rastros e sinais. Porém, o pacote ainda está incompleto nesse aspecto. A própria desenvolvedora já indicou que mais recursos estão previstos para o futuro, o que sempre é bom. Aliás, é muito bom positivo saber que existem planos claros, mas isso não muda o fato de que algumas opções ainda não estão disponíveis durante o momento da análise.

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Em alguns momentos, parei para contemplar a natureza, que surpreende. (Imagem: Reprodução)

Vale a pena jogar Way of the Hunter 2?

Way of the Hunter 2 é um título que vale a pena principalmente para quem busca uma experiência diferente dos jogos atuais em que a ação sempre está em foco. Aqui, a jogabilidade requer paciência. É extremamente precisa, lenta, contemplativa e pensada em ser uma simulação. Este não é um jogo para entrar na floresta correndo e atirando. A graça e o desafio estão justamente no contrário: observar, esperar, analisar genética, estudar vento, acompanhar rebanhos e decidir se aquele animal realmente deveria ser abatido ou não.

É nisso que o jogo encontra sua identidade mais forte. A gestão dos rebanhos cria uma relação curiosa com os animais que eu mesmo não estava preparado. Com isso, esqueci um pouco da lógica dos troféus. Em vários momentos, estava pensando em como uma decisão poderia afetar aquela população no futuro. Poucos jogos de caça conseguem transmitir isso com tanta clareza quanto Way of the Hunter 2.

O cachorro também é uma boa adição, tanto mecanicamente quanto em termos de atmosfera, ainda que peque em alguns momentos. Rastrear sangue fica menos frustrante, recuperar animais feridos se torna mais natural e as longas caminhadas ganham um pouco mais de companhia. No áudio e no visual, a sequência também avança bastante. Os animais estão melhores, os ambientes são belíssimos e as três regiões oferecem diversidade suficiente para sustentar muitas horas de exploração.

Mas existem alguns probleminhas importantes. Alguns trechos longos possuem tempo morto demais, animais se assustam com facilidade que pequenos erros podem custar longos minutos e a versão atual ainda não inclui vários recursos anunciados. Essa última questão pesou um pouco para mim na hora da análise. É bom saber que existe um roadmap detalhado, mas recursos prometidos para depois não podem ser considerados como parte da experiência atual.

Way of the Hunter 2 é uma sequência mais ambiciosa e mais completa em vários aspectos, mas ainda não consegue equilibrar perfeitamente realismo, ritmo e conveniência. Portanto, se você não tem paciência e quer algo com ação, este definitivamente não é um jogo para você.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela THQ Nordic.

Way of the Hunter 2

BRL 158,60
7.8

História

6.8/10

Jogabilidade

8.4/10

Gráficos e sons

8.8/10

Extras

7.0/10

Prós

  • Genética e idade dos animais realmente influenciam as decisões
  • Cachorro de caça é uma boa adição
  • Boa abordagem de conservação e equilíbrio ecológico
  • Mais acessível para novos jogadores

Contras

  • Longos períodos com pouca atividade, algo que pode frustrar os jogadores
  • Vários recursos ainda estão previstos para atualizações futuras
  • Algumas animações parecem estar bugadas

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.