Twisted Tower | Review
Twisted Tower é um FPS frenético que coloca os jogadores na pele de um homem que, na busca por salvar sua amada, pula de frente para o desconhecido para enfrentar os jogos perversos de um resort abandonado. Eu realmente aprecio quando jogos de ação conseguem me cativar ao apresentar uma proposta diferente do comum. Foi o caso de Crisol: Theater of Idols, que analisei alguns meses atrás, e o mesmo se aplica à nova aventura criada pela Atmos Games.
O que mais me chamou a atenção em Twisted Tower foram suas fortes influências em BioShock, tanto em seu aspecto visual quanto em sua premissa narrativa inicial. Aqui, temos um mistério básico que, aos poucos, vai se tornando algo muito maior no decorrer da narrativa.
Entretanto, isso também me trouxe certo receio, pois, às vezes, quando jogos seguem demais os caminhos de suas inspirações e não conseguem atingir determinados níveis de qualidade das obras que os influenciaram, um certo sentimento de decepção acaba surgindo. Logo, nesse quesito, já posso adiantar que Twisted Tower conseguiu me impressionar em alguns momentos, enquanto em outros nem tanto.
Para entender melhor o motivo, venha comigo em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
Um mistério estilo filmes clássicos
Filmes clássicos, principalmente os de investigação noir, sempre estão no meu radar quando quero explorar obras do passado. Logo, sempre é uma surpresa agradável quando jogos introduzem esses elementos em suas narrativas. Este é o caso de Twisted Tower: o game utiliza visuais em preto e branco, cartazes de filmes antigos e até mesmo replica algumas cenas de filmes noir clássicos ao longo de sua narrativa, prestando uma grande homenagem a esse gênero. Esse é um dos aspectos que mais me impressionou no game e, de certa forma, é onde o título atinge seus maiores altos, pois a história em si acaba sendo bem menos interessante do que poderia.
A premissa é que assumimos o papel de Tiny Martin no ano de 1950, um homem que recebe uma carta misteriosa certo dia dizendo que o amor de sua vida, Charlotte, foi sequestrada e, se ele quiser tê-la de volta, terá que subir até o topo de uma torre em um parque temático. Esse aspecto do game já é bem BioShock, principalmente para aqueles que se lembram do começo de Infinite. Entretanto, não é por aí que param as inspirações.

A narrativa do game tem uma estrutura bem parecida com a do primeiro BioShock, com o jogador tendo que explorar vários dos cenários do parque temático. Nesse processo, o antagonista do game sempre aparece em TVs espalhadas pelo cenário para falar frases enigmáticas.
E aqui é onde o jogo começou a me perder bastante, pois os personagens de Twisted Tower não são cativantes de acompanhar, e o mistério introduzido, de que as coisas talvez não sejam o que parecem, se torna algo bem batido rapidamente, principalmente para quem conhece as histórias que inspiraram este game.
Foi bem fácil presumir os twists presentes aqui, e isso acabou me fazendo perder o interesse na narrativa muito rapidamente. Outra coisa que não ajudou é que boa parte da trama fica espalhada por documentos pelo cenário, e esses textos, em sua grande maioria, também são bem tediosos de ler e não adicionam muita coisa substancial à trama.

Também vale mencionar que, infelizmente, o jogo não conta com dublagem nem legendas em PT-BR, o que acaba prejudicando ainda mais a imersão na história para os jogadores que não sabem inglês. Apesar disso, nessa narrativa, não há muita coisa interessante sendo perdida.
Um parque temático cheio de armadilhas mortais
O grande forte de Twisted Tower é a forma como o jogo consegue transformar um parque temático em uma caixa de surpresas mortais para o jogador. Apesar de ser inspirado em BioShock em sua estética e até no feeling dos combates, a estrutura dos mapas lembra bastante Doom, no sentido de que chegamos a um cenário, trocamos tiros com alguns inimigos e precisamos explorar em busca de chaves para abrir novas salas e avançar.
Gostei de que alguns dos cenários contêm vários segredos, como salas secretas nas quais podemos encontrar gratas surpresas, incluindo vários tickets de troca que podemos usar em uma loja para dar upgrades em nossas armas. Esses tickets também podem ser utilizados em alguns mostruários espalhados pelo cenário, que normalmente contêm munição ou comida, os itens de cura do game.

Outro aspecto que o game acerta é a sensação de risco e recompensa. Logo no começo de Twisted Tower, temos acesso a um martelo que podemos usar para destruir várias caixas espalhadas pelo cenário. Em algumas delas encontraremos itens úteis, mas em outras podemos dar de cara com um inimigo mortal. E eu não consigo explicar, mas existe algo extremamente cativante em sair por aí usando um martelo gigante para destruir caixas em busca de prêmios. Talvez seja porque eu sempre tive o desejo de ir a um parque de diversões e jogar aquele jogo em que pegamos um martelo gigante e batemos em um peso, ou pode ser apenas porque o título aplica essa mecânica muito bem. Vai saber.
Além disso, o jogo tem um certo grau de liberdade na ordem em que podemos completar algumas salas, o que acaba adicionando um bom fator de replay ao jogo. Outro aspecto que se destacou bastante é a forma como o game introduz puzzles e armadilhas pelos ambientes, tornando-os uma caixa de surpresas na qual o jogador nunca sabe o que esperar.
Twisted Tower conseguiu me impressionar com várias de suas gimmicks, e algumas até me pegaram desprevenido, como salas que mudam de local ou de direção e até mesmo cenários cheios de armadilhas nos quais o jogo quase se transforma em um jogo de plataforma.

Entretanto, também senti que existe certo potencial perdido em alguns aspectos do gameplay. Um exemplo claro disso acontece em uma parte de Twisted Tower em que conseguimos um gancho que pode ser usado para alcançarmos lugares mais altos. Apesar de eu ter gostado de que, para ativarmos essa habilidade, precisamos sempre realizar um pequeno puzzle antes, que envolve ativar, em outra sala, o ponto em que podemos usar o gancho e retornar o mais rápido possível, de forma geral, o fato de ele ser utilizado apenas dessa maneira acabou tornando essa mecânica repetitiva demais, ainda mais por ser usada em excesso ao longo do jogo.
Faltou intensidade no sistema de combate
Entretanto, apesar de ter me impressionado no aspecto do design dos cenários, Twisted Tower acaba sendo bem mediano no que diz respeito ao combate. O game conta com várias armas que vamos encontrando ao longo da campanha, incluindo metralhadoras, shotguns e pistolas, e eu realmente adorei o design delas, que puxa bastante para algo temático dos jogos de tiro ao alvo encontrados em parques de diversões. Mas, falando dos combates em si, o game acabou derrapando por não entregar um nível de dificuldade realmente intenso, mesmo na dificuldade mais alta, algo que considero crucial nesse estilo de jogo.

Além disso, os inimigos do game são bem fáceis de lidar com qualquer arma. Logo, mesmo usando uma pistola ou uma shotgun que, em teoria, deveria ser bem mais forte e causar um impacto maior com os tiros, eu realmente tive a sensação de que, independentemente da arma utilizada, estava sempre gastando a mesma quantidade de balas para derrotá-los. Isso acabou tirando bastante da minha imersão nesses confrontos.
Também senti falta da introdução de inimigos mais desafiadores, contra os quais eu precisaria pensar de maneira mais tática e encontrar a melhor forma de lidar com cada situação.
Gráficos e trilha sonora
A estética de Twisted Tower é o aspecto mais forte do game. Desde a introdução, que apresenta um visual de mistério noir clássico, até as salas mais profundas das torres, que nos levam às aventuras mais inesperadas, incluindo salas debaixo da água e torres tão altas que escalá-las parece impossível, o jogo consegue manter um visual extremamente cativante, que estava sempre me surpreendendo pelo quão criativos eram os cenários que eu estava explorando.
O game acerta muito ao transmitir ao jogador a sensação de realmente estar em um parque de diversões: aquela expectativa de que, a cada esquina, encontraremos uma atração diferente, seja ela um brinquedo ou algum tipo de desafio, sendo que, às vezes, nem sempre as coisas são o que parecem.

Isso também adiciona um aspecto de ilusionismo ao título. Em algumas fases, eu pensei ter entendido a funcionalidade de determinado desafio para avançar, até que a perspectiva do personagem era virada de cabeça para baixo, às vezes, literalmente, adicionando uma nova camada ao estilo do game. E, como eu disse anteriormente, o estilo visual e a imersão são os aspectos mais fortes de Twisted Tower.
O trabalho sonoro também foi um fator que se destacou bastante no game. Achei bem criativo que o som das armas seja uma mistura de armas de brinquedo com armas comuns, o que adiciona um feeling único a elas, pelo menos no aspecto sonoro. Além disso, o game conta com boas faixas durante os trechos de combate intenso e mantém um som ambiente nos segmentos de exploração, o que torna a aventura bem balanceada entre os momentos de adrenalina dos combates e um certo alívio durante a exploração dos cenários.
Desempenho
Minha experiência foi em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. O jogo conta com configurações gráficas bem singelas, sem muitas opções para os jogadores personalizarem. Isso, porém, não chega a ser um problema, já que o game é bastante leve. Em 1440p, com os gráficos no Ultra, tive uma média de 180 FPS na maior parte do tempo, com praticamente nenhuma queda de desempenho ou travamento.

Além disso, não tive problemas envolvendo bugs durante minha experiência. Entretanto, senti falta de uma opção para desativar completamente o film grain. Esse é um efeito que particularmente não gosto, pois deixa a imagem granulada demais e, mesmo desativando os efeitos de pós-processamento, o granulado ainda se manteve presente.
Vale a pena comprar Twisted Tower?
Twisted Tower apresenta uma temática que me manteve extremamente imerso do começo ao fim. Os puzzles espalhados pelos ambientes também foram um grande acerto e me mantiveram interessado em descobrir o que me esperava em cada nova sala a todo momento.
Já a história só existe aqui para dar um motivo para o protagonista explorar esse parque temático. O desenvolvimento é praticamente nulo, e o fato de terem utilizado tantos aspectos visuais de BioShock acabou sendo um grande agravante nesse quesito. Temos uma atmosfera e uma estética que remetem diretamente a esse amado título, mas sem a profundidade que o tornou tão famoso. Logo, em certos aspectos, Twisted Tower entrega aos jogadores algo bem inferior, o que pode decepcionar aqueles que tinham grandes expectativas em relação à narrativa do game.
Entretanto, no fator da jogabilidade em si, apesar de não ser perfeito, com problemas que incomodam, como a falta de intensidade das armas e uma dificuldade que se recusa a tornar os confrontos realmente desafiadores, o game consegue manter o jogador imerso, principalmente pela grande força de sua atmosfera e estética. O jogo realmente consegue evocar aquele sonho de explorar um parque de diversões e se perder em todas as suas atrações.
E, no fim das contas, essa é a maior força de Twisted Tower: o sentimento de que cada sala em que entramos será uma nova atração épica para os jogadores. Essa era exatamente a experiência que eu buscava no game, e ele conseguiu entregá-la de forma constante. Isso me fez terminar o jogo bastante satisfeito, tornando-o uma experiência que recomendo, principalmente para jogadores que buscam uma experiência original no meio dos FPS, mesmo que ela tenha suas imperfeições.
Twisted Tower foi desenvolvido pela Atmos Games e chega nesta terça, 18 de agosto, para PC, via Steam.
*Review elaborada em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela 3D Realms.
Twisted Tower
BRL 47,99Prós
- Excelente recriação da sensação de explorar um parque temático
- O design das armas e dos cenários é excelente, remetendo bastante aos filmes clássicos noir
- Bons puzzles e twists pelos cenários
Contras
- A história é fraca e se apegar demais a alguns elementos de suas inspirações torna ela ainda mais decepcionante
- O combate falha em transmitir um real sentimento de intensidade por ser fácil demais
- Alguns equipamentos de exploração poderiam ter sido melhor aproveitados
- O jogo não tem legendas em PT-BR




