Barbarian Saga: The Beastmaster | Review
Barbarian Saga: The Beastmaster é um metroidvania de ação em duas dimensões desenvolvido pela Dormidin Studio e publicado pela SelectaPlay. Nele, controlamos o último domador de feras, ao lado de sua amada e psicótica espada, em uma luta contra as forças do mal.
E aí, curiosos para saber se vale a pena encarar essa árdua missão? Pois se preparem porque é isso que descobriremos agora, em mais uma análise totalmente demais do Pizza Fria!
Abestalhado
Saudações, mestres e mestras das feras que se reúnem nesta pequena gruta digital que, eu diria, é a mais quente do momento. Afinal, a temperatura essa semana está pelas alturas, não é mesmo? Bom, certamente isso deve ser devido ao nosso brilho intenso, que tudo ilumina e prova dia após dia que somos os mais maneiros dessa parada.
Hoje vamos falar sobre um tal Barbarian Saga: The Beastmaster, um metroidvania que chega com a proposta de oferecer uma experiência familiar com todo o charme dos filmes e séries de bárbaros e heróis dos anos 80, com toda a pompa e canastrice que esperamos de obras de determinado calibre. Totalmente excelente.
Eu fiquei intrigado pelo título, inicialmente, pelo fato de se inspirar nos clássicos e se definir dentro dos vania que tanto gostamos. Afinal, sou fã confesso do gênero e nunca passo a oportunidade de aproveitar qualquer coisa dele. Mas, será que esse é um bom representante? Ou será que acabei me decepcionando? É o que veremos agora.

História
Barbarian Saga: The Beastmaster conta as aventuras e desventuras de Ren, um camarada que representa uma espécie em extinção: os beastmasters pessoas que possuem poderes místicos de controlar animais e receber seus poderes para realizar feitos sobre-humanos como deslizar bem rápido, agarrar em paredes e outras coisas maneiras.
Nosso camarada, um belo dia, descobre duas coisas: a primeira, que agora possui uma espada que fala, oprime e devora corações. Que incrível! A segunda, que precisa sair pelas terras devastadas e perigosas de Arbórea lutando contra monstros e outras coisas agradáveis com a missão de derrotar o rei do império que oprime a gente daquelas terras.
Barbarian Saga: The Beastmaster tem uma narrativa bem genérica e sem floreios, construída em cima de personagens que não possuem tanto carisma e nem fazem muito para nos conquistar. Além disso, o jogo possui diálogos bem fracos e com diversos erros de tradução, dificultando a compreensão em vários momentos.
Além disso, não consegui sentir tanto a vibe retro dos clássicos que nos foram prometidos. As localidades, nomes e visuais são claramente inspiradas por Conan (acredito eu), mas nada de seu charme foi mantido. Ela funciona para nos dar uma ideia geral do que acontece, mas não tem elementos para nos engajar de uma maneira adequada.

Jogabilidade
Barbarian Saga: The Beastmaster se encontra dentro dos metroidvanias, o que nos garante algumas coisas bem legais como combate em duas dimensões, um grande mapa para explorar, itens secretos para encontrar, diversas habilidades para aprender e caminhos que se abrem conforme vamos aprendendo novos truques, como pulos duplos e coisa do tipo.
No começo da jornada, Ren consegue apenas fazer coisas mais simples como bater com sua espada, aparar alguns ataques, tomar poções (que encontramos ou compramos) e pular de um lado para o outro. Contudo, o avançar da narrativa e algumas coisas que pegamos pelo caminho aumentam bem esse repertório, fortalecendo nossas opções e o próprio personagem.
Barbarian Saga: The Beastmaster nos permite aprender como dar um avanço útil para esquivar de ataques, escalar paredes, virar bichos, soltar raios e outras coisinhas maneiras. Muitos poderes são baseados em diversos animais, o que casa com a narrativa e as origens do personagem além de permitir maior variedade de ações.
Além disso, todo inimigo derrotado derruba dinheiro que pode ser usado para comprar recursos e, principalmente, poções de cura que nos ajudam a seguir vivos para lutar mais um dia. Também podemos explorar um bocado, de maneira quase não linear, e o título dá bastante liberdade para o jogador traçar seu próprio caminho.

Contudo, nem tudo são flores. A jogabilidade de Barbarian Saga: The Beastmaster deixa muito a desejar em diversos aspectos, tanto na maneira como começamos o jogo quanto com seu mapa, desafios e quase tudo que permeia a jogabilidade e nosso tempo com ela. Isso, acredito eu, é o grande problema da obra.
Por exemplo, Ren é bem fraco no começo e o jogo demora um pouco até nos dar ferramentas legais para usar, além de não nos guiar muito bem e deixar no ar o que podemos adquirir e onde. Geralmente não ligo para isso, mas me senti perdido e dei de cara com várias paredes e locais selados sem ter nem ideia de quando ou como chegar neles.
O combate de Barbarian Saga: The Beastmaster também é bem simples, sem muitos floreios e com inimigos muito repetidos. Além disso, temos poucas poções de vida, elas são bem caras no começo e os inimigos nos deixam poucos recursos. Isso parece bobeira minha, mas é comum morrer e ter que voltar muito atrás simplesmente por não ter como se curar.
O jogo adora jogar inimigos escondidos no seu caminho sem avisar, venenos que não curam sem um item comprado, inimigos com projéteis e alto dano em plataformas a todo tempo, e um monte de outras coisas que mais incomodam do que desafiam. Eu me frustrei bastante com isso, e foi algo que aconteceu com certa frequência.

Além disso, a maior parte do desafio de Barbarian Saga: The Beastmaster vem desses momentos frustrantes, somado ao fato de que temos que andar horrores para chegar onde morremos e tentar encontrar o caminho para o próximo upgrade, habilidade ou anel (um equipamento que usamos e ajuda um pouco) necessário para seguirmos nossa jornada.
Os chefes também não empolgam muito, por vezes oferecendo baixo desafio, pouca inspiração e, vez ou outra, alguma mecânica que vai do interessante ao irritante. O mesmo se passa com os inimigos, que não variam muito em estratégia ou formato.
Tudo isso culmina, então, em um Barbarian Saga: The Beastmaster que não nos prende muito em sua jogabilidade, além de possuir alguns pontos que realmente nos frustram e conseguem incomodar o jogador, sem oferecer um desafio justo.

Sons e visuais
Barbarian Saga: The Beastmaster possui visuais coloridos, com cenários mais ou menos variados que seguem as temáticas das zonas que estão, como cavernas e circos. Eu achei eles bem abaixo do esperado, com animações estranhas, cores exageradas e pouca variedade. As artes dos personagens, também, não ficaram legais, assim como as imagens que aparecem nos diálogos.
O mesmo pode ser dito dos efeitos sonoros e da trilha, que não empolgam e nem marcam em nenhum momento, ficando dentro do aceitável na maior parte do tempo. Por outro lado, contamos com legendas em português.

Vale a pena jogar Barbarian Saga: The Beastmaster?
Barbarian Saga: The Beastmaster traz algumas ideias interessantes, principalmente no uso das transformações e dos poderes ligados aos animais. No entanto, elas acabam prejudicadas por uma execução que deixa a desejar em pontos fundamentais para um metroidvania, como combate, progressão, exploração e variedade de inimigos.
A falta de direção, o posicionamento frustrante de adversários, os longos trajetos após as mortes e a demora para liberar ferramentas mais interessantes tornam a jornada mais cansativa do que deveria. Somados a uma narrativa pouco envolvente e a uma apresentação audiovisual apenas razoável, esses problemas fazem com que os bons conceitos presentes no jogo raramente consigam se destacar.
No fim, Barbarian Saga: The Beastmaster é um título difícil de recomendar diante da quantidade de metroidvanias mais consistentes disponíveis atualmente. Há potencial em algumas de suas ideias, mas elas não são suficientes para compensar uma experiência marcada por escolhas de design frustrantes e uma execução pouco refinada.
Barbarian Saga: The Beastmaster chegará no dia 9 de setembro para Nintendo Switch, PC, via Steam, Xbox Series X|S e PlayStation 5.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Selecta Play.
Barbarian Saga: The Beastmaster
Prós
- Mecânica de transformação e poderes animais é interessante
- Legendado em português
Contras
- Muito frustrante em diversos momentos, principalmente em seções de plataforma com inimigos que atiram projéteis
- Começo é frustrante, com poucos recursos e habilidades gerando uma dificuldade falsa
- Mapa confuso e pouco inspirado
- Personagens rasos e desinteressantes, com diálogos mal escritos e traduzidos
- Visuais abaixo do esperado, principalmente nas artes de personagens




