The Legend of Heroes: Trails from Zero e Trails to Azure | Review
The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure são um par de JRPGs, lançados originalmente em 2010 e 2011 respectivamente, desenvolvidos pela Nihon Falcom em conjunto com a PH3 GmbH e publicados pela NIS America, Inc.
Os dois jogos, agora com melhorias permitidas pelo poder adicional do Switch 2, chegam nos oferecendo, novamente, a chance de viver uma das sagas mais legaizinhas dessa gigante franquia. Mas, será que vale a pena encarar essa missão novamente? É o que descobriremos agora, em mais uma análise em 4K para o Pizza Fria!
Crossbelezura
Olá olá, gente incrível que acessa esse que pode ser conhecido como o site mais descolado (ainda se usa esse termo?) de todo o mundo digital. Estou aqui hoje, seu host igualmente maravilhoso, para fofocar sobre dois joguinhos maneiros que estão recebendo versões atualizadas e turbinadas no atual console da Nintendo.
The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure, nesse caso, são um par de jogos porretas que, até uns poucos anos, só estavam disponíveis para falantes de japonês e longes de nossos dedinhos sedentos por bons RPGs. Membros da longeva franquia Trails, os dois são responsáveis por iniciar e desenvolver o arco de Crossbell, bem como seus personagens e acontecimentos.
Visto que já falei deles em outros momentos, hoje vou me focar em passar um panorama geral de ambos para termos uma ideia maneira e depois, se tudo der certo, olhar com mais carinho para o que temos de interessante nessas iterações e quais as vantagens de jogá-lo em sua versão mais atualizada. E aí, curiosos? Então vamos nessa.

História
Hora de falar da narrativa dos jogos que fazem parte de he Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure. Zero começa quando Lloyd Bannings, o protagonista desse arco, sai da roça para a cidade grande com um objetivo: seguir os passos de seu irmão mais velho e entrar para a polícia, lutando contra o crime e protegendo os cidadãos comuns. Um herói clássico.
E ele consegue, naturalmente, ao ser colocado junto do mano Randy e das manas Tio e Elie no que passa a ser chamado de SSS, um braço da polícia de Crossbell focado especificamente em proteção do cidadão comum e resolução de tretas do dia a dia que acabam por ficar de fora do radar da corporação.
Contudo, a primeira parte de The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure acaba por sair dessas linhas após o time acabar se deparando com casos envolvendo corrupção, cultos malucos e brigas políticas que colocam a segurança da própria nação em risco. Que coisa chat, não é mesmo?
Essa primeira parte se foca mais em construir essa etapa da história e todos que estão envolvidos nela, além de expandir em cima das acontecimentos anteriores e aumentar toda a lore da saga. É bem divertido, e consegue nos entreter por um bom tempo enquanto descobrimos mais do lado obscuro da, até então aparentemente tranquilo, cidade de Crossbell.

Já o lado Azure continua diretamente de onde o anterior parou, com Lloyd e companhia lidando com o pós de tudo que enfrentaram e desmantelaram durante as aventuras de Zero, além de outras tretas que começaram muito antes de eles entrarem em cena.
O maior ponto de tensão da trama, aqui, é a treta envolvendo Erebonia e Calvard, duas nações que fazem divisa com Crossbell e possuem os desejos nada pacíficos de anexar seu território. Além disso, diversos eventos bizarros começam a assolar a cidade, colocando a população em risco e fazendo com que a agora famosa SSS tenha um bocado de trabalho.
A segunda metade do pacote, então, acaba se focando bastante nessas tensões políticas e nas ramificações dela, além de lançar um olhar sobre questões como nacionalismo e imperialismo, além de outros envolvendo identidade nacional e a sensação de pertencimento dos personagens e de todos que compõe Crossbell.
Essa saga como um todo é bem legal, e vale muito a pena ser acompanhada. As tramas se complementam muito bem, principalmente se jogadas em sequência, e são ótimos de se acompanhar. O único negativo, contudo, é que certo conhecimento dos jogos prévios é necessário para sacar alguns pontos, o que nem sempre é bem explicado pelo jogo ou pelo material de apoio em cada título.

Jogabilidade
Ambos os títulos de The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure são construídos em um mesmo motor, e com jogabilidades similares ainda que com mudanças e melhorias do segundo título quando o comparamos com o primeiro. Sendo assim, irei falar de como as coisas funcionam no geral e depois comentamos mais a fundo sobre o que existe de novo desse relançamento. combinado?
Bom, o primeiro ponto a se lembrar é que estamos falando de um bom e velho RPG de turnos, com tudo de maravilhoso que isso traz e, ainda, com o DNA consagrado dessa saga tão querida por todos nós. Ou seja, andamos por diversos mapas com nossos carinhas, entramos em tretas no qual cada um toma ações em sua vez e vamos observando as coisas se desenrolando.
Em se tratando de combate, a ideia geral de The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure é que temos tretas aleatórias que surgem conforme andamos no mapa e nos transportam para arenas nas quais nossos personagens e os inimigos estão posicionados. Aí já temos uma diferença dos jogos, que é o fato de que os bonecos andam pelo cenário e certas ações necessitam de proximidades específicas. Afinal, uma bola de fogo pega mais longe que uma tonfa, e por aí vai.
Os turnos se passam de acordo com a velocidade de cada personagem, e neles podemos realizar coisas como andar, bater, usar habilidades físicas (crafts com CP) e mágicas (arts com EP) e até ultimates que, inclusive, podem quebrar a ordem de turnos. Saber quando fazer isso é essencial, e pode ser bem roubado se encadeamos os de todos os bonecos um após o outro. Eu, por exemplo, já me salvei diversas vezes com isso.

Outra parte importante de The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure são os quartz, que funcionam mais ou menos como as matérias de Final Fantasy e permitem conceder novas magias, habilidades e atributos para nossos heróis e heroínas. Eles podem ser tanto comprados quando criados usando sepith, um recurso dividido em elementos que ganhamos ao derrotar inimigos no mapa.
Esse esquema é bem completinho, permitindo colocarmos diversos tipos de habilidades em cada boneco e fazendo com que executem as funções que necessitamos. Claro, alguns possuem papéis que excedem mais (como Tio para magia ofensiva e Lloyd para tank), mas o sistema é bem permissivo e nos deixa customizar um bocado.
Azure vai ainda mais além, dando a opção de setar master quartz que especializam ainda mais os bonecos conferindo ainda mais atributos e capacidades, além de permitir combinar crafts e outras coisinhas interessantes.
Isso, somado as quests secundárias que podemos pegar, garantem que tenhamos bastante conteúdo para explorar e coisas para fazer, ainda mais somando tudo que o pacote conjunto tem a oferecer. Os jogos, ainda, recompensam bastante o jogador que vasculha cada cantinho, e realmente faz valer a pena a gente conhecer e encontrar tudo que existe nos cenários.

De negativo, The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure pode ter uma interface e mecânicas um pouco confusas, principalmente se você nunca tiver experimentado nenhum título da franquia. O esquema de quartz, principalmente, sofre muito com isso e com uma interface relativamente carregada.
Outro ponto sensível é com o andamento das narrativas que, principalmente em Zero, podem ser um tanto quanto lentas e carregadas. O jogo conta com muito texto, até para os padrões que temos costume, e necessita de certo investimento até engatar a marcha e realmente deixar o jogador fazer suas coisinhas sem tanto controle.
Mas, tudo considerado, os jogos entregam bem nesse departamento e conseguem tanto reforçar as boas mecânicas dos que vieram antes quanto lançar as fundações do que veríamos nos lançamentos mais a frente da cronologia.
Em se tratando das melhorias da nova versão, a maioria das novidades de The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure são relacionadas aos visuais, mas em se tratando de jogabilidade podemos observar uma melhoria e estabilização clara do framerate. Contudo, seria legal ter algumas novidades ou reformulações a mais.

Sons e visuais
Esse é o ponto em que The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure mais investe suas melhorias, alcançando naturalmente e com consistência aquilo que a versão do original necessitava de certo esforço para, ou não conseguia, manter. Nesse caso, falamos das texturas em 4K e, principalmente, dos 120 FPS constantes.
Tambem temos sprites bem mais nítidas, deixando os visuais do jogo charmosos e belos de uma forma que não tínhamos até agora. A melhoria é nítida, e acho que consegue valorizar bastante a direção de arte do jogo, além de seus cenários e personagens mais únicos e memoráveis.
Além de tudo estar mais nítido, The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure também adicionada a possibilidade de interagir com os menus através de um modo mouse, usando os Joy Cons para apontar e selecionar coisas na tela. Algo simples, mas que adiciona a experiência que já temos.

No geral, temos gráficos mais fluídos e nítidos, funcionando bem em todos os momentos e permitindo que áreas antes problemáticas sejam renderizadas, e jogadas, sem nenhuma dor de cabeça ou travamentos.
A parte sonora se mantém preservada, contando com a mesma qualidade de som e as trilhas sonoras maneiras que temos nos dois jogos. A dublagem também continua afiada, mantendo a original em japonês, e com performances muito convincentes e bem realizadas. Contudo, seguimos sem legenda em português.

Vale a pena jogar The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure?
The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure, minha gente bonita, uma dobradinha de dois JRPGs de uma série que conta com títulos incríveis, dos quais estes certamente fazem parte.
A narrativa é muito maneira, os sistemas de combate são profundos e divertidos, temos uma boa customização, o jogo roda melhor do que nunca e o conteúdo é extenso. Contudo, a interface segue confusa, a história pode arrastar e sinto que poderíamos ter algumas melhorias e reformulações que fossem além do mais focado em visual.
Mas, de todos os modos, The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure seguem sendo dois jogos excepcionais e JRPGs dignos de nota, e do tempo de qualquer apreciador do gênero que seja ou não fã da franquia. Agora, resta torcer para a próxima saga receber o mesmo tratamento, também.
The Legend of Heroes: Trails from Zero e The Legend of Heroes: Trails to Azure serão lançados para PlayStation 5 e Nintendo Switch 2 em 10 de setembro de 2026.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2 com código fornecido pela NIS America.
The Legend of Heroes: Trails from Zero and The Legend of Heroes: Trails to Azure
Prós
- Narrativas interessantes e boas de acompanhar
- Personagens excelentes e muito cativantes
- Jogabilidade divertida, com um sistema de combate variado e cheio de opções
- Versão em 4K realmente deixa o jogo brilhar e mostrar toda a beleza de seu mundo e personagens
- FPS cravado em 120 deixa a experiência bem mais fluída, além de sanar dores em áreas onde normalmente o jogo sofria mais para renderizar
Contras
- Interface segue confusa, principalmente nos quartz
- História pode demorar a engatar
- Melhorias são mais visuais, mas não trazem nada de significante para interfaces ou para facilitar seu uso
- Poderia agregar mais novidades, como bibliografias ou resumos mais minunciosos dos jogos anteriores
- Seguimos sem legenda



