Super Woden Rally Edge | Review

AnálisesNintendoPCPlayStationSlideXbox

Super Woden é uma série de jogos de corrida arcade bastante interessante. Iniciada como um projeto pessoal de Víctor Justo Dacruz, responsável pela ViJuDa, a franquia precisa, até hoje, lidar com as limitações de um desenvolvimento essencialmente solo. Porém, isso não significa que seus jogos sejam ruins. Na verdade, até o momento, os lançamentos de Víctor foram muito bem recebidos por jogadores que apreciam seu estilo arcade e abordagem apaixonada da cultura automobilística.

Super Woden Rally Edge é seu lançamento mais recente e tenta emplacar mais um sucesso, desta vez com um foco muito maior em corridas de rally e nos diferentes terrenos da modalidade. A proposta se diferencia dos títulos anteriores, que apresentavam uma abordagem mais abrangente do universo dos carros e das corridas.

Enquanto os jogadores de PC já puderam experimentar o título desde janeiro de 2026, os consoles recebem sua versão agora, no dia 2 de setembro. Com isso, o jogo marca uma nova oportunidade para alcançar um público ainda maior.

Mas será que Super Woden Rally Edge é, de fato, tão divertido e cativante quanto os outros da franquia? Será que ele entrega nas novas plataformas a mesma experiência que conquistou os jogadores de PC? Ou acaba ficando abaixo do esperado? Vem comigo, porque eu vou responder a todas essas perguntas depois de platinar o jogo na versão de PS5, em mais uma review antecipada aqui no Pizza Fria!

Youtube video

Entre lama e asfalto, a física dos carros se destaca

Uma das grandes promessas de Víctor para Super Woden Rally Edge era apresentar um sistema de física completamente novo, desenvolvido especialmente para o rally. Sem buscar uma simulação realista, o desenvolvedor tinha como prioridade transmitir a sensação de correr em estradas de terra, neve e ruas apertadas em diversos países diferentes.

Após jogá-lo por várias horas, posso dizer que o objetivo foi, de fato, alcançado. Dirigir pelas pistas apresentadas é divertido e dinâmico. Os carros respondem bem aos comandos do jogador, além de alguns deles apresentarem características distintas que podem ajudar, ou atrapalhar, os corredores em determinadas pistas.

Super Woden Rally Edge
É essencial analisar as características de cada carro antes de comprá-lo! (Imagem: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Eu não diria que todos eles proporcionam uma jogabilidade diferente o suficiente para justificar a quantidade disponível, mas veteranos da cultura automobilística certamente saberão enxergar vantagens e desvantagens nos diferentes tipos de veículos ao longo da jogatina.

Automóveis AWD, por exemplo, tendem a ser mais rápidos, mas podem se tornar mais perigosos em curvas, já que suas velocidades maiores deixam menos espaço para corrigir erros. Enquanto isso, os que se encaixam no tipo RWD parecem escapar de traseira com mais facilidade, exigindo maior controle e precisão. E ainda há carros FWD, que colocam a potência do motor nas rodas dianteiras, apresentando um comportamento diferente nas curvas.

Como um projeto solo, Super Woden Rally Edge se sai muito bem ao permitir diferentes abordagens ao jogador por meio da distribuição de potência, tornando a condução mais singular e personalizável.

Personalização e configuração de carros

Enquanto os tipos de carros citados na seção anterior ajudam a variar a gameplay, entregando sensações diferentes ao jogador, Víctor acrescentou uma camada extra de personalização permitindo que os corredores modifiquem diversas peças e as melhorem para completar as etapas mais rapidamente.

Porém, não ache que os aprimoramentos focam, apenas, na velocidade dos automóveis. Como o próprio desenvolvedor diz na tela de carregamento de Super Woden Rally Edge: “[…] Não é apenas sobre potência: instalar freios ABS permite frear sem travar as rodas […]”. Ou seja, cada alteração irá afetar o desempenho de formas diferentes. O jogador pode escolher trocar as rodas para outras que oferecem mais tração e controle, ou o sistema de escape, motor e troca de marchas, aumentando sua potência.

Outro detalhe interessante é que nem todas as configurações estão disponíveis para todo carro. Ao longo da minha jogatina, encontrei diversos veículos que ofereciam a opção de turbo, por exemplo, enquanto outros não. Também existem veículos que contam com mais (ou menos) opções de aprimoramento em cada aspecto, colocando ao jogador não apenas a decisão de qual tipo de carro pegar com base em suas estatísticas iniciais, mas também a necessidade de pensar no potencial de melhoria de cada um.

Super Woden Rally Edge
Nem todas as melhorias estão disponíveis para todos os carros em Super Woden Rally Edge (Imagem: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Apesar disso, eu acho que poderia haver uma tela de apresentação de cada carro mostrando o que os corredores podem alterar, visto que, no momento da compra, essa informação não é transmitida. Por causa desse detalhe, no fim do dia, os jogadores provavelmente escolherão os que acharem mais interessantes e terão que descobrir as limitações desse sistema mais tarde.

Outra questão importante é que Super Woden Rally Edge não oferece muitas opções de pinturas. A maior parte dos veículos contém apenas duas variações fixas, enquanto outros nem apresentam cores distintas. Confesso que fiquei um pouco decepcionado ao descobrir que meu carro sempre terá praticamente a mesma aparência.

Algo relevante é que a versão de PC já conta com um recurso que permite criar suas próprias pinturas utilizando os arquivos PNG do jogo, mas, na minha experiência no PS5, não encontrei qualquer ferramenta ou opção que permitisse fazer algo do tipo.

Um jogo de corrida só é tão bom quanto suas pistas

Em um jogo de corrida, uma das partes mais importantes é seu level design. É crucial criar etapas não só bem construídas e divertidas, mas que proporcionem um desafio justo aos jogadores. Apesar de Super Woden Rally Edge acertar em alguns momentos, ainda existem problemas que prejudicam sua proposta. Vamos nos aprofundar nesses detalhes juntos nos próximos parágrafos.

Ao contrário das corridas tradicionais, aqui os corredores não se enfrentam simultaneamente. Como é comum na modalidade de rally, cada um passa pelas etapas separadamente, buscando completá-las no menor tempo possível. Isso cria uma experiência mais solitária e permite que o foco das etapas esteja na leitura do trajeto, com curvas fechadas, mudanças de terreno e outros obstáculos.

Em Super Woden Rally Edge, temos terrenos asfaltados, de terra e com neve, além de momentos de chuva. Cada um deles altera a jogabilidade de uma maneira própria. Correr na terra, por exemplo, é mais difícil e imprevisível do que no asfalto. Isso é um ponto positivo, já que Víctor conseguiu fazer com que cada superfície transmitisse uma sensação diferente durante a condução.

Super Woden Rally Edge
Super Woden Rally Edge apresenta até terrenos cobertos de neve! (Imagem: Divulgação)

Porém, a variação de pistas ainda me decepciona. É bastante comum ver várias etapas com o mesmo terreno em um torneio. Isso, por si só, não chega a ser grave, visto que os campeonatos geralmente focam em países específicos. Mas o problema se evidencia quando o jogador percebe que, além de correr nos mesmos tipos de solo, está percorrendo as mesmas etapas que já concluiu anteriormente.

É claro que, conforme a campanha avança, os corredores enfrentarão essas etapas com outros veículos e buscando tempos melhores, mas, pelo menos para mim, isso não foi suficiente para me tirar a sensação de estar repetindo o que já havia feito antes.

E essa repetição não se limita às pistas. Apesar de haver diversos modos, como campeonatos, modos arcade e multiplayer local, quase todos se resumem à mesma tarefa: completar a pista em um tempo determinado. Os únicos que se destacaram, para mim, foram o Head-2-Head, onde Super Woden Rally Edge imita uma estrutura mais próxima do tradicional, com dois corredores disputando simultaneamente, e Gymkhana, que contém objetivos mais variados, como derrubar cones.

Super Woden Rally Edge
Modo Head-2-Head de Super Woden Rally Edge oferece uma experiência diferente da proposta inicial (Imagem: Divulgação)

Por fim, se tem algo que me irritou ao longo dos torneios e que afeta de forma significativa a qualidade das corridas é a leitura da copilota. Em vários momentos, a informação sobre a curva chegou tarde demais para que eu pudesse reagir adequadamente, ou simplesmente não fazia sentido.

É bastante comum ver curvas sendo classificadas como leves quando, na prática, são idênticas às de dificuldade média, e o contrário também acontece. As que apresentam dificuldade alta geralmente são mais consistentes, mas ainda se confundem. Tudo isso gera uma imprevisibilidade desnecessária e faz o jogador parar de confiar em algo que deveria ajudá-lo.

Músicas! Um grande destaque de Super Woden Rally Edge

Algo que vale a pena destacar é, sem dúvidas, a trilha sonora de Super Woden Rally Edge. Composta por Víctor Justo Dacruz, sob o nome artístico DJ DeVito, em parceria com DonutDroid e Queen Melodis, as músicas disponíveis seguem ritmos animados e nostálgicos. Com esse grande álbum, o desenvolvedor consegue transportar os jogadores para a época que inspira sua proposta.

Outra coisa de que gosto bastante é a opção de ouvir qualquer uma das composições na Sala de Música do menu principal, sem complicações e sem depender de estar em uma corrida para ouvi-las. Basta abrir o jogo, selecionar a música desejada e curtir o clima de diversão que as faixas proporcionam.

Super Woden Rally Edge
Super Woden Rally Edge tem um menu dedicado para ouvir músicas! (Imagem: Reprodução/PS5/Bruno Josué)

Vale a pena jogar Super Woden Rally Edge?

Super Woden Rally Edge entrega a paixão arcade que se espera de Víctor Justo Dacruz e cumpre o papel de oferecer uma condução divertida e desafiadora no PS5. Seu foco em corridas de rally permitiu a criação de um modelo de física próprio, apresentando um bom equilíbrio entre a diversão arcade e a precisão necessária para controlar os veículos. O jogo também conta com uma interface localizada em português do Brasil, facilitando a navegação nos menus para os consumidores brasileiros.

Contudo, existem arestas não lapidadas, como o reaproveitamento de pistas e uma copilota pouco confiável, que impedem que o jogo utilize completamente o potencial que essa ideia apresentava. Além disso, a versão de PC se sai melhor ao permitir uma personalização visual mais profunda, deixando o jogador criar suas próprias pinturas a partir dos templates PNG disponibilizados pelo jogo.

Para fãs de automobilismo, principalmente aqueles apaixonados por rally, é um título que ainda vale a pena por oferecer o que ViJuDa faz de melhor, um amor gigante por carros e por jogos de corrida arcade, mas seus problemas ainda devem ser considerados antes da compra.

Super Woden Rally Edge estreia nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, para PlayStation 5Xbox Series X/S e Nintendo Switch, mas já está disponível no PC via Steam.

*Review elaborada utilizando a versão de PS5, com código fornecido pela eastasiasoft.

Super Woden Rally Edge

RBRL 68,50
7.5

Gráficos e Sons

8.5/10

Gameplay

8.0/10

Extras

6.0/10

Prós

  • Física é divertida e dinâmica e apresenta diferenças perceptíveis entre os tipos de tração e superfície
  • O sistema de upgrades adiciona profundidade à escolha e evolução dos veículos
  • As músicas são animadas e nostálgicas, combinando perfeitamente com a proposta arcade
  • Interface localizada em português do Brasil

Contras

  • A repetição de percursos reduz a sensação de variedade durante a campanha
  • Apesar da quantidade de modos de jogo, a maioria oferece experiências muito semelhantes entre si
  • As instruções inconsistentes de curva podem chegar atrasadas ou indicar dificuldades incorretas, prejudicando a condução

Bruno Josué

Bruno Josué, ou God_BrunoBH, como é conhecido em suas redes sociais, é amante de jogos desde pequeno. Gosta de jogos que rendem histórias emocionantes, mundos cativantes e discussões mais longas do que deveriam. Quando não está escrevendo análises até altas horas da noite, está atrás de alguma platina em seu PlayStation 5, ou tentando explicar aos outros como uma simples música de menu ou atividade secundária o deixou emocionado. Até o momento, ninguém conseguiu convencê-lo de que isso não pode ser considerado um belíssimo trabalho.