Creepshow | Review
Creepshow é um uma aventura narrativa, misturando terror e comédia em certos pontos, desenvolvido pela PHL Collective e publicado pela DreadXP. Nele, acompanhamos uma série de histórias curiosas e inusitadas inspiradas pelo clássico dos cinemas e quadrinhos, lançado originalmente na década de 80.
E aí, curiosos para saber se vale a pena mergulhar nesse universo? É o que saberemos agora, em mais uma análise assustadoramente maravilhosa do Pizza Fria!
Sustinho
Olá novamente, aterrorizantes e assustadoramente maravilhosos leitores deste que pode ser até chamado de site de jogos mais incrível desta e da próxima vida. Estamos reunidos hoje, como fazemos sempre, para falar de um joguinho muito interessante que ergueu-se de sua tumba metafórica para nos agraciar com sustos, possíveis pesadelos e algumas oportunidades de quebrar nossas cabeças.
Creepshow, o dito cujo, é baseado em uma série de mídia de mesmo nome, que deu as caras pela primeira vez na longínqua década de 80 através de um filminho bem legal escrito por Stephen King e dirigindo por George Romero, dois titãs colossais do meio. Depois disso, tivemos alguns quadrinhos e até uma série de TV, que serve como base dessa adaptação.
Eu, como apreciador do filme e dos quadrinhos (tanto dessa saga quanto da que a inspirou, chamada Tales from the Crypt), fiquei bem empolgado quando vi o primeiro trailer da parada. Mas, será que minha empolgação realmente deu em algo? Ou foi apenas um sonho juvenil esperar por uns bons sustos? É o que saberemos agora.

História
A trama de Creepshow gira em torno de Danny, um camarada que vai té um shopping abandonado, após um grande incêndio, tentar descobrir um pouco mais sobre o que causou o sumiço do pai dele naquele lugar. Junto de seus amigos, nosso camarada acaba se metendo em uma roubada de tal proporção que ele nunca conseguiria imaginar.
Assim como nos quadrinhos e no filme, a narrativa principal é interlaçada por outras, menores, representadas através de histórias que Danny lê para o Reader, um animatrônico nada usual que promete ajudá-lo caso nosso protagonista leia algumas historinhas macabras para ele. Nada mais comum, não é mesmo? Eu mesmo passo por isso toda terça-feira.
Cada uma dessas histórias de Creepshow é auto contida e bem curtinha, girando em torno de um tema central e se encaixando muito bem dentro do que vemos no show. Elas são bem bizarras, em sua maioria, e acredito que representam bastante o espírito da saga, além de contar com as interações do Creep, narrador na obra original e uma excelente adição

Contudo, as histórias contadas por Creepshow variam bastante em qualidade, indo de um episódio OK da série até um não tão agradável assim. Todas elas são muito curtinhas, não gastando tanto tempo para construir suas atmosferas e, muitas vezes, apresentando conclusões que não geram tanto impacto quanto deveriam ou poderiam.
Levando em conta que elas são o fio condutor de tudo, ainda mais levando em conta que o gênero do título, esse acaba sendo um ponto negativo que acaba por afundar um pouco a experiência. Contudo, ainda consegui me surpreender com alguns contos.
Uma coisa que Creepshow faz bem, na maioria dos casos, é criar uma atmosfera bem interessante sobre o que estamos vendo e o que está acontecendo, principalmente no seu primeiro conto. Eu fiquei quase todo o tempo com aquela sensação de estranhamento e bizarrice, e esse é exatamente o que eu queria sentir jogando.

Jogabilidade
A jogabilidade de Creepshow é baseada no bom e velho point and click, tal como nos títulos do Walking Dead da Telltale, no qual controlamos a movimentação do personagem enquanto interagimos com o cenário, lemos documentos e resolvemos alguns quebra-cabeças. O jogo também inclui algumas outras mecânicas simples em cada história, como montar hamburgueres, mas não é nada muito elaborado.
Essa baixa variedade é até esperada em títulos do estilo, principalmente ao pensar que o maior atrativo neles é justamente experimentar a história de maneira interativa enquanto analisamos os cenários e fazemos algumas escolhas, a última não sendo algo presente aqui. Isso poderia ser interessante, além de aumentar a rejogabilidade do título.
Em se tratando de puzzles, Creepshow varia a dificuldade com alguns sendo bem fáceis e outros um tanto quanto obscuros, necessitando atenção do jogador. Contudo, encontrei um ou outro com uma lógica meio troll, que acabaram me frustrando mais do que desafiando. Até consegui achar a resposta, após queimar os poucos neurônios que tenho, mas apenas depois de ficar terrivelmente desesperado.

É sabido que os adventures do passado e presente costumam variar pouco momento a momento, mas creio que Creepshow poderia tentar expandir um pouco ou, ao menos, introduzir um pouco mais de escolha para o jogador, mesmo que não fosse terminar em algo como finais alternativos ou coisas do tipo. Todo pouquinho conta, não é mesmo?
Por fim, isso acaba fazendo com que o jogo tenha uma vida útil menor que o devido. Temos poucas coisas para encontrar e buscar, fazendo com que os motivos para rejogar ou voltar em alguns capítulos não seja tão grandes assim. Além do mais, seria legal poder ver como nossas escolhas mudariam as narrativas de uma história Creepshow.
Sons e visuais
Creepshow tem visuais bem legais, sendo um de seus maiores atrativos, que realmente capturam o sentimento dos quadrinhos e conseguem nos dar a impressão de que estamos vendo um deles em movimento e em tempo real.
Eu curti bastante as cores e a forma que cada trama é apresentada, até com os quadros e balões, e senti que foi bem implementado e importante para criar a atmosfera do título. Contudo, as animações dos personagens são bem agarradas e as sombras são um pouco boradas.
A trilha sonora, e seus efeitos, ficaram muito boas. Creepshow consegue capturar bem a vibe da série e do filme, e consegue ajudar a manter aquela ambientação que tanto falo. Além disso, o narrador do Creep também ficou bem legal. Ah, e temos legendas!

Vale a pena jogar Creepshow ?
Creepshow, belos e belas de meu coração, é um jogo que serve mais como uma adaptação em movimento dos quadrinhos, principalmente com seu visual, do que como uma experiência altamente interativa ou com uma longevidade maior. Isso era de se esperar dado o gênero, mas o momento a momento poderia ser um pouco mais desenvolvido para engajar mais o jogador.
Por exemplo, temos uma ambientação muito bem construída que consegue envolver o jogador em alguns momentos, nos colocando na pontinha da cadeira e tomando nossa atenção. Muito, admito, devido aos seus visuais e sons. Contudo, a jogabilidade ficou pouco desenvolvida, o jogo é bem curtinho, há uma variação brusca na dificuldade dos puzzles e as histórias não possuem o mesmo nível de qualidade.
Sendo assim, o que posso dizer é que Creepshow é uma boa pedida para quem curte a série, e quer aproveitar um pouco mais desse universo. Como adventure e point and click ele deixa um pouco a desejar, mas ao menos faz o suficiente para poder nos capturar por algumas horas e sanar parte de nossa necessidade por algumas histórias de terror.
Creepshow será lançado mundialmente nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, para PC, via Steam.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela DreadXP.
Creepshow
Prós
- Visual fiel aos quadrinhos, filme e série
- Consegue criar uma atmosfera legal em alguns momentos
- Legendado em português
Contras
- Jogabilidade pouco variada
- Problemas visuais com sombras, movimentos e animações
- Seria interessante ter escolhas que influenciassem a narrativa
- Poucos motivos para jogar uma segunda vez
- Algumas histórias não empolgam nem terminam com o impacto devido


