Dumb Ways to Build | Review
Com físicas caóticas, cenários mirabolantes e feijões ambulantes, Dumb Ways to Build chega com a proposta de reunir 2 a 4 jogadores em três fases distintas, fazendo-os cooperar entre si para construir diversas plataformas e atravessar estágios de progressão vertical até alcançar seus objetivos.
É claro que sempre existe o receio de estar comprando apenas mais um friend slop genérico e pouco divertido. Mas será que Dumb Ways to Build consegue se destacar em meio a tantos outros jogos com propostas semelhantes? Vem comigo que eu te explico tudo em mais uma análise antecipada aqui no Pizza Fria!
Físicas caóticas, o destaque de Dumb Ways to Build
Enquanto eu e meus colegas jogávamos, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a sua física. Como o título é majoritariamente focado no posicionamento e na interação com objetos ao longo dos mundos, é claro que esse sistema precisa funcionar bem para que as fases não se transformem em uma bagunça chata de atravessar. Felizmente, na maior parte do tempo, Dumb Ways to Build faz um bom trabalho nesse aspecto.
Cooperar com os amigos para que um consiga posicionar um objeto enquanto outro o prega em alguma superfície, atirar itens (e até mesmo jogadores) para diferentes locais a fim de causar efeitos variados, além de utilizar ferramentas para destruir e interagir com os elementos de cada mapa, é divertido justamente porque transforma tarefas simples em situações que exigem coordenação. Quando tudo funciona como deveria, é comum que uma ação dependa diretamente da outra, fazendo com que os jogadores precisem se comunicar e, muitas vezes, reajam rapidamente aos imprevistos causados pela própria física.

Porém, não se preocupe se não conseguir companheiros para essa jornada. Dumb Ways to Build traz um modo solo com algumas diferenças para aqueles que desejam encarar seus desafios sozinhos: pontos de verificação para renascimento, caso você morra, além de uma mecânica exclusiva de congelar objetos, que oferece um tempo para que eles sejam pregados antes de caírem.
Apesar disso, é justamente nesse modo que encontrei um dos principais problemas relacionados à física. Em algumas situações, o jogo falha em travar o item no local determinado e simplesmente deixa que ele caia. Isso pode transformar construções simples em momentos de frustração, especialmente em locais altos, onde qualquer objeto que despencar obrigará o jogador a descer todo o caminho para recuperá-lo. Como boa parte da progressão depende de posicionar esses elementos corretamente, esse tipo de falha acaba sendo mais do que uma simples peculiaridade da física.
Outro detalhe interessante é que algumas fases alteram dinamicamente o sistema de física do jogo. Em determinados estágios, por exemplo, é comum encontrar ventiladores gigantes ou até tempestades de vento capazes de arremessar jogadores e objetos que não estejam presos para cima e para os lados. Isso pode tanto facilitar a passagem quanto transformar uma tarefa aparentemente simples em um pequeno caos, exigindo que os jogadores reajam rapidamente às mudanças no ambiente.
Essa variedade fica ainda mais evidente no final da última fase, quando rajadas de vento poderosas passam a atrapalhar os jogadores a todo momento. Nesses momentos, a física deixa de ser apenas uma ferramenta para construir o caminho e passa a fazer parte do próprio desafio, criando situações caóticas que combinam bastante com a proposta de Dumb Ways to Build.
Feijões ambulantes e personalizáveis
Se tem algo que nunca falta em jogos multijogador do tipo, é a personalização dos personagens que os jogadores controlarão ao longo da experiência, e Dumb Ways to Build não deixa isso de lado. Cada integrante do grupo pode alterar a cor, roupa, expressão facial e acessório para a cabeça de seu feijão até encontrar o avatar que mais combina com seu gosto.
É claro que nada disso interfere na jogabilidade e, se você e seus amigos quiserem, poderão pular direto para o conteúdo principal sem precisar perder tempo alterando a aparência de cada um dos feijões. Mas aqueles que gostam de personalizar seus personagens certamente terão algumas opções para explorar logo que entrarem no jogo.
Porém, não ache que tudo são flores. Dumb Ways to Build traz uma lista bastante limitada de acessórios e opções de personalização em seu lançamento. Mais escolhas ficam disponíveis conforme alguns desafios são completados, mas, mesmo com essas recompensas, o número de possibilidades não cresce de forma considerável. Para quem gosta de montar um personagem realmente único, as alternativas disponíveis acabam se mostrando um tanto restritas.

Algumas conquistas do jogo também indicam que existe algum nível de personalização na base inicial dos jogadores. Porém, eu e meus colegas não conseguimos encontrar qualquer comando ou interação que nos levasse a uma tela para alterar os objetos ou a aparência do local. Caso essa opção realmente esteja disponível, a falta de uma indicação clara de como acessá-la é, no mínimo, estranha.
Fases mirabolantes, onde os jogadores terão que mostrar sua criatividade
É muito comum vermos na indústria, hoje em dia, diversos jogos que optam por pegar na nossa mão e nos guiar durante a experiência. Apesar de esse ser um ponto debatido por várias comunidades há anos, Dumb Ways to Build escolhe seguir pelo lado menos confortável: deixar os jogadores em um mapa e simplesmente dizer “vá até aqui”. “Como?”, você pergunta. Não se sabe. E é aí que você e seus colegas terão que trabalhar juntos para descobrir a melhor forma de atravessar cada um dos três estágios disponíveis no lançamento.
Essa decisão de não guiar os jogadores pela mão foi bastante apreciada por mim durante minhas jogatinas, já que abre espaço para situações e descobertas orgânicas. Em minhas primeiras partidas, por exemplo, eu e meus amigos demoramos cerca de uma hora para aprender a lidar com cada estágio e finalmente completá-lo. Porém, ao voltar para jogar sozinho, já com conhecimento prévio dos mapas, consegui descobrir caminhos mais improvisados que me permitiram terminar cada um deles em menos de 20 minutos.
Outro exemplo muito claro disso aconteceu na segunda fase. Após descobrir uma armadilha no fim do mapa, eu e o redator Filipe Villela decidimos preparar o ambiente com antecedência para escapar dela, evitando ter que construir tudo às pressas quando chegássemos ao final do estágio. É justamente esse tipo de situação que torna a liberdade de exploração tão interessante: em vez de simplesmente seguir uma solução predeterminada, os jogadores podem observar o ambiente, discutir possibilidades e criar suas próprias estratégias.
No fim, essa liberdade não apenas rende situações engraçadas e inusitadas, como também faz com que uma mesma fase possa ser encarada de maneiras diferentes dependendo do conhecimento e da criatividade de cada grupo.
Além disso, cada um dos três estágios de Dumb Ways to Build possui uma temática única, fazendo com que os grupos precisem escolher abordagens diferentes para avançar. Em uma das fases, por exemplo, é necessário pensar em formas de enfrentar uma grande tempestade com raios que caem sobre plataformas de metal, enquanto outra inverte a lógica tradicional ao exigir que os jogadores descubram como descer, em vez de subir. Cada uma delas traz conteúdo suficientemente diferente para manter os jogadores engajados até o fim.
Agora, se tem algo que não me deixou tão animado quanto deveria é o modo Mestre Construtor. Nele, os jogadores podem rejogar cada uma das três fases, mas com uma estrutura ligeiramente diferente e algumas mecânicas novas, como a possibilidade de se queimar ao permanecer debaixo do Sol.

Apesar de as ideias parecerem interessantes e, de fato, levarem os jogadores ao limite enquanto aprendem a refazer cada estágio, alguns desses sistemas, como as próprias queimaduras causadas pelo Sol, acabaram me estressando justamente por me obrigarem a lidar constantemente com algo que pouco acrescenta às mecânicas base do jogo. Em vez de sentir que estou sendo desafiado a dominar melhor as ferramentas e possibilidades que já conheço, muitas vezes parece que o jogo simplesmente adicionou obstáculos para tornar as fases mais difíceis.
É como se alguém tivesse perguntado: “O que podemos fazer para deixar esse modo mais difícil?”, e a resposta tivesse sido simplesmente colocar mais coisas para atrapalhar o jogador.
Outro ponto que me incomoda é o fato de que as músicas que tocam durante as fases são extremamente repetitivas. Infelizmente, não consegui gostar de nenhuma delas, e isso me levou a desligá-las completamente para evitar a poluição sonora e facilitar a comunicação com meus colegas.
Vale a pena jogar Dumb Ways to Build?
Dumb Ways to Build não é exatamente um jogo que tenta reinventar a roda. Sua proposta de reunir amigos para resolver desafios enquanto tudo ao redor pode dar errado já é conhecida de longa data, e alguns problemas de física, a quantidade limitada de opções de personalização e um modo Mestre Construtor que nem sempre sabe como aumentar a dificuldade impedem que a experiência seja tão refinada quanto poderia.
Ainda assim, é difícil negar que a fórmula funciona. A física caótica cria situações inesperadas, enquanto o design aberto das fases dá espaço para que cada grupo encontre suas próprias maneiras de avançar. É justamente quando essas duas características se encontram que Dumb Ways to Build mostra seu melhor lado: uma construção que deveria ser simples pode virar uma discussão entre os jogadores, um plano improvisado pode funcionar melhor do que o caminho inicialmente imaginado e, eventualmente, alguma m**** vai dar errado e vocês provavelmente vão rir disso.
Por outro lado, o Mestre Construtor mostra que nem sempre o game consegue aproveitar suas próprias mecânicas para criar novos desafios. Adicionar obstáculos como as queimaduras pelo Sol pode até aumentar a dificuldade, mas nem sempre torna a experiência mais interessante. Em seus melhores momentos, Dumb Ways to Build desafia o jogador a entender melhor suas ferramentas, o ambiente e as possibilidades oferecidas pela física; quando simplesmente coloca mais coisas para atrapalhar, essa mesma experiência pode se tornar mais estressante do que divertida.
No fim das contas, Dumb Ways to Build vale a pena principalmente para quem procura uma experiência cooperativa leve, caótica e disposta a deixar os próprios jogadores encontrarem as soluções para seus problemas. Ele não é perfeito e tampouco precisa reinventar o gênero para cumprir sua proposta. Quando confia na criatividade dos jogadores e deixa a própria física criar o caos, ele encontra sua melhor versão. Só não espere que todo o conteúdo adicional consiga reproduzir essa mesma magia.
Dumb Ways to Build estreia no dia 10 de setembro para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam.
*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela Dumb Ways to Die.
Dumb Ways to Build
Prós
- Física é caótica e bastante divertida
- Boa liberdade para encontrar e improvisar soluções
- Modo solo com boas adaptações
- Localização em português brasileiro
Contras
- Personalização de personagens é limitada
- Mestre Construtor nem sempre aumenta a dificuldade explorando melhor a profundidade das mecânicas
- Pouco conteúdo no lançamento
- Música é genérica e bastante repetitiva




