Remothered: Red Nun’s Legacy | Preview
Normalmente, não sou um grande fã de jogos de horror em que controlamos um protagonista indefeso, cujas únicas escolhas são correr e se esconder. Outlast e Amnesia são alguns dos títulos que ajudaram a popularizar essa premissa, criando uma grande tendência que se estendeu por diversos jogos do gênero. Como um grande fã de survival horror, normalmente prefiro jogos em que o personagem principal tenha algum recurso para se defender, nem que seja uma pistola com apenas uma bala.
Entretanto, existem alguns títulos que conseguem me interessar apesar de seguirem essa premissa da qual tanto tento me afastar. Um desses jogos foi Remothered: Tormented Fathers, lançado originalmente em 2018 pela Stormind Games, prometendo ser um sucessor espiritual de um dos meus jogos de horror clássicos favoritos, Clock Tower.
Apesar de o game apresentar várias ideias originais que vão além da proposta de simplesmente ser um sucessor desse clássico, realmente fiquei impressionado com o trabalho feito no jogo, principalmente com a maneira como ele conseguia manter o jogador tenso a todo momento, com um perseguidor sempre à espreita. Além disso, o título mantinha uma grande sensação de mistério, acompanhada de uma narrativa realmente boa.
Depois disso, passei a ficar sempre de olho nos lançamentos da franquia. E, apesar de ter tido meus problemas com a sequência, Remothered: Broken Porcelain, ainda tenho um grande apreço pela série em si. Logo, fiquei bastante animado com o anúncio de Remothered: Red Nun’s Legacy, um jogo que promete trazer de volta e aprofundar ainda mais a tensão e o mistério, que são alguns dos principais pontos fortes da série.
Assim sendo, o Pizza Fria teve acesso a uma versão de preview do jogo. Confira agora nossas impressões.
Um mistério clássico mas intrigante
Remothered: Red Nun’s Legacy não inventa a roda na hora de estabelecer o mistério principal da trama, o que não é um problema caso ele seja intrigante de acompanhar, e, inicialmente, esse é o caso aqui. Assumimos o papel de Susan, que está em busca de sua filha desaparecida. Quando já estava perdendo as esperanças, ela encontra gravações perdidas que contêm pistas capazes de levá-la até uma estranha e supostamente abandonada vila chamada Ashmann.
Na demo à qual tive acesso, a jogatina já começa em uma parte mais avançada do jogo, na qual precisamos encontrar uma forma de escapar do local. Em termos de narrativa, alguns aspectos me chamaram positivamente a atenção durante esse curto período de teste. Um deles é a maneira como os próprios cenários contam a história do local, seja por meio de quadros e objetos espalhados pelos ambientes, seja pela própria estrutura dos espaços. Além disso, temos diversos documentos espalhados pelo mapa, como jornais antigos e livros, que ajudam a adicionar mais contexto ao mistério.

Entretanto, outra parte importante da trama envolve algumas visões misteriosas que a protagonista tem, nas quais escuta a voz de sua filha e é levada para locais quase sobrenaturais. A demo não mostra muito desse aspecto do game, apresentando apenas um trecho na reta final do preview. Portanto, ainda é cedo para saber se essa ideia vai funcionar bem, mas foi algo que me deixou intrigado e com vontade de descobrir mais na versão final.
Outro aspecto que preciso elogiar é a personalidade dos perseguidores presentes no jogo. No preview, estavam presentes três freiras que funcionavam como perseguidoras comuns, e preciso elogiar a maneira como o jogo conseguiu dar personalidade para cada uma delas. Todas possuem diálogos únicos enquanto percorrem os cenários em busca da protagonista e até mesmo durante os momentos de perseguição.

De certo modo, isso até me lembrou a maneira como Resident Evil Requiem conseguiu dar personalidade para cada um dos zumbis na primeira metade do jogo. E, claro, a melhor parte foi o encerramento da demo, que introduz uma das grandes antagonistas do game, A Noiva. Essa apresentação realmente me deixou bastante interessado em descobrir como será o desenrolar de sua história no jogo completo.
Infelizmente, existe um aspecto de Remothered: Red Nun’s Legacy que ainda não conseguiu me convencer, e é justamente a protagonista. Pelo menos durante essa versão de testes, Susan não se mostrou uma personagem muito interessante de acompanhar, apresentando pouca personalidade. Senti que faltaram mais interações dela com os documentos e com os próprios cenários, permitindo que ela apresentasse mais de seus pensamentos sobre a situação em que se encontra.
Em vez disso, seus diálogos normalmente envolviam apenas reações aos sustos ou aquelas dicas disfarçadas, como “ah, preciso encontrar tal chave”. Isso, de certo modo, faz com que Susan pareça ainda mais carente de personalidade, em vez de contribuir para o desenvolvimento da personagem. Mas, claro, essas são apenas minhas primeiras impressões.
Puzzles funcionais, mas precisam de mais variedade
Outro aspecto bastante presente na demo de Remothered: Red Nun’s Legacy são os puzzles. E eu realmente acredito que os quebra-cabeças são um grande fator para tornar um jogo de horror bem cadenciado, pois adicionam um contraste aos momentos de tensão, nos quais precisamos pensar na melhor forma de avançar pelos ambientes. No preview que testei, o game apresentou diversos locais em que a protagonista precisava encontrar chaves para conseguir acessar novas áreas. Isso acabou gerando um bom leva e traz de itens durante a experiência, algo que me agradou bastante.
Apesar de não termos acesso a locais muito grandes, gostei da maneira como o jogo me incentivou a explorar os ambientes em busca dos itens necessários para avançar. Entretanto, foi justamente aqui que surgiu algo que me deixou um pouco preocupado: a variedade dos puzzles. Os objetivos presentes na versão preview envolviam, em sua maioria, procurar uma chave para abrir novos locais, e ficou basicamente nisso. Não havia muitos momentos em que o jogador precisasse realmente pensar sobre como solucionar os quebra-cabeças.

Isso é algo que espero que melhore na versão final, com a adição de puzzles mais variados e que exijam um pouco mais de raciocínio lógico por parte do jogador. Afinal, a exploração e o backtracking funcionam bem como elementos de ritmo, mas acredito que Remothered: Red Nun’s Legacy pode aproveitar ainda mais esse aspecto para criar desafios que também façam o jogador se envolver com os mistérios e os próprios ambientes do jogo.
Sobrevivendo ao horror
Agora, indo para o aspecto do horror de Remothered: Red Nun’s Legacy, em determinado momento da demo, enquanto Susan explora os cantos sombrios do local em que se encontra, freiras macabras aparecem e começam uma busca incessante pela protagonista. Para sobreviver, podemos nos esconder em diversos locais, incluindo armários, debaixo de mesas e até mesmo em alguns cantos escuros. Porém, pelo menos contra esses inimigos mais comuns, não vi muito sentido em utilizar esses esconderijos. Preferi simplesmente ficar agachado e me esgueirar pelos cantos, algo que se mostrou muito mais funcional.

Nesse aspecto, o jogo faz um bom trabalho em criar tensão, mas isso acontece principalmente quando os inimigos estão a uma certa distância do jogador. Ouvir suas falas macabras ao fundo, os passos pelos corredores ou perceber que elas entram em uma sala à procura de Susan realmente criou bons momentos de tensão. Infelizmente, essa sensação foi prejudicada quando precisei lidar diretamente com essas inimigas, principalmente porque a inteligência artificial ainda precisa de alguns ajustes.
Em vários momentos, enquanto eu me esgueirava pelos ambientes, as freiras simplesmente ficavam paradas em um canto, como se a IA tivesse desligado do nada. Cheguei a pensar que isso poderia ser algum tipo de estratégia dos inimigos para atrair o jogador, mas não era o caso, já que o mesmo comportamento também aconteceu durante alguns trechos de perseguição.
Por falar nesses momentos de perseguição, esse foi um aspecto que me decepcionou, pelo menos quando se trata dessas inimigas mais comuns de Remothered: Red Nun’s Legacy. As freiras são relativamente fáceis de despistar, além de o game oferecer alguns itens de defesa bastante úteis, como pedaços de vidro e tesouras, que podemos utilizar caso sejamos agarrados. Também temos acesso a algumas armas corpo a corpo quebráveis, que podem ser utilizadas como último recurso para atordoar as inimigas.

Eu gostei bastante desse sistema de armas de defesa, porque ele ajuda a combater um pouco aquele meu sentimento de precisar ter alguma forma de me defender contra os monstros. O problema é que isso também potencializa o que mencionei anteriormente, fazendo com que as perseguições se tornem ainda mais triviais. Porém, é importante lembrar que estamos falando apenas de uma versão de preview. Talvez a experiência mude bastante quando os verdadeiros perseguidores estiverem em cena na versão completa do jogo.
Gráficos e trilha sonora
Visualmente falando, Remothered: Red Nun’s Legacy apresenta um visual competente, mas que está longe de impressionar. O game deixa bastante a desejar principalmente nas expressões faciais dos personagens, que acabam destoando do restante da apresentação. Por outro lado, os cenários conseguem ser detalhados o suficiente para não quebrar a imersão, com uma boa variedade de cômodos e ambientes.
O jogo também faz um bom uso da iluminação, apostando em ambientes escuros para criar uma constante sensação de tensão e medo. A escuridão funciona especialmente bem durante os momentos de exploração, já que ajuda a construir aquela sensação de que algo pode estar à espreita a qualquer momento.

Sobre o trabalho sonoro, ainda é cedo demais para fazer uma avaliação definitiva, principalmente por se tratar de uma versão de preview. Porém, a dublagem dos inimigos realmente me agradou durante o período de testes. As vozes ajudam a reforçar a personalidade de cada perseguidora, com destaque para a dublagem de A Noiva, que aparece na cena final do preview e deixou uma ótima primeira impressão.
Desempenho
Minha experiência com o preview de Remothered: Red Nun’s Legacy foi realizada em um PC equipado com uma RTX 5060 Ti de 16 GB. O game conta com um bom menu de configurações gráficas, oferecendo bastante liberdade de personalização para que o jogador possa ajustar a experiência de acordo com suas preferências.


Surpreendentemente, mesmo se tratando de uma versão ainda em desenvolvimento, achei o jogo bem otimizado. Consegui manter uma média de 60 FPS em 1440p, utilizando DLSS no modo Qualidade, gráficos no Epic e Ray Tracing ativado.
O jogo também conta com suporte ao DLSS Frame Generation, que funcionou muito bem, adicionando bastante fluidez à experiência. Com o recurso ativado no modo 2X, o game chegou a rodar em torno de 120 FPS. Terminei o preview testando tanto o Frame Generation ativado quanto desativado, e ambas as experiências foram excelentes, sem que eu percebesse problemas relevantes de latência ou instabilidade.
Além disso, não tive problemas envolvendo travamentos ou crashes durante o período de testes, algo que me surpreendeu positivamente, principalmente por se tratar de uma versão ainda em desenvolvimento.
O que esperar de Remothered: Red Nun’s Legacy?
Remothered: Red Nun’s Legacy conseguiu me deixar bastante intrigado para a versão final. Existe muito potencial no horror apresentado aqui, com uma atmosfera muito boa, uma história que conseguiu me cativar a ponto de querer descobrir mais sobre os caminhos que serão explorados ao longo da trama, e perseguidores que foram um show à parte durante a minha experiência.
Entretanto, ainda existem alguns aspectos que me deixaram preocupado, principalmente em relação ao desenvolvimento da protagonista e à capacidade do jogo de manter o mesmo nível de tensão ao longo de toda a trama. Também espero que a experiência seja capaz de introduzir novos desafios, seja por meio de puzzles mais variados ou de novos perseguidores que exijam que o jogador seja mais inteligente na hora de lidar com eles.
De qualquer forma, Remothered: Red Nun’s Legacy me ganhou o suficiente para que eu não veja a hora de colocar as mãos na versão final. Apesar dos problemas que encontrei durante o preview, o jogo demonstrou potencial para entregar uma experiência de horror bastante interessante e, principalmente, conseguiu despertar em mim a curiosidade para descobrir o que está por trás de todos os seus mistérios.
Remothered: Red Nun’s Legacy esta sendo desenvolvido pela Stormind Games e será lançado em 27 de outubro de 2026 para PC, via Epic Games Store, GOG.com e Steam, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Preview elaborada em um PC equipado com uma Geforce RTX, com código fornecido pela Stormind Games.



