Captain Tsubasa 2: World Fighters | Review
Pode preparar as chuteiras e tirar aquela camisa da Seleção Japonesa de dentro do guarda-roupa mais uma vez, porque Capitão Tsubasa, conhecido carinhosamente como Oliver Tsubasa no Brasil, entra em campo novamente em Captain Tsubasa 2: World Fighters.
Desenvolvido pela Tamsoft Corporation e publicado pela Bandai Namco, Captain Tsubasa 2 será lançado no dia 28 de agosto de 2026 e promete evoluir tudo aquilo que fez seu antecessor conquistar os fãs. Além de novas mecânicas, movimentos inéditos e um elenco ainda maior de seleções, o game dá continuidade à história exatamente de onde o primeiro jogo parou, acompanhando Tsubasa e seus companheiros durante o arco da Juventude no Mundial, com uma narrativa supervisionada pelo próprio mangaká Yōichi Takahashi.
E, como toda grande partida merece uma trilha sonora à altura, Captain Tsubasa 2: World Fighters conta com composições do aclamado Tadayoshi Makino, responsável por trabalhos em séries como Resident Evil, Monster Hunter e Dragon’s Dogma. Ficou curioso para saber como o novo jogo dos Super Campeões está rodando no PlayStation 5? Então já sabe, né!? Prepara aquele coado bem quentinho e vem comigo para mais uma partida aqui no Pizza Fria!
Capitão Tsubasa em busca do título
O modo história de Captain Tsubasa 2: World Fighters divide sua campanha em três tipos de episódios, cada um com uma proposta diferente. Os Episódios Principais conduzem a narrativa central, acompanhando a jornada de Tsubasa e seus companheiros durante a disputa do Mundial Juvenil. Na prática, há muito mais diálogos do que partidas, o que, confesso, acaba quebrando um pouco o ritmo da campanha. Ainda assim, é uma ótima forma de acompanhar esse arco, e ainda expande a narrativa com capítulos inéditos que não saíram nem mesmo nos mangás. Fica apenas a ressalva de que toda a narrativa está localizada somente em inglês.
Já os Cenários Paralelos exploram histórias secundárias que acontecem fora dos acontecimentos principais, dando mais espaço para outros personagens e expandindo o universo da franquia. São episódios eletrizantes que permitem acompanhar a trajetória de grandes nomes como Kojiro Hyuga, Ken Wakabayashi e os demais jogadores da Academia Toho, mostrando partidas e acontecimentos que enriquecem ainda mais a narrativa.
Por fim, as Link Stories funcionam como cenas de interação entre os protagonistas, aprofundando seus relacionamentos, rivalidades e amizades por meio de diálogos que dão ainda mais personalidade ao elenco. Além de enriquecer a narrativa, essas interações também rendem recompensas importantes, como novos movimentos e técnicas especiais para o seu jogador.

Tendo dito isso, a história de Captain Tsubasa 2: World Fighters acontece logo após os eventos de Rise of New Champions, quando Tsubasa e a Seleção Japonesa conquistam o título do Desafio Mundial Juvenil. Com essa etapa concluída, o craque finalmente realiza o sonho de seguir para o Brasil, onde passa a treinar no São Paulo FC sob a orientação de Roberto Hongo.
É justamente nesse momento que você entra em campo, assumindo o papel de um novo jogador que se junta à equipe e inicia sua própria trajetória ao lado de Tsubasa nessa nova fase da carreira. Ao longo da campanha, será preciso conquistar a confiança dos companheiros, evoluir suas habilidades e disputar espaço entre alguns dos maiores talentos do futebol juvenil, enquanto a Seleção Japonesa se prepara para encarar rivais cada vez mais fortes na busca pelo título mundial.
O início de uma lenda
No primeiro game, o modo New Hero permitia criar e desenvolver um personagem desde o ensino médio, acompanhando sua evolução ao longo da carreira. Já em Captain Tsubasa 2: World Fighters, esse processo foi simplificado. Aqui, criar seu próprio atleta é uma das primeiras etapas da campanha, permitindo personalizar sua aparência, nome, voz e até mesmo a comemoração dos gols.
No geral, o sistema de customização é bastante completo. São mais de 80 opções de rosto, 146 modelos de cabelo, mais de 100 formatos de olhos, 89 tipos de sobrancelhas, mais de 60 modelos de nariz, além de chuteiras, óculos, 10 vozes diferentes e diversas animações de comemoração. E esse número aumenta à medida em que você avança na campanha. O resultado é uma ferramenta capaz de criar desde um jogador inspirado no seu personagem favorito da franquia até um atleta totalmente inédito para brilhar nos gramados.
Confesso que me perdi por um bom tempo personalizando meu personagem. A única coisa de que senti falta foi a possibilidade de visualizar as animações das comemorações de gol antes de escolhê-las. Existe apenas uma imagem estática mostrando como cada celebração será, mas bem que a desenvolvedora poderia ter incluído uma prévia em movimento para dar aquela espiadinha antes de decidir qual será a marca registrada do craque.

Gostei bastante do processo de criação de personagens. Ele é simples e intuitivo para quem quer apenas entrar em campo rapidamente, mas também oferece profundidade suficiente para quem gosta de passar um bom tempo ajustando cada detalhe e criando um craque com personalidade própria.
Futebol de ação ao estilo arcade
Se você é jogador de EA SPORTS FC ou eFootball e veio em busca de uma experiência de futebol tradicional, já fica o aviso: Captain Tsubasa 2: World Fighters provavelmente não é o jogo ideal para você. Aqui, o esporte serve como palco para uma mistura de futebol e ação, com partidas repletas de disputas intensas, habilidades especiais e chutes tão poderosos que desafiam qualquer noção de realidade.
É justamente esse exagero que faz a franquia brilhar. Em vez de apostar no realismo, Captain Tsubasa 2 transforma cada partida em um verdadeiro espetáculo, em que dribles impossíveis, divididas cinematográficas e finalizações devastadoras são tão importantes quanto marcar um simples gol.
Tendo dito isso, as partidas continuam frenéticas e eletrizantes do início ao fim. Músicas empolgantes, carrinhos, voadoras, disputas aéreas e movimentos especiais se misturam em um ritmo acelerado que dificilmente dá tempo para respirar. É aquele tipo de jogo em que um lance comum pode, em poucos segundos, se transformar em um chute cinematográfico capaz de atravessar metade do campo.

Se você chega com alguma bagagem do primeiro jogo, saiba que Captain Tsubasa 2: World Fighters está mais técnico e traz mudanças importantes em suas mecânicas. Por isso, recomendo até mesmo aos jogadores veteranos que prestem bastante atenção ao tutorial, já que alguns comandos foram reformulados e exigem um pouco mais de precisão.
Um bom exemplo está nas finalizações. Antes, bastava segurar o botão correspondente ao chute para mandar a bola em direção ao gol. Agora, além de carregar o disparo, é necessário utilizar o analógico esquerdo para indicar a direção da finalização.
O mesmo vale na defesa, já que os goleiros ganharam uma participação muito mais ativa. Diante de um chute especial, é possível prever a trajetória da bola em seis direções diferentes, e acertar essa leitura determina o quanto da barra de resistência do goleiro será consumida na defesa. Quanto melhor a previsão, menor será o desgaste, quanto pior, mais próximo ele estará de ceder um gol inevitável.

Esquivar de um carrinho também ficou mais desafiador, exigindo que o jogador vire na direção do ataque e pressione o botão de ação no momento exato. Minha única ressalva fica para a falta de cancelamento de ações. Se você começar a carregar um chute especial e perceber que será surpreendido por outro jogador, não há como interromper a animação para tocar a bola a um companheiro. Ou você finaliza o movimento, ou perde a posse.
Tudo isso pode até parecer sutil, mas muda bastante a dinâmica das partidas. Seja para encontrar o canto certo e vencer o goleiro, seja para sobreviver a uma finalização devastadora, a precisão dos comandos e os reflexos rápidos passaram a ter um papel muito mais importante em cada disputa dentro de campo.
Os super movimentos mudam completamente a estratégia
A grande novidade de Captain Tsubasa 2: World Fighters está nos Super Movimentos. No jogo anterior, apenas os chutes a gol possuíam versões aprimoradas com aquelas animações espetaculares que reproduziam as técnicas clássicas do anime. Agora, praticamente todas as ações importantes em campo podem ser potencializadas, dando muito mais protagonismo a jogadores de todas as posições.
E isso ficou sensacional. Além das finalizações, defensores e meio-campistas também ganharam habilidades exclusivas. Os Super Desarmes garantem a recuperação da bola, os Super Passes não podem ser interceptados, os Super Dribles atravessam automaticamente a marcação e os Super Bloqueios conseguem parar até os chutes mais absurdos, independentemente da força da finalização. Ou seja, não é mais só o atacante que decide as partidas.
Outro detalhe que gostei bastante é que cada jogador possui sua própria barra de energia para ativar o Super Movimento. Isso aumenta muito a estratégia, já que administrar quem está prestes a liberar sua habilidade especial passa a ser tão importante quanto construir uma boa jogada ofensiva.

E tem mais: entra em cena o sistema de Chain, um medidor que cresce conforme dribles, desarmes, defesas e outras ações são executadas pelos dois lados. Quanto maior a sequência de jogadas antes da finalização, mais energia você acumula e mais rapidamente consegue carregar um chute especial.
E, para fechar com chave de ouro, temos o Miracle Team Move, a técnica definitiva de cada seleção. Ela envolve praticamente todo o time, só pode ser utilizada uma única vez por partida e depende de condições específicas para ser ativada. É aquele tipo de movimento que faz qualquer fã dos Super Campeões abrir um sorriso, porque, quando entra em cena, pode mudar completamente o rumo de um jogo equilibrado.
No fim das contas, Captain Tsubasa 2 distribui muito melhor o protagonismo dentro de campo. Defensores, meio-campistas e atacantes passam a ter o mesmo potencial de decidir uma partida, fazendo com que montar uma equipe equilibrada seja tão importante quanto contar com um chute devastador de Tsubasa ou Hyuga.

Modo online justo e divertido
Entre os modos de jogo presentes em Captain Tsubasa 2: World Fighters, é lógico que um modo online não poderia ficar de fora. E, meus amigos, as partidas contra jogadores de verdade são extremamente divertidas e eletrizantes, colocando toda aquela pancadaria, os Super Movimentos e as mecânicas que expliquei anteriormente à prova. Aqui, cada confronto ganha um tempero diferente, já que enfrentar outro jogador exige muito mais atenção aos movimentos do adversário e, principalmente, ao momento certo para utilizar cada habilidade.
No online, temos o Standard Match, onde você pode enfrentar jogadores aleatórios em partidas casuais ou ranqueadas. Infelizmente, não consegui testar esse modo durante minha análise, já que Captain Tsubasa 2: World Fighters ainda não havia sido lançado oficialmente. Ainda assim, a proposta é bastante interessante para quem pretende levar suas habilidades a sério e descobrir até onde consegue chegar contra jogadores de todo o mundo.
Já o Private Match permite criar uma sala para jogar com seus amigos ou entrar em uma partida criada por outro jogador. Esse foi o modo que consegui testar durante minha jogatina e, felizmente, a experiência foi bastante positiva. As partidas funcionaram de maneira extremamente estável, sem lag ou problemas de conexão que pudessem atrapalhar a pancadaria.

E olha, meus amigos, é justamente aqui que Captain Tsubasa 2 fica ainda mais divertido. Jogar contra a CPU é uma coisa, mas enfrentar uma pessoa que está do outro lado da tela, tentando antecipar seus movimentos, defender seus Super Chutes e encontrar uma brecha para contra-atacar, muda completamente a dinâmica. É aquele tipo de partida em que você entra pensando em jogar só uma vez e, quando percebe, já está querendo uma revanche.
Audiovisual de Captain Tsubasa 2: World Fighters
Visualmente, Captain Tsubasa 2: World Fighters não representa um salto tão grande em relação ao primeiro jogo. O visual continua muito bonito, preservando a direção de arte inspirada no anime, com personagens bem modelados e efeitos especiais impressionantes durante os Super Movimentos. Ainda assim, não espere uma revolução visual ou algo realmente inovador.
As músicas também continuam sendo um dos grandes destaques da experiência. A trilha sonora, composta pelo aclamado Tadayoshi Makino, entrega arranjos empolgantes que acompanham perfeitamente o ritmo frenético das partidas. É daquelas trilhas que conseguem elevar a tensão nos momentos decisivos e tornar cada confronto ainda mais emocionante.
Durante toda a minha jogatina, também não encontrei qualquer problema de desempenho. Captain Tsubasa 2 rodou de forma extremamente estável no PlayStation 5, a 60 fps constantes, sem bugs, travamentos ou gargalos, mantendo a fluidez mesmo nas partidas mais caóticas.

Agora, por fim, vem aquela notícia nada agradável. Como disse acima e vocês perceberam pelas fotos tiradas, Captain Tsubasa 2: World Fighters não está localizado para o nosso idioma e, em um jogo com um modo história tão denso, a ausência de legendas em português do Brasil faz muita falta. É uma grande mancada da Bandai Namco com os fãs brasileiros de Super Campeões e, principalmente, uma oportunidade perdida de aproximar ainda mais o público que ama o anime, mas talvez nunca tenha dado uma chance à franquia nos videogames.
Vale a pena jogar Captain Tsubasa 2: World Fighters?
Se você é fã de longa data da franquia ou conheceu a série no jogo anterior e quer conferir tudo o que a sequência tem a oferecer, sem dúvidas, sim! Captain Tsubasa 2: World Fighters entrega uma personalização de personagens muito mais completa, Super Movimentos para jogadores de todas as posições e uma enorme quantidade de novas seleções e personagens, tornando cada partida ainda mais espetacular.
É claro que nem tudo é perfeito. O modo história poderia ser mais interessante, já que a quantidade de diálogos acaba tornando a campanha um pouco monótona, e as animações durante as partidas frequentemente quebram o ritmo do jogo, apesar de serem muito bem produzidas. Agora, a ausência de legendas em português do Brasil foi, sem dúvidas, um grande vacilo, principalmente porque o conteúdo de leitura é extenso e a narrativa merece ser aproveitada por muito mais jogadores.
O modo online está excelente, as histórias secundárias e os cenários paralelos são excelentes adições, funcionando como verdadeiros “What Ifs” do universo de Super Campeões e expandindo ainda mais o elenco. O único porém é que eles também apostam fortemente nos diálogos, exigindo um bom domínio do inglês para aproveitar todo esse conteúdo.
Por fim, meus amigos, Captain Tsubasa 2: World Fighters consegue fazer exatamente o que uma boa sequência deveria fazer, evoluir a jogabilidade sem perder a identidade que fez a franquia conquistar gerações. Se você sempre sonhou em disputar um duelo contra Hyuga ou levar a Seleção Japonesa ao topo do mundo, pode calçar as chuteiras sem medo, porque esse apito inicial vale muito a pena.
CAPTAIN TSUBASA 2: WORLD FIGHTERS será lançado em 28 de agosto para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC, via Steam.
*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela Bandai Namco.
Captain Tsubasa 2: World Fighters
BRL 339,90Prós
- Super Movimentos para jogadores de todas as posições
- Cenários Paralelos e Link Stories expandem o universo
- Trilha sonora diverte e empolga
- Partidas online divertidas e com boa estabilidade
Contras
- Ausência de localização para o português do Brasil
- Excesso de diálogos deixa o modo história cansativo



