Sniper Dan | Review
Jogos sobre procurar objetos escondidos não são incomuns na indústria de videogames. Há décadas, principalmente no mercado mobile e no PC, vários títulos já embarcaram nesse tipo de experiência, alguns com sucesso, outros não.
Sniper Dan chega com essa mesma promessa, mas faz a pergunta “e se colocarmos um rifle de precisão nas mãos do jogador e o fizer resolver quebra-cabeças, encontrar itens e combinar isso com um grande setup de comédia?”. E, com isso em mente, o novo lançamento da Denki Ltd. tenta entregar uma jornada divertida e carismática.
Mas será que Sniper Dan realmente consegue combinar seus elementos de comédia, ao mesmo tempo que prende o jogador com seus quebra-cabeças? É isso que eu irei te responder hoje, meu caro leitor, naquilo que você já sabe, certo? Isso mesmo, mais uma review antecipada após minha platina aqui no Pizza Fria!
A definição de Sniper Dan: maluquice e comédia infinita
Se tem algo que eu aprecio profundamente, são piadas e sarcasmo gratuito. Por causa disso, sou um pouco suspeito para comentar sobre Sniper Dan, visto que ele entrega os dois com abundância, criando situações e cenários, no mínimo, diferentes, com situações que nem eu, nem você poderíamos imaginar ao começar a jogar. E a forma como ele faz isso me agradou bastante.
Em seus primeiros estágios, o jogo começa um pouco tímido, apresentando apenas um parque bonito com algumas missões básicas. Mas, conforme o jogador avança pelas fases, cada vez mais maluquices são implementadas em seus objetivos e em situações que se desenrolam independentemente da interação de Dan, o protagonista.
Cenários como um aeroporto que misteriosamente guarda um avião em cima do outro, com passageiros escondidos dentro de armários e até zebras no meio da pista, são exemplos de coisas bizarras presentes em apenas uma fase. Acredite, você não está preparado para as cenas que verá aqui, e boa parte delas me tirou boas risadas. Eu só não escrevo várias linhas descrevendo cada uma delas para não estragar sua experiência.

Sniper Dan não limita seu humor apenas aos NPCs e objetos avulsos, mas também o implementa em seus objetivos. Cada uma das suas seis localidades tem missões criativas e divertidas. Encontrar um cara tentando limpar seu barco e usar sua sniper para ajudá-lo, apenas para vê-lo afundar no oceano por causa dos buracos causados pela sua própria arma, ou tentar acender um fósforo para um personagem e observá-lo explodir na cara dele são apenas alguns exemplos de eventos hilários presentes no jogo.
É óbvio que ler eu falando sobre isso pode parecer sem graça, mas jogar e ativar qualquer uma dessas cenas espontaneamente fará você olhar para seu monitor e pensar “O QUÊ?”, enquanto se diverte com todo o setup criado.

Todo esse humor sarcástico faz com que Sniper Dan consiga pegar uma experiência extremamente simples em sua base e, ao longo da jornada, expandi-la por meio de situações cada vez mais absurdas. A comédia não está apenas nos personagens ou nas piadas, mas também na maneira como o jogo transforma seus próprios objetivos em pequenas situações inesperadas, fazendo com que você continue jogando não apenas para descobrir o que vem pela frente, mas também para descobrir qual será a próxima maluquice.
Além disso, explorar os mapas disponíveis traz alguns benefícios extras. Além de todas as referências que você pode encontrar atirando nos mais variados alvos, alguns objetos escondem moedas que podem te ajudar a comprar aprimoramentos para sua arma mais rapidamente na loja. Minha única ressalva sobre esse sistema é que essas moedas permanecem no mesmo local mesmo depois de coletadas. Isso significa que pegar o dinheiro, sair da fase e retornar a ela sabendo seus segredos pode criar um farm muito fácil, diminuindo o valor da exploração e transformando uma recompensa por descobrir o mapa em uma simples rota para conseguir dinheiro.
Uma gameplay simples, mas funcional e com modos variados
Uma das grandes preocupações envolvendo esse tipo de jogo é como a gameplay será construída e como ela evitará que a experiência se torne repetitiva ao longo das fases. Felizmente, em Sniper Dan eu consigo perceber esforços para evitar que isso aconteça. Mas primeiro, vamos comentar um pouco sobre como ele funciona.
Aqui controlamos Dan, um trabalhador bastante prestativo que sai ajudando pessoas em toda sua cidade usando sua Sniper… sim, sua Sniper. Com essa premissa, o jogador pode atirar em tudo que vê pela frente e observar reações únicas em quase todos os tiros. A única regra é: não atire em pessoas ou animais. Fazer isso aumentará sua contagem de erros no fim do trabalho e reduzirá sua nota, além de causar um fracasso na missão caso o NPC esteja diretamente relacionado a ela.
Receber notas mais altas e concluir mais objetivos proporcionará ao jogador pelúcias para personalizar sua casa, além de dinheiro para comprar mais objetos para o ambiente, vestimentas para o protagonista e melhorar sua Sniper. Aprimorar a arma é importante, visto que isso permite mais tiros, melhor velocidade de recarregamento e cadência mais alta. Tudo isso servirá para completar as tarefas sendo o mais eficiente e rápido possível.

E isso basicamente resume toda a experiência de Sniper Dan. No começo, parece que construir uma jogabilidade tão simples se tornará um problema no futuro, visto que a variedade de coisas a fazer é baixa. Mas, enquanto a Denki Ltd. não criou mecânicas revolucionárias, ela gastou toda a sua criatividade em como essas mecânicas são usadas.
Ao invés de apenas desenvolver um jogo de “esconde-esconde”, a desenvolvedora conseguiu entregar vários objetivos que, além de serem uma espécie de caça ao objetivo, se tornam um quebra-cabeça por si só, visto que o jogador receberá apenas uma frase de dica e deverá pensar sobre o que no ambiente se encaixa na descrição.
Conforme as fases avançam, a complexidade não está necessariamente em novas mecânicas, mas na maneira como os cenários e objetivos são construídos. O jogador passa a observar ambientes cada vez mais movimentados e precisa entender como aquela única frase se relaciona com o que está acontecendo ao seu redor. Dessa forma, mesmo utilizando praticamente a mesma estrutura durante toda a campanha, Sniper Dan consegue encontrar novas maneiras de apresentar seus desafios.
Não se preocupe se estiver perdendo muito tempo em uma tarefa que você não consegue completar, já que o jogo fornece dicas para algumas delas. Porém, elas não são limitadas. Dan precisa comprá-las no mercado de sua cidade com moedas que você deve ganhar fazendo mais tarefas em diferentes locais. Isso cria um design de fases que eu apreciei bastante: jogue e se dedique a fazer o máximo possível, ganhe moedas para gastar em sistemas de ajuda e volte para completar o que deixou para trás.
Além disso tudo, Sniper Dan também traz alguns modos extras que alteram a estrutura da gameplay para aqueles que querem um desafio maior. O primeiro se resume em uma corrida contra o tempo, onde o jogador precisa completar todos os trabalhos antes que o cronômetro chegue em zero. O segundo muda ainda mais a estrutura, tirando a munição infinita e obrigando a caça por mais tiros na própria fase. Outros modos mais básicos, mas que acrescentam ainda mais variedade na campanha são boliche, air hockey e até mesmo tênis, tudo isso funcionando do mesmo jeito: atirando com a arma.
E a variedade não termina aí! Após as tarefas do segundo dia de alguns mapas, o jogador também poderá participar de uma espécie de desafio extra, que não só traz ideias diferentes, mas também referenciam diretamente outros jogos da indústria, como o Donkey Kong original.

Com tudo isso, apesar de ser bastante limitado em sua variedade de mecânicas base, Sniper Dan conseguiu me prender até o fim com seus objetivos e modos extras, além de saber parar antes de se tornar chato.
Fator rejogabilidade, um ponto difícil para Sniper Dan
Já falei bastante sobre os desafios básicos e de seus vários modos extras. Mas e então? O que acontece quando o jogador completa toda a campanha? Infelizmente, aqui mora minha maior crítica sobre Sniper Dan: ele praticamente não oferece conteúdo após o término dos mapas base. E isso é especialmente complicado quando levei cerca de 10 horas para conquistar a platina.
Não me entendam mal. De forma alguma eu irei defender que todo título precisa ter dezenas de horas. Jogos de certas empresas que são inflados com conteúdo vazio estão aí para provar isso. Porém, é óbvio que a decisão de compra de várias pessoas também passa por esse assunto.
Apesar de eu ter adorado o tempo que esse título me proporcionou, não consegui deixar de sentir uma sensação de decepção ao perceber que, depois de concluir praticamente tudo, a única coisa que sobra é repetir as fases de novo, e de novo, até cansar, sem um propósito real para isso.
E é justamente aqui que Sniper Dan acaba perdendo uma oportunidade. Seus mapas são cheios de situações absurdas, referências e pequenos segredos, mas, depois que você já viu tudo, não existe um motivo forte para voltar. Não há novos desafios relevantes, novas recompensas ou uma estrutura que incentive o jogador a revisitar aquilo que já explorou.
Vale a pena jogar Sniper Dan?
Sniper Dan é um daqueles jogos que conseguem fazer muito com pouco. Sua gameplay é extremamente simples e praticamente tudo se resume a mirar e atirar, mas a Denki Ltd. encontrou maneiras criativas de utilizar essa mecânica para criar desafios interessantes, situações inesperadas e uma quantidade absurda de momentos que me fizeram rir durante minha jornada.
O problema é que essa criatividade também encontra seu limite. Depois de aproximadamente 10 horas, já tendo concluído praticamente tudo o que o jogo oferece, sobra pouco motivo para continuar jogando. Seus mapas são divertidos de explorar, seus personagens são carismáticos e seus objetivos conseguem surpreender, mas, depois que você já descobriu seus segredos, a falta de novos desafios ou recompensas torna a experiência pouco convidativa para ser revisitada.
Ainda assim, não considero que isso apague os méritos de Sniper Dan. O jogo não tenta transformar uma ideia simples em uma aventura gigantesca e, durante o tempo em que estive jogando, raramente senti que sua fórmula estava se esgotando. Pelo contrário: sempre havia alguma maluquice nova esperando pela próxima missão.
Sniper Dan talvez não seja um jogo para passar dezenas de horas, muito menos uma experiência que você continuará jogando depois da platina. Mas, se você procura uma aventura curta, criativa e bem-humorada, com uma premissa tão absurda quanto divertida, a Denki Ltd. conseguiu entregar exatamente isso.
Sniper Dan estreia no dia 17 de setembro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC, via Steam, por R$73,90 (o preço pode variar de acordo com a plataforma).
*Review elaborada utilizando a versão de PlayStation 5, com código fornecido pela PQube.
Sniper Dan
R$73,90Prós
- Humor e criatividade criam uma personalidade única para Sniper Dan
- Mapas recheados de segredos e referências
- Objetivos e mapas malucos e variados
- Interface localizada em português do Brasil
Contras
- Pouca rejogabilidade e conteúdo pós-campanha
- Todas as atividades dependem da mesma função fundamental: atirar




