Mexican Ninja | Review
O jogo de estreia do estúdio independente Madbricks apresenta uma combinação bastante inusitada e criativa: cultura japonesa e mexicana em um beat ‘em up 2.5D com elementos roguelike. Respeito muito os jogos que deixam claras suas influências e homenageiam ou parodiam suas inspirações. Logo de cara, Mexican Ninja me chamou a atenção pelo orgulho em ser exagerado e ousado, lembrando, em alguns momentos, o clássico Viewtiful Joe, inclusive nos visuais.
Vamos ver como a experiência de Mexican Ninja se sai além de seus visuais e do conceito de seu universo em mais uma análise do Pizza Fria!
Como um bom e velho briga de rua: direto ao ponto
Seguindo o que a velha guarda estabeleceu décadas atrás, Mexican Ninja apresenta seu universo e seus objetivos em uma introdução de poucos minutos, lotada de referências a memes populares da internet, diga-se de passagem.
O conceito aqui é que o Japão invadiu o México, o que eventualmente resultou na criação de Nuevo Tokyo. A criminalidade saiu do controle após a fusão da Yakuza com o narcotráfico, dando origem aos antagonistas do jogo: a Narcuza.
São essas brincadeiras com as duas culturas que dão identidade a Mexican Ninja. Especialmente quem conhece bem os dois idiomas vai se deparar com inúmeras paródias ao longo dos cenários, seja nos letreiros e nas localizações, seja nos hilários comentários dos espectadores e criminosos durante as missões.
Lembrei do humor descompromissado e criativo de God Hand, da Clover Studio. A jogatina prende a atenção logo nos primeiros minutos.

A estrutura de progressão é extremamente familiar. Seguimos para a direita da tela e arrebentamos tudo o que se move. O jogo em si pode ser completado em 60 minutos ou menos, porém, sempre que morremos, voltamos ao início, em uma zona segura, e repetimos o processo até conseguirmos derrotar todos os chefes.
Ao quebrar itens espalhados pelos cenários e derrotar chefes e inimigos, recebemos moedas que podem ser gastas na zona segura em melhorias permanentes. O lado roguelike também aparece no sistema de recompensas aleatórias. O jogo é dividido em pequenas regiões que levam entre dois e três minutos para serem concluídas. A cada nova área, podemos escolher qual recompensa a próxima localização fornecerá.
Em termos de jogabilidade, não há nada exatamente inédito ou uma dificuldade fora do comum. O que merece elogios são os controles e a movimentação, extremamente fluidos e responsivos. Somados ao ótimo desempenho técnico e à quase completa ausência de bugs, esses elementos evitam que a experiência se torne enfadonha.
Só gostaria de pontuar que a utilização do parry é um pouco imprecisa devido ao volume de inimigos na tela e à falta de um indicador sonoro que ajude a executar essa ação no momento certo.

Experimentação que não recompensa
Entre as diversas melhorias permanentes que podem ser desbloqueadas, há um número considerável de novos ataques disponíveis para compra. Muitos deles, porém, acabam servindo apenas como extensões de combos quando os inimigos já estão mortos, mas ainda não tocaram o chão para que o jogo registre a derrota.
Na maior parte do tempo, a tela fica repleta de inimigos, enquanto os perigos espalhados pelo cenário tornam os confrontos bastante frenéticos. Por isso, para manter o medidor de combo alto, os ataques desbloqueados ao longo das fases acabam sendo as opções mais viáveis graças à capacidade de controle de grupo.
A impressão que tive depois de terminar Mexican Ninja é que, se o combate fosse mais objetivo tanto nos ataques oferecidos ao jogador quanto nas reações às ações dos inimigos, a experiência teria uma ação bem mais consistente..

A variedade de inimigos é notavelmente baixa, e seus ataques são bastante simples. Com exceção dos chefes, infelizmente, o combate não apresenta uma curva de aprendizado apoiada por um enemy design ou level design acima da média. O velho ditado de “qualidade, e não quantidade” também não se aplica muito bem aqui, mesmo com a quantidade reduzida de capangas a serem derrotados.
Já nos chefes, Mexican Ninja se sai consideravelmente melhor. Mesmo não sendo muito numerosos, eles apresentam dicas visuais e sonoras claras para seus golpes e aproveitam bem o timing das esquivas, dos pulos e dos frames de invencibilidade dos ataques especiais, exigindo que o jogador use essas ferramentas para escapar de golpes em área. São os chefões que mantêm vivo o interesse em completar a história ao longo da jogatina.
Algumas atividades secundárias também podem ser aceitas ao conversar com civis durante as fases. Seus objetivos são simples, como derrotar determinado número de inimigos, a ponto de você praticamente nunca precisar tentar concluí-las de forma ativa. Basta avançar normalmente para completar várias delas sem sequer perceber.
Essa acaba sendo a melhor parte da progressão do jogo: desbloqueamos diversos trajes com habilidades passivas únicas, que têm impacto bem maior do que muitas das habilidades adquiridas durante a jornada.

Visuais e trilha Sonora
Os visuais em cel shading são caprichados e agradáveis de observar. Durante as poucas cutscenes, os ângulos de câmera e o uso de sombras e cores vibrantes criam alguns momentos realmente memoráveis.
Isso acontece tanto pela beleza visual, que remete a jogos como No More Heroes e Jet Set Radio, quanto pela direção de arte, que mistura as culturas mexicana e japonesa de maneira bastante divertida. Menus, ícones de melhorias, roupas alternativas, visuais dos chefes e suas respectivas arenas seguem essa mesma identidade e chamam a atenção.
O mesmo pode ser dito da trilha sonora e do trabalho de áudio como um todo. Despojada e cativante, a música acompanha bem as fases, enquanto os comentários ocasionais dos habitantes e inimigos, misturando referências e expressões japonesas e mexicanas, constantemente me faziam sorrir, mesmo quando o combate já não oferecia tanto desafio.
As faixas musicais poderiam ser mais numerosas. Elas demonstram bastante personalidade durante os confrontos contra chefes e nas poucas cenas da campanha, porém acabam se tornando repetitivas durante as fases. Mesmo ao atravessar diferentes distritos de Nuevo Tokyo, a música permanece bastante semelhante entre as zonas.

Vale a pena jogar Mexican Ninja?
Com um combate mais focado e consistente, Mexican Ninja poderia figurar entre os beat ‘em ups modernos mais marcantes. Pouca coisa chega a incomodar de verdade, mas também são raros os momentos em que a jogabilidade impressiona. A campanha ganha força graças a uma parte técnica realmente memorável, com ótimos visuais, música cativante, personagens carismáticos e uma excelente execução da proposta de misturar as culturas mexicana e japonesa.
É uma pena que as fases e os inimigos comuns deixem pouca lembrança além da aparência. Apesar da quantidade de golpes e de mecânicas como o parry perfeito, Mexican Ninja exige que o jogador seja bem mais direto do que seu sistema de combate parece propor. As salas ficam tão abarrotadas de inimigos e explosivos que boa parte dos golpes desbloqueados encontra poucas situações em que possa ser utilizada de forma realmente eficiente.
Considerando seu preço acessível e a duração da campanha, adequada à quantidade de conteúdo apresentado, Mexican Ninja é uma boa opção para fãs de jogos independentes e da ação despreocupada típica da sexta geração de consoles.
Mexican Ninja foi lançado para PC, via Steam, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S no dia 20 de agosto de 2026
*Review elaborada no PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Amber Studio.




