Harvest Moon: Echoes of Teradea | Review

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Harvest Moon: Echoes of Teradea é um simulador de fazendinha, com um quê de aventura, desenvolvido pela IMAGICA GEEQ e publicado pela Natsume. Nele, tomamos o papel de alguém criado em uma vilinha tranquila e que precisa descobrir o que tem por trás de uma névoa misteriosa que assola o mundo enquanto planta, colhe, namora e cuida dos bichos. A vida do CLT moderno, não é mesmo?

Mas, será que essa mistura de roça com aventura deu bom? É o que descobriremos agora, em mais uma análise caipira do Pizza Fria!

Fazendinhas felizinhas

Qual é a boa, fazendeiros e fazendeiras de meu coração! Bem vindos de volta ao nosso cantinho do paraíso, neste que pode até ser conhecido como o site mais rústico e aconchegante deste lado da grande rede de computadores conhecida como internet!

Como vocês já sabem, eu tenho um grande apreço por jogos de fazendinha, e a possibilidade que eles trazem de eu, uma vez na vida, fazer algo que ao menos lembre sair e ficar fora de casa. Por isso, fiquei bem curioso e interessado quando vi Harvest Moon: Echoes of Teradea, a mais nova entrada de uma franquia de peso, e já bem estabelecida, que nos deu o ar da graça neste mês.

Mas, será que ela chegou para agradar? Ou apenas para nos decepcionar, como costuma rolar as vezes? É isso que vamos descobrir agora, minha gente.

Harvest Moon: Echoes of Teradea
Vamos felpuda, buscar nossa review. (Imagem: Divulgação)

História

Harvest Moon: Echoes of Teradea nos coloca na pele de alguém que cresceu na tranquilidade de uma vilinha do interior, levando aquela vida pacata de quem acorda cedo, cuida da plantação e vai dormir cedo para recomeçar tudo de novo. Uma existência tranquila, mas um tanto quanto chata para quem vai protagonizar um videojogo.

Mas, felizmente para nós, isso dura pouco tempo. A treta começa quando uma névoa misteriosa surge de uma floresta da região, feras selvagens passam a espreitar o vilarejo e arredores durante a noite e uns desastres bem esquisitos começam a atingir as cidades de Teradea. Que momento para se estar vivo, sinceramente.

Como toda desgraça pouca é bobagem, sobra para o nosso boneco (ou boneca) botar o pé na estrada, guiado pela Deusa da Colheita (figurinha carimbada da série) e com a ajuda dos amigos, humanos e animais, que vai fazendo pelo caminho para dar uma mão a quem precisa, recuperar a terra e descobrir de onde veio essa neblina toda, sem esquecer, se possível, por favor, de voltar a tempo de molhar as plantinhas. Afinal, temos que manter a produção e a economia girando.

A história de Harvest Moon: Echoes of Teradea ficou dentro do esperado, com personagens bem fofinhos, mas sem tanto carisma assim para prender a gente. Isso não invalida a experiência, mas se tem algo que títulos como Stardew Valley nos mostraram é que bons personagens fazem o mundo do jogo ficar ainda mais vivo e as relações ainda mais significativas (como as amorosas, por exemplo) e verdadeiras. Isso, aqui, faltou um pouco.

Harvest Moon: Echoes of Teradea
Podemos conhecer um bocado de gente, e até namorar. (Imagem: Divulgação)

Jogabilidade

Em essência, Harvest Moon: Echoes of Teradea é um simulador de fazendinha que mistura a rotina da roça com exploração, busca de felicidade e criação de bichinhos. Temos todos aqueles elementos da série que já conhecemos bem, como plantar, regar e cuidar da nossa plantação, e devo dizer que o jogo implementa essas mecânicas muito bem, a ponto de ser bem agradável ver tudo crescendo e dando certo no nosso pedacinho de terra. Isso, em jogos assim, é uma coisa essencial

Além disso, temos várias coisas para fazer, com animais para cuidar, pessoas para ajudar e locais para explorar. Para organizar tudo isso o jogo nos dá vários objetivos ao mesmo tempo, e podemos marcar até três deles para aparecerem no minimapa por vez, o que ajuda bastante. Alguns pedem para irmos até certos lugares, outros para entregarmos produtos para pessoas, ou para cuidarmos dos nossos animais até que eles aprendam certas habilidades, e por aí vai. Afinal, quem mais poderia ensinar um cavalo a pular ou entregar cebolas e cenouras?

Outro ponto legal de Harvest Moon: Echoes of Teradea é que tudo que fazemos nos dá happilia, que vai enchendo uns frascos que usamos para ajudar a recuperar o poder da Deusa da Colheita. Isso é bem interessante, porque qualquer tarefa, por menor que seja, nos dá a sensação de progresso e de que estamos avançando a história, e é bem maneiro ir vendo nossos potinhos de felicidade enchendo com o tempo. Além disso, esse lance nos motiva a fazer tudo que é possível em cada cidade do jogo.

Em se tratando da nossa energia para trabalhar (virtualmente, porque no mundo real já está zerada faz anos), o jogo usa um sistema de fôlego, mostrado em corações, que dita o que podemos fazer no dia. Recuperar é bem fácil, já que podemos pegar cogumelos ou pescar e fazer pratos simples que nos curam sem muito problema. E, de quebra, esses recursos naturais se renovam bem rápido

Contudo, nem tudo são flores e alegria. Coisas simples, como correr, também gastam fôlego para caramba, o que acaba deixando o sistema mais chato do que deveria porque a gente passa mais tempo se preocupando com os coraçõezinhos do que aproveitando o dia. Levando em conta tudo que fazemos, e o boneco que anda lento (melhora depois de termos o primeiro cavalinho), essa restrição acaba incomodando.

Harvest Moon: Echoes of Teradea
Rei da roça. (Imagem: Divulgação)

Falando em animais, Harvest Moon: Echoes of Teradea também nos permite fazer amizade com os bichos que encontramos pelo mundo, e adotá-los depois de chegar a um certo nível de amizade. O esquema é bem simples, bastando dar alimento para eles ou chegar andando na espreita para fazer carinho. Se forem agressivos, um suborno com algum alimento gostoso (como os cogumelos e morangos que temos na cidade inicial) já resolve o problema.

Cada um deles tem um poder, como carregar coisas ou nos ajudar a fugir de animais hostis, e é bem legal ir descobrindo o que cada um faz e virando amigo deles. Foi, acredito eu, uma das partes que mais me divertiram no jogo. Uma das maiores alegrias, por exemplo, foi comprar meu primeiro pangaré e não precisar mais gastar a sola da bota para ir onde precisava.

Não temos inimigos propriamente ditos no jogo, apenas animais selvagens que, quando se aproximam, nos deixam tremendo e drenam nosso fôlego. Se ele acabar, temos que voltar para casa e perdemos os itens que estávamos carregando. Isso é até desafiador no começo, e pode ser mitigado avançando a história ou adotando certos animais, como um tipo específico de cachorro, por exemplo.

Contudo, ao longo do tempo, essa mecânica acaba sendo mais chata do que legal, porque atrasa a experiência e interrompe a exploração justamente quando a gente queria seguir em frente. Isso rolou muito comigo nas primeiras horas, nas quais precisava ir um pouco mais além da zona segura em busca de alguns ingredientes ou materiais para o que eu precisava fazer na minha horta.

Por fim, explorar os diversos mapas de Harvest Moon: Echoes of Teradea é bem legal, mas o jogo tem um começo lento, e também acho que poderia ter mais algumas melhorias de qualidade de vida, como o boneco andar mais rápido (principalmente no início, quando ele é bem lerdo) ou poder pular de qualquer altura para baixo, já que só conseguimos fazer isso onde tem umas bandeirinhas, e coisas do tipo. Nada que estrague a experiência, mas são detalhes que fariam diferença.

Harvest Moon: Echoes of Teradea
Domado e adotado. (Imagem: Divulgação)

Sons e Visuais

Visualmente, Harvest Moon: Echoes of Teradea tem uma boa variedade de cenários, com gráficos bonitos, fofos e bem coloridos. Os modelos dos personagens são bem feitos, mas nem todos se destacam tanto assim. Em se tratando de desempenho, tive um pouco de lag em alguns momentos no modo portátil. Nada que tenha atrapalhado demais, mas vale o aviso para quem for jogar fora da dock.

Já a trilha sonora é bem relaxante e fica dentro do que vemos na série e no gênero, mas acho que poderíamos ter um pouco mais de variedade, e também mais vozes, para temperar os diversos momentos da jogatina. Ah, e ficamos sem nossa legenda.

Harvest Moon: Echoes of Teradea
Os animais são uma fofura. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Harvest Moon: Echoes of Teradea ?

Harvest Moon: Echoes of Teradea, leitores e leitoras de meu coração, é um jogo bem legal dentro de uma saga, e gênero, excelente para momentos de relaxamento e naqueles nos quais queremos apenas nos conectar com a natureza. Virtualmente, claro, porque estou correndo de mosquitos, carrapatos e outras coisas dessa ordem.

De positivo, acredito que o jogo ficou bem feito e consegue implementar bem as mecânicas que já conhecemos e esperamos, além de inovar com as interações com os animais, a maneira que juntamos felicidade e por aí vai. De negativo, sinto que ele tem um começo muito lento e que, em certa medida, é ainda mais arrastado por conta do fôlego baixo que temos e o quanto temos que gastar.

Mas, tudo considerado, ainda acho que Harvest Moon: Echoes of Teradea é uma boa adição para a coletânea e mais do que competente, sendo uma boa pedida para quem curte o estilo e esteja buscando um cantinho de chão virtual para chamar de seu.

Harvest Moon: Echoes of Teradea chega nesta quinta-feira, 15 de outubro, para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC, via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

*Review elaborado em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Natsume Inc..

Harvest Moon: Echoes of Teradea

BRL 359,00
7.9

HIstória

7.0/10

Gameplay

8.0/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

8.5/10

Prós

  • Cuidar de animais é bem legal e recompensador
  • Diferentes animais para domesticar, com suas habilidades e usos específicos, nos dá muito o que fazer
  • Jogabilidade tranquila e bem relaxante
  • Juntar felicidade nos potinhos e ver ela aparecendo sempre que fazemos algo é recompensador
  • Visuais bem fofos, principalmente os animais

Contras

  • Personagens não são tão cativantes quanto poderiam ou deveriam
  • Sistema de fôlego poderia ser um pouco menos punitivo, principalmente no começo
  • Começo um tanto quanto lento
  • Quedas ocasionais de performance no modo dock
  • Ficamos sem legenda

Matheus Jenevain

Redator de idade não especificada e habilidade excepcional (segundo o próprio, acredite se quiser). Curte Metroidvanias, RPGs e jogos de luta. Reza toda noite, intensamente, para receber um remake de God Hand. Nunca foi atendido.